ECONOMETRIC ANALYSIS OF THE EFFECT ON ECONOMIC GROWTH OF THE HEALTH EXPENDITURE IN OECD COUNTRIES
5.2. Ekonometrik Yöntem ve Bulguların Değerlendirilmes
Ter onde morar é condição imprescindível para a plena realização da vida humana, razão pela qual as Cartas Maiores de diversos países classificam o acesso à moradia adequada como direito do cidadão e dever do Estado. No caso do México, a Constituição estabelece o direito à vivienda decorosa desde 1917 22 e, no Brasil, cabe ao Artigo 6o constitucional o direito à moradia, desde o ano 2000.
Esses dois países populosos (104 milhões de habitantes no México, 195 milhões no Brasil), contudo, não conseguem resolver a necessidade habitacional de sua população. Uma série de características próprias dessas sociedades, como a concetração de renda e de oportu- nidades, vêm antes da problemática da moradia, de modo que a habitação se apresenta como uma face visível de uma série de contradições sociais e econômicas.
21 Trataremos deste ponto com mais atenção no capítulo 3. Aqui, nos interessa pontuar a inserção deste fato importante para
a política habitacional e urbana no Brasil em seu momento histórico.
22 A última versão constitucional do direito à moradia data de 1983, que em seu Artigo 4o dispõe sobre o direito à moradia
digna e decorosa. Mas em 1917, a Constituição da Revolução Mexicana já definia a moradia cômoda e higiênica como um direito do trabalhador, direito deveria ser garantido pelo empregador. A Constituição atual, diferentemente daquela fruto da Revolu- ção, não irá delegar ao empregador a garantia do direito, mas à Lei, que regulamentará as formas de garantir este direito. Outra diferença importante é a quem se atribui o direito: em 1917, vinculava-se ao trabalho; em 1983, vincula-se à família (“Toda
família tiene derecho a disfrutar de vivienda digna y decorosa. La Ley establecerá los instrumentos y apoyos necesarios a fin de alcanzar tal objetivo”).
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A riqueza gerada pelo trabalho social (PIB de 1,261 trilhão de dólares no México e de 2,246 trilhões de dólares para o Brasil, ambos para 2013)23, está nas mãos de poucos, fazen- do desses países sociedades extremamente desiguais, (de acordo com a ONU, o índice Gini para o México é de 0,546 – ano 2000 – e de 0,500 para o Brasil). A concentração fundiária é alarmante: em 2011, 42,5% de toda a superfície de uso rural no país estava concentrada em apenas 0,8% do total de imóveis rurais (DIEESE, 2011), o que revela o grau de concen- tração das terras nas mãos de poucos.
Embora a complexidade dos problemas habitacionais não possa ser entendida estri- tamente por aspectos quantitativos - mas também qualitativos, de localização, de acesso e direito à cidade, da diversidade de demandas, entre outros aspectos - os números do défi- cit habitacional nos ajudam a ter uma ideia do quadro atual. No México, segundo a ONU (ONU-Habitat, 2011), existe um déficit de 8,9 milhões de ações em moradias, entre neces- sidades de construção de unidades novas (6 milhões de residências novas, das quais 3,9 mi- lhões para substituição de moradias precárias) e melhoramentos de moradias existentes (em 2,9 milhões de moradias existentes). A projeção do governo é ainda mais grave: o Progra-
ma Nacional de Vivienda 2014-2018, indica a existência de um déficit de 15.298.204 ações
habitacionais para 201224, das quais 3 milhões de unidades novas para substituição e as restantes para reforma, ampliação e melhoramentos diversos.
No Brasil, os números mais recentes referem-se a 2012 e apontam um déficit de 5,792 milhões de moradias, de acordo com a Fundação João Pinheiro (Fundação João Pinheiro, 2014: 9), sendo 2,660 milhões de unidades necessárias para cobrir o déficit com ônus ex- cessivo com aluguel, 1,865 milhões para cobrir a coabitação e 382 mil para sanar problemas relativos ao adensamento excessivo (Fundação João Pinheiro, 2014:10).
Nos dois países, as necessidades habitacionais são majoritariamente urbanas, ainda que haja precariedade habitacional no campo. Assentamentos irregulares em áreas ambiental- mente frágeis, como na região dos Mananciais, em São Paulo (ver Figura 3) não se fazem raros. No Brasil, a maior concentração do déficit está na região Sudeste, e a região metro- politana de São Paulo, com quase 22 milhões de habitantes, concentra 12% do déficit do
23 Fonte: Banco Mundial.
24 Diário Oficial da nação, 30 de abril de 2014, p. 8.
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país (conta nossa a partir de dados da Fundação João Pinheiro, 2014). Na Cidade do Mé- xico, onde residem cerca de 26 milhões de pessoas, os dados oficiais indicam que as neces- sidades habitacionais eram, em 2006, de 245 mil ações, entre construção de novas unidades habitacionais (153 mil unidades) e melhoria de edificação existente (as 92 mil unidades restantes), segundo o governo do Distrito Federal (PEREDO, 2006: 52).
No bojo da necessidade de a classe trabalhadora dispor de moradia para sua reprodu- ção, o conflito entre casa própria construída pela própria força de trabalho e casa própria construída pelo capital é colocado. Afinal,
a produção para o lucro e a produção para o uso são frequentemente conflitantes. Portanto, a sobrevivência do capitalismo requer que o trabalho seja dominado pelo capital, não apenas no processo de trabalho mas também com respeito à pró- pria definição de qualidade de vida na esfera do consumo (HARVEY, 1982: 12).
Para fazer parte do consumo da mercadoria habitação produzida pelo mercado formal, é preciso que se criem formas de tornar solvente esta demanda. O Estado, o capital finan- ceiro e o capital imobiliário, associados, atuam como agentes viabilizadores desse acesso à casa própria, cada vez mais através da propriedade privada, o que permite a reprodução do capital na produção da casa como mercadoria. O papel destes três agentes na produção de mercado da moradia será discutido no capítulo seguinte.
fiGura 3 Inadequação habitacional em assenta- mento irregular no muni- cípio de Sâo Paulo, na re- gião de Mananciais. Fonte: foto do autor, 2013.
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agentes e a forma de produção
de mercado da moradia
Neste capítulo, apresentaremos estudo teórico sobre a produção de mercado da habitação, a partir de uma análise do papel e das categorias de três grupos de agentes: Estado, capital imobiliário e capital financeiro. São agentes essenciais para o funcionamento desta forma de produção, objeto deste estudo.
Para tanto, apoiamo-nos em um trabalho escrito por Samuel Jaramillo nos anos 1970, sobre as formas de produção do espaço construído em Bogotá. O trabalho ainda é bastante atual porque aporta reflexão sobre formas de produção ainda coexistentes nos dois países analisados, também latinoamericanos. No entanto, a reflexão sobre “capital financeiro” fei- to por este e outros autores que escreveram teses pioneiras sobre a questão habitacional e urbana na América Latina, parte muito de uma análise do “capital financeiro bancário”, enquanto a literatura hoje busca entender, para além deste, os novos mecanismos de acu- mulação existentes na produção do espaço a partir do momento em que um capital fictício desenvolve-se na esfera da produção e das políticas habitacionais como um dos agentes que participam do circuito de produção do espaço. Assim, se antes capital financeiro referia-se quase exclusivamente ao capital de circulação que atuava na produção, agora somamos este trabalho ao esforço empreendido por diversos autores (Royer, Shimbo, Fix, Rufino, Rolnik, Pereira, Harvey, Aalbers, entre outros) para tratarmos do surgimento de uma nova forma do capital financeiro que atua de maneira conjunta com o capital produtivo.
Pautada nesta base teórica, propomos neste capítulo uma reflexão sobre a forma de produção de mercado da habitação a partir da análise de categorias de agentes da produção, bem como sobre as relações existentes entre eles.