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Ebü‟l-Kasım el-Beğavî (ö 317/929)

Belgede Afganistan'da hadis öğretimi (sayfa 122-124)

C. GENEL DEĞERLENDĠRME

22. Ebü‟l-Kasım el-Beğavî (ö 317/929)

A teoria de Baudrillard servirá como base para a análise dos objetos de pesquisa. Por isso, é importante aprofundar ainda alguns conceitos do autor que serão úteis, como o de simulação e de hiper-realidade. Simular, explica o autor (1991a), difere do ato de fingir ou de dissimular. Na dissimulação, finge-se não ter algo que se tem. Na simulação, não se tem algo que se finge ter. Por baixo da

simulação, há uma ausência. O fingimento e o falso – assim como a imitação – são

da ordem da representação.

Um ator que imita ou representa um personagem finge postar-se no lugar de outra pessoa. Na simulação, desaparece a diferença entre o comportamento cotidiano do ser humano ator e a encenação do personagem – o ator nunca incorpora completamente o personagem, mas jamais é totalmente real, autêntico. A simulação situa-se exatamente na fronteira entre a realidade e a ficção, entre a realidade e a aparência, entre a verdade e a mentira. Não há mais oposição ou diferença. Isso significa que já não há nem verdade, nem mentira, nem realidade,

nem ficção, nem falso, nem verdadeiro, nem sujeito, nem objeto – nem razão, nem

Na verdade, na perspectiva baudrillariana, já não se deve falar em fronteira entre realidade e ficção, pois nem um nem outro existem mais: fundiram-se em uma só coisa indiscernível. Na simulação, só há a fronteira, os territórios que esta separava desapareceram. No real simulado (hiper-real) da contemporaneidade, nunca estamos no plano da realidade, mas nunca estamos no plano da ficção (ou da imaginação, da aparência). Nunca fingimos completamente, mas jamais somos verdadeiros.

Por toda a parte, em todo e qualquer domínio, político, biológico, psicológico, mediático, onde a distinção dos dois pólos já não pode ser mantida, entra-se na simulação e, portanto, na manipulação absoluta – não a passividade, mas a indistinção do ativo e do passivo. (...) Uma única nebulosa indecifrável nos seus elementos simples, indecifrável na verdade. (BAUDRILLARD, 1991a, 46)

Não há, igualmente, a mediação dos meios de comunicação – que

pressupunha a oposição entre dois mundos, o dos fatos concretos e a representação midiática destes. No paradigma da simulação, os media tomaram conta do cotidiano, infiltraram-se, diluíram-se na vida do cidadão comum. O comportamento deste se torna midiático e espetacular. Em contrapartida, a vida cotidiana invadiu os meios de comunicação. Mais uma vez: não há mais diferença ou separação entre dois pólos opostos. Os meios de comunicação, ao veicular, o que significa também multiplicar, repetir em excesso, os acontecimentos e os signos – e afastá-los dos referenciais originais – também são agentes do desaparecimento da realidade objetiva.

O surgimento da internet e do ciberespaço significa, na perspectiva baudrillariana, a aceleração dos fluxos, da produção e da reprodução do hiper-real a partir dos modelos. Assim como em algum momento tudo invadiu a dimensão da mídia televisão – e a televisão diluiu-se no cotidiano – tudo passa agora ao âmbito do virtual. O virtual está inserido no paradigma da simulação – não se pode afirmar, portanto, que há um afastamento entre o ciberespaço e o espaço concreto, material – aliás, como costuma fazer o senso comum e a imprensa em geral. A lógica do virtual invade o cotidiano (assim como as demais mídias fizeram) e o cotidiano invade o virtual. A diferença é a velocidade do processo, ainda mais acelerado.

Em função dessa aceleração, Baudrillard (1990) menciona uma quarta ordem do simulacro: fractal – ou viral – etapa em que há exatamente uma aceleração de todas as tendências da era da simulação, um período em que o vínculo dos signos com qualquer referente está definitivamente enterrado, em que não se pode falar de valor de troca, nem mesmo do valor de código, não há lei de valor.

Eis o paradigma fractal: uma distância quilométrica do signo em relação ao referente, do real, em que os signos estão liberados para evoluírem em todas as direções. Tudo o que havia para acontecer já aconteceu e o que resta são repetições de atos, fatos e acontecimentos. Se tudo já aconteceu e já se multiplicou na veiculação dos meios de comunicação, na repetição por meio do ciberespaço, então tudo já está previsto antes de ocorrer, o fato está precedido pelo modelo – é por isso que, segundo Baudrilllard (2003), não há mais acontecimentos.

Na verdade, nas obras mais recentes (1997, 2006, 2007), o autor utiliza menos o conceito de hiper-realidade e de simulação e começa a usar mais o de virtual. No entanto, a ideia por trás dos conceitos é a mesma: a realidade tal qual entendida anteriormente à evolução dos signos já não existe mais e foi substituída por outra coisa que não pode mais ser chamada de realidade.

Para Baudrillard (1996a), a sociedade do espetáculo de Debord (1997) situa- se em uma ordem do simulacro anterior à da simulação. Conforme Debord (1997, p. 13), na sociedade do espetáculo, “tudo o que era vivido diretamente passa a ser representado”. Isto é, as relações sociais e as atividades humanas passam a ser mediadas por signos e se torna impossível atingir diretamente a realidade concreta.

Baudrillard (1996a) considera que a sociedade do espetáculo já terminou. Depois de os signos se separarem do objeto e adquirirem vida própria, de a representação se sobrepor ao próprio referente, chegamos a uma fase em que o referente já não existe. O signo se tornou independente e, depois que passou a ser reproduzido indefinidamente, perdeu qualquer vínculo com a realidade.

A hiper-realidade que é cume deste processo é um real parecido com o anterior, mas mais espetacularizado, carregado, saturado, detalhado. É como se tudo tivesse sido duplicado numa imitação espetacular e o que sobra é apenas este duplo imitado. Como explica Merrin (2005), a pintura hiper-realista busca um rigor tão minucioso e detalhado que se torna ainda mais realista do que uma fotografia. E que o próprio real. Para Baudrillard (1991a), aquilo que chamávamos de real hoje se tornou hiper-real, uma estética que o autor (1991a, p. 40) descreve como “um arrepio de exatidão vertiginosa e falsificada, arrepio de distanciação e de ampliação

ao mesmo tempo, de distorção de escala, de uma transparência excessiva”. O hiper-

real é paradoxal por excelência: a multiplicação dos signos em um nível espetacular, acompanhada de um imaginário de transparência e de obsessão pela verdade, geram um real tão minucioso e detalhado, tão dissecado, que ganha o aspecto de falso.

Ainda assim, Baudrillard acredita em uma alternativa ao progresso da simulação: a busca de efeitos de reversibilidade que se oponham ao movimento de hiper-realização. Na verdade, não se trata de um movimento de oposição frontal, mas de desvio. O simulacro vaga sobre o vazio e qualquer tentativa de racionalizar, de pensar conceitualmente será malfadado: afinal, não se trata de retomar essências e perseguir o verdadeiro ser ou o real por baixo da falsidade. Se só há aparência – e é isso no que o autor acredita, que sempre existiram apenas

simulacros puros que receberam diferentes significados ao longo do tempo – então

só um jogo no nível das aparências poderá dar conta de um mundo hiper-real.

É o que alcançam a ironia e a sedução: este efeito de reversão do real. Retiram o real em vez de acrescentar mais, um movimento contrário ao da hiper- realização. Além disso, abrem no nível dos signos uma brecha, um intervalo que, de certa forma, restitui o simbólico e afronta o poderio da simulação. No próximo capítulo, em que descrevemos o método de pesquisa baseado nos conceitos de Baudrillard, há o aprofundamento dos procedimentos paradoxais do autor.

Belgede Afganistan'da hadis öğretimi (sayfa 122-124)

Benzer Belgeler