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5.6. Dondurulmuş besinleri çözdürme 14

O Arranjo Produtivo Local (APL) ou cluster é o conjunto de empreendimentos ou empresas de uma determinada região (micro, pequenas e médias empresas) envolvidas nos processos produtivos de um determinado produto, levando em consideração todos os seus estágios para atender mercados internos e externos, a partir de vantagens locais, como recursos disponíveis que vão desde a matéria-prima à mão de obra. Este tipo de organização promove o desenvolvimento das empresas envolvidas, gerando renda, emprego e competitividade por meio da especialização (BRASIL, 2006).

Esses aglomerados industriais se constituem como sistemas concentrados que abarcam uma série de elementos justapostos, dentre

os quais os mercados de trabalho locais se colocam como condição essencial da reprodução e ascensão de aglomerações produtivas e cuja análise cuidadosa se faz premente para o escopo das políticas de desenvolvimento regional atuais (FUINI, 2008, p. 76).

O conceito de APL surgiu devido às experiências de sucesso que alcançaram os Distritos Industriais Italianos e o Vale do Silício nos Estados Unidos, durante os anos 80 e 90, ou seja, com a concentração de empresas que havia nestes locais foram capazes de elevar a renda per capita, tendo como característica principal a cooperação (SANTOS et al, 2004).

De fato, a cooperação dentro desses distritos é considerada tão importante que representa um dos principais fatores que diferenciam teoricamente esse tipo de aglomeração produtiva dos outros, como os anteriormente citados. Não se está tratando aqui de qualquer cooperação, pois o que se dá nesses distritos é diferente do observado na relação cliente/fornecedor dos complexos petroquímicos e automobilísticos ou nas parcerias estratégicas entre firmas que ocorrem principalmente na área de desenvolvimento de produtos (SANTOS et al, 2004, p. 157).

De acordo com Visser (1999) um APL pode se formar de duas formas: a primeira, quando um ou mais empreendedores decidem explorar vantagens competitivas locais, como infraestrutura, localização, transporte e compartilham riscos de investimentos; e a segunda, que ocorre por meio de uma estratégia comercial para solucionar problemas de competitividade, com investimentos em inovação e tecnologia. Hoffmann et al (2004) acrescentam uma terceira forma, que consiste no conhecimento histórico e tradicional de empresas que se unem em busca de ganhos.

No APL a cooperação entre as empresas de um mesmo setor, mesmo que haja competição entre elas, serve para estabelecer uma melhor relação entre as cadeias produtivas envolvidas, e propiciar a troca de informações que possam beneficiar cada uma delas no que diz respeito a políticas de incentivo, leis, sindicalização, tecnologias, entre outras variáveis.

Sob esta ótica, a localidade pode trazer vantagens competitivas, como por exemplo, baixos custos de produção, mão de obra especializada (conhecimento tácito), logística, proximidade de matérias-primas, entre outras dentro de uma determinada geografia, como acontece nas cidades de Limeira e Jaú, ambas do interior do estado de São Paulo. A primeira é um pólo fabricante de bijuterias, e segunda, de calçados femininos e caracterizam microcadeias produtivas locais, que envolvem vários atores (HOFFMANN et al, 2004).

De acordo com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) o APL deve atender a 5 eixos estruturantes, enquanto estratégia de desenvolvimento: ―a) Crédito e Financiamento‖: para suporte da especialização local; ―b) Governança e Cooperação‖: intermediar as relações entre as empresas; ―c) Tecnologia e Inovação‖: capacitação tecnológica interna; ―d) Formação e Capacitação‖: mão de obra especializada; ―e) Acesso aos mercados nacional e internacional‖: para sustentabilidade do APL (BRASIL, 2006, p. 13).

O aprimoramento das competências no APL induz as empresas envolvidas a se especializarem e consequentemente, desenvolverem uma interdependência saudável de forma a fortalecer a cadeia produtiva em uma concorrência, mas com momentos ou questões produtivas que induzem à cooperação. Tal aprimoramento, fortalecedor da competitividade requerem inovação e tecnologia, por meio da inserção de novos processos, materiais e agregação de conhecimento. Assim os atores por meio do conhecimento tácito são detentores de tecnologia e podem construir sobre ela melhorias por meio da inovação promovida pela expertise especializada (BRASIL, 2006).

Importante também é reconhecer que a base de competitividade das empresas em qualquer APL não se restringe a um setor único, estando fortemente associada a atividades e capacitações para frente e para trás ao longo da cadeia de produção. Incluem design, controle de qualidade, atividades relativas a marketing e à comercialização, além de uma série de atividades ligadas à geração, aquisição e difusão de conhecimentos (CASSIOLATO; LASTRES, 2003, p. 6).

Estas organizações ou ―redes de firmas podem ser concebidas como instâncias de aglutinação e criação de competências ao longo do tempo, por meio de um processo coletivo de aprendizado institucionalmente condicionado‖. A transmissão de conhecimento se dá por meio de fluxos de informações que acontecem dentro das organizações, ou seja, o que se transmite, é o conhecimento tácito. Entretanto para que a articulação entre as empresas envolvidas na rede ou arranjo seja efetiva é necessário padronizar terminologias, processos, insumos, principalmente quando há inserção de novas tecnologias e inovações, interferindo diretamente no aprendizado coletivo (BRITO, 2002, p. 2).

O Governo Federal tem estimulado o desenvolvimento e a formalização dos APLs por meio dos ―Planos Plurianuais, desde 2000, no Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010 e na Política de Desenvolvimento Produtivo 2008- 2013‖, na esfera estadual, os Grupos de Trabalho Permanente (GTP-APL), além da

iniciativa privada do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e dos bancos, como o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) (GARCEZ et al, 2010, p. 35).

O mapeamento dos APLs não é uma questão de simples resolução, uma vez que é necessário identificar as cidades-pólo, onde se concentram o maior número de empresas com atividades relacionadas e classificá-las de acordo com seu respectivo setor. A Figura 13 ilustra a distribuição dos APLs no Brasil. Entretanto, pode ser que aconteça de duas ou mais cidades apresentarem a mesma representatividade em número de empresas, acabando desta forma, por contar como se fossem dois APLs. Outro fator que dificulta este mapeamento, é que são contabilizadas as empresas formais, e não as informais, que podem contribuir com o desenvolvimento de um setor (SILVA et al, 2010).

Figura 13 - Distribuição dos arranjos produtivos locais no Brasil

No ano de 2009 o BNDES e a Rede System realizaram uma consultoria nos APLs brasileiros, e ―foram avaliados em termos de capacitações, lucro para os produtores, suas associações, entre outros requisitos. Dentre todos os analisados, Alagoas se destacou com os melhores resultados‖. Isso ocorreu porque houve grande estímulo do governo estadual alagoano por meio de políticas, como a Política de Arranjos Produtivos de Alagoas (PALP) promovida pela Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico e se iniciou em 2004 e está tendo continuidade hoje, mesmo com a mudança de governadores e parcerias com o SEBRAE (IBICT, 2014b).

Pode-se notar também que no Rio Grande do Sul há uma grande concentração de APLs, que de acordo com o IBICT (2014) apresenta um significativo número de municípios envolvidos em cada um deles, como listados no APÊNDICE A. Isso acontece principalmente por causa das ações do governo estadual por meio da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) que promove encontros dos gestores dos APLs para a elaboração de planos de trabalho. Somente no primeiro semestre de 2014 o governo investiu R$ 1,2 milhão em 11 APLs (IBICT, 2014c). No ano de 2015 foi publicado um edital, que oferecia R$ 1,8 milhões, sendo R$ 150 mil por APL por ano (AGDI, 2015).

No Rio de Janeiro também é expressiva a quantidade de APLs, entretanto, possuem mais um caráter de ―distritos industriais‖ com foco no fortalecimentos das empresas relacionadas a eles (BRITTO et al, 2010).

As políticas paulistas para APLs tiveram início em 2004 por meio de ações da Secretaria de Desenvolvimento (SD) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e SEBRAE/SP. Em 2007 foi criada a Rede Paulista de APLs e em 2008 foi assinado um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que investiu US$ 10 milhões para atender a 15 APLs, mais US$ 10 milhões do SEBRAE/SP (SILVA et al, 2010). A SD possui um cadastro, no qual, diferente dos dados do IBICT, que reconhece atualmente 24 APLs que são apresentados no Quadro 6 e mais 22 Aglomerados Produtivos.

Respondendo ainda por parcela expressiva do PIB e do produto industrial brasileiro, São Paulo não está entre os estados prioritários para as políticas nacionais de desenvolvimento de APLs, embora sejam do estado as primeiras aglomerações produtivas a chamarem a atenção de estudiosos do tema e também de formuladores de políticas públicas (a exemplo de Franca/calçados e Americana/têxtil) (SILVA et al, 2010, p. 161).

Quadro 6 - APLs no Estado de São Paulo

Fonte: São Paulo (2015a)

Existem dois fatores que influenciam o desenvolvimento dos APLs paulistas, sendo o primeiro a questão dos impostos interestaduais, que encarecem produtos; e o segundo a entrada de produtos importados mais competitivos devido ao baixo preço. E para isso existem algumas medidas, das quais são as criações de escolas técnicas para ampliação do conhecimento, como as Faculdades Tecnológicas (FATECs) e Escolas Técnicas Estaduais (ETECs), além do incentivo à Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas.

Parques tecnológicos são empreendimentos para a promoção da ciência, tecnologia e inovação. São espaços que oferecem oportunidade para as empresas do Estado transformarem pesquisa em produto, aproximando os centros de conhecimento (universidades, centros de pesquisa e escolas) do setor produtivo (empresas em geral).

Esses ambientes propícios para o desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica e Inovação transformam-se em locais que estimulam a sinergia de experiências entre as empresas, tornando-as mais competitivas (SÃO PAULO, 2015b).

A criação das incubadoras de empresas foi uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na década de 80 com a implantação de parques tecnológicos, incentivando o setor de conhecimento científico e tecnológico. No ano de 2011, das 384 incubadoras brasileiras, 40% eram de base tecnológica, 18% de base tradicional, 18% mistas, e o restante se divide entre social, agroindustrial, serviços e cultural (ANPROTEC, 2012), como mostra a Gráfico 1.

Gráfico 1 - Setores de atuação das incubadoras brasileiras

Fonte: ANPROTEC (2012)

A mão-de-obra é outro fator relevante, uma vez que a especialização nos APLs ocorre de forma espontânea e estimula a inovação. Para isso é necessário capacitar e desenvolver competências nos processos de produção (BRASIL, 2006).

Benzer Belgeler