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2. 2.ÖĞRETMENLĠK MESLEĞĠ VE ÖĞRETMEN YETERLĠKLERĠ

2.2.1. ÖĞRETMENLĠK MESLEĞĠ

Os significados relacionados à metafunção interpessoal são realizados na oração pelo sistema de Modo, que é a realização léxico-gramatical do sistema semântico das funções de fala. A estrutura do sistema de Modo é formada por dois elementos principais: o Sujeito, que é o grupo nominal; e o operador Finito, que é parte do grupo verbal.

O termo Sujeito refere-se a uma entidade com estatuto gramatical, sintático (a parte que concorda em número e pessoa com o verbo), mas reinterpretado em termos funcionais, ele é determinado pela função interacional da linguagem, já que escolher o sujeito implica determinar se ele será o falante, o ouvinte, ou nenhum dos dois.

Na concepção de Halliday (1985, p. 77), o elemento Finito, como seu próprio nome indica, tem a função de tornar finita a proposição, trazendo-a para a realidade dando-lhe um ponto de referência no aqui e agora, para que possa ser objeto de discussão. Nas palavras de Neves, (2004), “o elemento Finito é expresso por um

operador verbal, e responsável pelo relacionamento da proposição com o contexto discursivo, por referência ao tempo da fala ou ao julgamento do falante” (p. 68).

O Finito liga a proposição ao seu contexto de dois modos:

(i) por referência ao tempo da fala (tempo principal ou primordial). A expressão do tempo refere-se à relação entre o momento do enunciado e o tempo no qual ocorrem os acontecimentos (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004, p. 280);

(ii) por referência ao julgamento do falante (modalidade). Significa o julgamento do falante em relação às probabilidades ou obrigações implicadas no que está dizendo (HALLIDAY, 1994, p. 75). A modalidade ocorre tanto em proposições quanto em propostas. As proposições variam entre a probabilidade (possibilidade) e a normalidade (frequência), e as propostas entre a inclinação e a obrigação. À categoria semântica das proposições, Halliday denomina “modalização” e à categoria semântica das propostas, o autor denomina “modulação”.

O outro elemento do Finito é a “polaridade”, que, segundo Halliday (1994, p. 356) implica a eleição de um polo positivo ou negativo. Entre esses dois extremos, vários níveis intermediários estão à disposição do falante para expressar os significados pretendidos. A esses elementos, Halliday (1994) denomina “modalidade”. Assim, o sistema de Modalidade carrega a avaliação do falante e o grau de responsabilidade sobre o que está dizendo.

Além dos elementos principais de um sistema de Modo - o Sujeito e o Finito - o elemento que sobra em uma oração é denominado de “Resíduo”. Este consiste de elementos funcionais de três tipos: Predicador, Complemento e Adjunto. Há apenas um Predicador, um ou dois Complementos e um número indefinido de Adjuntos até, em princípio, cerca de sete.

O Predicador está presente em todas as orações, exceto quando está oculto por elipse. Ele é realizado por um grupo verbal menos o operador modal ou temporal, que, como vimos, funciona como Finito no elemento Modo. São quatro as funções do Predicador:

(i) especificar uma referência temporal diferente da referência de tempo do evento da fala (um tempo “secundário”: passado, presente ou futuro relativos ao tempo primário);

(ii) especificar vários outros aspectos e fases como as que podem expressar os infinitivos, particípios e gerúndios;

(iii) especificar a voz ativa ou passiva;

(iv) especificar o processo (ação, evento, processo mental, relação) que é predicado a respeito do Sujeito.

O Complemento é um elemento do Resíduo que tem o potencial de ser Sujeito, mas não o é. É em geral realizado por um grupo nominal.

O Adjunto é um elemento que não possui o potencial de ser Sujeito. É realizado tipicamente por um grupo adverbial ou por uma frase preposicional. Dentro da categoria geral dos Adjuntos, Halliday e Matthiessen (2004, p. 125) os distinguem por critérios metafuncionais em:

(i) adjuntos modais – com função interpessoal, estão associados aos significados de modalidade, temporalidade e intensidade do sistema de Modo;

(ii) adjuntos circunstanciais – com função ideacional, funcional como circunstâncias na estrutura de transitividade da oração;

(iii) adjuntos conjuntivos – com função textual, fazem a coesão entre orações.

Halliday e Matthiessen (2004, p. 133) também incluem na descrição da oração como troca os elementos denominados Vocativo e Expletiva. Este pode ser usado pelo falante para expressar sua atitude e aquele para habilitar o ouvinte a participar da interação ou para marcar um relacionamento interpessoal. Segundo os autores, esses elementos têm uma função estritamente interpessoal e não-gramatical na oração.

Conforme acabei de expor, os significados expressos na interação materializam- se na estrutura da língua pelas escolhas feitas pelo falante no sistema de Modo e Modalidade. Dessa forma, de acordo com Eggins (1994, p.149), na descrição da estrutura das orações, os significados interpessoais realizados em textos interativos podem ser explicados pelo sistema de Modo e Modalidade.

Ainda segundo Eggins (1994, p. 193), ao serem analisadas as escolhas gramaticais feitas pelo falante, bem como seus papéis no discurso, podem ser identificadas as questões de poder ou solidariedade, extensão de intimidade e de familiaridade entre os interactantes, bem como relações de simetria e distância, atitudes e julgamentos do falante. Esses aspectos referentes ao sistema de Modo e Modalidade me serviram de suporte, neste estudo, para a análise das relações interpessoais entre professores e alunos nos fóruns virtuais de aprendizagem.

Com as leituras a respeito da Linguística Sistêmico Funcional, pude concluir que está na base dessa corrente teórica o interesse pelo modo como as pessoas usam a linguagem umas com as outras em suas atividades sociais diárias. É oportuno notar aqui que abordagens como a da LSF, que partem de uma compreensão sistêmica integradora dos estratos do contexto e da linguagem, trazem uma contribuição incalculável para os estudos sobre a descrição e interpretação da linguagem. Sobre essa contribuição, Barbara (2008) assinala que “a aplicação dessa teoria tem apresentado resultados importantes quando utilizada em pesquisa e ensino em várias partes do mundo e em diferentes áreas de aplicação, da educação ao trabalho” (p. 103).

As leituras sobre a LSF me possibilitaram compreender que é no agir linguístico que os sujeitos se revelam e possibilitam, em maior ou menor grau, o engajamento de outros interlocutores. No caso de contextos pedagógicos, os resultados de engajamento e de participação dos alunos podem depender do agir discursivo dos professores, que poderá alcançar diferentes tipos de aprendizagem. Acredito que as ferramentas da LSF poderão abrir caminhos preciosos para a reflexão sobre a mediação pedagógica, pois sou da opinião de que, quanto maior a consciência sobre as escolhas linguísticas nos vários níveis do discurso, maior será o sucesso das mais diversas ações discursivas ou interações sociais.

Nesta pesquisa, meu interesse está focado na função interpessoal da linguagem dos professores no contexto virtual. Considero importante saber que relação se estabelece entre os participantes e, desse modo, levanto algumas hipóteses sobre a mediação pedagógica, inclusive no que diz respeito à modalidade: quem modaliza, de que maneira, em que situações e com que funções. Desse modo, meu objetivo é mostrar como o social influencia nas escolhas linguísticas e como essas escolhas, por sua vez, também influenciam no social.

Acredito que, partindo da sistematização feita por Halliday e do apoio analítico e metodológico de Garrison e Anderson, é possível aplicar os princípios vygotskyanos, tendo em que sustentar as análises para explicar as relações interpessoais nos ambientes virtuais de ensino-aprendizagem a distância, em especial o discurso docente.

Concluídas as considerações sobre a LSF, passo a seguir a descrever a metodologia adotada neste trabalho.