BÖLÜM 2: EBÛ BEKİR B. ABDURRAHMAN’IN HADİS İLMİNDEKİ
2.1. HADİSÇİLİĞİ
2.1.1. HOCALARI
2.1.1.1. Kütüb-i Tis’a’daki Rivayetlerde Adı Geçen Hocaları
2.1.1.1.5. Ebû Mesûd el-Ensârî
Em circunstâncias tão imprevisíveis, assumiu o governo José Gonçalves Cezimbra, em virtude das alegações de problemas de saúde do conselheiro Pedro Rodrigues Bandeira que o impediam de assumir as suas funções, enquanto conselheiro do governo mais votado. Importante comerciante da praça de Salvador, Cezimbra governou a Bahia por duas vezes, na condição de vice-presidente, visto ter sido eleito para o Conselho de Governo, o que denota o seu prestígio na cidade.
203 Há divergências quanto ao horário do atentado. No trabalho de Reis (2003, p. 56), consta que o presidente
teria sido assassinado em plena luz do dia, enquanto, no de Wildberger (1949, p. 78), o fato teria ocorrido ao cair da noite, às vinte e meia horas.
O pouco tempo de seu governo, cerca de mais de um mês, foi marcado por uma revolta de africanos, deflagrada bem no coração de Salvador, ousadia ainda não tentada, até então, haja vista que todas as outras tinham acontecido nos arredores da capital ou em vilas do Recôncavo. Ousadia paga com a vida dos africanos e com o endurecimento de medidas em relação à vigilância da cidade, adotadas pelo seu substituto, que chegara à cidade em 9 de abril de 1830.
Em 13 de abril seguinte, assumiu o governo da província o último presidente do Primeiro Reinado, Luiz Paulo de Araújo Bastos. Carioca, diplomado em Direito canônico em Coimbra, foi homem que serviu a D. João VI e, também, a D. Pedro I.
Regressando de Lisboa em 1819, fora nomeado, em 1820, como Juiz de Fora e do Crime da cidade da Bahia, função que acumulou com a de Provedor de Capelas, Resíduos, Defuntos e Ausentes. Daí em diante, Araujo Bastos esteve presente e atuante nos principais acontecimentos políticos da província, como aliado do Governo Central e por ele recompensado com cargos e títulos.
No início do conturbado ano de 1820 na província, era Araujo Bastos presidente do Senado da Câmara, e, nesta condição, recusou-se a dar posse ao brigadeiro Madeira de Melo no comando das Armas da província. Foi ele quem presidiu mais duas sessões importantes, a que aclamou D. Pedro I como Imperador Constitucional do Brasil, organizando, também, os festejos desse acontecimento; e, ainda, a sessão que deliberou pelo juramento da Constituição, em fevereiro de 1824.
Ainda assumiu o mandato de deputado, na suplência de Francisco Carneiro de Campos, que fora nomeado, em abril de 1826, senador do Brasil. Em 1827, foi nomeado desembargador do Tribunal da Relação da Bahia, recebeu a mercê de lugar ordinário de desembargador da Casa de Suplicação na Corte do Rio de Janeiro, exercendo, concomitantemente, o cargo de Intendente Geral da Policia dessa mesma cidade. Em 1829, a mercê de desembargador dos Agravos da Casa de Suplicação. Quanto aos títulos, em 1825, foi agraciado com o Hábito da Imperial Ordem do Cruzeiro, em 1828 com o título de conselheiro do Imperador204, em 1829, com o foro de Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial.
Como estabelecia o Regimento, o presidente fez seu pronunciamento ao Conselho dando “uma noção geral do estado dos negócios públicos e seguida dos esforços e patriotismo de tão Ilustres e Dignos Cidadãos, espero que a Província verá em resultados as mais sábias providencias para seu melhoramento”.
A saudação inicial do presidente evidencia o reconhecimento da situação de prestígio dos componentes do Conselho, identificados como Ilustres e Dignos, saudação apropriada àqueles que desfrutavam de condições sociais, econômicas e políticas privilegiadas na província, e que, por isso, os qualificavam e davam-lhes as condições para fazerem parte de uma instância política que, mesmo não tendo atribuição deliberativa, não invalidava a sua importância para propor sábias providencias. Por outro lado, tanta gentileza pode ter feito parte de uma estratégia para garantir apoio a seu governo e ao do Imperador, àquela altura, muito desgastado, para o que colaboraram, a revolta dos soldados mercenários, em junho de 1828, a usurpação do trono português pelo irmão D. Miguel e o conseqüente envolvimento do Imperador na questão portuguesa e, por fim, o enfrentamento de uma oposição ferrenha da Assembléia eleita para a legislatura de 1830-1834.
Com satisfação, o presidente destacava o estado de paz da província, pois, até então, nos oito meses de seu governo, não se tinha registrado “algum ato público que tenha perturbado a sua paz e sossego de seus habitantes, cada vez mais a favor do sistema da Monarquia Representativa, da Constituição, e adesão à Sagrada Pessoa do Magnânimo Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil”.
Paz obtida pela ostensiva vigilância e endurecimento das medidas com relação à população escrava, em decorrência da revolta recentemente ocorrida no governo de seu antecessor. O próprio presidente tomou medidas enérgicas. Determinou que se mantivessem presos todos os escravos envolvidos em revoltas e que, aqueles que fossem absolvidos por julgamento, deveriam ser vendidos imediatamente para fora da província. Determinação difícil de ser cumprida diante da fama de rebeldia dos escravos baianos, sabida em boa parte do Brasil.
As Fallas dos vários Presidentes da província abordam pontos semelhantes, acrescidos de maiores informações ou de novas questões, considerando-se cada momento de governo. Assim, a educação aparece, mais uma vez, com maiores informações e de forma mais positiva. A idéia da instrução como elemento de progresso e civilização parece ter motivado tanto o Governo Central como o provincial, através das Câmaras e Conselhos, a adotarem e executarem medidas que promovessem o desenvolvimento da instrução da província, evidentemente não no sentido universal, vistas a exclusão dos escravos e as dificuldades enfrentadas pelas instituições destinadas à educação dos pobres.
Assim, os dados apresentados registram o crescimento do número de escolas e de alunos, com especial destaque para o aumento do número de alunas, apesar de não quantificá- las. Por outro lado, com relação à educação dos órfãos, os óbices continuavam, evidenciando
a necessidade de proteção das instituições a eles destinadas, o que implicava na dependência de doações. O governo, mesmo querendo fazer uma subscrição, “mas o atraso notório que por subidas inconvenientes tem sofrido a nossa lavoura, me tem feito diferir deste projeto para melhor ocasião”. Os problemas se agravavam com os baixos ordenados dos professores e a falta de livraria. No entanto, no Colégio dos Órfãos encontravam-se noventa e sete alunos, dentre eles sessenta órfãos socorridos pela Casa.
Sobre as cadeias e casa de correção, as melhorias não são tantas e, por isso, merecem atenção para que se garanta “o bem da província”, se fazendo necessária a sua conservação para separar os detidos, a depender dos delitos cometidos. Continuando as preocupações em relação à segurança da província, o presidente reivindica a organização da Guarda Cívica da Polícia, a exemplo dos países civilizados. Seus integrantes não precisavam ter habilidades bélicas, mas era importante que tivessem “amor à Constituição e virtude social”, devendo ser pagos pelos seus serviços.
Ao que parece, mesmo vivendo em tempo de paz, o Presidente não se descuidou das questões diretamente relacionadas com a segurança da província e revela, também, a falta de confiança nas forças constituídas, especialmente a de 1ª Linha, cujos militares, volta e meia, estavam também envolvidos nos conflitos.
A importância da agricultura para a província aparece reforçada como fonte de riqueza e de renda pública e, por isso, necessitando de proteção e atenção para seus principais problemas que ainda estavam ligados à falta de estradas, pontes, canais e, atenção com a mão- de-obra. Preocupava ao presidente a extinção do tráfico da escravatura, possível alusão aos acordos assinadas pelo Governo Central em 1826, quando das negociações do reconhecimento da independência, e também em 1828, que, na prática, em nada tinham alterado a continuidade da escravidão no Brasil.205 Nesse sentido também se pronunciou o Conselho, solicitando, em fevereiro de 1831, que o governo isentasse de impostos alfandegários a importação de máquinas e animais, medidas necessárias para o incremento da agricultura, considerando a iminência da diminuição do braço escravo.
Diferentemente dos outros dois relatórios apresentados, este se deteve sobre a questão das finanças da província. A problemática arrecadação das rendas orientou o relato do presidente. É abordado o abuso das taxações de “gêneros que saem barra a fora, mesmo para as Comarcas da província como a de Porto Seguro, Ilhéus e Rio São Francisco”, taxações
205 A Inglaterra exigiu do Brasil, como condição para o reconhecimento da Independência, o fim do tráfico de
escravos, o que resultou na assinatura do tratado de 1826, pelo qual o tráfico era considerado pirataria, portanto, atividade ilegal, o que facilitava as perseguições aos navios negreiros pela marinha inglesa.
abusivas que se baseavam em determinações do período colonial e que ainda perduravam, o que demonstra que o desmonte do aparato legal do Estado metropolitano ainda não estava concluído e, o que se propunha para o lugar, nem sempre dava os resultados esperados, como a situação registrada sobre a arrecadação do dizimo de miunças, pescado, gado vacum e cavalar, que devido às mudanças na arrecadação da Alfândega, implicou em abusos e diminuição das rendas dos cofres públicos.
O funcionamento da Alfândega era uma questão delicada. O presidente reconhecia que o problema não cabia em suas atribuições nem em suas forças, mas sugeria que uma medida importante fosse dar aos empregados bons ordenados, para que não sofressem tentações dos arrematadores, “que procuram pagar menos possível para mais lucrar”. A crítica era endereçada a Assembléia Geral que não se dava conta da situação.
O cuidado com as finanças públicas motivou a diminuição das despesas e o alvo eram os empregados. O Presidente acusava que, entre os empregados civis e militares na província, havia muitos sem utilidades e que só davam despesas. Agravando a situação financeira, estava a moeda de cobre falsa, que, havia mais de dez anos, circulava na província, apesar de todas as medidas tomadas.
O presidente conclui seu pronunciamento destacando a condição dos conselheiros como conhecedores dos problemas da província, pois nela residiam, e destaca a vantagem de encaminhamento das suas resoluções, que se dava através de representações que eram enviadas a Assembléia Geral e discutidas de acordo com o interesse de cada província.
3.7 A província no final do Primeiro Reinado: turbulências sociais e atritos com o poder