3.5. Kültür, Tarih, Bilim ve Sağlık Taleplerine Göre Turizm Türleri
3.5.1. Alternatif Turizm
3.5.1.11. Ekolojik (Eko) Turizm
A Constituição Federal, em seu art. 170, institui que a ordem econômica, fundada na
valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tenha por finalidade assegurar a todos uma existência digna, dentro do ideário de justiça social. Este dispositivo introduz os
princípios gerais da atividade econômica, entre eles o tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte.
O art. 179, também da Constituição Federal, estabelece que a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios podem dispensar às MPE’s, assim definidas em lei, um
tratamento jurídico diferenciado, visando incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas
por meio lei. Neste sentido, a fim de cumprir este ditame constitucional, as seguintes leis já foram editadas para este segmento empresarial:
• Lei nº. 7.256/84 - Estatuto da Microempresa, apoio ao segmento nas áreas: administrativa, tributária, previdenciária e trabalhista;
• Lei nº. 8.864/94 - tratamento favorecido nos campos trabalhista, previdenciário, fiscal, creditício e de desenvolvimento empresarial;
• Lei nº. 9.317/96 - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES;
• Lei nº. 9.841/99 - regulamentada pelo Decreto nº. 3.474/00; estabelece diretrizes para a concessão de tratamento diferenciado aos pequenos negócios nos campos
administrativo, tributário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial.
A utilização das compras públicas para estimular este segmento decorre também da
percepção de experiências internacionais, como as desenvolvidas pelos Estados Unidos, Israel e África do Sul, principalmente em razão dos acordos de OFFSET, isto é, das compensações
comerciais, industriais, econômicas e tecnológicas nas contratações internacionais, com destaque para a experiência americana, que direciona as compras públicas para as MPE’s e
para as minorias consideradas em situação de vulnerabilidade ou de desvantagem competitiva, tais como as empresas de veteranos de guerra (MOREIRA e MORAIS, 2003).
A Lei Geral, com o objetivo de assegurar acesso aos mercados às MPE’s, consigna, a partir do seu art. 42, uma seção única para tratar das aquisições públicas, e que amplia de certa
forma as categorias constitucionalmente estabelecidas, pois inclui uma categoria nova que é o uso das compras públicas, via licitação, para atender o ditame constitucional, advindo também
daí a possibilidade de futuros questionamentos judiciais. Para efeito da implementação dos artigos constantes desta seção, os quais se referem à própria essência da utilização do poder de compra, duas explicações se fazem necessárias, conforme entendimento de FERNANDES
(2007): a primeira é no tocante aos artigos 42 ao 46, que são dispositivos de aplicação imediata e não necessitam regulamentação, sendo sua utilização compulsória para todos os
entes da Federação e que estão dentro da competência privada da União em editar regras gerais de licitação, ou seja, alcançam todos, com aplicação imediata a partir da vigência da Lei
Geral; a segunda, refere-se aos artigos 47 e 48, que estabelecem benefícios adicionais para este segmento, exigindo, entretanto, que estes devem ser precedidos obrigatoriamente de uma
regulamentação adicional por parte do ente que os concede, ou seja, enseja certa discricionariedade ao agente público no que diz respeito à sua adoção, que no caso em tela,
depende de um processo legislativo que estabeleça uma lei, estadual ou municipal, que regule estes benefícios adicionais.
Em se tratando desta discricionariedade, a sua relevância para esta análise decorre do
fato que esta ação passa a ser essencial para alcance de alguns objetivos contidos nesta Lei, fazendo realçar um processo importante, em se tratando do processo das políticas públicas,
que é a interação entre a questão da discricionariedade e os policy entrepreneurs. Este termo, introduzido por KINGDON (1995), representa as pessoas que investem seus recursos a favor
de determinadas políticas, atuando em qualquer fase e com poder de provocar-lhes alterações, podendo ser burocratas, acadêmicos, jornalistas ou políticos.
Ao associar dois desses elementos, MONTEIRO (1982, p. 155) assim coloca: “Nessas passagens, uma política vai sendo decomposta em elementos cada vez mais específicos, em
que os agentes de decisão fazem uso de seu poder discricionário, isto é, as sucessivas passagens da política na organização correspondem a variados graus de flexibilidade com que
a política pode ser decomposta, operacionalizada.”
Em relação às justificativas econômicas e sociais, a análise desta política ganha relevância no sentido de se estabelecer algumas matizes teóricas que fundamente e, de certa
forma, demonstre que ela possui uma forte interligação entre estes dois campos de atuação. SARAVIA (2006, p. 36), ao definir política econômica cita HAYWARD, que também elenca
os seus principais objetivos, este autor assim coloca:
[...] processo pelo qual diversos atores identificáveis pertencentes à comunidade política econômica contribuem para uma decisão governamental de forma que seus objetivos econômicos, no quadro de seus objetivos políticos gerais, sejam realizados pelas instituições existentes, ou reorganizadas, e com a ajuda dos meios de ação disponíveis.
[...] os objetivos puros de uma política econômica são: o aumento da produção, a melhora quantitativa e estrutural da população ativa, a redistribuição da renda, a redução das disparidades regionais, o desenvolvimento ou proteção de setores da indústria ou de empresas particulares, e o incremento do lazer pela redução da vida ativa ou do tempo de trabalho.
Os autores, ao fazerem a análise do conceito e dos objetivos acima, argumentam que alguns não podem ser considerados como “objetivos puros”, uma vez que eles mais se
encaixam dentro de uma idéia de justiça social ou de uma política de crescimento econômico,
existindo também os chamados quase-objetivos e os objetivos intermediários. Esta dificuldade em estabelecer o que seja estritamente econômico ou social, acentua-se quando se analisa o
segmento das MPE’s, existindo algumas divergências em determinar se as políticas destinadas a este segmento são de caráter industrial ou social. CASTANHAR (2006, p. 205), ao analisar
este segmento, coloca o enfoque da “universalização” versus “focalização” das políticas públicas, e enquadra as ações para este grupo dentro de um grande quadro de políticas
macroeconômicas ou setoriais, como a industrial, energética, de tecnologia e de promoção das exportações, entre outras. Acrescenta também, que pelas características dos instrumentos
utilizados, estas políticas tendem a beneficiar empresas de grande porte, sendo definidas “episodicamente” algumas políticas específicas para as MPE’s, possuindo pouco efeito na
prática.
A importância das MPE’s para as economias nacionais contemporâneas torna-se fato quase que inquestionável, conforme comprovam os dados da União Européia constantes do
documento Craft and Small Businees, com dados do Observatório das Pequenas e Médias Empresas (COMISSÃO EUROPÉIA, 2003). É neste sentido que os países da OCDE cada vez
mais buscam desenvolver o Uso do poder de compra do Estado como política de competitividade industrial, objetivando o fortalecimento das bases regionais para
desenvolvimento tecnológico, o fortalecimento da rede de MPE’s e desenvolvimento de áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico (ALÉM, 2000).
LEMOS (2003), em sua análise, coloca que as políticas públicas para as MPE’s são recentes no Brasil e que seguem uma tendência internacional de valorização deste segmento
empresarial, destacando que o resgate desta relevância está associado à crise do modelo fordista de produção e à aceleração do processo de globalização, o que leva ao surgimento de
novos formatos organizacionais mais flexíveis e a um debate centrado na questão do
desenvolvimento regional e local. LASTRES (2004) coloca que dentre as transformações que marcaram a passagem do milênio, observa-se a importância que as MPE’s têm na
reestruturação produtiva e no desenvolvimento de regiões e países. De forma geral, as MPE’s passam a ser vistas como fontes potenciais de desenvolvimento, seja na área da tecnologia,
dentro de uma idéia de inovação tecnológica, ou como dinamizadoras de uma economia local, principalmente quando inseridas dentro de novos formatos de aglomerações produtivas, como
clusters, distritos industriais ou nos Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais
(ASPIL’s), conforme definição dada por CASSIOLATO e LASTRES (1999).
SARAVIA (2002), ao analisar novas formas de configurações organizacionais, ressalta que elas advêm de um conceito maior, que é o de redes e o da organização em redes, com
destaque para as suas inúmeras possibilidades de aplicação. Comenta também sobre as redes inseridas nas cadeias produtivas, as empresas virtuais e a grande capacidade que as MPE’s têm, quando inseridas nesta forma de organização, de se tornarem incorporadoras e difusoras
de tecnologias.
Destaque-se também, que dentre os diversos instrumentos apontados pelos autores
acima como viáveis e eficientes para a promoção deste segmento estão as compras públicas.