2.4.1 Diagnóstico
Segundo o DSM - IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 4ª edição) os seguintes critérios são utilizados para o diagnóstico da depressão:
9 Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
9 Anedonia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
9 Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
9 Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e 9 concentrar-se;
9 Fadiga ou perda de energia;
9 Distúrbios do sono: insônia ou hipersonia, praticamente, diárias; 9 Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
9 Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar; 9 Ideias recorrentes de morte ou suicídio.
De acordo com o número de itens respondidos, afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedonia;
2) Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedonia.
Segundo o manual de classificação de doenças mentais- CID-10 (1994), a depressão é definida a partir dos graus: leve, moderado ou grave. O paciente apresenta um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade; alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo; com presença de problemas do sono e diminuição do apetite; uma diminuição da auto-estima e da autoconfiança e frequentemente ideias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo nas formas leves. O humor depressivo varia
pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos “somáticos", por exemplo, perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda da libido.
Na depressão ou grau leve acontece geralmente após um acontecimento estressante corroborando para o rebaixamento do humor que oscila junto com sensação de ansiedade. No grau moderado, o paciente passa a ter um rebaixamento do humor persistente, com manifestação de sintomas físicos. E no grau severo a pessoa apresenta os mesmos sintomas com mais intensidade e com agravamento de delírios e alucinações, podendo colocar sua vida em risco.
Para ser diagnosticada com depressão, a pessoa deve apresentar pelos menos dois dos três primeiros sintomas. A presença de quatro sintomas indica um episódio ligeiro; de seis, episódio de gravidade moderada; de oito, episódio grave, segundo Coutinho e Saldanha (2005).
Mayo (2004), caracteriza a depressão por diversos sinais e sintomas: 9 Tristeza persistente;
9 Irritabilidade; 9 Ansiedade;
9 Perda de interesse ou de prazer na vida; 9 Mudanças de hábitos alimentares; 9 Mudança no padrão de sono; 9 Cansaço e perda de energia;
9 Negligência com responsabilidades ou com cuidados pessoais; 9 Diminuição de concentração, de atenção e de memória;
9 Mudanças extremas de humor; 9 Sentimento de impotência; 9 Sentimento de desesperança;
9 Sentimentos de menos valia e de culpa; 9 Pensamentos negativos constantes;
9 Sintomas físicos que não reagem a tratamentos; 9 Aumento do uso de álcool ou de outras drogas; 9 Pensamento de morte ou suicídio.
A depressão apresenta ainda sintomas que a mascara (Bahls, 2002; Coutinho, 2001, 2005; Dutra, 2002), como:
9 Ataques de raiva,
9 Comportamentos delinquentes, 9 Hostilidade,
9 Auto-agressão,
9 Constante exposição a situações de risco, 9 Uso de drogas,
9 Queixas proeminentes de dor crônica, 9 Obesidade e letargia
2.4.2 Classificação
De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2006), a depressão pode ser classificada quanto a sua gravidade, etiologia ou sintomatologia em três níveis: leve, moderada e grave ou severa.
No nível leve, apresenta dois dos sintomas: humor deprimido, perda de interesse (anedonia), falta de energia e mais dois dentre os expostos anteriormente (CID-10). Na moderada, apresenta dois dos sintomas a seguir e mais três dos sintomas descritos no CID-10 (1994): humor deprimido, perda de interesse (anedonia), com a presença de dificuldade do indivíduo em executar suas funções. E, na classificação grave ou severa, o indivíduo apresenta dois dos sintomas: humor deprimido, perda de interesse (anedonia), falta de energia e pelo menos mais quatro dentre os sintomas descritos no
CID-10 (1994), podendo apresentar também sintomas psicóticos, como delírios e alucinações.
E como causas para o acometimento desta patologia, Coutinho (2005) citando Ey et al. (1981) traz fatores endógenos (crise melancólica sintomática da psicose maníaco-depressiva) e influência de fatores exógenos (emoções, esgotamento, conflitos, isto é, acontecimentos provenientes do meio), aliados a uma predisposição da personalidade de base – estados depressivos reativos ou neuróticos, apontando a existência também de fatores psicogênicos, os quais têm como causa um estado permanente de estresse e causas relacionadas aos grupos em estados-limites.
Dado corroborado por Miller (2003), quando o mesmo relata que a causa da depressão pode ser classificada como endógena, exógena ou reativa. A depressão endógena é motivada por algo “interior” à pessoa ou por uma causa biológica. Normalmente não há um antecedente significativo que precipita o episódio endógeno. É uma depressão associada a sintomas basicamente físicos, como problemas de sono, mudança de apetite e fadiga. Posto ser caracterizado por componentes biológicos pode ocorrer episódios múltiplos.
Dalgalarrondo (2000) define esta classificação como um tipo de depressão onde predominam os sintomas classificados como endógenos, de natureza mais neurobiológica, mais independente de fatores psicológicos. Segundo ele, os sintomas típicos são: anedonia; hiperatividade geral; tristeza vital; lentidão psicomotora; perda de apetite e de peso corporal; sintomas mais intensos pela manhã, melhorando ao longo do dia; insônia terminal (indivíduo acorda de madrugada e não consegue mais dormir); diminuição da latência do sono REM (inversão da arquitetura do sono); ideação de culpa.
A depressão exógena de acordo com Miller (2003) é causada por acontecimentos externos como perdas importantes, humilhação pública ou dificuldades crônicas de lidar com o estresse. É a chamada depressão reativa ou situacional, que está associada a sintomas ligados ao pensamento ou sentimento, incluindo sensação de inutilidade, desânimo e incapacidade de concentrar-se.
Definição defendida também por Coutinho (2005) quando menciona que a depressão reativa refere-se ao tipo de depressão desenvolvida como uma reação a um fator estressor externo, representando uma associação entre fatores precipitantes internos e externos; e formas moderadas dessa patologia. Uma forma de depressão entendida como um sofrimento psíquico e/ou dor moral desencadeada por uma situação ou acontecimento desagradável que interfere, significativamente, na diminuição da qualidade de vida, na produtividade e capacitação social do indivíduo.
Quanto aos sintomas, a depressão pode ser classificada em neurótica ou psicótica. Segundo Abreu (2003), a depressão neurótica se caracteriza por apresentar, pelo menos, cinco dos itens a seguir: perda do interesse ou falta de motivação; demora em responder aos estímulos prazerosos; piora dos sintomas pela manhã; agitação ou retardamento psicomotor; significativa perda de peso; resposta anterior a terapias biológicas (como terapia eletro convulsiva) ou a medicamentos antidepressivos, durante um episódio anterior com sintomas desencadeantes similares.
Já a depressão psicótica, segundo Dalgalarrondo, (2000), é um tipo grave que ocorre associado aos sintomas depressivos, um ou mais sintomas psicóticos, como delírios de ruína ou culpa, delírio hipocondríaco ou de negação de órgãos e alucinações com conteúdos depressivos.