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Compreender essa temática exige um caminho teórico que oriente a concepção de gestão da informação numa perspectiva inclusiva, sobretudo nas escolas enquanto organizações aprendentes. Convém, ainda, ressaltar que as organizações aprendentes são aquelas que, dotadas de competências em informação, reconhecem a relevância da informação e a necessidade de administrá-la para criar novos conhecimentos. Por isso, essas organizações buscam investir em capacitação e no compartilhamento da informação entre os seus participantes, num contínuo processo de aprender a aprender sempre e em todas as dimensões.

Acerca disso, Levy (1999, p. 162) diz que as organizações, para serem aprendentes na sociedade da informação, não podem se abster do aprendizado continuo sob pena de se perderem entre os “redemoinhos” e naufragarem nas “ondas turbulentas das águas do dilúvio informacional”.

Todavia, quando as organizações dizem respeito a instituições de ensino, vale considerar que a gestão dos recursos informacionais assume um papel de extrema relevância nos processos de inclusão, uma vez que, se forem bem geridas, as informações podem potencializar aprendizagens significativas rumo à participação efetiva dos sujeitos na vida social e no trabalho.

Dessa forma, a educação, de modo mais amplo, e a escola, em particular, enquanto organização que aprende, pressupõe um papel fundamental na gestão da informação e na otimização de aprendizagens significativas e promotoras da inclusão que, a nosso ver, pode trazer consequências sociais graves, caso não haja o desenvolvimento de tal tarefa de forma competente.

Acerca do gerenciamento da informação, Ferreira e Peruchi (2011) comentam que a tarefa, tanto interna como externa, de lidar com esse recurso requer competência em gestão da informação (GI), que a nosso ver, implica na constituição de conjunto de ações que potencializem sua aquisição com qualidade, para, assim, ser transmitida em tempo hábil e de forma acessível aos que dela necessitam.

Importante ressaltar ainda que, ao tratarmos de gestão, não estamos nos reportando à gestão de recursos humanos, embora reconheçamos sua essência na “mobilização dinâmica do elemento humano, sua energia e talento coletivamente organizado” (LÜCK, 2014, p. 27).

Mas, a gestão a que nos referimos, na perspectiva de Marchiori (2002, p. 74), apresenta-se como a competência desenvolvida para gerir um conjunto de fluxos de informação ou de processos que envolvam pessoas e ações, tais como: planejar, organizar, direcionar, distribuir e controlar recursos de qualquer natureza “visando à racionalização e à efetividade de determinado sistema, produto ou serviço”, de forma que viabilize a inclusão das pessoas no universo informacional, conforme ilustra o apêndice A no final desse trabalho. Outro aspecto que merece atenção no trato da gestão da informação é a competência para identificar as informações que se tornaram inúteis à organização, que, na perspectiva de Beal (2008), configura-se pelo descarte de informações obsoletas de modo que sejam evitados desperdício de tempo e da capacidade inventiva dos atores envolvidos nas organizações.

Em se tratando da escola como uma organização aprendente, convém lembrar que, embora a gestão a que nos referimos não se trate da gestão de recursos humanos, Freire e Freire (2012) consideram de fundamental relevância, para o processo de inclusão, o desdobramento de esforços para mobilizar todos os envolvidos no processo de ensinar e aprender, e na busca incessante pelo conhecimento e pelo desvelamento da realidade.

No entanto, o conhecimento da realidade (de modo mais geral) e da escola (de modo particular), no contexto das organizações que aprendem, somente faz sentido se considerarmos as singularidades de cada aluno, o contexto onde ele está inserido e a dinâmica que move o mundo. Essa nova postura da escola implica perceber como desafio

[...] a necessidade de reescrever narrativas, entender o sentido da

informação no atual marco cultural social e econômico, questionar as

práticas pedagógicas vigentes [...] e propor inovações organizativas, curriculares e metodológicas que a sociedade da informação permite e demanda à educação que oferecemos nas instituições escolares , questionar e revisar os currículos, ressuscitar o papel dos professores, acomodar a organização escolar, entender os alunos como frutos de novas condições de socialização, adotar as novas tecnologias" ( SACRISTÁN, 2007, p. 42. Grifo nosso).

Nesse entendimento, saber utilizar as fontes de informação pode se constituir numa contribuição significativa para o alcance de melhores resultados na aprendizagem dos alunos, com ampliação da visão de mundo e da conquista da autonomia necessária à inclusão.

No entanto, sabemos que há um grande número de informações disponíveis na internet, e isso pode se configurar num excelente auxílio à informação. Mas se por um lado essa abundância pode se apresentar como favorável ao sujeito, por outro poderá se tornar um obstáculo devido ao não desenvolvimento de competência em informação para buscar, filtrar e organizar a informação conforme as necessidades apresentadas pelo sujeito de tal busca.

Nesse entendimento, parece claro que uma exigência fundamental para a construção eficiente do processo de ensinar e aprender, desde a escola, é gerir bem as informações para que essas informações possam ser utilizadas de forma adequada pelos que dela necessitam.

No tocante às escolas como organizações aprendentes, para uma gestão eficiente das informações faz-se necessário atualizar as estratégias de ensino através do processo de formação continuada, pois, como afirma Perrenoud (2000, p. 125), “se a escola ministra um ensino que aparentemente não é mais útil para o uso externo, corre um risco de desqualificação” e de perda da credibilidade, incorrendo, ainda, num amplo fracasso do ensino e da aprendizagem.

Além disso, levando em conta que a informação se constitui num elemento fundamental para a inclusão, faz-se necessário conceber o potencial tecnológico no acesso à informação com ênfase na “tecnologia da liberdade”, aqui constituída pelas “redes de comunicação da internet” (CASTELLS, 2003, p. 225).

Essa ênfase nas tecnologias tem sua justificativa no entendimento de que a evidência da informação se dá a partir de registros em suportes externos à memória humana. Dessa forma, as tecnologias, e entre elas a internet, apresentam-se como uma grande aliada do gestor da informação, tanto no armazenamento como na busca de informações, sempre que necessário.

Contudo, compreender essa nova realidade delineada pelas tecnologias, em especial pela internet, exige observar as estruturas tecnológicas das organizações e a forma como essas informações estão sendo gerenciadas. Isso sugere que a escola, enquanto organização aprendente, crie, nas suas práticas cotidianas, uma cultura de formação continuada que possa potencializar, entre outros aspectos, a orientação para o uso das tecnologias digitais, tal como a internet como possibilidade de atingir os seus mais desejosos objetivos e, assim, preparar a comunidade escolar para o desenvolvimento

[...] do julgamento, do senso critico, do pensamento hipotético e dedutivo, das faculdades de observação, e de pesquisa, a imaginação , a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a analise de textos e de imagens , a representação de redes , de procedimentos e estratégias de comunicação ( PERRENOUD, 2000, p. 128).

E, se considerarmos que a sociedade, os saberes, a nossa prática, em fim, que tudo ainda está em construção, há tempo para que a escola desenvolva mecanismos pedagógicos que atendam as demandas de um público cada vez mais independente no uso das tecnologias digitais e que, embora navegue continuamente no universo de informações desse ciberespaço, ainda, necessita de “mapas com as trilhas de acesso livre às fontes de informação verdadeiramente úteis e relevantes” (FREIRE, 2007, p. 44).

Isso posto, podemos dizer que a informação se configura num “vetor estratégico”, indispensável em todos os sistemas sociais, para a qual a boa gestão dessa informação potencializará a inovação, o conhecimento, a capacidade inventiva dos sujeitos, podendo, assim, promover a inclusão no seu sentido mais amplo (LESCA ; ALMEIDA 1994) .

A figura 6 representa um resumo da trilha teórica da gestão da informação nas organizações aprendentes numa perspectiva inclusiva.

Figura 6: Gestão da informação em organizações aprendentes: uma perspectiva inclusiva.

Como se pode perceber, na figura 06 são elencados, de forma resumida, conceitos, autores e informações relevantes no processo de gestão da informação que vão subsidiar a construção de uma trilha teórica para a compreensão do gerenciamento da informação em organizações aprendentes.

Vale ressaltar que esse gerenciamento da informação tem suas bases no aporte teórico de Marchiori (2012) e envolve ações e pessoas numa lógica de construção de trilhas de acesso à produção, uso, compartilhamento e armazenamento de informação.

Contudo, pode-se dizer que o bom desempenho de uma organização está condicionado à importância que se dá ao gerenciamento do fluxo de informação. Assim, ter consciência dessa realidade e conhecer os modelos teóricos de fluxo de informação disponíveis nas literaturas pode se configurar num diferencial para o sucesso de uma dada organização.

3 REGIME DE INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES: CAMINHO TEÓRICO