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Edirne Şah Melek Camisi mihrabı (A Karaçağ’dan)

5.2 Teknik ve Süsleme Özellikler

Çizim 19 Edirne Şah Melek Camisi mihrabı (A Karaçağ’dan)

Este estudo buscou compreender a vivência do processo de cuidar de doentes renais crônicos, a partir de diferentes olhares, segundo a visão do familiar cuidador e da equipe multiprofissional em uma unidade de hemodiálise.

Não foi uma tarefa fácil, pois trabalhar com dados tão ricos de diferentes grupos, com características complexas e distintas, gerou um emaranhado de sentimentos e reflexões que, certamente, acompanharão o pesquisador ao longo de sua vida profissional.

Realizou-se uma pesquisa de abordagem qualitativa, utilizando-se a Análise de Conteúdo para a organização dos dados. Foram entrevistados 40 indivíduos, sendo 20 cuidadores familiares e 20 profissionais da equipe de saúde. Após a exploração do material, foram elaboradas sete categorias temáticas, divididas em quatro para a família, sendo: Vivenciando as mudanças impostas pela doença e tratamento, Assumindo o papel de cuidador, Tendo perdas nas diversas esferas da vida e (Des) Conhecendo a hemodiálise. E três para a equipe multiprofissional: Buscando esclarecer as dúvidas dos pacientes e familiares, Valorizando a participação da família para o sucesso do tratamento e Reconhecendo a importância do trabalho em equipe.

Olhar para a família para compreender suas relações e interações com o meio, partindo da visão do cuidador, pode ser considerado um papel limitante, pois a concepção da família como um todo não é igual à soma de suas partes.

Compreende-se que conhecer o sofrimento do outro, sua vivência e suas dificuldades é algo importante, pois a mesma experiência é interpretada por diferentes grupos de uma forma particular.

A partir da visão do cuidador familiar, a vivência de ter um ente querido em tratamento hemodialítico, é uma experiência traumática, sujeita a uma diversidade de sentimentos envoltos por intenso sofrimento, onde a ausência de conhecimento suficiente sobre o tratamento dificulta o processo de ser um cuidador capacitado. Além disso, a falta de envolvimento de outros familiares com as demandas geradas, também apareceu como algo que contribui para sobrecarga e falta de rede de apoio. Não foi possível perceber com clareza a

necessidade de o cuidador familiar ser considerado como uma unidade de cuidado, mas há pistas quanto a isso, embutidas em seus discursos.

Em relação à equipe, os cuidadores estão satisfeitos com o tratamento oferecido ao seu familiar e têm segurança quanto à assistência que vem sendo oferecida.

A visão da equipe frente à participação da família é bastante valorizada, mas com enfoque voltado exclusivamente para auxiliar no controle do tratamento e na participação do doente, já que diversas restrições são impostas pela doença, refletindo de forma direta na ocorrência de complicações e piora do estado geral, caso as recomendações não sejam seguidas, principalmente, no domicílio.

O sofrimento da família, as perdas que ocorrem ao longo do desenvolvimento da doença, as dificuldades de se administrar o tratamento no cotidiano da rotina familiar passam despercebidas pela equipe. Esta, inclusive, em alguns momentos, faz julgamentos diversos quando a família não atende suas expectativas enquanto cuidadora.

A dificuldade de inclusão da família no processo de cuidar do doente renal crônico em hemodiálise é atribuída ao despreparo dos profissionais de saúde para que ocorra um cuidado ampliado. Assim, se observa que a clínica ainda ocorre de maneira fragmentada e quando se estende o olhar para a família ela acaba sendo visto como um auxiliar nos aspectos fisiopatológicos.

O cenário da hemodiálise é complexo, os pacientes e familiares têm diversas demandas, e isto se agrava pelo fato da equipe de saúde ser enxuta, com base somente na legislação mínima para sua composição, como é o caso de alguns profissionais que, além de atuarem nesta unidade, também atendem pacientes de outros setores.

Estas dificuldades foram mencionadas pelos profissionais, quando relatam que há excesso de trabalho e, com isso, sua atenção fica voltada para o doente, não havendo muito tempo para se pensar na família como gostariam.

A equipe não deve ser responsabilizada de forma isolada pelas falhas neste processo de tratamento e acompanhamento, mas deve dar condições para que a família esteja preparada para assumir o papel de cuidador e o doente o seu autocuidado, de maneira satisfatória. Isto é possível a partir do planejamento de ações educativas que garantam o fornecimento de informações com linguagem

acessível e interativa, com base nas dificuldades do outro e reconhecimento das necessidades de saúde dos pacientes e familiares atendidos.

Reconhecer a família, sua estrutura, desenvolvimento e funcionamento são fundamentais e o profissional deve buscar o conhecimento para compreender as relações de modo singular.

A falta de tempo e a rotina imposta em uma unidade de hemodiálise podem ser fatores limitantes, já que existe uma alta demanda fisiológica destes pacientes, bem como um processo de trabalho exaustivo, com acúmulo de várias atividades assistenciais e burocráticas que comprometem o cuidar. Entretanto, esperar que as instituições revejam seu dimensionamento de recursos humanos para assim modificar esta prática é quase ilusório.

Torna-se imprescindível que as equipes reflitam sobre seu processo de trabalho e definam suas metas e objetivos, bem como assumam um papel em comum com um trabalho interdisciplinar. Que tenham por objetivo transcender as barreiras e funções e não se limitem a realizar o que julgam ser apenas de sua competência, mas que busquem por novas competências, através de alianças com os demais membros, construindo uma prática ampliada.

A partir do planejamento de suas ações, é possível incluir o tempo para reflexão em equipe, escuta do sujeito e inclusão da família. Porque para que a integralidade do cuidado deixe de ser teórica e seja colocada em prática, os profissionais têm que se sensibilizar e buscar estratégias que conduzam a isso.

Faz-se necessário que os pesquisadores se aproximem desta temática para compreenderem outros olhares, tendo a família como sujeito e como sistema e não apenas como contexto. Desta forma, será possível se defrontar com novos modos de realizar uma prática voltada para a família.

Como proposta de ação, esta pesquisa pretende se estender para a realização de capacitação da equipe de saúde de forma crítica e reflexiva sobre seu processo de trabalho, a fim de ampliar suas possibilidades de cuidar com inclusão da família e possibilitar um cuidado integral.

Busca-se, também, a realização de um projeto de intervenção aos cuidadores e familiares de doentes renais crônicos em hemodiálise, com o objetivo de capacitá-los para assumir este papel de forma menos traumática, potencializando suas qualidades e fornecendo subsídios para realização do

autocuidado. Para isso, pretende-se desenvolver uma proposta terapêutica para o acolhimento dos usuários e familiares que estão iniciando o tratamento, bem como uma “reciclagem” daqueles que dela já fazem parte, a partir de dinâmicas de grupo de autoajuda e de interação com a equipe de saúde.

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