2.3. DOĞRUDAN YABANCI YATIRIMLAR
2.3.3. Doğrudan Yabancı Yatırım Teorileri
Sendo um dos fins patrióticos desse benemérito Instituto o estudo da ethnologia e ethnographia brasílicas, estudo que um dia virá dar solução definitiva a magnos problemas anthropologicos e até glotológicos – seria desconhecer os relevantes serviços de tão útil e operosa instituição, se a outrem offerecera modesta memoria, fructo de escrupulosa observação.56
A memória ofertada pelo Monsenhor Claro Monteiro do Amaral ao IHGB tem como justificativa o espaço oferecido pela instituição aos temas etnológicos e etnográficos. Se no item anterior observamos o uso de um discurso etnográfico para a escrita de interpretações do passado nacional, neste focaremos em outra questão: podemos considerar o IHGB como um lugar de escrita etnográfica? Para tanto, seguiremos algumas formulações dos autores que publicaram na Revista a fim de compreender como os próprios colaboradores da instituição viram a questão.
Nas palavras de Monteiro do Amaral não enviar seu texto ao IHGB “seria desconhecer os relevantes serviços de tão útil e operosa instituição”, ou seja, para o autor o Instituto era um lugar apropriado para a publicação de textos etnográficos, como 56AMARAL, Claro Monteiro do. Memória sobre os usos e costumes de índios Guaranis, Caiuás e Botocudo.
considerava ser o seu. Poderíamos nos questionar sobre o entendimento de Amaral do que seria etnologia, etnografia e antropologia, no entanto, seu trabalho não traz elementos que permitam tal pergunta. Por sua vez, é possível perceber que não se trata de um etnógrafo ligado a alguma instituição de pesquisa ou museu naturalista, mas de um padre dedicado a prática missionária que o levaria ao contato com populações indígenas até sua morte.57Este poderia ser o motivo de eleger o Instituto como um lugar privilegiado para receber seu estudo.
O artigo do missionário Monteiro do Amaral é uma descrição do seu contato com povos indígenas, o padre trabalhava como catequizador de populações do interior do país desde finais do século XIX até o ano de 1901 quando seria morto em conflito com os Kaingang no Noroeste de São Paulo. Mais que uma simples curiosidade a respeito de sua morte, esse dado nos revela o tipo de etnografia ofertada ao IHGB pelo padre. Incluído num movimento de ocupação do interior paulista com a expansão de vias férreas e produção cafeeira, o padre contribuiu com o elemento religioso católico no esforço de “pacificar” os grupos que ocupavam esses territórios conhecidos como sertão paulista. Assim, Monsenhor Claro Monteiro do Amaral pode ser incluído entre aqueles que construíram relatos etnográficos a partir de suas vivências entre os povos indigenas, seja por motivos administrativos, religiosos ou políticos.
Embora seu trabalho inaugure os textos publicados pela Revista no século XX é possível notar que os critérios adotados pelo autor em sua justificativa inicial se refiram a uma tradição construída no IHGB em relação a esse tipo de produção. As memórias de um padre missionário contemporâneo atenderiam aos critérios de instituições como os Museus naturalistas brasileiros? Possivelmente não, mas atendiam perfeitamente os critérios do IHGB. Não pretendo com isso dizer que os Museus eram mais criteriosos que os Institutos Históricos, mas apenas que as regras de cada instituição em torno de um campo ainda aberto, indefinido e imerso em disputas eram diferentes.
57VIOTTI, Hélio Abranches. No cinquentenário da morte de Monsenhor Claro Monteiro do Amaral. Revista
Por esse motivo um pequeno esboço dessa tradição faz-se necessário para uma melhor compreensão dos autores e de seus artigos que foram publicados nas primeiras décadas do século XX. Existente desde 1838, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro teve uma grande preocupação com o tema indígena. Como vimos nos subtítulos anteriores essa temática ocupou uma porcentagem relevante de toda a produção que passou a ser publicada no ano seguinte a sua criação em sua Revista. Desde sua primeira sessão a questão da etnografia foi proposta por seus sócios e se desenvolveu durante as demais décadas do século XIX de forma que, no novo século, algumas referências tornaram-se recorrentes entre os que se dedicaram à questão.
Essa preocupação pode ser evidenciada, entre outras passagens, nas questões que foram propostas por Januário Cunha Barbosa para que fossem discutidas na casa58:
O que se deve concluir sobre a historia dos indigenas ao momento de descoberta do Brazil; e d’ahi por diante, á vista das continuadas guerras entre as diversas tribus; da differença de suas linguas e de seus costumes; se os devemos suppôr familias nomadas, e no primeiro gráo da associação, ou si segregadas das grandes nações occidentaes da America por quaesquer calamidades que as fizessem emigrar, e nesse caso se algum vestigio de civilisação das grandes nações do resto da Americana apparece nos indios do Brazil.59
Das seis questões propostas por Januário Barbosa quatro se relacionavam aos indígenas, além da acima citada os outros pontos dizem respeito às causas da extinção dos povos indígenas do litoral; ao melhor sistema de colonização dos indígenas; e se a introdução dos africanos no país teria interferido na civilização dos indígenas.60Portanto, a pesquisa da história dos indígenas ocupou um importante espaço na pauta do IHGB, a escrita do passado da nação que começava a ser esboçada tinha no indígena um elemento de destaque. Destaque que não necessariamente significava valorização do indígena. No entanto, visto como elemento da pré-história brasileira coube a ele o papel de origem e perspectiva longínqua para uma ainda jovem nação. Das questões propostas por Januário Cunha Barbosa algumas interrogações deram a tônica dos debates que percorreram o restante do século e que ainda ecoavam em discussões nas primeiras décadas do século XX. 58Os demais pontos propostos por Barbosa foram: as causas da extinção dos povos indígenas do litoral. 59AMARAL, Claro Monteiro. Op Cit., 47.
Podemos resumí-las da seguinte maneira: eram os indígenas povos antes civilizados e que se encontravam em decadência? Ou, ao contrário, estariam ainda em desenvolvimento e se encontravam num período de infância? Teriam a capacidade de alcançar a civilização, ou seja, poderiam integrar-se ao país que o Brasil desejava ser, próximo dos países europeus. E qual seria a melhor forma de colonizá-los? Ou ao invés de colonizados deveriam ser exterminados?
Não seriam essas as questões que nortearam o trabalho de Monteiro do Amaral? Desde a década de oitenta do novecentos a expansão para o oeste paulista foi empreendida a partir de levantamentos científicos do território desconhecido, mas no momento de sua exploração a igreja teve um importante envolvimento ao enviar missionários para catequisar e por conseguinte pacificá-los, em outros termos, colonizá-los. Os indígenas paulistas eram considerados entre os mais selvagens e nesse período questões sobre extermínio, catequização e colonização se fizeram presentes entre letrados e cientistas. Por ora, nos interessa apenas demonstrar que Monteiro do Amaral não operava tão distante da lógica já presente no IHGB.
Uma das primeiras iniciativas do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi a realização de um concurso sobre como se deveria escrever a história do Brasil.61Da mesma forma que Januário da Cunha Barbosa nos apresenta algumas questões que deveriam servir de base para as pesquisas da instituição, o concurso tinha a função de sistematizar os caminhos que essa escrita percorreria e quais preocupações precisariam de maior atenção. Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) foi o vencedor com a tese Como se deve escrever a História do Brasil, nela o autor austríaco defende que a história do Brasil estava nas três raças que o formavam: a cor de cobre ou americana, a caucasiana ou branca e etiópica ou preta. Para Martius “O sangue português, em um poderoso rio deverá absorver oa pequenos confluentes das raças india e etiopica”62, pois, o sangue português deveria 61CEZAR, Temístocles. Como deveria ser a história do Brasil no século XIX. Ensaio de história intelectual.
In: PESAVENTO, Sandra (Org). História cultural: experiências de pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003, v. , p. 173-208. ; GUIMARÃES, Manoel Luiz Salgado. História e natureza em von Martius: esquadrinhando o Brasil para construir a nação. Hist. cienc. saude-Manguinhos [online]. 2000, vol.7, n.2, pp. 391-413
62MARTIUS, Karl Friedrich Philipp von. Como se deve escrever a História do Brasil. Revista do IHGB. n. 6
prevaleger como mais forte e nobre que os demais, no entanto, acreditava que as duas outras raças também trariam contruições e que a formação do Brasil aconteceria na mescla das três. Embora não aprofunde no que poderiamos chamar de mestiçagem como farão outros intelectuais décadas mais tarde, é importante destacar a sistematização proposta por Martius para a História do Brasil, esta seria também a história dos indígenas americanos e dos africanos.
Ao caracterizar a parte que caberia a cada uma das raças do Brasil, Von Martius parece dialogar com as propostas de Januário da Cunha Barbosa ao abrir a parte referente ao indígena com a afirmação de que este seria um povo em decadência, pois, para o autor:
Que povos eram aqueles que os portugueses acharam na terra de Santa Cruz, quando estes aproveitaram e estenderam a descoberta do Cabral? Donde vieram eles? Quais as causas que os reduziram a esta dissolução moral e civil, que neles não reconhecemos senão ruínas de povos?63
E continua da seguinte forma:
Investigações mais aprofundadas porém provaram ao homem desprevenido que aqui não se trata do estado primitivo do homem, e que pelo contrário o triste e penível quadro, que nos oferece o atual indígena brasileiro, não é senão o residuum de uma muito antiga, posto que
perdida história.64
Da constatação do estado do indígena brasileiro como um residuum, Von Martius conclui que sua história estava mergulhada na obscuridade, assim caberia ao historiador encontrar meios de esclarecer seu passado. Em seguida seria necessário “investigações sobre a extensão de sua atividade espiritual, e como ela se manifesta por documentos históricos.65”. O documento mais importante, segundo Martius, seria a língua dos
indígenas66e, a partir dela o historiador deveria se preocupar com as mitologias, teogonias 63Idem, 394.
64Idem, 395. 65Idem..
66 Karl Von Martius tece uma série de comentários a respeito da língua dos indígenas que serão melhor
abrodados no capítulo 4 quando discutiremos a etnografia indígena de Rodolfo Garcia e o balanço que ele faz sobre as classificações indígenas mais importantes, incluindo as considerações de Von Martius que se
e geogonias. Esse passo levaria ao entendimento das superstições curativas, o conhecimento dos índios sobre a natureza e “sobre o sacerdócio entre eles e todas as relações do Pajé (sacerdote), curandeiro e chefe para com a comunidade social”67e, por fim:
Mais de um passo nos conduzirá para os vestígios de símbolos e tradições de direito: lançaremos uma vista d'olhos geral sobre as relações sociais e jurídicas destes homens, como membros de uma só tribo, e as que existem entre as tribos diversas; e com isso encerra-se o círculo das investigações
etnográficas que o historiador deverá fazer.68
Esta passagem é particularmente interessante para o nosso objetivo, uma vez que demonstra a construção de um papel para o historiador enquanto investigador etnográfico. Pois, em meados do século XIX a figura do antropólogo ainda não existia e nem mesmo a antropologia enquanto área do saber, assim a etnografia aparece no IHGB como uma disciplina auxiliar da História, como um conhecimento ao lado do histórico que permitiria ao historiador acessar um passado distante e obscuro dos povos indígenas brasileiros. Consequentemente, aquilo que chamamos aqui de etnografia era necessariamente uma etnografia indígena, uma vez que dos povos europeus haveria história no sentido compreendido pelos integrantes do IHGB e em relação aos africanos houve acima de tudo um silenciamento sobre seu passado.69
Mas afinal, eram os indígenas povos na infância ou em decadência? Seja qual for a resposta de um determinado autor, a lógica por trás da questão era a mesma e considerava os índios como povos sem história. Para citarmos a célebre frase de Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878) em sua História Geral do Brazil: “povos na infância, não há historia, apenas etnografia70.” Varnhagen publicou sua mais importante obra em dois tomos em 1854 e 1857, e na década de 1870 publicaria uma segunda edição com correções e
tornaram paradgimáticas para os estudos sobre os indígenas e estavam sendo amplamente discutidas no início do século XX.
67Idem. 68Idem, 396.
69Com isso não pretendo dizer que não houve nenhum artigo que tratasse das populações africanas, mas que
foram escassos em quantidade e de certa forma irrelevantes dentro de uma discussão mais ampla a respeito da nação brasileira. Enquanto que, por outro lado, portugueses e indígenas tiveram centralidade nos debates dos letrados do IHGB. Oportunamente observaremos a questão sobre uma historia e uma etnografia dos africanos com mais atenção.
70VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil. Tomo 1. 5ª ed. São Paulo: Melhoramentos,
revisões do conteúdo. A História Geral do Brazil é um livro com uma história muito particular, pois, reconhecida por Capistrano de Abreu71no início do século XX como uma obra a ser superada passou por um trabalho de anotação iniciado por Capistrano com a publicação de um primeiro tomo em 1907 e concluída por Rodolfo Garcia entre 1927 e 1936, responsável pela sua transformação em cinco tomos graças ao acréscimo de notas em rodapé e finais de capítulos. Assim como Karl von Martius, podemos considerar a obra de Varnhagen como uma das fundadoras de uma historiografia nacional e que passava por um processo de crítica e revisão nas décadas iniciais do século XX. Ou seja, eram publicações que ganharam centralidade no período como referência para os sócios do IHGB.
Além de sua História Geral do Brazil, Varnhagen dedicou parte significativa de sua reflexão aos indígenas e foi certamente um dos responsáveis pela sistematização da etnografia como ocupação do IHGB e dos historiadores. Na sessão realizada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1º de Agosto de 1840, o historiador e diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen propunha a criação de uma seção dedicada aos estudos de etnografia indígena.
Que no Instituto se crie uma seção de etnografia indígena, a qual se ocupará dos nomes das nações (com a sinonimia quando a houver), suas línguas e dialetos, localidades, emigrações, crenças, arqueologia, usos e costumes (...) e tudo o mais tocante aos indígenas do Brasil e seus circunvizinhos (...)72
Objetivo que seria alcançado anos mais tarde em 1847, quando foi criada a Seção de Etnografia e Arqueologia, neste momento definia-se “de maneira concisa, o objeto da etnografia (os índios), seus objetivos (estudo das línguas, crenças e dos costumes) e sua pertinência social (orientar a política indigenista do Estado imperial)”73. Até o momento focamos nossa apresentação em três autores do IHGB, Januário da Cunha Barbosa, Karl 71 Me refiro aqui ao reconhecimento de Capistrano de Abreu da necessidade de anotação da obra do
historiador oitocentista como forma de avançar no trabalho de escrita da historia do Brasil e mesmo como um caminho para superar a obra de Francisco Adolfo de Varnhagen. No entanto o reconhecimento de Capistrando da relevância de Varnhagen para a historiografia nacional é anterior e data do final do século XIX.
72VARNHAGEN, 1841. Lida na sessão de agosto de 1840, a Memória foi publicada no tomo III da Revista
do Instituto Histórico, de 1841 Memória sobre a necessidade do estudo e ensino das línguas indígenas no Brasil. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, tomo III, p. 53-63, 1841. Ver também: Etnografia indígena, línguas, emigrações e arqueologia. Padrões de mármore dos primeiros descobridores. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, tomo XII, p. 366-376, 1849.
73MOREIRA, Vânia. O ofício do historiador e os índios: sobre uma querela no Império. Revista Brasileira de
von Martius e Francisco Adolfo de Varnhagen por considerá-los fundadores daquilo que chamamos de etnografia no Instituto, muitos outros certamente poderiam ser citados, no entanto, para nosso objetivo de compreender se podemos considerar a Revista como um lugar de produção etnográfica e os motivos que levaram Claro Monteiro do Amaral à sua justificativa para publicação de suas memórias é suficiente. Tentaremos responder uma última questão neste subtítulo: qual a distância entre o texto apresentado por Monteiro do Amaral e os escritos oitocentistas?
O texto segue uma estrutura muito utilizada em textos do gênero, iniciando sua exposição com uma delimitação a partir da língua do seu objeto: guaranis, botocudos e caiuas do estado de São Paulo, mais especificamente do Vale do Paranapanema, como podemos ver no exemplo a seguir: “O vocanulo caiu i, ainda que na bocca do guarany exprima tribu differente da sua, significa radicalmente = gente do matto (caá-iuá - caá- iguá)”74. Se avançarmos alguns anos perceberemos que a língua ainda é o elemento principal de pesquisa para o etnógrafo, Basílio de Magalhães ao publicar seu Vocabulario da língua dos Borôros-Coroados do Estado do Matto-Grosso em 1918 também parte da mesma lógica para apresentar seu estudo:
[...] o interesse que sempre votei á civilização dos nossos selvagens e a curiosidade que desde muito manifestei pelas investigações da Ethnographia brasileira compelliram-me a tomer-lhes pacientemente o vocabulário, e a compara-lo depois com os já organizados por Francis Castelnau, Martius, J. A. Caldas, Karl von den Steinen e Salesianos.75
Seu interesse e conhecimento das pesquisas de etnografia brasileira, nas palavras do autor, o levaram a coletar o vocabulário dos Borôros-Coroados e de forma criteriosa compará-lo com todos os outros vocabulários conhecidos. Ora, não seria este um procedimento metodológico de quem se reconhece enquanto pesquisador de etnografia? E não se aproximava em certa medida aos procedimentos propostos décadas antes como pudemos observar? A definição dos troncos a que esses indígenas pertenciam era ainda pensada a partir de filiações linguísticas, isso nos mostra porque Von Martius e suas 74AMARAL, Claro Monteiro. Op Cit. p. 264.
75 MAGALHÃES, Basílio de. Vocabulario da língua dos Borôros-Coroados do Estado do Matto-Grosso. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, tomo 83, parte I, pp. 5-68, 1918, p. 9.
classificações foram tão citadas e debatidas naqueles anos iniciais do novecentos. Para solucionar seu problema em relação à filiação do grupo indígena estudado, Magalhães recorre e se coloca como discípulo de Capistrano de Abreu76:
O maior obstaculo, que se me depara na pesquisa do tronco ethnico daquelles selvagens mato-grossenses, foi removido graças á gentileza do meu erudito mestre e bondoso amigo Capistrano de Abreu, a quem devo a leitura dos dous exclarecedores escriptos de G. De Créqui-Monfort e P. Rivet, Le Groupe Otuké e Les affnies des dialectes otuké.77
O método de coleta de informações realizado por Basílio de Magalhães se aproxima muito do desenvolvido por Capistrano de Abreu. Capistrano trouxe à sua casa índios para que ele pudesse recolher o vocabulário destes, Basílio de Magalhães por sua vez afirma que quando trabalhava como delegado em Campinas três índios vindos do Mato Grosso com um fazendeiro ficaram em seu convívio por dois meses, período em que se sentiu compelido à realizar a coleta de informações. A partir desse procedimento de coleta e comparação linguística Magalhães conclui que os Salesianos estavam incorretos ao associar os Borôros-Coroados aos Tupis, pois, na verdade pertenceriam ao grupo dos Otukés. 78 Interessante ressaltar uma observação realizada por Magalhães, ao dizer que seu próximo objetivo seria apresentar apreciações mais detidas sobre as origens, linguagem e costumes dos Borôros-Coroados, seguindo a mesma ordem apresentada por Von Martius ao definir