B. GÜNÜMÜZDEKĠ HADĠS ÖĞRETĠMĠ
2. Resmi Olmayan Yerlerde Hadis Öğretimi
2.1.1. Birinci Seviye
Este quadro foi ao ar no dia 08 de novembro de 2008. Rafael Cortez vai à festa de aniversário da revista Quem, que cobre o mundo das celebridades. A estrutura também é de reportagem: o quadro é formado por entrevistas com pessoas famosas. No início, Cortez mostra que ele próprio apareceu na revista e, portanto, é uma celebridade – fato que será explorado ao longo do quadro. O integrante fala tanto com celebridades mais conhecidas, como as atrizes Giovana Antonelli e Carolina Dieckmann e a apresentadora Glória Maria, quanto com personalidades de menor ou pouca fama, como a ex-BBB Jaque Khoury12, a apresentadora da Rede
Record Chris Flores13 e o travesti Salete Campari14.
Assim como o quadro no Congresso, este mescla perguntas com afirmações. Mas percebe-se um padrão: a maioria delas visa a constranger e desconsertar os entrevistados, com perguntas e afirmações diretas. Neste caso, todos respondem e dão atenção ao membro do CQC. As entrevistas também giram em torno de uma temática única: a vida dos entrevistados e a condição de celebridade. Cortez pergunta a apresentadora Márcia Goldsmith como lidar com todas as mulheres que correm atrás dele – ela responde que ele deve aproveitar, porque “isso passa”. Com Giovana Antonelli e Carolina Dieckmann, ele posa para fotos, colocando-se na posição de celebridade. À Gloria Maria, pergunta onde ela estava e comenta alguns boatos que circulavam sobre o sumiço dela. No final do quadro, Cortez diz que pode ir embora para casa e que não aguenta mais ficar na festa.
SIMULAÇÃO: O integrante do CQC, simulador que incorpora indistintamente as figuras do jornalista e do ator humorístico, aqui também é uma celebridade. Cortez, de fato, é uma celebridade (apareceu mesmo na revista Quem e os próprios entrevistados o reconhecem) que representa teatral, exagerada e ironicamente a condição de celebridade e que, neste quadro, entrevista outras celebridades. Fase avançada de simulação, em que um sujeito indistinto relaciona-se indistintamente
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Modelo, participou da oitava edição do Big Brother Brasil.
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Jornalista, apresentadora do programa Hoje em Dia, da Rede Record.
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numa equivalência com o objeto. Aqui, o integrante do CQC torna-se ainda mais simulado e hiper-real que nos quadros anteriores.
SIMULACRO: A referência é o jornalismo de celebridades de programas como o Video Show, da TV Globo. Estes programas já são um simulacro do simulacro (o jornalismo), que, por sua vez, lidam com simulacros (celebridades) – e isso em uma fase de multiplicação desses simulacros, dada a proliferação de reality
shows, séries ficcionais, novelas, programas de auditório, etc. Portanto, o quadro do CQC é o simulacro, do simulacro (Video Show), do simulacro (jornalismo) que lida
com o simulacro do simulacro (celebridades). São signos que há muito perderam o referente real de vista e que enquadram-se na quarta ordem dos simulacros de Baudrillard (1990). Ordem fractal: em que os signos, completamente afastados de qualquer referente, vagam aleatoriamente, sem qualquer sentido.
Celebridades com mais fama, como as atrizes da Rede Globo Carolina Dieckmann e Giovana Antonelli e a apresentadora Gloria Maria, parecem pertencer a uma etapa anterior, quando os simulacros-celebridades ainda não haviam se multiplicado e eram figuras aptas a serem contrapostas às “pessoas comuns”. Gloria Maria, especificamente, é uma figura indistinta e simulada: jornalista que, ao se destacar na realização de reportagens, tornou-se cada vez mais conhecida e virou
apresentadora do Fantástico – uma figura indistinta, uma função que é um misto de
jornalismo com encenação e na qual cabe perfeitamente a classificação de simulação (assim como Pedro Bial e Fausto Silva, ex-jornalistas que se tornaram simuladores; mas, se os próprios jornalistas tornaram-se simuladores, estes jornalistas que trafegam até uma zona de indistinção denotam uma fase avançada de simulação, uma hiper-simulação em certo sentido irônica).
HIPER-REALIDADE: Não há nada próximo de real aqui. As celebridades e o jornalismo da fama, que o quadro ironiza, já estão no terreno da hiper-realidade. A estratégia de ironia e reversibilidade do CQC, por vezes, joga ainda mais real sobre o hiper-real, produzindo situações hipergrotescas e hiper-escatológicas (analisaremos melhor a seguir).
Na verdade, o tema aqui não é o real ou o hiper-real, mas a própria televisão e os media. Ainda que dotado de crítica irônica, o quadro trata prioritariamente do universo televisivo – tema recorrente em outros quadros do programa. Baudrillard (1997, p. 157) diagnostica a tendência da televisão e de outros media de adotarem um discurso auto-referenciado:
Em princípio, ela (a televisão) está aí para nos falar do mundo e para apagar-se diante do acontecimento como um médium que se respeite. Depois de algum tempo, parece, ela não se respeita mais ou toma-se pelo acontecimento. Mesmo os Guignols15 do Canal + acabaram por tomar como alvo as confusas peripécias do microcosmo audiovisual. (...) A televisão passa a girar em torno de si mesma, na própria órbita, e a detalhar à vontade suas convulsões porque não é mais capaz de encontrar sentido no exterior.
A referência do autor ao programa humorístico francês16 serve de analogia
na análise do CQC, que também satiriza o mundo midiático e reiteradamente refere- se ao meio no qual é veiculado (a diferença é que, nos Guignols de L’Info, operam-
se marionetes, enquanto o CQC manipula o próprio hiper-real em direto, como ocorre no quadro com José Genoíno analisado anteriormente).
TRANSPARÊNCIA: As afirmações e perguntas diretas de Cortez, abordagens desconcertantes, denotam tanto uma estratégia irônica quanto uma vontade de verdade. Essa ambiguidade confunde quanto aos reais propósitos (se é que se pode falar em propósitos numa análise baudrillariana). Cortez persegue alguma verdade por baixo da atitude encenada das celebridades que entrevista? Ou a inquirição exageradamente direta é só um signo dentro do jogo de aparências que o CQC promove?
Perguntados de forma direta, as celebridades hiper-reais por vezes respondem com transparência ou agressividade que, em tese, revelariam uma
verdade autêntica – mas terminam por soar ainda mais hiper-reais, numa
agressividade ou intimidade pornográfica que, exatamente pelo excesso, carregam ainda mais a hiper-realidade. Carolina Dieckmann termina a conversa mandando
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Conforme nota do tradutor, um programa humorístico de grande sucesso na França na época, veiculado pelo Canal +, uma das principais emissoras francesas.
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Cortez fechar a boca; o travesti Salete Campari leva a escatologia ao extremo. Duas falas, porém, destoam das demais e fornecem uma dose mínima de sinceridade não-simulada: quando o ator Leonardo Miggiorin admite que, numa festa como esta, o objetivo é exatamente o de posar para os fotógrafos e quando a apresentadora
Márcia Goldsmith sugere a Cortez que aproveite o momento de fama, que passa –
ele havia dito, ironicamente, que não aguenta mais ser perseguido por mulheres.
IRONIA: Seja como for, essas frases servem para enriquecer o jogo indistinto de aparências que, numa visão baudrillariana, é o que há de sedutor neste quadro. A maior ironia é mesmo o jogo de reversibilidade entre o sujeito-celebridade (Cortez) e seus objetos-celebridades. E é uma ironia que funciona tão bem pelo fato de Cortez ter-se de fato tornado famoso, devido ao sucesso do CQC. Situação hiper- irônica: a celebridade dos integrantes do CQC, resultado da repercussão do programa, permite a construção de um jogo irônico e indistinto de signos que sofisticam o humor e, por conseguinte, repercutem mais ainda. O cúmulo da ironia será quando um programa jornalístico de celebridades filmar os integrantes e a produção do CQC filmando e entrevistando, situação que, dada a fama do programa, não deve demorar a ocorrer.