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Enfermagem Médico Cirúrgica e Enfermagem Ontológica e Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará.

FIGURA 47 – Fotografia da Dra. Rita Paiva ( Gerente de Enfermagem dos Hospitais Universitários da UFC

Fonte: Arquivo eletronico da Sala da Diretoria de enfermagem

Minha trajetória no HUWC iniciou em 1992 por concurso publico. Fui lotada na clinica médica II-B por 3 meses, de outubro a dezembro. Em janeiro de 1993 fui lotada na UTI onde fiquei até agosto de 1995 quando fui chamada para gerenciar a unidade de internação I e ajudar a montar o serviço de hematologia em uma única unidade. Até então os leitos de hematologia eram distribuídos por todas as clinicas médicas (I, II-A e II-B).

Em 2004 fui chamada para ser coordenadora do bloco cirúrgico compondo a equipe da Diretoria de Enfermagem (Jocélia, Jerusa e Felicia). Fiquei durante 2 anos. Em 2007 quando a gestão da Dayse reiniciou, retornei à clinica médica I.

Em 2007, fui convidada para gerenciar o serviço de educação continuada junto à Diretoria de Ensino e Pesquisa.

Em 2010 os hospitais universitários passaram por uma reformulação de estrutura do organograma seguindo o objetivo: a reestruturação dos hospitais universitários para evitar sua “falência”. Houve a fusão dos 2 hospitais universitários e consequentemente, de várias gestões atendendo ao principio de unificação dos processos e redução de custos à medida que as despesas

sejam efetuadas em conjunto para que se consiga melhores preços.

A universidade contou com os serviços de consultoria da fundação Getúlio Vargas para diagnóstico e proposta de organograma.

FIGURA 48– Organograma utilizado desde 2004 e oficializado na UFC

FIGURA 49 - Organograma proposto pela fundação Getulio Vargas, em vigor prático.

Fonte: Arquivo eletrônico da Diretoria de enfermagem

Nessa nova formação a Diretoria de enfermagem deixaria de existir e passaria a ser Divisão de Enfermagem ligada à Diretoria Assistencial, que estaria ligada a uma superintendência com mais 3 Diretorias (2 assistenciais MEAC e HUWC, administrativa e Diretoria de serviços

técnicos e compartilhados). Até o momento, este novo organograma não foi validado junto à reitoria da UFC, apesar da organização dos serviços e as nomenclaturas terem sido implantadas. Em 2011 por ocasião da gestão da Diretora de enfermagem Lucia Regina fui convidada, pela mesma, em comum acordo com o grupo gestor dos hospitais universitários, a substitui-la durante suas férias e licença gestante. Infelizmente, a mesma faleceu e desde então permaneço nesta função.

Foi designada pela UFC para assumir a direção da enfermagem mediante Portaria 2511/12. A Dra. Rita Paiva continua com seu depoimento:

Segundo o novo organograma, devem compor a Divisão de Enfermagem: a gerente de enfermagem dos hospitais universitários, 6 coordenadoras de área no HUWC (oncologia, clinicas de internação médica e cirúrgica, UTI’s (clinica, materna e cirúrgica), transplante, ambulatórios, bloco cirúrgico) e 5 na MEAC (clinicas de internação,ambulatórios, bloco cirúrgico, neonatologia e centro obstétrico+ emergência). Quando recebi o serviço de Lucia Regina ela já havia escolhido as coordenadoras, esboçado os objetivos do serviço de enfermagem junto com as mesmas e as estratégias e o direcionamento do trabalho.

Tomamos então o manual da acreditação da ONA como base e estamos trabalhando para atender as especificações do mesmo no nível 1 segurança. Existe uma comissão da acreditação que coordena as atividades do grupo, as tarefas são divididas entre todas as coordenadoras e apresentadas em reuniões semanais através de planos de ação que vão sendo implementados e solidificadas as rotinas no sentido de padronizar as atividades da equipe de enfermagem.

A ONA (Organização Nacional de Acreditação) é uma Organização não governamental caracterizada como pessoa jurídica de direito provado sem fins econômicos, de direito coletivo, com abrangência de atuação nacional. Tem por objetivo geral promover a implantação de um processo permanente de avaliação e de certificação de qualidade dos serviços de saúde, permitindo o aprimoramento contínuo da atenção, de forma a melhorar a qualidade da assistência, em todas as organizações prestadoras de serviços de saúde do País. (ona.org.br/ acessado em 20/07/2012)

Temos ainda a comissão de ética, dos POPs, dos Indicadores e da SAE. Os POP’s estão sendo validados em serviço ao mesmo tempo em que há o treinamento das equipes. Alguns setores já trabalham com indicadores que foram definidos em equipe e diferenciados por especificida de do serviço. Todos os setores implementam a SAE, a maioria em 100% dos pacientes, sendo que alguns

setores implementam apenas nos pacientes da cirurgia cardíaca e nos graves.

POP é uma ferramenta de gestão da qualidade que busca a excelência na prestação do serviço, procurando minimizar os erros nas ações rotineiras, ou seja, é um roteiro padronizado para realizar uma atividade. Tem uma importância capital dentro de qualquer processo funcional, cujo objetivo básico é o de garantir, mediante uma padronização, os resultados esperados por cada tarefa executada. (COLENGHI, 1997).

Embora já houvesse os POP’s desde a gestão anterior, ainda sem terem passado pelo

processo de validação, agora a enfermeira anuncia este processo, tendo em vista o empenho do hospital em alcançar a Acreditação. Já a Sistematização da Assistência de Enfermagem, foi conceituada e discutida desde o inicio das gestões de enfermagem, como sendo um trabalho fundamental da enfermagem.

O remanejamento dos profissionais é feitos através de critérios como: necessidade do serviço, tempo de serviço, idade, avaliação do desempenho e competência para o desempenho da função com o objetivo da igualdade de oportunidades.

O dimensionamento de pessoal é complementado com adicional de plantão hospitalar e cooperativas que são alocadas de acordo com a necessidade do serviço por sua complexidade e nível de atenção aos pacientes. A gestão almeja a transparência dos processos e o comprometimento pessoal com os processos através da participação dos interessados nas tomadas de decisões.

O Adicional de Plantão Hospitalar é uma estratégia do governo federal para suprir a carência de recursos humanos nos Hospitais Universitários. Veio como Medida Provisória e faz parte do REHUF (Programa de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais).

A enfermeira Rita Paiva, conduz a enfermagem de o complexo hospitalar, que hoje soma cerca de mil profissionais, em clima de trabalho, dedicação, e união.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao escrever a história da administração de enfermagem durante os 52 anos do Hospital Universitário Walter Cantídio desde a sua fundação, examinando os períodos das diferentes gestões, cada uma desenvolvida em seu contexto sócio político e com sua visão profissional adquirida e evoluida, foi possível perceber que os traços, ainda recentes e dolorosos da ditadura militar, onde tudo que pudesse contar alguma história indesejada ou, simplesmente pelo medo de que os documentos pudessem representar alguma ameaça, sobrevivem até hoje na cultura de destruição de muito do que possa relembrar o passado. Também foi possível reconhecer a ausência da valorização

do que o outro personagem foi e fez. O importante é o “tempo presente”. Esta afirmativa pode ser

confirmada quando busquei fontes para a construção desta dissertação.

A rotina informal da Instituição em desprezar os documentos, contribuiu e contribue para falta de conhecimento, para a perda da memória da história passada e vivida pelos atores que a construíram. Sendo então a maior limitação do trabalho, a escassez de registros dentro da Instituição.

Durante a trajetória da (re) construção desta história, como aluna de um curso de Mestrado, como profissional da enfermagem e como servidora pública, pude reconhecer a importância dos registros do que fazemos e da preservação dos mesmos dentro de uma Instituição.

Ao ouvirmos as enfermeiras relatando sobre suas gestões, podemos constatar algumas repetições de inicio e reinicio de processos de trabalho, como se fosse algo novo a cada gestão. Seria isto uma prova de que a ausência de registros pode provocar repetições de erros do que não deu certo e a falta de investimentos naquilo que no passado foi positivo?

Embora esta limitação tenha sido uma realidade, foi possível atingir o objetivo principal em resgatar um pouco da história, conhecer as estratégias políticas de escolha das administradoras de um serviço fundamental como o da enfermagem, e ainda compreender os processos de trabalho desenvolvidos por elas durante todas estas décadas.

Ao utilizarmos a História Oral como metodologia para o resgate da história da administração de enfermagem, reconhecemos a força e ao mesmo tempo a sutileza deste método ao favorecer a recuperação daquilo que estava guardado na memória de personagens vivas que favorecem esta reconstrução ao aceitarem desnudar a sua história diante de um gravador.

Acompanhar as protagonistas desta história no momento de cada entrevista, onde suas expressões revelavam uma busca do passado, tentando trazer á memória os seus próprios passos, atividades e pessoas, que estiveram sob seus cuidados e responsabilidades, ouvir a verbalização fácil enquanto lembravam, chamou-me a atenção. Parecia que todas estavam à espera deste momento, para contribuir como já fizeram anteriormente.

Algumas das entrevistadas ofereceram-me documentos escritos e fotográficos que guardavam em seus arquivos pessoais, para que com a técnica visual as informações fossem ainda melhor compreendidas. As fotografias quaisquer que sejam, são documentos históricos importantes, pois revelam dimensões que muitas vezes são difíceis de serem descritos através de palavras, poderia dizer que é uma linguagem de fácil tradução e compreensão.

As escolhas das administradoras ocorreram de três formas variadas: a convite do diretor do hospital, através de lista tríplice e através de voto direto nas urnas, pela equipe de enfermagem.

Até o período da terceira gestora, não havia prazo determinado para a gestão da

enfermagem. Como uma das protagonistas verbalizou, o tempo “era enquanto bem servisse”. Após

1986 os períodos aparecem divididos de quatro em quatro anos e com possibilidade de reeleição como aconteceu com a gestora do período de 2003 à 2010.

É possível relacionar os modos das enfermeiras administrarem com os contextos sócios políticos em que cada uma vivenciava em sua época. A primeira gestora, provavelmente pela formação em escola religiosa percebemos uma postura mais rígida, centrada e comprometida com ideais pessoais, onde o mais importante não era o salário, mas a qualidade da assistência oferecida ao paciente e a postura de autonomia diante de outras categorias profissionais. Havia uma necessidade de mostrar que a enfermagem era uma profissão organizada e de confiança no cuidar. No inicio da fundação do hospital, os funcionários ainda não eram concursados, não havia garantia e segurança de seus empregos, então o empreendimento profissional dentro da instituição mostrava uma postura idealista e comprometida.

Em tempos de fundação, construção do hospital, onde faltavam muitos equipamentos e materiais, a gestora utilizou sua criatividade e construiu vários materiais para melhorar a qualidade da assistência.

É notável a satisfação pela integração entre as equipes e o relacionamento com os outros profissionais dentro da instituição. Havia reconhecimento da enfermagem.

A década de 70 e 80, apresenta um período difícil para a gestão de enfermagem devido ao aumento de escolas para auxiliares de enfermagem, onde não era exigido o conhecimento e o preparo necessário para a assistência. Então as própria gestoras implementam o serviço de educação continuada dentro da instituição para toda a equipe.

Em 1984, a primeira e única docente na história da enfermagem é colocada no cargo de gestora de enfermagem. Formada pela faculdade de enfermagem da Universidade Federal do Ceará, investe a sua visão acadêmica em projetos, treinamentos, relatórios e implementações de serviços inéditos dentro da sua gestão na instituição. Trazendo a teoria atualizada encontra enfermeiras com a prática e em parceria fundamental dentro de uma instituição de ensino, foram anos de desenvolvimento do conhecimento para o serviço de enfermagem.

O processo do desenvolvimento não morre, pois em seguida, com o Primeiro Plano Nacional de Apoio ao Desenvolvimento dos hospitais Universitários, a gestora de enfermagem utiliza a oportunidade e os recursos, para qualificar e capacitar os funcionários da enfermagem, implementando curso de auxiliar e técnico de enfermagem e trazendo profissionais de enfermagem de renome nacional para capacitar os enfermeiros.

Na década de 90 acontece a primeira votação direta dos profissionais de enfermagem indo às urnas para escolherem a sua representante no Hospital Universitário. Talvez sob o clima recente das Diretas Já, movimento político iniciado em 1983, após 20 anos da ditadura militar no Brasil, onde agora o povo alcança a liberdade de expressar democraticamente o seu voto para presidente da República. Além da nova Constituição Brasileira em 1988 que trazia a possibilidade de maior participação do povo na vida política do país.

Nestas considerações, ainda podemos citar processos que são implementados como novidades, porém na realidade já fizeram parte de gestões anteriores, e isto comprova a ausência de registros do que se realizava em períodos antecedentes, como a Sistematização da Assistência de enfermagem, Serviço de Educação Continuada, Comissão de Ética, entre outros.

A Gestão Participativa é declarada a partir de 2003, segundo a própria gestora, onde a enfermagem era convidada para participar no planejamento e execução dos processos.

Ainda podemos acompanhar através das revelações das protagonistas, momentos de grande resiliência, em períodos de mudanças políticas e organizacionais, para que a enfermagem permanecesse dentro das propostas de qualidade na assistência ao paciente.

Temos a esperança que este registro da história da administração de enfermagem no Hospital Universitário Walter Cantídio, em formato de Dissertação, possa contribuir para a constituição de um arsenal de informações e vir a ser objeto de pesquisas futuras.

Finalizo esta pesquisa, com um sentimento de dever cumprido no que se refere as exigências para a formação acadêmica stricto sensu do programa de mestrado do Poleduc/UFC, mas também entendo que há muito o que investigar e descobrir nesta viagem iniciada. É certo que não foi possível esgotá-la, mas ficam como herança, nuances para serem exploradas, desabrochadas e interpretadas.

Considero-me privilegiada por fazer parte da história de enfermagem desta profícua Instituição pública, o Hospital Universitário Walter Cantídio onde a diretoria de enfermagem tem

como missão “Prestar assistência de Enfermagem integral nos níveis terciário e quaternário, integrando o ensino, a pesquisa, a assistência, às ações interdisciplinares”.

[Finis origine pendet] “O fim depende do inicio”.

“Na mesma proporção em que nossa condição vigente é resultado do que fizemos no passado, as portas do futuro se abrirão como conseqüência daquilo que fizermos no presente. Olhe ao seu redor. São as atividades que você realiza hoje e as pessoas com as quais convive neste momento que determinarão quem você será e onde aportará ao cabo dos anos”. (autor desconhecido)

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Benzer Belgeler