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KURAMSAL ÇERÇEVE

2.1. TÜRKÇE ÖĞRETMENĠ YETĠġTĠRME SÜRECĠ

2.1.2. Eğitim Enstitüleri

Os linguistas que defendem uma visão sistêmico-funcional da linguagem explicam a importância de levar em conta os contextos sócio-culturais para os estudos linguísticos. De acordo com esses estudiosos, para descrever a natureza da linguagem humana é preciso colocá-la no seu ambiente social, isto é, a linguagem deve ser analisada considerando o contexto de uso.

Na análise das relações entre linguagem e contexto, Eggins (1994, p. 7) afirma ser fundamental que o foco de estudo não se concentre somente na linguagem, mas no uso desta contextualizada. De fato, para a LSF, contexto é fundamental. Segundo Eggins (1994, p. 7), nossa habilidade de deduzir um dado contexto a partir de um texto como também de prever a linguagem desde um contexto específico evidenciam as relações entre linguagem e contexto.

Guio e Fernández (2008), seguindo Halliday, explicam que “a linguagem está imersa em um contexto de cultura ou sistema social, e qualquer instância de linguagem como texto está imersa em seu próprio contexto de situação comunicativa” (p. 35, tradução minha)23.

A abordagem sistêmica define “texto” como a forma linguística adotada na interação social.

A qualquer instância de linguagem viva que jogue um papel dentro de um contexto de situação, lhe chamaremos texto. Pode ser falado ou escrito, ou por certo, expresso em qualquer meio de expressão que queiramos imaginar (HALLIDAY; HASAN, 1989, p. 10, tradução minha)24.

       23

No original: “El lenguaje está inmerso en un contexto de cultura o sistema social, y cualquier instancia de lenguaje como texto está inmersa en su propio contexto de situación comunicativa” (GUIO; FERNÁNDEZ, 2008, p. 34).

24

No original: “So any instance of living language that is playing some part in a context of situation, we shall call a text. It may be either spoken or written, or indeed in any other medium of expression that we like to think of” (HALLIDAY; HASAN, 1989, p. 10). 

Nesse sentido, Halliday e Hasan (1989) concebem o texto e o contexto como aspectos do mesmo processo. Para os autores, o texto pode ser considerado como um potencial de significados culturais que são atualizados por meios linguísticos.

O importante acerca da natureza de um texto é que, logo que o escrevemos parece estar cheio de palavras e orações, na realidade, está cheio de significados. Evidentemente, os significados têm que ser expressos [...] em palavras e estruturas, que, por sua vez, voltam-se a se expressar [...] em sons ou em símbolos escritos. Tem que ser codificado de alguma maneira para ser comunicado; mas em si mesmo, o texto é essencialmente uma unidade semântica (HALLIDAY; HASAN, 1989, p. 10, tradução minha)25.

As escolhas feitas pelos usuários da língua vão depender, em sua maioria, dos contextos – de cultura e de situação – em que estiver inserido e do conteúdo semântico apropriado a cada tipo de texto. Halliday e Hasan (1989) consideram ambos os contextos imprescindíveis para uma interpretação adequada de um texto, em qualquer língua e em qualquer cultura. A esse respeito, Guio e Fernández (2008, p. 34) assinalam que os contextos culturais podem ser diferentes, mas o princípio de que toda língua deve ser compreendida em seu contexto de situação e de cultura é válido para qualquer comunidade em qualquer estado de desenvolvimento.

O contexto de cultura, para os linguistas sistêmicos, é a soma de todos os significados possíveis de fazerem sentido em uma cultura particular. No contexto de cultura, falantes e ouvintes usam a linguagem em contextos específicos, imediatos, conhecidos na LSF como contextos de situação.

A partir da noção de contexto de situação é que Halliday e Hasan (1989, p. 46) explicam porque certas coisas são ditas, e outras não, em uma ocasião específica. É por essa razão que participantes de uma interação podem antecipar muitas coisas que serão ditas, observando apenas o contexto.

       25 

No original: “The important thing about the nature of a text is that, although when we write it down it looks as though it is made of words and sentences, at is really made of meanings. Of course, the meanings have to be expressed, or coded, in words and structures, just as these in turn have to be expressed over again - recoded, if you like – in sound or in written symbols. It has to be coded in something in order to be communicated; but as thing in itself, a text is essentially a semantic unit" (HALLIDAY; HASAN, 1989, p. 10). 

Halliday e Hasan (1989, p. 46) complementam que nos contextos de situação se encontram as características extralinguísticas dos textos, as quais dão substância às escolhas léxico-gramaticais de falantes e escritores, feitas consciente ou inconscientemente, para construir os diferentes gêneros, e que os ouvintes e leitores usam para identificar e classificar esses gêneros.

Eggins (1994) descreve os extratos do contexto, segundo a abordagem da LSF, pelas teorias de registro, gênero e ideologia: “a teoria de registro descreve o impacto das dimensões do contexto imediato de situação de um evento de linguagem, na forma como a linguagem é usada” (EGGINS, 1994, p. 9, tradução minha)26

. Segundo a autora, três dimensões causam impactos significativos no uso da linguagem: o campo do discurso ou a natureza da prática social realizada pelo uso da linguagem, a natureza da relação entre os participantes do discurso e a natureza do modo do discurso.

Entende-se como “campo” do discurso o tipo de ato que está sendo executado e seus objetivos (elogiar, culpar, informar etc.). Por “relações”, entende-se o relacionamento entre os participantes do discurso, isto é, consideram-se aspectos como grau de formalidade, relações de poder, emoção, grau de aproximação entre os participantes, grau de controle de um participante sobre o outro, relação hierárquica ou não-hierárquica entre eles etc. E o “modo” diz respeito ao papel desempenhado pela linguagem (constitutivo ou auxiliar/suplementar); ao compartilhamento do processo entre os participantes (dialógico ou monológico); ao canal da mensagem (gráfico ou fônico); meio (falado – com ou sem contato visual; ou escrito).

Essas três dimensões contextuais do sistema semântico da linguagem – campo, relações e modo - estão inter-relacionadas, respectivamente, às três metafunções – ideacional, interpessoal e textual – descritas anteriormente.

O conceito de gênero, na concepção de Eggins (1994), “é usado para descrever o impacto do contexto de cultura sobre a linguagem” (p. 9, tradução minha)27

. O gênero representa os processos sociais em etapas orientadas para uma finalidade comunicativa em uma dada cultura. Assim, como membros de uma determinada cultura e usuários da       

26

No original: “Register theory describes the impact of dimensions of the immediate context of situation of a language event on the way language is used” (EGGINS, 1994, p. 9).

27

No original: “The concept of genre is used to describe the impacto f the contexto f culture on language” (EGGINS, 1994, p. 9).

linguagem para diferentes propósitos, temos um conhecimento e uma habilidade desenvolvidos que nos permitem deduzir os gêneros. Em outras palavras, pessoas que usam a língua com objetivos semelhantes desenvolvem tipos comuns de fala e de escrita, ou gêneros28

, que lhes permite alcançar suas metas.

Em relação à ideologia, Eggins (1994, p. 10) explica que, para os linguistas sistêmicos, este é o maior nível do contexto, pois o nosso uso da linguagem não está isento de nossos próprios posicionamentos ideológicos, independentemente do gênero ou registro envolvidos. O uso da linguagem serve, também, para codificar nossas posições e valores particulares, isto é, serve para exprimir posições de poder, de vieses políticos e suposições sobre o que os interlocutores trazem para seus textos.