Hospital de Base (hospital de especialidades) e Hospital Especializado, de responsabilidade do governo federal (Portal da Saúde, 2006).
O recorte temporal da pesquisa, no conjunto, pode ser compreendido entre os anos de 1998, data da promulgação da lei das OS até o ano de 2013, ano de encerramento da coleta de dados. No entanto, é pertinente salientar que o plano da reforma estatal que motivou a criação da lei foi apresentado em 1995, por isso inclui-se também neste recorte, com algumas restrições.
A coleta de dados para pesquisa ocorreu por inúmeras técnicas. Investigações em endereços eletrônicos, jornais, revistas, livros, artigos. Entrevistas pessoalmente, por telefone e emails. A autora também manteve contato via correspondências com todas as organizações relacionadas no Quadro 3.2 e seus respectivos hospitais. Destes, foram estabelecidos alguns retornos por correspondência, por telefonemas e outros por emails. Por exemplo, a Cruzada Bandeirante São Camilo e a Santa Marcelina. Contudo, com uma exceção, todos foram bem restritivos no acesso a informações solicitadas.
As principais fontes de informações advêm dos endereços eletrônicos. Parte significativa das entidades qualificadas dispõe de sites onde procuram prestar informações e ostentar seus feitos. Nos sites pode-se encontrar composição de diretorias e conselhos, estatutos, organogramas, históricos, missão e valores, informações sobre recursos humanos e qualidade, relação das unidades de saúde geridas, algumas publicam relatórios de atividades, entre outros dados como parcerias e projetos sociais desenvolvidos. Estes aqui relacionados contemplam a base de dados analisada para o estudo.
Por vezes, as informações dos hospitais geridos pelas OSS são dispostas no site da entidade, contudo há muitos casos em que os hospitais mantêm seu próprio endereço eletrônico. Em geral, há histórico, missão, valores, corpo diretivo, organograma, informações sobre recursos humanos, qualidade e certificações. No caso dos hospitais, inclui-se disposição de guias sobre atendimentos e serviço de atendimento ao usuário, exigência constada no contrato de gestão. Assim como nas OSS, os hospitais não possuem nenhum tipo de padronização nas informações disponíveis.
Uma das constatações da pesquisa gira em torno de que a mídia é uma ferramenta muito bem trabalhada/elaborada tanto pelos hospitais como por suas OS. Além disso, em evento no ABC paulista, um dirigente de OS afirmou a importância das reuniões entre as OS54 para ‗acertarem o discurso‘, neste caso indicando para as solicitações perante a Secretaria da Saúde. Essa afirmação despertou a atenção da autora e no decorrer do estudo poderá ser percebido seu motivo.
Como fontes, os endereços eletrônicos dos hospitais (nem todos possuem), das organizações sociais, inserem-se também da Secretaria de Saúde e do Portal de Transparência de São Paulo. Neles estão relacionadas OSS e suas unidades de saúde mantidas, os Contratos de Gestão e seus respectivos aditamentos, editais de convocação e outros despachos do secretário como dispensa de licitação e atas dos conselhos. Ainda incluem-se informações da Assembleia Legislativa, que possui a Comissão da Saúde permanente, e dispõe também as atas das suas reuniões em seu site. E, ainda, outra fonte muito importante para este estudo, o CNES.
O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES -, conforme se apresenta, ―é base para operacionalizar os Sistemas de Informações em Saúde, sendo estes imprescindíveis a um gerenciamento eficaz e eficiente‖ (CNES/DATASUS, 2013). Ele é mantido pelo DATASUS, Banco de dados do Sistema Único de Saúde. O CNES foi implantado pelo Ministério da Saúde através da Portaria MS/SAS 376 de 03 de outubro de 2000 como o objetivo descrito pela própria entidade55 como
Um desejo há muito aspirado por todos que utilizam as informações de saúde como base para elaboração do seu trabalho, tanto no aspecto operacional quanto gerencial, visto que os dados cadastrais se constituem um dos pontos fundamentais para a elaboração da programação, controle e avaliação da assistência hospitalar e ambulatorial no país, assim como a garantia da correspondência entre a capacidade operacional das entidades vinculadas ao SUS e o pagamento pelos serviços prestados (CNES/DATASUS, 2012).
Trata-se de um sistema de cadastramento de dados em que todos os estabelecimentos 56 que prestem algum tipo de assistência à saúde têm a determinação de realizar o cadastramento. No cadastro constam dados de identificação do estabelecimento (nome, endereço, caracterização), serviços prestados, equipamentos e estrutura física, e os recursos humanos que atuam no local, independente do número. Por exemplo, em São Carlos/SP, em agosto de 2012 constavam registrados 378 estabelecimentos de saúde, entre consultórios, clínicas, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Carlos, hospitais, a Central de Regulação Médica, entre outros.
Se o profissional atua em mais de um local, deve ser cadastrado em cada um deles. Do mesmo modo, se o profissional exerce duas funções diferentes no mesmo local, deverá ser registrada cada uma das funções. Desta forma, o número de registro pode não
55 Disponível no endereço eletrônico http://cnes.datasus.gov.br/Info_Introducao.asp. Acesso em: 08 ago. 2012 56 Grifo da autora.
corresponder ao número exato57 de funcionários e sim ao número de cargos exercidos no estabelecimento. A informação de que o número de registro corresponde aos cargos exercidos no hospital, por exemplo, é fundamental, pois em diversas oportunidades neste estudo será deparado com tal fato.
Um boletim publicado pelo Observatório de Recursos Humanos em Saúde de SP (2009), em um comparativo entre três fontes - Relação Anual de Informações Sociais do Ministério de Trabalho e Emprego, a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitário, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o CNES - aponta como conclusão substancial que o CNES se apresenta como fonte de informação confiável, com a vantagem da localização nos diferentes tipos de estabelecimentos de saúde. Apesar disso, sugere que o número de postos médicos pode estar superestimado em São Paulo, possivelmente por não serem excluídos profissionais já desligados do serviço. Contudo, desde 2011, o sistema CNES possibilita que o próprio profissional realize o desligamento, o que pode auxiliar neste quesito.
O estabelecimento deve, inicialmente, providenciar seu cadastro e obter o número do CNES. Após, deve providenciar o registro dos profissionais que atuam nele, caso ainda não tenha. Cada profissional terá o seu Cartão Nacional de Saúde, como forma de registro pessoal junto ao Ministério da Saúde. Portanto, o profissional possui seu Cartão e o estabelecimento possui seu CNES.
Na Figura 3.1.1 é possível acompanhar quais os requisitos que o estabelecimento deve fornecer dos profissionais em que nele atuam.
Há necessidade de preencher o número do registro do Conselho de Classe do qual o profissional participa, quando for o caso de tê-lo. Também solicita a vinculação, se é celetista, estatutário, autônomo. No caso dos hospitais gerenciados por OSS, a maior parte registra como ―Intermediado por Organização Social (OS)‖. Outro item de destaque é a Classificação Brasileira de Ocupação (CBO), que relaciona cada profissão a um número, estabelecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Por exemplo, em São Carlos/SP (2012), eram registrados ao todos 16 telefonistas nos estabelecimentos de saúde, sob CBO número 422205. Para médico dermatologista, com CBO nº 22513, neste município 33 profissionais estão registrados (2012). Médico clínico tem como CBO o número 225125, sendo 409 atuantes em agosto de 2012 em São Carlos/SP.
Figura 3.1.1 - Dados do Profissional junto ao CNES Fonte: Ministério da Saúde
Os dados obtidos através do CNES permitem que se tenha conhecimento das movimentações dos trabalhadores nos hospitais, como número total de médicos, de enfermeiros, dos administrativos, entradas, saídas e mudanças de cargos, entre outros e proporcionam contribuição elementar neste estudo.
Na continuidade da pesquisa serão também mencionados alguns atores que compõe o espaço social considerado. Sua formação, trajetória e discursos contribuíram para o cenário que ora se apresenta.
A autora participou de eventos que contribuíram para reconhecimento do espaço estudado. Em 2011, em Brasília, no primeiro contato com sanitaristas, no 2º Simpósio de Política e Saúde. Promovido pelo CEBES, havia presença maioral de sanitaristas, mas com participação de representantes de governo e do Terceiro Setor, onde as opiniões do mesmo modo se diferenciavam. Também em um encontro no ABC paulista, em 2012, sobre a saúde regional, oportunidade que reuniu diversos dirigentes de OS, governo local e estadual, além de representantes de classes da saúde, como sindicatos.
Foram ainda realizadas visitas in loco a hospitais (como no Hospital Mário Covas e Hospital Regional de Presidente Prudente) e sedes das organizações sociais (Fundação do ABC e SECONCI), às entidades representativas do setor - como CREMESP e SIMESP.
As conversas com representante do CREMESP, Nacime Mansur, se prolongaram por meio de emails, o qual ainda auxiliou com coleta de subsídios junto aos médicos. O questionamento sobre o que se diferencia em optar por trabalhar em um hospital
gerido por OSS foi replicado aos diretores que disseminaram aos médicos dos hospitais geridos pela SDPM (Mansur também compõe sua diretoria). Enviada via email em maio/junho de 2013, retornaram cerca de vinte respostas dos médicos que foram coletados pelos diretores e repassados à pesquisadora (as respostas vieram identificadas como Médico 1, Médico 2, e assim sucessivamente). Dentro das possibilidades, estarão distribuídas nas discussões e conclusão, pois seu conteúdo é primordial à pesquisa, apesar da não identificação.
Ainda por email, foram estabelecidos contatos com agentes envolvidos, como o ex-ministro Bresser Pereira – que esclareceu dúvidas sobre suas publicações acerca do tema -, e com pesquisador Nivaldo Carneiro Junior – seu doutorado abordou as organizações sociais.
Do SIMESP, após visita e contatos por email, foi realizada uma entrevista via telefone com Cid Cavalhaes (presidente) em 27 de maio de 2013. O saldo também será apresentado no decorrer da pesquisa.
Parte de informações sobre Quangos foi obtida em visita ao Reino Unido, em setembro de 2012. Material impresso da biblioteca de pós-graduação da Manchester Business
School e contato com um dos autores que mantém pesquisa sobre as organizações foram
resultados que contribuíram na composição.
Ressalta-se a contribuição de Padre Niversindo Cherubim, superintendente da OS Cruzada Bandeirante. Em correspondência de retorno, o padre anexou diversos elementos que auxiliaram substancialmente a pesquisa. O padre é conhecedor e já proferiu palestra sobre as OS, enviando também parte deste material à pesquisadora – com gravação e apostila.
Desta forma, em verdadeira ‗caça‘ por dados e informações e consideradas as indisposições em falar sobre organizações sociais, procurou-se substanciar entrevistas com dados como no Diário Oficial, informações do Tribunal de Contas do Estado e do Município, conversas com outros agentes envolvidos no setor da saúde, artigos e livros publicados, divulgações em mídia, entre outros, sempre marcadas as respectivas fontes.