4. MEKAN KURUCU OYUNCAĞIN TARİHÇESİ
4.2. Mekân Kurucu Oyuncak
4.2.4. Eklemlenebilir Oyuncak: Kenetlenebilir Yapı Bileşenler
A construção de políticas públicas enquanto processo contínuo, que se inicia com a colocação de um determinado tema na agenda de discussões do país, passa pela formulação das normas que instituem a nova política pública e por sua implementação propriamente dita, e se completa com a avaliação de sua eficiência.
A reestruturação do Estado e definição do seu papel no provimento das políticas públicas, a avaliação de políticas e programas governamentais assumiram grande relevância para as funções de planejamento e gestão governamental. De acordo com Cunha (2006), a avaliação pode subsidiar o planejamento e formulação das intervenções governamentais, o acompanhamento de sua implementação, suas reformulações e ajustes.
Analisar as legislações e diretrizes da valorização dos profissionais do magistério da rede pública estadual do Rio Grande do Norte, decorrentes da política de Fundos – permite avaliar os efeitos desses Fundos, nesse primeiro momento, na definição das políticas, e posteriormente, no capítulo seguinte, os efeitos na carreira e na remuneração. Figueiredo e Figueiredo (1986) explicam que a avaliação de políticas públicas significa atribuir valor a uma política.
Para analisar os efeitos dos Fundos na definição da política de valorização dos profissionais do magistério, se faz necessário analisar a política “ex ante (antes) para efeito de comparação” (BARREIRA; CARVALHO, 2001, p. 23) tomando como referência as definições da carreira e da remuneração.
Os princípios da educação mencionados na Constituição Estadual do RN, de 1989, no capítulo anterior, garantem, legalmente, entre outras questões, a valorização dos profissionais do ensino, indicando a necessidade de outras regulamentações legais,
como a aprovação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração. Conforme Ferreira (2010), a participação do Sinte/RN, tem sido decisiva na conquista dessas políticas, tanto no que se refere à formulação, como na implementação das políticas. A definição das diretrizes políticas deve se pautar pela participação, tendo em vista o processo de construção de uma sociedade democrática.
A referida Constituição do Estado de 1989, em seu art. 142, estabelece os planos estadual e municipal de educação, de duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do poder Público que conduzam à: I – erradicação do analfabetismo; II – universalização do atendimento escolar; III – melhoria da qualidade do ensino; IV – formação para o trabalho; V – promoção humanística, científica e tecnológica do Estado; VI – profissionalização educacional em todos os níveis pelo ensino de um ofício.
Considerando o exposto na Constituição do RN, em conformidade com o estabelecido nas determinações legais nacionais, o Estado e os municípios devem definir as suas diretrizes para a educação, por meio da elaboração dos seus planos estaduais e municipais. Porém, apesar do estabelecido, o Estado do RN está oficialmente sem Plano Estadual desde 2003. Para o referido estudo, analisou-se o Plano referente ao período de 1994-2003 e também a versão preliminar de (2006) discutida nas bases, e mais recentemente, o Relatório da Conferência Estadual de Educação (COEED) – documento referendado pela sociedade civil e representações educacionais por meio das Conferências municipais e intermunicipais de educação realizadas em 2009 em todo o RN. Dentre as diretrizes políticas de valorização do magistério, destaca-se, principalmente, o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração.
4.1.1 Plano Estadual de Educação do RN: (1994-2003)
As diretrizes políticas, em âmbito federal, condicionam Estados, Municípios e o Distrito Federal a repensar, também, as suas orientações legais e encaminhamento da educação pública, em âmbito local.
Após a aprovação do Plano Nacional de Educação, no período de 2001 a 2010 (BRASIL, 2001), o Rio Grande do Norte deveria ter elaborado e aprovado o Plano Estadual de Educação. Porém, tal acontecimento não ocorreu. A Secretaria de Estado, da Educação e da Cultura, não encaminhou à Assembleia Legislativa o documento para
apreciação e aprovação, continuando, até hoje, na sua versão preliminar36. Oficialmente, as diretrizes para a educação estadual continuam sendo respaldadas pelo Plano Estadual de Educação Básica (RIO GRANDE DO NORTE, 1994).
No item referente à valorização dos profissionais da educação, constata-se a necessidade de implementação de uma política de valorização para o magistério, como condição básica de efetivação da melhoria dos padrões de qualidade da educação requerida pela sociedade. Acrescenta, ainda, no Plano Estadual de Educação Básica (RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p.18), que devem ser adotadas medidas quanto a planos de carreira, “capazes de promover a efetiva profissionalização do magistério”, definindo os padrões de remuneração e qualificação, estabelecendo também a reestruturação dos processos de formação inicial e continuada, abrangendo a revisão dos currículos dos cursos médios e superiores de magistério e de programas de capacitação dos profissionais da educação.
Para concretização dessa política, são apresentados quatro objetivos: 1) definir e implementar padrões de qualidade na carreira do magistério; 2) incentivar programas sistemáticos de formação e de treinamentos de docentes, prioritariamente para as séries iniciais do ensino fundamental com abrangência ao ensino de jovens e adultos; 3) reforçar a formação dos professores nas disciplinas das séries finais do ensino fundamental; 4) formar e treinar pessoal para atuar em programas de oferta de serviços sociais integrados (RIO GRANDE DO NORTE, 1994).
O referido Plano apresenta nas metas, de forma frágil, a intencionalidade de implementar o Plano de Carreira, a saber: estabelecimento de um plano de carreira, cargos, salários e revisão de Estatuto do Magistério em articulação com as entidades da área de educação; garantia de concurso público para ingresso no magistério; “garantia do cumprimento do preceito constitucional de que nenhum trabalhador perceberá remuneração inferior ao salário mínimo vigente no país [...]” (RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p. 18).
A proposição de valorização, no que tange à remuneração, de acordo com esse documento restringiu-se à garantia constitucional de que nenhum trabalhador deveria receber remuneração inferior ao salário mínimo. E a proposição de uma política de
36 O referido fato decorre primeiro, pela falta de prioridade e vontade política, por parte dos governantes da
época. E em segundo, pela instabilidade de ocupação a pasta da Secretaria de Estado, da Educação e da Cultura, sendo ocupada no período por mais de dez secretários de educação, consubstanciando-se em um processo constante de descontinuidade das políticas educacionais (FERREIRA, 2010).
valorização do magistério, como seria possível, apenas com essa indicação? No entanto, apesar da indicação do estabelecimento de um Plano de Cargos, Carreira e Remuneração e revisão do Estatuto do Magistério, isso somente ocorreu em 2006.
O Plano Estadual de Educação do RN, de 2006 (RIO GRANDE DO NORTE, 2006 – versão preliminar) objetiva estabelecer as diretrizes globais e estratégias, no âmbito da educação básica e suas modalidades de ensino, da educação profissional e de educação superior. A proposição desse Plano seria a sistematização da política educacional da Secretaria de Estado, da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte para o período de 2006 a 2011 e tem como princípio norteador, uma educação de qualidade, e o direito de todos, que deveriam nortear as ações educacionais. Suas diretrizes político-pedagógicas foram resultantes dos debates nacionais em educação, como: universalização do ensino fundamental, erradicação do analfabetismo, progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio, qualificação e valorização do magistério e democratização da gestão educacional. Algumas diretrizes complementares, também, foram agregadas no intuito de ampliar a abrangência das áreas prioritárias da SEEC/RN, tais como: qualidade do processo de ensino e aprendizagem, integração escola comunidade, construção da cidadania, trabalho e cultura.
No desenvolvimento do princípio da valorização profissional do magistério, a citada proposta de Plano Estadual (RIO GRANDE DO NORTE, 2006) destaca que a Década da Educação (1997-2007), instituída pela LDB, almeja, em seu término, estar com todos os professores qualificados em nível superior, período referente à política de
fundos. De acordo com o documento (RIO GRANDE DO NORTE, 2006, p. 22), “o
esforço pela qualificação há que ser encarado com seriedade e firmeza, pois ele é precondição para a educação de qualidade pretendida”. “Não se pode, contudo, falar em qualificação do magistério sem se levar em conta a necessidade urgente de se valorizar e resgatar a dignidade desses profissionais da educação através de um reconhecimento salarial justo” (RIO GRANDE DO NORTE, 2006, p. 22).
O Plano apresenta, ainda, a qualificação e a valorização dos professores, como dois eixos básicos, centrais e indissociáveis, que precisam ser equacionados. Em primeiro lugar, deve-se ter em mente que não haverá qualidade na educação se não houver uma boa formação e que de nada adiantará essa boa formação se não houver continuidade de estudos e de treinamento em serviço. Em segundo lugar, são indispensáveis condições adequadas de trabalho ao professor, tais como: ambientes estimulantes, como amplos recursos didáticos e tecnológicos, laboratórios, bibliotecas, videotecas, acesso à Internet.
E em terceiro lugar, será necessária a construção de um Plano de Carreira que assegure ao professor as condições adequadas para que ele, por si próprio, prossiga a busca contínua dos meios para aprimorar o seu ofício. Esse documento (RIO GRANDE DO NORTE, 2006, p. 23) destaca, ainda, que:
[...] salário digno, formação inicial e continuada de qualidade, condições de trabalho adequadas e gestão democrática em todos os níveis, são caminhos para se resgatar a autoestima do professor, pois significam reconhecimento profissional concreto e reverterão, certamente, em melhor qualidade da educação pública que se quer para todos.
Em relação ao plano anterior, a proposição desse documento preliminar (RIO GRANDE DO NORTE, 2006) avança no que concerne à valorização do magistério. Primeiro, porque constitui um princípio norteador de uma educação de qualidade; e segundo, porque é uma área prioritária das políticas educacionais do Estado do Rio Grande do Norte. A proposição de Plano avança, porém recua por não apresentar nenhuma meta relacionada à implementação dessa política. Contudo, o mais grave, no que se refere à referida proposição de Plano Estadual é a sua não aprovação, continuando, apenas, como proposições bem intencionadas, denominado de versão preliminar, que não avançou.
Em estudo efetivado por Ferreira (2010), mais alguns depoimentos relativos às entrevistas com integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte, destaca a importância da participação do movimento na definição das políticas educacionais e a ausência de um Plano Estadual de Educação, a saber:
O sindicato tem tido uma participação grande quando se trata de concepção de política de educação. Temos feito duras críticas, aos programas e projetos desvinculados de uma proposta, de um plano estadual de educação. Aliás, o RN não tem um plano estadual de educação e isso mostra o compromisso do governo com a educação pública [...]. Nós temos trazido este cenário para dialogar com a sociedade, tanto é que o nosso sindicato em seus movimentos grevistas tem recebido um apoio muito grande porque ele hoje incorpora a luta em defesa e promoção da escola pública social e emancipatória. Isso significa dizer que nós não queremos apenas salários, nós queremos uma escola que os alunos se sintam sujeitos de sua história e que eles possam estar recriando a estrutura social, porque nós temos uma estrutura capitalista e sobre a égide dessa estrutura capitalista, se não fossem as lutas sociais, a educação seria cada vez mais mercantilista (ENTREVISTADA 1, 2010, apud FERREIRA, 2010, p. 149 – E137).
O posicionamento da representante do movimento sindical da educação do RN é esclarecedor, quanto à falta de prioridade do governo, em relação ao estabelecimento de uma política de Estado, que contemple a definição de objetivos, metas e estratégias para o alcance de uma educação de qualidade, por meio de um Plano Estadual de Educação, haja vista, que, até, então (2013) continua, apenas, com um Plano vencido – analisado anteriormente, uma versão preliminar de (2006) e atualmente, o relatório da Conferência Estadual de Educação – COEED (2010), como contribuição da participação da sociedade civil do RN e a Conferência Nacional de Educação (Conae) para elaboração do Plano Nacional de Educação (2011-2020).
Monlevade (2000) afirma que, dentre outras considerações, a valorização do professor vem de três fontes, além de outros fatores: formação intelectual e ética do professor para os desafios do seu trabalho [...]; e constituição de uma identidade profissional, dada não só pelo saber científico como pela luta e organização sindical; e decisão política do Estado de tirar os entraves que impedem o pagamento de salários dignos, calculado para jornada integral e dedicação exclusiva do professor na escola (MONLEVADE, 2000, p. 272). Essas questões fazem parte de lutas históricas dos professores e ainda carecem de maiores iniciativas do governo para o setor, assim como de investimentos de pesquisas pela comunidade acadêmica. Portanto, a participação dos profissionais do magistério é um dos desafios colocados no RN para a conquista das políticas públicas de valorização do magistério.
4.2 A CARREIRA E A REMUNERAÇÃO: REGIME JURÍDICO ÚNICO E O