O planejamento e a definição do traçado de uma linha de metrô têm início a partir da análise dos deslocamentos de pessoas na cidade, dos principais fluxos e vetores – dados obtidos a partir de pesquisas de origem e destino das viagens. As informações sobre a demanda subsidiam o projeto funcional e o projeto básico, incluindo a quantificação dos equipamentos e dos sistemas, o dimensionamento das estações e dos terminais, a capacidade dos veículos, os intervalos entre trens e o dimensionamento das frotas. Finalizado o traçado da via, são definidos os locais das estações e suas áreas de influência a partir dos polos geradores de demanda. A configuração e o dimensionamento definem níveis de serviço em situações típicas da operação do serviço de transporte, em situações de anormalidade – seja a interrupção ou o maior intervalo na circulação de trens – ou mesmo em situações de emergência, quando há necessidade de evacuação. A configuração das estações resulta de condicionantes técnicas, tais como raios de curvatura, limites de inclinação da via, métodos construtivos, configuração da via permanente, localização dos equipamentos de mudança de
via13, existência de estacionamento de trens entre estações, métodos construtivos e perfil de carregamento da linha14, área a ser desapropriada, sistema viário existente e conexão com outros modos de transporte.
As estações que possibilitam a conexão com outros sistemas de transporte público são dimensionadas para garantir segurança nos percursos de embarque, saída e transferência. Como as redes atravessam áreas com características físicas diversas, dificilmente um único método construtivo pode ser utilizado em todo o projeto de uma linha: a alternância de estruturas faz com que as estações tenham características diferentes entre si (BARBOSA;ORNSTEIN, 2012).
A posição e a configuração das plataformas definem as características da estação. Em relação ao desnível, as plataformas podem ser subterrâneas, elevadas ou em superfície. Em relação à configuração, as plataformas podem ser centrais, laterais ou mistas. As diferentes combinações, aliadas ao desnível entre o acesso e a plataforma definem a complexidade da circulação vertical dos usuários no interior das estações. A seguir, são apesentadas as diferentes tipologias relacionadas à posição e configuração das plataformas das estações, destacando os impactos e os aspectos decorrentes para cada situação:
a) plataformas subterrâneas – proporcionam menor impacto na superfície (para carros ou pedestres), geram menor volume de desapropriações e possibilitam a preservação do patrimônio histórico. As edificações têm, em sua maioria, iluminação e ventilação artificiais. Os passageiros descem em direção às plataformas para embarcar; o percurso em direção às saídas é sempre no sentido ascendente (Figura 9).
13 Os equipamentos de mudança de via são responsáveis por permitir a manobra e a passagem dos trens entre as
diferentes vias, possibilitando a adoção de diferentes estratégias de operação.
14 O perfil de carregamento da linha consiste no conjunto de dados relacionados à demanda de cada uma das
estações da linha, que, quando somadas e ponderadas pelos embarques e desembarques realizados, determinam a quantidade de pessoas nos trens e nas plataformas das estações ao longo do período de prestação do serviço.
(a)
(b)
(c)
Figura 9 – Plataforma em estação subterrânea. Lateral (a), central (b) e mista (c).
Crédito das ilustrações: ALMEIDA, V. J., 2013.
b) plataformas em superfície – segmentam o sistema viário urbano, para carros ou pedestres, sendo indicadas para vazios urbanos ou canteiros centrais de avenidas. As edificações têm possibilidade de iluminação e ventilação naturais. Os passageiros sobem em direção ao mezanino e posteriormente descem em direção às plataformas para embarcar; no desembarque, o percurso é sempre no sentido ascendente em direção ao mezanino e, em seguida, no sentido descendente em direção às saídas, conforme apresentado na Figura 10.
(a)
Continuação.
(b)
(c) Figura 10 – Plataforma em estação em superfície.
Lateral (a), central (b) e mista (c). Crédito das ilustrações: ALMEIDA, V. J., 2013.
c) plataformas elevadas – preservam o viário urbano para carros e pedestres, mas causam impacto na paisagem, principalmente nas regiões adensadas. As edificações têm possibilidade de iluminação e ventilação naturais. Nas estações elevadas, os passageiros acessam a estação no mesmo nível das calçadas e posteriormente sobem em direção às plataformas para o embarque; no desembarque, o percurso é sempre no sentido descendente em direção ao mezanino e às saídas (Figura 11).
(a)
(b)
(c) Figura 11 – Plataforma em estação elevada.
Lateral (a), central (b) e mista (c). Crédito das ilustrações: ALMEIDA, V. J., 2013.
d) plataforma central – pressupõe fluxos de embarque e desembarque simultâneos na mesma porta do trem; possibilita dimensionar os equipamentos de circulação vertical para atendimento à demanda de duas vias simultaneamente; implica o reforço da sinalização de destino e de embarque uma vez que essas opções são realizadas no nível da plataforma (Figura 12).
(a)
(b)
(c) Figura 12 – Plataforma central.
Estação elevada (a), em superfície (b) e subterrânea (c). Crédito das ilustrações: ALMEIDA, V. J., 2013.
e) plataforma lateral – pressupõe fluxos de deslocamento bidirecionais, com embarque e desembarque simultâneos, na mesma porta do trem; os equipamentos de circulação vertical são dimensionados para atendimento à demanda de uma única plataforma; a sinalização de destino e de embarque é orientadora uma vez que essas opções são realizadas no nível do mezanino (Figura 13).
(a)
(b)
(c)
Figura 13 – Plataforma lateral.
Estação elevada (a), em superfície (b) e subterrânea (c). Crédito das ilustrações: ALMEIDA, V. J., 2013.
f) plataforma mista – pressupõe fluxos de embarque e desembarque em plataformas distintas e em diferentes portas do trem; os equipamentos de circulação vertical são dimensionados para atendimento à demanda de cada plataforma; a sinalização de destino pode ser direcional (opção de embarque no nível da plataforma), quando o embarque for realizado pela plataforma central, ou de orientação (opção de embarque no nível do mezanino), quando o embarque for realizado pela plataforma lateral, dependendo da estratégia operacional (Figura 14).
(a)
(b) Continua...
Continuação.
(c) Figura 14 – Plataforma mista.
Estação elevada (a), em superfície (b) e subterrânea (c). Crédito das ilustrações: ALMEIDA, V. J., 2013.
Os espaços devem ser otimizados para proporcionar fluidez aos diferentes percursos, sem conflitos, posicionando as atividades intrínsecas ao funcionamento da estação em ordem lógica à sua utilização (EDWARDS, 1997; ROSS; 2000). Os fluxos devem ser uniformes ao longo de todo o percurso, compatibilizando a capacidade de transporte dos trens, das vias, das plataformas e das estações, de forma a evitar eventuais conflitos de fluxo, impedâncias e obstruções. Eventuais alterações nos fluxos podem ser consequência de diferentes percursos (direção ou sentido), velocidades (relacionadas à idade ou habilidades) e hesitações diante das opções para consecução da viagem (BARBOSA; ORNSTEIN, 2012).
Edwards (1997) e Ross (2000) destacam elementos essenciais que auxiliam a legibilidade dos edifícios com programas complexos, colaborando de forma decisiva para a compreensão do espaço e do percurso a ser seguido:
espaços: são essenciais ao desempenho da estação e devem ser amplos, livres e fluidos, destinados à circulação, espera, filas ou embarque. A visibilidade e a amplitude visual consistem em aspectos de segurança, inibindo crimes e vandalismos. Os fechamentos obstruem a circulação e a visão e representam custos adicionais para segurança e monitoração;
escala: confere monumentalidade aos ambientes de destaque e escala humana aos corredores de deslocamentos rápidos;
ritmo da estrutura: dá significado simbólico e estético ao interior dos espaços públicos, conferindo características que diferenciam uma estação da outra e auxiliando o direcionamento das pessoas para as áreas de distribuição e as plataformas;
iluminação: natural ou artificial, oferece segurança e facilita a leitura do espaço e a identificação do percurso; orienta os deslocamentos e guia os passageiros de forma mais eficaz do que a sinalização, pontuando saídas e locais de interesse.
A quantidade e o posicionamento dos equipamentos de circulação vertical induzem deslocamentos, organizam e controlam os fluxos de embarque e desembarque nos picos da manhã e da tarde. O sistema de informação inclui a sinalização direcional, a identificação dos ambientes ou serviços oferecidos e dos pontos de interesse, assim como as advertências e as instruções de uso de ambientes, equipamentos e dispositivos.