• Sonuç bulunamadı

São utilizados primeiramente estes dados de 2010 que indicam a predominância de jovens entre os desocupados no País, para ressaltar, em seguida, o alto percentual de empregados entre os egressos tanto dos Institutos Federais de Educação como dos egressos das escolas técnicas do Centro Paula Souza.

Mas, em se tratando dos efeitos da passagem pelos cursos técnicos, tão importante quanto o conhecimento obtido sobre o destino dos egressos seja talvez prestar atenção na forma como ocorre o ingresso dos alunos nestes cursos técnicos:

“Na avaliação do economista especializado em educação Naercio Aquino Menezes Filho, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER), os dados positivos do emprego entre alunos do nível técnico estão associados ao processo de seleção das escolas técnicas. "Diferente das escolas públicas tradicionais de ensino médio, as unidades de educação profissional são reconhecidas pela qualidade do ensino e

170

acabam atraindo os melhores alunos, com as melhores notas. O mercado vai apostar suas fichas neles", resume”. (JORNAL DA CIÊNCIA, 13/07/2010)

Na fala do economista citado no trecho da notícia acima talvez esteja parte da explicação do maior sucesso destes alunos que passam pelos cursos técnicos: a seletividade no ingresso. No Centro Paula Souza, de São Paulo, por exemplo, o ingresso ocorre mediante o chamado vestibulinho pelo qual é feita a triagem entre os que terão direito ao ensino técnico gratuito, e aqueles não selecionados que deverão buscar outras alternativas. Mas o economista não entra neste detalhe gastando tempo de análise para o caso dos derrotados no processo. Prefere usar seu tempo numa ocupação mais usual que está em conformidade com o espírito da época: lembrar que as escolas públicas tradicionais de ensino médio “não” são reconhecidas como de qualidade o que faz de forma indireta, mas não sem ênfase que é dada pelo principal avalista final do processo: o mercado que “vai apostar todas as fichas neles”. Mas neles “quem”? Considerando a seqüência lógica como foi colocada a questão, pode ser deduzido que “neles” se refere àqueles que foram previamente selecionados para entrar na Escola Técnica Pública, mediante o vestibulinho.

Não sendo possível, por exemplo, a imediata universalização no acesso ao Ensino Técnico gratuito, o que deve ser feito para minimizar, pelo menos, a seletividade no processo de ingresso, é a ampliação no número de vagas de modo a aumentar a probabilidade de acesso dos alunos que não sejam apenas “os melhores”. Se é esta a lógica que está sendo adotada ou outra de natureza e finalidade mais política e eleitoral, na verdade, não há como reconhecer estas lógicas e motivações que possam justificar, com exatidão, as causas pelo recente interesse, tanto da rede federal, como na estadual, de São Paulo, na expansão. Mas ela, nos últimos anos, está acontecendo nos dois níveis do governo: no federal e no estadual de São Paulo. Observemos como o processo é verificado na escala federal:

“O Secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec-MEC), Eliezer Pacheco, classifica como "surpreendente" a demanda do mercado de trabalho pelos técnicos formados em algum dos 185 cursos técnicos catalogados em 12 eixos [...]

"No Fórum Social Mundial em Porto Alegre, o presidente Lula brincou: "Antes costumava ver faixas contra o FMI, agora vejo prefeitos e movimentos sociais pedindo escolas técnicas". Como secretário, aonde quer que eu vá, prefeitos sempre cobram a mesma coisa. O ensino profissional talvez seja a principal agenda em educação hoje, despertou o interesse de diferentes comunidades porque resolve a questão do desemprego", afirma Pacheco.

Segundo ele, o MEC vai gastar R$ 4,6 bilhões com educação profissional este ano, mais de três vezes o orçamento do setor em 2003. Os recursos serão destinados para cumprir o plano de expansão do governo, que prevê 380 escolas técnicas em funcionamento até o fim de 2010 - em 2002, havia 140 unidades, outras 62 foram entregues até o ano passado.

171

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em Brasília, a abertura de 78 novas instituições em 19 Estados, com capacidade para atender até 100 mil jovens em cursos técnicos de nível médio, licenciaturas e superiores de tecnologia. Para bater a meta, há outras cem escolas em obras. Os investimentos em construção e equipamentos somam R$ 1,1 bilhão. Com aval do Congresso Nacional, o Ministério do Planejamento autorizou o lançamento de concurso público para a contratação de 5 mil professores e 3,9 mil técnicos administrativos”. (JORNAL DA CIÊNCIA, 13/07/2010)

Neste trecho da notícia, após o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Eliezer Pacheco, fazer referência a demanda do mercado de trabalho por alguns dos cursos catalogados em eixos que seriam, por exemplo, de saúde e segurança; controle e processos industriais; gestão e negócios; hospitalidade e lazer, informação e comunicação; produção alimentícia, entre outros, faz também referência a uma espécie de demanda que não é apenas do mercado, mas dos políticos e movimentos sociais. E se esta demanda é percebida e atendida pelo Governo Federal, conforme os números citados indicam, por parte do governo do Estado de São Paulo, o comportamento, neste sentido, não é diferente:

“O governo do Estado de São Paulo também está expandindo a rede pública de ensino profissionalizante. Sem acesso ao programa Brasil Profissionalizado do governo federal, o ex-governador Geraldo Alckmin, secretário estadual de Desenvolvimento, pasta responsável pelo Centro Paula Souza, que administra as escolas técnicas paulistas (ETECs), pretende "não gastar um único centavo com tijolos" e ainda assim abrir 33,5 mil vagas até o fim do ano. A estratégia é usar salas de aula ociosas de escolas estaduais e dos Centros de Educação Unificados (CEUs), da prefeitura paulistana.

"Tem muita escola com sala de aula vazia à noite. No ano passado, fizemos convênios para utilizar essa capacidade ociosa de mais de 30 escolas e 17 CEUs com as Etecs. O fato importante é que não precisa fazer prédio novo", explica Alckmin, acrescentando que os novos cursos serão limitados ao setor de serviços. "Vamos ceder professores do Paula Souza para ensinar comércio, turismo, informática, administração, gestão de pequenos negócios, contabilidade, cursos que demandam no máximo um laboratório de informática."

Calculando de cabeça, o ex-governador prevê economia de até R$ 300 milhões. "Construir e equipar uma escola para 1,1 mil alunos sai por volta de R$ 7 milhões, R$ 8 milhões. Estamos falando de mais de 30 escolas. A economia pode ser ainda maior, porque aí não entra a compra de terrenos, não precisa gastar com limpeza, segurança, a ETEC só entra com os professores."”. (JORNAL DA CIÊNCIA, 13/07/2010)

Benzer Belgeler