2. DOĞUMA HAZIRLIK
2.3. Doğumda yenidoğan açısından kimler bulunmalı ?
Nesse item, é nosso propósito discutir os conceitos de mudança e inovação educacional, visto que essas duas palavras são aplicadas para representar as transformações que acontecem nos sistemas educacionais, na escola ou na sala de aula. Além disso, esses dois termos são palavras-chave utilizadas freqüentemente para pensar e planejar os sistemas educativos e designar programas e projetos, pensados pelo Estado. Essas ações normalmente são pensadas de fora para dentro da escola, de forma impositiva e autoritária. Grande parte desses projetos não sai do papel ou ainda não causa grandes repercussões na realidade prática, sendo sempre desvirtuados do seu sentido e de seus objetivos iniciais.
Embora esses vocábulos tenham significados diferentes, é comum serem usados indistintamente, como sinônimos, inclusive na literatura especializada. Tentaremos aqui apresentar uma síntese das principais características referentes aos conceitos de mudança e de inovação. A necessidade de mudança é, de certa
forma, resultante das transformações científicas, tecnológicas e culturais ocorridas na sociedade pós-moderna. O aparecimento das novas tecnologias trouxe alterações significativas no modo de vida das crianças, jovens e adultos, modificando valores e padrões de comportamento, delineando novas gerações, com identidades bem distintas das anteriores.
Nas escolas, essas alterações podem ser percebidas pela diversificação do perfil das turmas, pela disseminação das informações em detrimento de uma formação mais consistente, pela agilidade da comunicação, pela necessidade da redefinição do papel do professor, pelo redimensionamento dos cursos de formação de docentes, dentre muitas outras variáveis que interferem na dinâmica da organização escolar.
É visível um movimento entre os profissionais que estão à frente dos sistemas de ensino e das instituições escolares, para mudar a escola. Esse movimento é conseqüência de inúmeros fatores apontados como causas para a permanente crise pela qual passa essa instituição, no Brasil, e que se manifesta com idênticos contornos na maioria dos países, independentemente do seu grau de desenvolvimento; no entanto, “a crise da escola” é, acima de tudo, uma crise pedagógica e organizacional, se não nos esquecermos de que, neste caso, a organização e a pedagogia são determinadas pela interação do meio educativo com o meio social em contexto, e, evidentemente, com as opções políticas que permeiam essa interação.
Discutir mudança nas instituições e, mais precisamente, mudança na escola, definindo e clarificando seus diversos conceitos, se faz necessário para melhor compreensão da problemática estudada nesta pesquisa, qual seja, mudança na gestão da escola. Apesar do conceito de mudança ser freqüentemente atrelado a outros termos, como inovação e transformação, entendemos que tais palavras nem sempre dizem respeito ao mesmo processo.
Mudança é um vocábulo mais genérico, mais abrangente. Para Fullan (2006), considerado um dos principais pesquisadores da mudança educacional, o conceito de mudança pode se referir tanto ao processo quanto ao resultado ou ponto de chegada. Esse autor utiliza o termo com essa dupla interpretação. Destaca, no entanto, a importância da mudança intencional e planejada em contraposição a
mudança espontânea. Nos seus estudos, pede atentar-se para a operacionalização da mudança, ou seja,
Como aumentar a capacidade das pessoas e das organizações para saber quando recusar certas possibilidades de mudança, quando e como perseguir e implementar outras, e como enfrentar políticas e programas que pretendem impor mudanças. (2006: 33).
Para esse autor, o fundamental é contribuir com as escolas para que elas possam descobrir como atingir, de modo mais eficaz, a implementação de programas ou práticas de mudança. Além disso, trata-se de um processo, e não de um fato, na maioria das vezes, lento e gradual.
Toda mudança implica o desenvolvimento de sentimentos ambivalentes. É necessário mudar? O que mudar? Como mudar? Essas e muitas outras perguntas se aplicam às diversas situações de mudança quando nos referimos a um processo ou a um resultado intencional ou espontâneo que acontece em âmbito reduzido ou a todo um sistema educacional. Murillo (2007:16) assim define mudança:
Qualquer processo que provoca alterações a partir de uma situação inicial, modificações essas que podem ser intencionais, gerenciadas e planejadas ou naturais; igualmente, são mudanças os resultados desses processos (ou seja, cada uma das diferenças e alterações em si).
Esse autor associa a palavra mudança a um conceito de caráter geral que pode se referir a qualquer modificação da realidade educacional, ocorrida tanto em âmbito macro quanto micro.
Na compreensão de Farias (2006:44),
A mudança é uma práxis. (...) a mudança como ressignificação da prática ultrapassa as modificações sobre a vida organizativa da instituição e a aplicação de tecnologias, envolvendo um novo modo de agir, alicerçado em novos valores, símbolos e rituais; ela não se constitui isoladamente nem ocorre através da imposição. Trata-se de um processo demorado, delicado e sensível, que compreende as interações consensuais e conflituosas que perpassam as relações internas e externas da organização.
Nessa linha de raciocínio, Hargreaves (2001) destaca que é necessária antes a crença para, em seguida, se engendrar um processo prático de mudança, a menos que a mudança ocorra de forma impositiva. Essas mudanças devem ocorrer de modo interativo, dentro de novos contextos e formas de ação. Nesse sentido, entendemos a mudança como uma construção social que é ao mesmo tempo individual, coletiva e interativa. Friedberg (1993:325) assevera que é vã a tentativa de procurar, para os processos de mudança social, a receita universal ou a solução milagrosa cuja aplicação garantiria o êxito. Na medida em que é contingente, a
mudança permanece como um processo aberto. Não realiza um modelo preestabelecido, procura fazer evoluir um sistema de atores.
Crozier e Friedberg (1977), referindo-se às mudanças, discutem nova lógica hoje predominantemente nas organizações, na qual a capacidade de inovar e de se transformar torna-se mais decisiva do que a capacidade de racionalizar dominante em modelos anteriores. Para ele, a mudança não depende apenas de inovações tecnológicas, mas especialmente da capacidade de mobilização dos diversos agentes da organização.
Para esses autores, são os indivíduos que mudam não somente de forma
passiva, mas no interior de uma coletividade e também enquanto coletividade. (p.
379) Eles dizem ainda que para que tenha mudança deve ter uma transformação
dos sistemas de ação; os indivíduos (...) devem colocar em prática novas relações humanas, novas formas de controle social. (1981:383).
Friedberg (1993) expressa que a mudança exige o estabelecimento de um dispositivo de acompanhamento, que tornaria possível a gestão e o monitoramento dos processos de aprendizagem mediante os quais se estabelecem novos quadros de ação e a aquisição de capacidades coletivas.
Conforme Lafortune e Deaudelin (2001), as características desse tipo de acompanhamento devem enraizar-se nas experiências anteriores das pessoas que interagem e
• favorecer a emergência de pontos de vista diferentes assim como de conflitos sociocognitivos;
• provocar uma co-construção; e
• tirar vantagem das tomadas de consciência que podem emergir de certos procedimentos de elaboração conjunta.
Como destacam Crozier e Friedberg (1977), o acompanhamento na mudança institucional constitui processo complexo que envolve as organizações de uma forma sistêmica, necessitando, então, de vários reajustamentos em termos de estratégias e de envolvimento, a fim de levar os atores a aceitar, e sobretudo, apropriar-se das transformações ocorridas.
A mudança, além do lado do domínio técnico, importante e necessário, possui viés humano, intelectual e emocional, indispensável. Fullan (2006) garante que a mudança é um processo e não um evento que envolve aprendizado contínuo e, portanto, sempre tem forte componente intelectual.
Carbonell (2002) afirma que nem sempre uma mudança implica melhoria, mas que toda melhoria impõe mudança. Mudança pode significar aplicação de reformas que não resultem em melhorias institucionais. Thurler (1994) referindo-se à mudança nos meios escolares, diz que a instituição que muda é aquela em que a
mudança é, de uma certa forma, uma fonte de identidade, um fator de coesão, um motor de vida e não somente o resultante involuntário da ação coletiva (1994:111).
Como vimos, a mudança deve ser abordada de modo sistêmico, com ações integradas, acompanhadas, coordenadas e complementares, interligadas a toda a instituição escolar e não apenas a algumas partes ou âmbitos isolados. Além disso, é fundamental o desenvolvimento da crença na mudança por parte dos agentes envolvidos, para que as idéias, atividades e estratégias selecionadas sejam convergentes e se inter-relacionem, implicando o envolvimento consistente de todo o grupo para a modificação da cultura docente.