BÖLÜM 1: DOĞRUDAN YABANCI SERMAYE YATIRIMI VE DIŞ REKABET
1.3 Doğrudan Yabancı Sermaye Yatırımı Ve Dış Rekabet Gücü İlişkisi
1.1. Da formação econômica no Nordeste brasileiro: percorrendo pelas particularidades de uma Região
Ao realizar estudos sobre a formação econômica do Nordeste brasileiro, se faz necessário direcionar dentro dos estudos regionais os eventos que marcaram cada período da sua história. Num primeiro momento4, o que se destaca economicamente na região, assim como no Brasil de forma geral, é o próprio engenho de açúcar, como o seu centro mais importante, “essa unidade produtora – o engenho – foi a célula da sociedade colonial, tornando-se por muito tempo, a base econômica e social da vida brasileira” (GUIMARÃES, 1989, p. 64). Posteriormente, vieram o tabaco, o algodão e outros gêneros, que juntamente com o café, o ouro e o diamante, constituíram as bases em que se organizaria a economia brasileira e sua sociedade, bem como o próprio comércio europeu.
Para Diégues Jr. (2006, p. 9), o Nordeste brasileiro “foi o primeiro centro econômico de produção, primeiro centro social, de formação da sociedade brasileira, primeiro centro de relações demográficas”, tendo o engenho como base econômica da região, que por sua vez, foi também responsável pela constituição de núcleo social de extrema importância na colônia. Essa base econômica viria futuramente formar também a base política do Brasil, tanto que “a hegemonia econômica e política, dentro do nosso país, passa das mãos dos senhores de engenho para as dos fazendeiros de café” (GUIMARÃES, 1989, p. 124).
De fato, o Nordeste foi à primeira região a ser ocupada e explorada pelos colonizadores a partir do século XVI, com destaque para os colonizadores portugueses. Durante mais ou menos dois séculos, a região representou o que tinha de mais dinâmico economicamente no território nacional. Seguindo essa linha de pensamento, Diégues Jr. (2006, p. 15) relata que, “a COLONIZAÇÃO do Brasil iniciou-se com a construção de engenhos; o crescimento numérico destes refletia o desenvolvimento econômico da então colônia portuguesa”, verificando-se que foi através do cultivo da cana que se constituiu o seu sistema econômico.
4 É importa
nte lembrar que antes mesmo da cana de açúcar a economia brasileira, assim como “na maior extensão da América ficou-se, a princípio, exclusivamente nas madeiras, nas peles, na pesca; e a ocupação de territórios, seus progressos e flutuações subordinam-se por muito tempo ao maior ou menor sucesso daquelas atividades. Viria depois, em substituição, uma base econômica mais estável, mais ampla: seria a agricultura” (PRADO JR., 2012, p. 17).
Segundo Furtado (2007, p. 25), “a ocupação econômica das terras americanas constituiu um episódio da expansão comercial da Europa”, passando a integrar cada vez mais a economia europeia, mediante capitais e técnicas impostas num território praticamente ‘natural’ – onde “as pessoas dependiam muito das condições do meio natural em virtude de sua tecnologia rudimentar e de hábitos e tradições seculares” (SILVA, 1974, p. 32) –, criando bens destinados a esse mercado exterior que começava a fincar raízes no Brasil, então colônia portuguesa. Porém, como bem destaca Prado Jr., (2012),
A América, com que toparam nesta pesquisa, não foi para eles, a princípio, senão um obstáculo oposto à realização de seus planos e que devia ser contornado. Todos os esforços se orientam então no sentido de encontrar uma passagem cuja existência se admitiu à
priori (PRADO JR., 2012, p. 15).
Nota-se que no início o que interessava aos colonizadores não era o povoamento dessas terras, e sim, o comércio. Tanto, que depois da chegada dos portugueses, dos negros e dos índios que aqui estavam, a presença do judeu, trazido por Duarte Coelho, foi um elemento de destaque no que se refere às relações voltadas ao comércio. Os judeus traziam consigo experiências, de maneira que as relações comerciais eram feitas no sentido de que “vendendo sempre e muito pouco comprando, criou o judeu às dificuldades financeiras em que se viram envolvidos um dia os senhores de engenho” (DIÉGUES JR., 2012, p. 45). Através desse comércio, viu-se o judeu inserido nos diversos tipos de relações que estavam sendo criadas, bem como penetrando profundamente à sociedade em formação.
O Nordeste é uma região geográfica que foi ocupada de forma bastante diversificada, tanto em extensão como em sua natureza e intensidade. Certamente foi a região que outrora impulsionou o desenvolvimento do capitalismo comercial, dada à intervenção do português. Atribui-se a esse desenvolvimento “o descobrimento e a organização do território brasileiro, em geral, e do Nordeste em particular” (ANDRADE, 1979, p. 13). Neste sentido, o capitalismo vai ser resultado, conforme explica Lênin (1982, p. 30), “de uma circulação de mercadorias largamente desenvolvida, que ultrapassa os limites de um país. Um país capitalista sem comércio exterior é impensável – e, aliás, não existe”.
Cada uma das regiões brasileiras, apesar de no geral serem definidas de acordo com características comuns, elas apresentam suas particularidades, o que as tornam únicas, diferenciando-as umas das outras, seja em relação as suas
características físicas, econômicas, culturais, gastronômicas entre tantas outras. Logo,
Não é suficiente identificar áreas distintas pela homogeneidade, geralmente tratadas como a forma de organização em tôrno da produção ou áreas distintas quanto à cidade que centraliza funções de relação para a população, ou seja, a centralidade. Também não basta acrescentar a padronagem das áreas segundo a organização dos fluxos dos produtos e que vai identificar a interligação de áreas na organização da produção (matérias-primas que fluem para centros industriais, por exemplo), e relações espaciais de produção e consumo. É necessário alcançar o, significado dêstes elementos como expressão espacial do processo socioeconômico do país, através da qualificação dos espaços regionais que integram. É preciso, pois, atingir a descrição da estruturação regional e de sua evolução, tarefa difícil sem dúvida, bem como definir e qualificar regiões (GEIGER, 1970, p. 159-160).
Então, “vale enfatizar essa necessidade de analisar a região em seu conjunto e de buscar reconhecer uma ‘personalidade regional’, ou seja, buscar reconhecer seus aspectos particulares” (GRIMM, 2011, p. 54). Sendo assim, é possível ainda apontar, segundo Andrade (1998, p. 20), que as diversidades regionais “têm grande influência nas formas de exploração da terra e, consequentemente, no modelamento da paisagem cultural”.
O Nordeste tem demonstrado ser uma importante área de pesquisa, vindo à tona constantemente em debates travados nos mais variados setores da sociedade, afirmando-se como uma das regiões mais estudadas nas últimas décadas, mais precisamente a partir dos anos de 19505. Foi a partir dessa década que o regional passou a ser encarado como questão, sendo um referencial para se compreender e atuar sobre o território nacional. De acordo com Lencioni (1992),
As desigualdades do desenvolvimento territorial não eram um fato novo. Novidade era apenas que a preocupação com as diferenças territoriais, denominadas de desequilíbrios regionais, passaram a ser uma questão de Estado, norteando discursos e planos governamentais de intervenção num determinado espaço, num quadro de franca alteração econômica do Sudeste – face à montagem de um moderno parque industrial promovido pelo Plano de Metas do governo JK – onde as desigualdades regionais acabaram se reduzindo apenas às desigualdades do Nordeste com relação ao Sudeste (LENCIONI, 1992, p. 84).
5 Podem ser citados alguns autores que já estudavam a realidade Nordestina, mas que intensificaram
seus estudos e trabalhos relacionados com essa região, como ANDRADE (1970a, 1970b, 1974), ARAÚJO (1997), CARDOSO (1963, 1965 e 1967), CORRÊA (1965), GEIGER (1970), MELO (1962, 1963 e 1980), PROST (1968), ROCHEFORT (1964), SANTOS (1956 e [1959] 2012) entre outros autores.
A criação da SUDENE6 em 1959 possibilitou fazer uma análise mais aguçada no que diz respeito às desigualdades e aos problemas por quais vinha passando o Nordeste, discutindo com mais afinco as propostas futuras de investimentos para essa região. Em sua tese de doutorado, Grimm (2011), chama atenção para o enfrentamento dessas desigualdades,
A criação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), em 1959, sob o comando do economista Celso Furtado representou um marco. Naquele momento, buscava-se resolver os graves problemas sócio-econômicos do Nordeste brasileiro através de um programa voltado para a sua industrialização, incentivado por políticas tributárias. Esta grande região caracterizava-se ainda pela predominância de estruturas econômicas tradicionais, com a presença de latifúndios improdutivos (sobretudo no sertão) e de minifúndios, em grande parte incapazes de prover as necessidades de uma família devido a falta de apoio pelas instâncias governamentais (GRIMM, 2011, p. 72).
A SUDENE, a partir de sua criação, surge com a pretensão de ser um órgão de natureza renovada que segundo Furtado (2009, p. 35) tem um duplo objetivo, o “de dar ao governo um instrumento que o capacite a formular uma política de desenvolvimento para o Nordeste e, ao mesmo tempo, o habilite a modificar a estrutura administrativa em função dos novos objetivos”. Esse órgão trouxe consigo novas formas de lhe dar com os problemas encontrados no Nordeste, tanto no aspecto econômico, quanto nas ações administrativas7.
Não era fácil colocar em prática seus objetivos. A luta na defesa de um Nordeste mais forte e consolidado, exigiria uma ação conjunta e uma maior integração por parte dos governantes de cada estado que compunha a região. A ação isolada de cada governante colocaria em risco os objetivos do referido órgão. Foi preciso enfrentar diversos tipos de resistências, principalmente, das elites nordestinas, que tinham medo de perder suas regalias.
A SUDENE passou então, a enfrentar não apenas a seca que assolava e ainda assola o Nordeste, mas, a combater de forma direta à pobreza e à seca a
6“A Lei da Sudene, encaminhada em fevereiro de 1959, arrastou-se de comissão em comissão e só
foi aprovada em dezembro. O primeiro plano diretor, enviado ao Congresso em maio de 1960, só teve aprovação em dezembro de 1961” (FURTADO, 2009, p. 14-15).
7
“Anteriormente outros órgãos já haviam aí atuado, como o IFOCS – Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – de 1909, que mais tarde, em 1946, se transformou no DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Aquela Inspetoria, do início do século, teve suas raízes já no Império, com a ‘Comissão de Açudes’, criada em 1881. Ao lado de outros órgãos, essa Comissão acabou formando uma Superintendência, em 1906, denominada Superintendência de Estudos e Obras Contra as Secas, que inspirou o IFOCS, que como foi dito, se desdobrou no DNOCS e na SUDENE” (LENCIONI, 1992, p. 85).
partir de uma economia regional, indo além dos interesses dos latifundiários do açúcar e dos antigos planos que eram direcionados a socorrer as vítimas das secas em determinadas épocas. Era na verdade investimento que possibilitasse a criação de novas formas de vidas, já que no “Nordeste, formou-se desde meados do século XVI uma economia de exportação que, como toda economia de exportação, cresceu à medida que a demanda externa permitiu que crescesse: a economia do açúcar” (FURTADO, 2009, p. 37).
Diante dessas observações, o quadro 1 (Nordeste: Problemas econômicos na época da implantação da SUDENE – Década de 1950-60) mostra suscintamente como encontrava-se o problema econômico da região em relação ao Brasil.
Quadro 1 – Nordeste: Problemas econômicos na época da implantação da SUDENE – Década de 1950-60
A renda média da população nordestina é das mais baixas do continente e não chegava à terça parte da população do Centro-Sul do país.
Em razão da maior concentração da renda no Nordeste, a disparidade entre níveis de vida é bem maior que aquela observada entre níveis de renda per capita, sendo também maior a disparidade entre os níveis de vida das populações rurais que entre as urbanas.
Uma estimativa extremamente conservadora indicou que existe nas cidades do Nordeste mais de meio milhão de pessoas desempregadas, o que representa mais da quarta parte da população urbana em idade de trabalhar.
O fenômeno das secas afeta quatro quintas partes do território nordestino e mais da metade da população regional; dadas as condições atuais de organização da produção, pelo menos metade da população em idade de trabalhar é reduzida à indigência naqueles pontos diretamente afetados pela seca.
Fonte: FURTADO, C. A saga da Sudene: (1958-1964). Rio de Janeiro: Contraponto: Centro Internacional C. Furtado de Política para o Desenvolvimento, 2009. il. – (Arquivos Celso Furtado; v. 3). Elaboração. FIRMINO, P. C. S.
Juntamente com o papel desempenhado por esse órgão de cunho bastante expressivo no desenvolvimento do Nordeste, estão os debates feitos em universidades e em órgãos federais e estaduais8 que vieram surpreender muitos estudiosos e pesquisadores, desmistificando interpretações equivocadas e tendenciosas a respeito da economia, cultura e do desenvolvimento dessa região.
8 A partir de um levantamento feito no site da Biblioteca Florestan Fernandes da Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo/FFLCH-USP, acerca dos trabalhos desenvolvidos sobre o Nordeste brasileiro e seus respectivos estados, no período de 2005 a 2014, de um total de 560 teses e dissertações do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana/PPGH cadastradas na referida biblioteca, 33 faziam referências ao Nordeste, representando 5,9% da produção nesse período. Analisando as teses e dissertações cadastradas no site da FFLCH, foram encontradas, no período compreendido entre 1942 a 2012, 1866 teses e dissertações entre Geografia Física e Humana. Nota-se que de 1942 a 1999 (um período de 57 anos), foram encontradas apenas 46 publicações, enquanto que num período de 12 anos (2000 a 2012) foram encontradas 39 publicações, totalizando 85 publicações, o que corresponde a 4,55% do quantitativo geral. Logo, percebe-se que o Nordeste vem ganhando espaço também nas principais universidades do Brasil, como a USP, mesmo que ainda de forma tímida.
A década de 1950 foi emblemática, colocando o papel da Geografia em destaque nas mais diversas pautas. Segundo o Geógrafo Mamigonian, esse período pode ser considerado como “os anos dourados da Geografia Brasileira9”. Daí a importância para a construção do objeto de estudo a respeito do tema aqui proposto, bem como a desmistificação da ideia do Nordeste como região problema.
De fato o Nordeste não é um problema, mas, convivi com ele cotidianamente10, desde os deixados por uma “herança” dos colonizadores e que perpassa aos dias presentes, até aqueles ocasionados pelas grandes corporações e empresas multinacionais que se instalam no território com a “benção” das elites governantes. São problemas os mais variados e omitidos por parte dos representantes políticos que, por sua vez, representam o que há de mais arcaico na política nordestina. São as oligarquias de outrora que estão impregnadas nas raízes desta terra e que buscam apenas promover mudanças que beneficiem o monopólio da cana, favorecendo a concentração de terras nas mãos destes.
Para ultrapassar esses obstáculos criados desde a chegada dos colonizadores e desenvolver-se economicamente de forma mais consolidada, é preciso utilizar a grande diversidade e o grande potencial apresentado pelo Nordeste, de maneira, a dinamizar a região num contexto mais geral, como vem acontecendo em algumas áreas específicas, já que,
O desenvolvimento da economia nordestina tem recebido seu impulso básico, até o presente, do setor exportador. Foram as exportações de açúcar, algodão, cacau, fumo, couros e peles, algumas oleaginosas e uns poucos minérios que lhe permitiram alcançar o atual grau de limitado desenvolvimento (FURTADO, 2009, p. 85).
9 Em uma palestra proferida no
“Seminário Nacional Contribuição à Geografia Brasileira: encontro de gerações”, na Universidade Federal da Bahia/UFBA – que teve como objetivo principal “discutir temas
relevantes da geografia Brasileira – dos mais variados ramos da Geografia Física e da Geografia Humana – desenvolvidos por pesquisadores, reconhecidos a nível nacional e internacional” (FIRMIINO, 2015, p. 177) –, Mamigonian levou para discussão a importância que a Geografia Brasileira começou a ter nesse período, destacando o nome de grandes geógrafos que a partir do desenvolvimento de seus trabalhos, contribuíram para a história da Geografia Nacional. Pode-se destacar o geógrafo Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, João José Bigarella, José Bueno Conti, Rosa Ester Rossini, Pedro Pinchas Geiger entre tantos outros renomados geógrafos. Essa foi justamente a década que veio representar “os anos dourados da Geografia Brasileira”, afirmou o geógrafo.
10Conforme relata Andrade (1998, p. 19), esses problemas são “ora de ordem geográfica – condições
climáticas e edáficas, sobretudo –, ora de ordem histórica – respeito a estruturas e tradições arcaicas que necessitam sofrer grande transformação, mas que resistem às modificações sugeridas pelo evoluir dos tempos –, ora de ordem social, ora de ordem técnica, mas, sobretudo, de ordem econômica –, baixa produtividade, ausência de planejamento, má distribuição, etc.”.
Os problemas e dificuldades, resultantes de um momento histórico anterior, das relações estabelecidas desde o século XVI e que se estendem até os dias presentes, têm contribuído na marginalização do Nordeste frente aos investimentos, concentrando-os no eixo Sul-Sudeste. O Nordeste tem suportado as grandes transferências, tanto de mão-de-obra, quanto de capitais, que são absorvidos e incorporados pelo processo econômico que envolve o resto do País,
Tanto no Centro-Sul, onde se estêve montando o arcabouço inicial do parque industrial brasileiro, quanto nas novas áreas que, como parte do esfôrço geral de desenvolvimento, estão surgindo continuamente nas zonas pouco ou não habitadas (RANGEL, 1959, p. 419).
Nesse sentido, percebe-se que desde o século XVIII, frente às ideias de um Nordeste “pobre”, tem ocorrido uma leva muito grande de nordestinos para outras regiões brasileiras. Assim, torna-se numa
Grande fornecedora de migrantes para as outras regiões, a fim de trabalharem na mineração, no surto da borracha, na expansão cafeeira, nas obras de modernização do Rio de Janeiro e de São Paulo, na ocupação do Centro-Oeste e na construção de Brasília (ANDRADE; ANDRADE, 1999, p. 94).
Então, é preciso conduzir os problemas de outrora, que ainda estão presentes em grande parte dos estados nordestinos, de forma a transformá-los, fazendo crescer esta região que foi, por muito tempo, ora explorada ora deixada de lado. Entretanto, a compreensão desses problemas requer bastante cuidado, já que tem sido prejudicada
Pela excessiva ênfase atribuída aos aspectos regionais da questão, havendo generalizada tendência, ora explícita, ora apenas implícita, a estudar a economia do Nordeste, não como parte integrante da economia regional, mas como uma economia virtualmente autônoma (RANGEL, 1959, p, 429).
A formação apontada na análise faz parte de um conjunto de transformações visíveis no Nordeste, que vem impulsionando e dinamizando as várias atividades econômicas aí desenvolvidas, conduzindo a região a um processo de mudança. É preciso saber “como se relacionam os homens entre si em suas atividades produtivas, e como se comportam, uns relativamente aos outros e ao conjunto da coletividade, no exercício de suas funções econômicas” (ANDRADE, 1998, p. 17).
Em relação às transformações presentes no Nordeste, o gráfico 1 (Região Nordeste: Número de estabelecimentos – Grande Setor 1985/2012) mostra como
aumentou o quantitativo de estabelecimentos de acordo com os grandes setores da economia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, desde a década de 1980. Dentre os cinco setores, chama atenção o de comércio e serviços, que tiveram um aumento bastante expressivo. O primeiro passando de 48.221 estabelecimentos em 1985 para 263.642 estabelecimentos no ano de 2012. Segue em segundo lugar o comércio, que passou de 40.473 estabelecimentos para 192.837 estabelecimentos. O que equivale a um aumento de 545,73% e 476,45% respectivamente. Porém, as maiores taxas de crescimento referem-se à agropecuária com 1462,95% de aumento e a construção civil com 1060,19%. O que menos apresentou taxa de crescimento foi o industrial, com apenas 389%.
A partir dessas informações, verifica-se que, em 1985 os setores do comércio e serviços juntos, eram responsáveis por 83% dos estabelecimentos, enquanto que a indústria, construção civil e agropecuária representava apenas 17%. Entretanto, comércio e serviços tiveram uma diminuição no ano de 2012, uma vez que a construção civil e a agropecuária tiveram um aumento considerado, como pode ser observado mediante o gráfico 2 (Região Nordeste: Porcentagem de estabelecimentos – Grande Setor 1985) e o gráfico 3 (Região Nordeste: Porcentagem de estabelecimentos – Grande Setor 2012).
Entretanto, os governantes e representantes políticos, no auge da sede pelo poder e pelos benefícios próprios, sempre tentaram relacionar as mudanças destinadas à região com os seus próprios projetos, contribuindo com a expansão da cultura canavieira e com os interesses dos grandes proprietários de terras11, uma vez que, as oligarquias nordestinas são também os representantes políticos da região12. Essa realidade que já tem ultrapassado séculos pode ser vista a partir do que Diégues Jr. aponta em seu livro “O Engenho de Açúcar no Nordeste”, mostrando que desde cedo o engenho,
Se constituiu não só grande centro de vida social como de produção econômica. Sua influência até então se alargara e absorvia também
11Para Carvalho (2012, p. 23), “o mundo rural em Alagoas continua refletindo os traços mais fortes
herdados do seu passado colonial: concentração da terra, ausência de diversificação produtiva, pobreza e degradação ambiental”. Dessa forma, o mesmo autor chama atenção para concentração de terras, onde “as 96 mil unidades com menos de 10 hectares, mais os 5.540 produtores sem área, possuem um espaço agrícola menor que as 53 maiores propriedades rurais alagoanas, que, juntas,