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3. BEREKETZÂDE İSMAİL HAKKI’NIN HAYATI VE ESERLERİ

3.4. Eserleri

Na sociedade dividida em classes – burguesia (capitalistas) e proletariado (trabalhadores), com interesses antagônicos, fato é que as crises não interessam a nenhum dos sujeitos sociais inseridos na sociedade do capital. De acordo com Mota (2011), isso ocorre porque, embora exista o entendimento de que as crises têm por consequências impactos distintos nas classes sociais com maiores prejuízos para os trabalhadores, determinados segmentos do capital, sobretudo os pequenos e médios capitalistas, sofrem penalizações, ocasionando falências dos mesmos. No caso de indústrias ligadas ao grande capital também podem sofrer com as crises, conforme a sua dimensão.

Ainda que isso não seja novidade, o caráter ineliminável das crises confirma a contradição do capitalismo, este modo de produção que se alimenta devido às suas crises, sendo constituído por contradições e desenvolvido com a reprodução e ampliação dessas contradições.

Do conjunto de contradições, Netto e Braz (2007) citam: (a) a contradição entre a progressiva racionalidade que organiza a produção nas empresas capitalistas (planejamento, cálculo das relações custo/benefício, etc.) e a irracionalidade do conjunto da produção capitalista (a ausência de um planejamento global dessa mesma produção); (b) a contradição entre a necessária ação de cada capitalista para maximizar seus lucros e o resultado objetivo dessa ação, a queda da taxa de lucro; (c) o crescimento da produção de mercadorias sem um correspondente crescimento da capacidade aquisitiva das massas trabalhadoras.

As três contradições citadas, bem como outras inerentes ao capitalismo, possuem uma determinada contradição fundamental do modo de produção que expressa a essência da dinâmica das relações sociais na sociedade regida pelo capital: a contradição entre a produção socializada e a apropriação privada. Acerca desta contradição, Engels (1976, p. 79-80) já alertava a sociedade do século XIX, que se transcreve a seguir.

55 Na produção mercantil, tal como se tinha desenvolvido na Idade Média, não podia surgir o problema de a quem deveriam pertencer os produtos do trabalho. Geralmente, o produtor individual criava-os com matérias-primas que lhe pertenciam, produzidas regra geral por si próprio, com a ajuda dos seus próprios meios de trabalho e do seu trabalho manual ou de sua família. Não tinha necessidade de apropriar-se dos produtos, pois já eram seus pelo simples fato de ter sido ele a produzi-los. A propriedade dos produtos tinha, deste modo, por base o trabalho pessoal. Mesmo nos casos em que se utilizava a ajuda de outrem, esta era, regra geral, acessória e, além do salário, havia frequentemente outra remuneração: o aprendiz e o oficial das corporações trabalhavam mais pelo fato de aprender a ser mestres um dia do que pela alimentação e salário. Foi assim que apareceu a concentração dos meios de produção nas grandes oficinas e fábricas, e a sua transformação em meios de produção realmente sociais. Mas esses meios de produção e seus produtos sociais continuaram a ser considerados como o eram antes: meios de produção e produtos individuais. E, se até aqui o proprietário dos meios de trabalho se apropriava do produto porque, em regra, era o seu próprio produto, e a ajuda de outrem era uma exceção, agora o proprietário dos meios de trabalho continuava a apropriar-se do produto, apesar dele não ser mais o seu produto, mas exclusivamente fruto do trabalho alheio. Assim, os produtos criados agora socialmente não voltaram a ser propriedade daqueles que tinham posto realmente em marcha os meios de produção e fabricado os produtos, mas eram apropriados pelo capitalista. Os meios de produção transformaram-se em fatores sociais. No entanto, foram submetidos a uma forma de apropriação que pressupõe a produção privada individual, isto é, aquela em que cada um é dono e leva ao mercado o seu próprio produto. O modo de produção vê-se sujeito a esta forma de apropriação apesar de destruir o pressuposto sobre o qual se baseia. Nesta contradição, que confere ao novo modo de produção o seu caráter capitalista, existem já, em embrião, todos os conflitos do presente. E quanto mais o novo modo de produção dominar em todos os setores fundamentais da produção e em todos os países economicamente importantes, [...] melhor se evidenciará a incompatibilidade entre a produção social e a apropriação capitalista.

As contradições capitalistas tem como ponto de partida a relação entre socialização e apropriação de tudo o que é produzido. Em outros termos: no capitalismo, na medida em que a produção é socializada e aprofundada, envolvendo o conjunto das atividades econômicas em escala mundial; a apropriação é privada, ou seja, o excedente da força de trabalho dos trabalhadores é apropriado pelos donos dos meios de produção – burgueses ou capitalistas –, uma lógica que se convencionou denominar mais-valia (BEHRING; BOSCHETTI, 2007).

As relações sociais de produção são decorrentes do regime da propriedade privada dos meios de produção, a partir da lógica determinante da conquista do lucro máximo em função da distribuição do excedente. Ainda que a socialização da produção no contexto capitalista não encontre qualquer ordem de limite, a apropriação do excedente produzido é intocável. Isso representa a central contradição capaz de colidir as relações sociais de produção com o desenvolvimento das forças produtivas.

A contradição expressa nas relações sociais de produção versus forças produtivas, e socialização versus apropriação da produção, também se expressa no nível histórico e

56 sociopolítico, por meio da luta do trabalho contra o capital, pois determina e anuncia o antagonismo e a exploração que fundamentam a relação entre a burguesia e o proletariado. Contudo, a conflituosa relação entre burguesia e proletariado, em função da posse dos meios de produção e exploração do trabalho, pode ser o ponto de partida para a solução das crises capitalistas. A insatisfação dos trabalhadores por sua condição de classe explorada pode motivar o processo organizado do seu protagonismo político em direção a uma sociedade não capitalista. Isso depende de total consciência de classe e organização política. Na dependência desses dois fatores, o capitalismo se mantém e se desenvolve, instaurando novas contradições e estudando novas formas de o ciclo capitalista permanecer a partir de soluções capazes de contornar as suas crises (NETTO; BRAZ, 2007).

Benzer Belgeler