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De forma a ilustrar os resultados obtidos com esse trabalho, trago, a seguir, dois

trabalhos produzidos pelos alunos, um para a atividade “Cartoon Story” e out ro para a

atividade “Letter to a Friend”.

Atividade 1: “Cartoon Story”

Tendo em vista que o trabalho teve como Ponto de Entrada a narração,

procurou-se fazer o aluno expressar a mensagem da música em outras formas de narração que não a letra da música. Neste caso, foi escolhido o formato de desenho.

Ao observar os desenhos produzidos pela aluna, é possível perceber que os

objetivos de compreensão colocados para esta atividade estão representados. A aluna foi

capaz de transpor partes da letra da música para o formato de desenho. Fatos

importantes do comportamento adolescentes estão representados, tais como o foco nas

um garoto andando de skate, o “punk”, ou roqueiro da tradução comunitária (anexo 5), e

uma garota bem vestida, ou a “patricinha” da tradução comunitária. Nesse ponto é reforçada a mensagem que aparece na música, do valor que é dado pelos adolescentes à imagem e aos grupos de convívio.

Já na segunda e terceira seqüência de desenhos, é reforçada a mensagem das conseqüências de alguns dos comportamentos comuns aos adolescentes. Aparece a menina grávida e sozinha, parte da música que normalmente passa despercebida, mas

que, uma vez enfatizada pelo professor, causa grande identificação, principalmente por parte das meninas, que vêem em sua realidade casos semelhantes. Já o garoto, julgado por sua imagem de rebelde no passado, aparece agora na televisão e também dando um show, mostrando que a capacidade de um indivíduo muitas vezes independe da aparência.

Outros fatores importantes a serem enfatizados neste trabalho de aluno foram:

Os Temas: Como as atividades foram planejadas dentro de um contexto a partir da realidade dos alunos, ficou fácil para a aluna reconhecer os comportamentos

demonstrados na música e representá-los em forma de desenho.

A produção comunicativa: A aluna foi capaz de reproduzir a linguagem existente na letra da música de forma nova e própria. Mesmo que os significados das palavras tenham passado por uma prévia tradução, nesta atividade eles aparecem de forma a comunicar uma informação na L-Alvo.

Atividade 2: “Letter to a Friend”

O principal objetivo desta atividade era poder analisar a compreensão da

mensagem da música por parte dos alunos. Novamente, mudou-se o formato da

narração para uma mesma história. O grande diferencial desta atividade é que os alunos

tinham que passar a narração para um campo mais pessoal: a história contada na carta teria acontecido com eles mesmos ou com alguém próximo. Mais uma vez o fato de o tema partir da realidade dos alunos facilita a identificação com a história e permite que possam reproduzi-la em um formato aprendido.

Esperava-se com esta atividade a compreensão dos alunos de alguns vocábulos em inglês e que muitas vezes são também palavras utilizadas no português. Uma metodologia de trabalho de ensino de Língua Estrangeira que mescle as L-Alvo e a Língua Materna pode ser questionável. No entanto, tendo em vista as condições de trabalho do contexto e os resultados alcançados, tanto quanto a aceitação dos alunos para este tipo de atividade quanto para a qualidade do que foi produzido, acredito ser

este tipo de metodologia de trabalho uma ferramenta de grande valor para professores

de Língua Estrangeira em contextos semelhantes.

No sentido de deixar claro a justificativa para a utilização deste tipo de metodologia, pode argumentar com o fato de que a quantidade de alunos e de horas de aula dificulta um trabalho mais refinado na produção de textos que os alunos partem de uma linguagem já familiarizada, e assim, ao trabalhar desta maneira, aumentam as chances de o aluno compreender a mensagem do texto e de reproduzi-la em novos contextos.

A fase de análise de necessidades para o planejamento de aulas se deu de forma constante, o que permitiu obter-se uma sintonia fina com as necessidades dos alunos e os objetivos pedagógicos.

Levando-se em consideração o fato de a coleta de dados ter ocorrido durante o período entre o último semestre do ano letivo de 2004, com uma turma de primeiro ano do ensino médio, e o primeiro semestre do ano letivo de 2005, com a mesma turma, já no segundo ano do ensino médio, a análise de necessidades foi novamente realizada. Como os alunos eram praticamente os mesmos e todos tinham sido meus alunos no ano anterior, pouco de novo foi adicionado quanto às observações dos alunos. O Inventário de IM foi novamente aplicado e analisado, não tendo demonstrado nenhuma mudança significativa nos resultados.

4.5. A avaliação

O próximo passo dentro da proposta foi estabelecer os critérios para a avaliação. Ao se aplicar uma proposta pedagógica tendo a teoria das IM como ferramenta principal

no planejamento e aplicação das atividades, são as algumas adaptações no modo como

algumas práticas são tradicionalmente aplicadas na escola pública. A principal delas foi

a avaliação.

Sobre avaliação, nos documentos oficiais, se diz o seguinte:

Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste capítulo e as seguintes diretrizes:

II- adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes.

Ainda segundo os PCN (1999: 85)

“A proposta pedagógica deve ser acompanhada por procedimentos de avaliação de processos e produtos, divulgação dos resultados e mecanismos de prestação de

contas.”

Apesar de os documentos oficiais (PCNs) já indicarem uma necessidade de se aplicar diferentes métodos de avaliação, ficando muitas vezes por conta do professor a responsabilidade total de decidir quais avaliações e como essas avaliações serão aplicadas, ainda assim o sistema de distribuição de notas é bastante tradicional, seguindo ao conhecida nomeação por letra de ‘A’, ‘B’, ‘C’, ‘D’ e ‘E’.

No entanto, dessa forma, não se atende às necessidades da proposta pedagógica. Um outro aspecto importante é o fato de que por mais que se apliquem métodos de avaliação diferenciados, o professor ainda terá que atribuir aos alunos as notas correspondentes ao sistema adotado pela escola. A solução encontrada por este professor/pesquisador foi desenvolver um sistema de notas que, ao mesmo tempo, pudesse avaliar de forma mais justa e eficiente cada passo e atividade desenvolvida pelo aluno, dando-lhe feedback de seu desempenho e, ainda, ser capaz de se encaixar no sistema de avaliação da escola.

4.5.1. Avaliação da produção do aluno

Como professor, e também como aluno, sempre tive uma visão negativa da avaliação. A impressão que tenho, ao passar por uma avaliação, ou ao ter que aplicar uma avaliação em meus alunos, é a de rotulação. Dentro de um processo de ensino e aprendizagem, acredito que os progressos dos alunos possam ser observados, mas que dificilmente possam ser avaliados. O desempenho do aluno em determinadas tarefas depende de muitos fatores, o que acaba impossibilitando qualquer tipo de padronização do que é aprendido. Mesmo dentro de um sistema educacional em que se faz necessário demonstrar o progresso do aluno pelo uso de avaliações, é possível criar diferentes caminhos para se avaliar o progresso que cada aluno faz dentro de seu processo de aprendizagem. Sendo assim a avaliação processual, utilizada para esta proposta, é o sistema que conheço capaz de produzir um equilíbrio entre observar o progresso do aluno e a graduação sistemática do que o aluno aprendeu.

Dentro desta proposta a parte mais importante da avaliação é a produção dos próprios alunos. É uma avaliação feita a partir de tudo o que o aluno produz dentro e fora de aula para a matéria, desde a simples cópia de alguns pontos, tais como uma letra de música, até trabalhos mais complexos e elaborados como a atividade “Map From School to Home”.

Os critérios para esse tipo de avaliação são:

1. O aluno desenvolveu a atividade?

Algumas atividades exigem apenas que sejam executadas, quer seja como parte integrante de uma seqüência de atividades na qual é essencial que a atividade primária

(letra da música, coleta de materiais), quer realizada para que se possa cumprir as

atividades subseqüentes (jogo de mímica com a letra da música, cartaz com os materiais coletados), ou ainda uma atividade simples,como copiar as Estratégias de Leitura (DOTA, 1994). (anexo 11).

2. Aplicou conhecimentos necessários?

Atividades mais complexas exigem que se avalie a aplicação dos conhecimentos

trabalhados durante a unidade, como, por exemplo, ‘Cartoon Story’, na qual se avalia a

capacidade do aluno em contar a história da letra da música em forma de desenhos.

3. Qual a qualidade do que foi produzido?

Para que se tenha uma avaliação de forma justa para os alunos que apresentam melhor desempenho das atividades, a qualidade do que o aluno produziu também é

avaliada, sempre de acordo com os objetivos estabelecidos para cada unidade.

4.5.2 Avaliação por participação

Atividades como jogos, trabalhos em grupo e brainstorming podem ser avaliadas

pela simples participação do aluno de forma positiva e atuante. Nesse tipo de avaliação

não se espera demonstração de conhecimento ou compreensão, até por que se trata de

atividades nas quais os alunos ainda estão começando a trabalhar com o conhecimento

focado.

Atividades ou jogos em grupo com os “Puzzles” exigem do professor um

trabalho como monitor, auxiliando os alunos no desenvolvimento do jogo ou atividade,

por estar constantemente junto aos alunos durante os jogos ou atividades, o professor

pode avaliar com precisão a participação dos alunos.

4.5.3 Avaliações formais

As avaliações formais dentro desta proposta pedagógica funcionam como um instrumento de feedback aos alunos. É a parte concreta e objetiva do trabalho dos alunos, a partir da qual eles podem se auto-avaliar e perceber seu progresso, seja de forma autônoma, seja pelo auxílio da avaliação feita pelo professor.

Ainda na questão relativa às avaliações, enfatizo as dificuldades apresentadas

pelo contexto da escola pública. Alguns pontos são relevantes, e foram levados em consideração ao avaliar os trabalhos dos alunos da forma como foi feita: (a) o grande

número de alunos por turma, o que dificulta uma avaliação mais justa e acurada da

produção oral dos alunos; (b) classes heterogêneas, o que faz que certos critérios

atendam apenas a uma parcela dos alunos, ou seja, critérios muito rigorosos deixam de

lado alunos menos desenvolvidos, critérios pouco rigorosos sub-valorizam o trabalho de

alunos mais esforçados; (c) a falta de material e de tempo para desenvolver os trabalhos, o que faz partes do processo de desenvolvimento das atividades como coleta de material e a simples cópia de parte da matéria terem valor elevado, sob o risco de não haver o insumo necessário para atividades seqüenciais; (d) valorização de todo e

qualquer trabalho do aluno, com notas, como forma de promover a motivação e

participação durante todo o processo de desenvolvimento das atividades; (e) finalmente, no intuito de incentivar que o aluno fale “qualquer coisa” na L -Alvo, pouca ênfase na acuidade na maioria das avaliações da produção dos alunos.

4.5.4. Sistema de notas

Para que se pudesse conciliar a avaliação processual aplicada dentro da proposta

com o sistema de notas aplicado pela instituição de ensino, foi criado um sistema de notas (anexo 12) para que, ao final do bimestre, pudesse se converter as avaliações feitas durante todo o bimestre para o sistema de notas tradicional.

O sistema de notas foi apresentado aos alunos na forma de um contrato e alguns

pontos chegaram a ser discutidos com eles. Como era uma preocupação constante, esse sistema também foi aperfeiçoado do primeiro para o segundo ano, conforme documentado no excerto de diário apresentado a seguir:

“A primeira atividade desenvolvida foi novamente o sistema de notas, com a

modificação no valor das atividades para até 5 pontos. Acredito que essa modificação possa me dar mais margem para avaliar as atividades e também realizar uma avaliação mais justa.” (17 de fevereiro de 2005)

4.5.5 Considerações a respeito da avaliação

A principal contribuição que a teoria das IM oferece para a avaliação no ensino de LI na escola pública é a definição das ‘regras do jogo’, seja para o professor, seja para o aluno. Ao estabelecer de forma clara o que se quer de cada atividade e quais os critérios de avaliação, ambos podem trabalhar de maneira mais eficiente e direcionada, com menores possibilidades de conflitos, para que os objetivos sejam alcançados.

4.6 A Abordagem Comunicativa dentro desta proposta pedagógica: conflitos e

Benzer Belgeler