2.3. KURUMSAL ĠTĠBARI ETKĠLEYEN FAKTÖRLER
2.3.1. Duygusal Çekicilik
O tabelião de notas, de acordo com o art. 6º, II, da Lei nº 8.935/1995, tem a obrigação de redigir os instrumentos adequados para as partes interessadas, obrigação esta que vai muito além da simples redação dos instrumentos corretos. Quando houver mais de uma possibilidade de formalização da vontade das partes, o tabelião de notas deve atuar de forma que utilize seu conhecimento jurídico e prática notarial para oferecer o instrumento público mais econômico.
48
LOUREIRO, Luiz Guilherme. Registros públicos: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Método, 2012. p. 534.
49 FERREIRA, Paulo Roberto Gaiger; RODRIGUES, Felipe Leonardo. Ata notarial: doutrina, prática e meio
A economia não deve se pautar apenas na tabela de emolumentos devidos ao tabelião, mas também na questão do recolhimento tributário, o que não significa que o notário possa ser conivente com a evasão fiscal, mas pode e deve encontrar soluções menos gravosas no aspecto tributário para os usuários de seu serviço.
1.2.1.8 Princípio da rogação
O tabelião de notas não pode agir sem ser provocado pela parte interessada, ou seja, não possui legitimidade para agir de ofício. Deve haver, portanto, a rogação ou pedido da parte para que o serviço notarial seja prestado. O pedido pode ser verbal ou por escrito, sendo que no caso do pedido verbal, a simples assinatura do ato demonstra que a solicitação foi feita e que o tabelião não agiu por sua iniciativa. Isso é o que normalmente acontece nas escrituras e procurações públicas. É importante salientar que em se tratando de atas notariais, como será estudado mais adiante, a solicitação da parte interessada deve ser feita por escrito em instrumento apartado e arquivado no tabelionato de notas, pois ao final da ata notarial, caso a parte se recuse a assinar, o tabelião pode assinar sozinho a seu critério, e o ato terá validade da mesma forma, o que não ocorre nas escrituras e procurações.
Destaque-se que quando é provocado, o notário não pode se recusar a prestar o serviço solicitado e se for o caso de recusar a prática do ato por estar em desconformidade com a lei, deve justificar a recusa o fazendo por escrito, quando solicitado pelo usuário do serviço.
1.2.1.9 Princípio do consentimento
Este princípio não é trazido pela maioria dos autores e pode ser facilmente confundido com o princípio da rogação, entretanto, quem pede para que um instrumento público seja lavrado nem sempre concorda com o seu conteúdo. O consentimento aqui, conforme ensinam Ferreira e Rodrigues, está relacionado com a outorga do ato notarial, pois não se admite ato notarial sem consentimento, com exceção da ata notarial. No entanto, apesar do princípio do consentimento ser um princípio típico da atividade notarial, este não se aplica à lavratura da ata notarial, objeto deste estudo, que perfaz uma exceção à regra. Assim como a rogação, o consentimento se aperfeiçoa com a assinatura ao final do documento.
É importante ressaltar que o tabelião deve prestar assistência e assessoramento jurídico aos outorgantes para evitar que o consentimento esteja imbuído dos defeitos do negócio jurídico previstos nos arts. 138 a 158 do Código Civil, especialmente a coação. 50
1.2.1.10 Princípio da imediação
Este princípio preconiza a atuação de um tabelião próximo das partes, para que possa ouvi-las e aconselhá-las de forma clara, eficaz e suficiente. O tabelião deve ser pessoa acessível e disponível para atender todo aquele que precise de seus serviços. Imediação
significa “[...] o fato de ser ou estar imediato” 51 e imediato significa “[...] que não tem nada de permeio; próximo.” 52
Na realidade atual, o princípio da imediação deve ser interpretado sem necessidade de haver uma proximidade física entre o tabelião e a parte interessada em razão da falta de tempo que todas as pessoas na vida adulta experimentam e especialmente em razão das diversas opções de tecnologia que permitem a comunicação. A comunicação pode ser feita por telefone, aplicativos de celulares, mensagens eletrônicas, sítios eletrônicos, entre outros.
Destaque-se ainda que o tabelião pode ser representado por um preposto autorizado, conforme determinação do art. 20 da Lei 8.935/94 e por esta razão a imediação não exige que o contato com a parte e assessoramento seja feito pela pessoa do tabelião, mas sim por qualquer um de seus prepostos autorizados, pois estes atuam em nome do notário e sob sua supervisão. 53
1.2.1.11 Princípio da matricidade
O princípio da matricidade remete à ideia de existência de uma matriz, origem ou fonte do ato praticado que deve ser conservada nos protocolos notariais. É importante apontar que este princípio não deve ser confundido com o princípio da conservação. 54 Em razão da matricidade, os atos sempre podem ser consultados pelo notário, partes envolvidas ou
50 FERREIRA, Paulo Roberto Gaiger; RODRIGUES, Felipe Leonardo. Ata notarial: doutrina, prática e meio
de prova. São Paulo: Quartier Latin, 2010. p. 49-50.
51
FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. p. 1079.
52 Ibid. 53
FERREIRA; RODRIGUES, op. cit., p. 48.
54 REZENDE, Afonso Celso Furtado de; CHAVES, Carlos Fernando Brasil. O tabelionato de notas e o
terceiros interessados por meio de certidões, pois não é permitido tirar cópias dos livros notariais (e registrais).
Alguns atos, entretanto, não estão sujeitos ao princípio da matricidade, como a autenticação de cópia, o reconhecimento de firma, as atas notariais extraprotocolares (nos Estados que assim permitem) e a aprovação de testamento cerrado. 55
1.2.1.12 Princípio da conservação
O princípio da conservação é reflexo do princípio da matricidade, mas não se confunde com este, embora muitos autores os apontem como sinônimos. O notário tem a obrigação legal de conservar os protocolos notariais. A Lei nº 8.15956 de 8 de janeiro de 1991 que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados, se aplica sobre os serviços públicos notariais e registrais; além disso, os arts. 41 e 42 da Lei nº 8.935/1994, autorizam que os notários (e registradores) adotem “[...] sistemas de computação, microfilmagem, discos óticos e outros meios de reprodução” e os arquivem de modo que a busca seja simplificada.
De acordo com Rezende e Chaves, o tabelião de notas é
[...] depositário público de documentos, qualquer que seja sua classificação, pois o Estado, no ato da delegação, atribui-lhe o dever de conservação de tudo aquilo que lhe é confiado em nível documental. Ele não é dono dos livros e papéis que estejam sob sua vigilância, tão somente depositário, sendo o Estado seu verdadeiro proprietário, devendo o notário conservá-lo e impedir a todo custo sua destruição, como se fosse o próprio Estado a cuidar deles. 57
A título de curiosidade, no Estado de São Paulo, a questão sobre a conservação dos livros e protocolos públicos, bem como de algumas pastas de arquivamento de documentos, passou a ser regulamentada recentemente pelo Provimento CG nº 14/2015, de 30 de março de 2015, que alterou o capítulo XII das NSCGJSP para estabelecer regras mais claras sobre a digitalização do acervo, como por exemplo, a existência de duas cópias de segurança, uma de armazenamento interno na serventia e outra externa que garanta backup dos dados
55
FERREIRA, Paulo Roberto Gaiger; RODRIGUES, Felipe Leonardo. Ata notarial: doutrina, prática e meio de prova. São Paulo: Quartier Latin, 2010. p. 53.
56 BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e
privados e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 9 jan. 1991. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8159.htm>. Acesso em: 18 jan. 2016.
57 REZENDE, Afonso Celso Furtado de; CHAVES, Carlos Fernando Brasil. O tabelionato de notas e o
armazenados, sendo que as digitalizações devem ser providenciadas na resolução equivalente a 200 dpi 58. O provimento estabelece o prazo de um ano para que as digitalizações sejam feitas. 59