1. BÖLÜM
2.5. Bilgi Teknolojileri ve Eğitim
2.5.4. Eğitim Ortamları
Ao analisarmos a produção editorial quadrinística brasileira, ao longo dos anos, notamos o aumento das publicações em graphic novel baseadas em obras literárias durante a primeira década dos anos 2000. Esse crescimento leva-nos a pensar que a difusão se deu após a Resolução12 do Ministério da Educação, do ano de 2006, que inseriu este tipo de publicação na seleção dos livros do Programa Nacional da Biblioteca da Escola - PNBE/200613. Todavia, a prática de publicar clássicos literários em graphic novel teve início muitas décadas atrás.
Nos Estados Unidos, a primeira publicação de uma obra literária no formato dos quadrinhos deu-se no dia 07 de janeiro de 1929, com a versão quadrinizada do romance Tarzan de Edgar Rice Burroughs. Em seguida, surgiu a série Classic Comics, depois renomeada de Classic Illustrated, lançada na década de 1940. No Brasil, através da Editora Brasil-América, Adolfo Aizen comprou os direitos de publicação da Classic
Comics, que constituiu a base da série Edição Maravilhosa, a partir de 1948, como
explica Moya e D’Assunção, no artigo “Edições Maravilhosas: As adaptações literárias em quadrinhos”, publicado no livro Literatura em Quadrinhos no Brasil (MOYA et al, 2002).
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Tradução nossa para: “We're now being discussed as a form of literature, and this is what I've been hoping for in all these years […]I'm here to tell you that I believe strongly that this medium is literature. It's a form of literature, and it's reaching its maturity now. We are at a point now where we’re beginning to get writers into the field of the kind of capability that would have entitled them to write novels.”
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Resolução/CD nº 002/2006.
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Em agosto de 1950, foi publicado o romance brasileiro O Guarani, de José de Alencar, em sua versão em quadrinhos. O livro do autor já havia sido quadrinizado duas vezes: a primeira, em 1938, e a outra, em 1947. Entretanto, a publicação da Editora Brasil-América ganhou destaque pelos desenhos do francês André Le Blanc, radicado no Brasil. A partir de então, várias obras da literatura foram produzidas no formato dos quadrinhos. No entanto, devido ao alto custo financeiro para produzir as histórias em quadrinhos, uma decisão do governo Jânio Quadros, retirando os subsídios para a publicação das obras em papel imprensa, pôs fim à coleção, no ano de 1961. Desde então, houve uma diminuição significativa das publicações. Moya e D’Assunção (2002, p. 80) refletem:
[...] muitos foram os romances brasileiros importantes adaptados para a linguagem das histórias em quadrinhos. No entanto, o universo editorial dos quadrinhos continua com essa lacuna – como continua com outras. Muitos romances foram adaptados nos últimos 50 anos, mas o gênero não existe mais. O próprio mercado dos quadrinhos está em crise. As publicações desapareceram das bancas, dando lugar a revistas que trazem CDs interativos e outras mídias digitais modernas. Os quadrinhos estão morrendo? Talvez ainda seja prematuro afirmar isso, mas, certamente, passarão por uma transformação e extrapolarão os limites do papel.
Podemos afirmar que a crise dos quadrinhos à qual esses autores se referem foi atenuada quando novas obras foram publicadas a partir da resolução do Ministério da Educação, de 09 de fevereiro de 2006, que dispõe:
Art. 2º - Serão selecionados 225 (duzentos e vinte e cinco) títulos de obras literárias para a composição de 03 (três) acervos diferentes. Parágrafo Único – Os acervos de que trata o “caput” deste artigo serão compostos por 75 (setenta e cinco) obras de diferentes níveis de dificuldade, de forma que os alunos leitores tenham acesso a textos para serem lidos com autonomia e outros para serem lidos com a mediação do professor, contemplando:
I – poesia;
II – conto, crônica, teatro, texto de tradição popular; III – romance;
IV – memória, diário, biografia;
V – livros de imagens e livros de histórias em quadrinhos, dentre os
quais se incluem obras clássicas da literatura universal artisticamente adaptadas ao público jovem. (grifo nosso)
Com a inclusão das HQS nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, aliada à distribuição das obras pelo PNBE, os quadrinhos tornaram-se, assim, bem- vindos nas escolas. Em decorrência disso, houve, nos últimos anos, grande crescimento das publicações de HQs, dentre elas, as baseadas em clássicos literários. Em entrevista a Matheus Moura, Paulo Ramos reflete acerca deste novo momento das HQs:
A compra de obras pelo governo e a entrada dos quadrinhos nas grandes livrarias mexeram com a forma como os quadrinhos passaram a ser vistos pelas editoras. Antes, eram ignorados; hoje, são uma forma de ganhar dinheiro por meio de enormes vendas ao governo. Mas o saldo tem sido positivo. O número de álbuns, inclusive nacionais, aumentou vertiginosamente nos últimos anos. [...] Isso é um princípio de mudança. (MOURA, 2013, p.141)
Apesar de estarem presentes no ambiente escolar desde 2006, ainda há muitas indagações acerca do papel das publicações quadrinísticas baseadas em obras literárias. As obras em quadrinhos podem formar o gosto pela leitura? Funcionam como uma estratégia de leitura até que o leitor possa ter acesso às obras literárias originais? Devemos considerá-las literatura? São algumas das muitas perguntas que surgem ao estudar esta linguagem. Não temos a pretensão de respondê-las, entretanto procuramos indicar diferentes pontos de vista de teóricos e estudiosos que poderão nos ajudar a refletir sobre esse poderoso meio de comunicação.