5. İN1AAT PROJELERİNDE RİSK FAKTÖRLERİ
5.3 Ekonomik Çevre
Inicialmente é importante destacar que Weber não se vale especificamente do termo “emoção religiosa” no sentido de estados irracionais vivenciados por indivíduos, que partilham de uma dada confissão de fé, no momento preciso do culto, mas o pressupõe. É muito comum nas obras deste autor, ao tratar do tema em referência, o uso de palavras como sentimentalismo, ato emocional, sentimento de certeza, fervor, excitamento emocional, sentimento religioso, irracionalidade, fervorosidade, entusiasmo, efervescência religiosa, comunidade emocional, entre outras. Por conseguinte, o papel da emoção religiosa na religião é de fundamental importância nos escritos de Max Weber, fator que se torna evidente quando este estudioso analisa os diversos tipos de protestantismo em sua obra A ética protestante e o espírito do capitalismo (1999). Os estados afetivos em questão são elementos importantíssimos para a compreensão destas comunidades religiosas entusiastas e interferem diretamente nas ações sociais produzidas por estes grupamentos.
Na avaliação de três tipos de protestantismo – o luteranismo, o metodismo e o pietismo – são obtidos dados relevantes para o estudo da emoção religiosa.29 Nestas
27 Exemplo: o luteranismo, o metodismo e o pietismo.
28 Termo utilizado por Weber em A ética para indicar a erotização e estetização da vida.
29 Na ótica weberiana estas três comunidades são consideradas secundárias no estudo que ele propôs em A
ética protestante e o espírito do capitalismo. Entretanto, para a compreensão da emoção religiosa é de grande valia dada a sua proficuidade.
comunidades não está descartada a prática ascética, todavia a presença desta é inferior se comparada às calvinistas e às seitas batistas (Weber, 1999: 90-101). O luteranismo, segundo Weber, possui certos traços ascéticos que não estão relacionados com o cumprimento e/ou confissão da doutrina da predestinação. Portanto, cada membro deste grupo procura se esforçar para ter uma vida regrada, mas não se intimida se acaso cometer algo desaprovado pela religião. Uma vez que ele crê na livre escolha e confia na graça de Deus, pode reparar as suas fraquezas e irreflexões confessando o pecado e reconciliando-se com a divindade. De vez que os/as luteranos/as partilham desta ideologia protestante, a emoção religiosa pode ser experimentada como uma sensação de libertação da iniqüidade, unidade com o ser divino e, conseqüentemente, o alívio pela regeneração. Por outro lado, neste tipo protestante de ser, as doutrinas e os preceitos morais rígidos não exercem tanta força sobre os participantes da confraria, percebe-se um menor controle racional e uma maior abertura ao irracional.
Já o pietismo inglês mantém um agir ascético em decorrência de acreditar na doutrina predestinista, porém enfatiza a práxis piedosa. Em outros termos, nos momentos devocionais os crentes são estimulados à busca pela união simbólica, ou melhor, pela possessão mística de Deus num estado de efervescência religiosa produzido coletivamente ou por alguém.30 Nestas oportunidades a emoção religiosa é
vivenciada como deleite pela salvação, pois muito mais importa o gozo por sentir-se salvo do que realizar uma luta ascética veemente que confira tal sentimento. Com isto, cada fiel tem a chance de permitir-se possuir por Deus e desta relação experimentar os mais variados sentimentos, mesmo histerias ou euforias “religiosas”, a fim de constatar o que anseia. Após estes desfrutes cada indivíduo sente-se mais desejoso por separar-se do mundo a fim de que possa investir mais tempo nos encontros comunitários emocionais.
Uma outra comunidade protestante interessante é o pietismo alemão, possuidor de características do pietismo “clássico” (inglês) e do luteranismo. Do primeiro herdou a busca pela possessão mística, e do segundo a necessidade de sentir-se salvo, perdoado e reconciliado. Uma vez que está bastante distante do rigor ascético e afastado da
30 Segundo Weber, “o ascetismo ativo (...) é uma ação, desejada por Deus, do devoto que é instrumento de Deus e, por outro lado, a possessão contemplativa do sagrado, como existe no misticismo, que visa a um estado de ‘possessão’, não ação, no qual o indivíduo não é um instrumento, mas um ‘recipiente’ do divino.” Ver: Weber, 1971: 374-375.
doutrina da predestinação, uma marca distintiva, provavelmente compensatória, deste protestantismo é a necessidade incondicional de experimentar a emoção religiosa cotidianamente. Conseqüentemente, esta se configura pelo prazer no relacionamento com Deus e a comunidade religiosa, também como uma ação de humildade e abnegação no dia-a-dia.
No metodismo, à semelhança do luteranismo, o ato emocional da conversão deveria ser experimentado, porém ele era provocado seguindo os moldes da união mística do pietismo alemão. Normalmente este acontecimento era acompanhado de êxtases intensos, transes, euforia e histerismo.31 No entanto, depois de provada esta emoção religiosa o membro da comunidade, cheio de entusiasmo por haver sido perdoado, regenerado e justificado, iniciaria uma busca racional incessante pela libertação total do pecado (perfeição cristã).32 Um dos sinais que reforçava o sentimento
de que o indivíduo obteve a salvação pela graça era a prática de boas obras em favor de outras pessoas, mas com o intento de glorificar a Deus. Outro sinal era uma conduta metódica e empenhada, não determinada pelo predestinismo, na consolidação da perfeição.
Fora dito que a emoção religiosa é provocada privilegiadamente no espaço cúltico. Com o intento de esclarecer este aspecto, Weber aponta que esta assertiva pode ser confirmada durante o ato religioso chamado “cura de almas”.33 Neste, um indivíduo de permanente qualificação carismática, por ter o dever de administrar e transmitir o carisma, se dispõe a demonstrar o seu cuidado religioso para com os demais participantes da comunidade religiosa. Por conseguinte, se um fiel está passando por problemas de enfermidade, de relacionamento, de trabalho, de dinheiro, de tomada de decisões importantes, ou outro qualquer, ele tem a oportunidade de receber as devidas orientações, conselhos e exortações, também como, ter a sua dificuldade resolvida pela intervenção mágica do líder carismático – “o gerenciador das almas”. Comumente, durante este ato manipulatório é despertado no/a fiel uma série de sentimentos,
31 Ao discorrer sobre a prática pós-experiência de conversão Weber assevera: “O excitamento emocional tomava a forma de entusiasmo, que era apenas ocasionalmente convulsionado, mas que, de modo algum, destruiu o caráter racional da conduta”. (Weber, 1999: 101)
32 Ver a obra de Wesley intitulada: Explicação clara da perfeição cristã (1984).
33 A cura de almas pode ser realizada em recintos fechados e de modo particular, entretanto o maior interesse se desperta quando a execução do cuidado para com os fiéis se realiza no contexto coletivo do culto.
atribuídos à presença atuante da divindade, e que pode ser entendida como emoção religiosa (Weber, 1992: 373-376).
Outro espaço bastante propício para o despertar desta emoção é o do êxtase religioso. Semelhantemente à cura de almas, o êxtase é provocado por alguém que tem qualificação para o transe extático de modo a contagiar os membros da confraria. Esta experiência pode ser resultante de uma embriaguez e/ou orgia tóxica, musical, erótica, estética, dançante etc., e tem uma grande probabilidade de ser experimentada em ritos iniciatórios, recepções comunitárias e momentos de conversão. Segundo Weber, juntamente com os desejos e precariedades individuais e coletivas, os habitus de uma dada coletividade são instigados de uma forma tal que ao adquirir um caráter crônico favorece os excitamentos emocionais (Weber, 1992: 424-425). Outro dado é que muitas pessoas que vivenciam o êxtase têm a sensação corporal de estarem sendo tomadas por um ser supra-sensível.34