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Direncin Yönetilmesinde Dönüştürücü Liderin Rolü

BÖLÜM 3: ÖRGÜTSEL DEĞİŞİM SÜRECİNDE DÖNÜŞTÜRÜCÜ LİDERLİK

3.5. Direncin Yönetilmesinde Dönüştürücü Liderin Rolü

No tópico anterior, procurei demonstrar como Baudelaire trabalharia o pólo livre de seus poemas em prosa. A partir de evidências encontradas em cartas, trabalhos não publicados e trechos de obras do autor, por mim analisados, considerei razoável inferir que este dito pólo livre, começando como uma espécie de revolta contra a literatura de baixa tensão escritural, enovelada em ditames emocionais e comerciais diversos da motivação artística, teria acabado por se ver à voltas com o indizível da sociedade moderna. Ao buscar na escritura literária um caráter de distinção em relação à “littérature de café”, o autor flerta, a meu ver, com o mal como elemento inerente ao ser, com o paradoxo, com a hesitação e com o silêncio estupefato diante de uma realidade outrora facilmente apreensível, práticas de choque, e de vivência do desterro poético.

Isto posto, o objetivo, nesta parte dedicada à análise, é demonstrar como esse plano temático se dispõe no plano formal, sem querer, claro, cair no erro da velha separação entre forma e conteúdo. Para tanto, procurarei analisar o que chamo de poética do incerto, poética que tateia o real, espantada diante de suas múltiplas faces, e que busca, numa luta que sabe perdida, esgotá-lo.

Aproveitando, então, a imagem do tatear, primitiva e confusa forma de absorver o conhecimento do mundo, suplantada, no que toca a apreensão de detalhes, pela visão, saliento que, nos Petits Poèmes en Prose, há vários indícios de uma poética do tatear, de uma poética que parece indicar ao leitor antes a sondagem de elementos, do que a postulação de lugares fixos. O primeiro desses indícios pode ser percebido, a meu ver, na profusa utilização, da parte do sujeito da escritura, da função gramatical do aposto, ou de

construções que a ele se assemelhariam. Disponho alguns exemplos, como forma de dar início à discussão:

“Qui aimes-tu le mieux, homme énigmatique, dis? ”.249

“Sur ce lit est couchée l'Idole, la souveraine des rêves”.250

Un de mes amis, le plus inoffensif rêveur qui ait existé, a mis une fois le feu à une forêt pour voir, disait-il, si le feu prenait avec autant de facilité qu'on l'affirme généralement”.251

Em primeiro lugar, é importante salientar que o universo dos poemas em prosa de

Baudelaire não se restringe a uma análise, por mais acurada que seja, das funções gramaticais nele encontradas; muito menos a aqui denominada poética do tatear dominaria as visadas possíveis sobre a obra. Um estudo crítico é a busca de pontos médios entre idiossincrasias, as do estudioso, e as da obra. Assim, por mais estranho que possa parecer, aponto as funções apositivas como primeiro indício de análise, pois me chamou a atenção a intensa ocorrência do fenômeno, do início ao fim do livro, e nos mais variados poemas; em uns mais, em outros menos. Com a observação dos apostos, atingi um certo “ideal” de unidade analítica, por mim buscado desde o início de meus estudos, e, a princípio, tão difícil de observar nos textos do conjunto estudado. Delineando, portanto, que minha análise em nada pretende esgotar a matéria, creio ser útil, em primeiro lugar, procurar definir o que é um aposto, e, depois, tentar aplicar o conceito aos exemplos levantados.

249 PPP, L´étranger, p. 162. 250 PPP, La chambre double, 164. 251 PPP, Le mauvais vitrier, 166.

De acordo com os preceitos da gramática normativa252, a dita apposition é um termo que se liga a um nome, direta ou indiretamente, e ao qual ela acrescenta informações a respeito de sua qualidade e natureza. Interessante notar, porém, que a gramática destaca a necessidade de que os elementos envolvidos na composição, nome e aposto, pertençam à mesma “realidade”; como de costume quando lidamos com questões gramaticais, com todas as nuanças e interpretações que esta palavra possa comportar. Dessa forma, num exemplo como o seguinte: “Qui aimes-tu le mieux, homme énigmatique, dis? ”.

O termo “homme énigmatique” acrescenta ao pronome tu um dado, uma informação, que o complementa, o posiciona diante de uma realidade, como um desenhista o faz com os limites de uma figura numa folha de papel. No caso do poema em prosa em questão,

L´étranger, o primeiro do conjunto, é singular o fato de que se trata da primeira linha do

poema e do livro. Ao classificar o sujeito do poema como “enigmático”, além de nos situar em relação ao andamento da peça – na qual veremos um manifesto a favor da introspecção, contra a dissolução do eu imposta pelo mundo – o autor também dá pistas a respeito de muito do que encontraremos no projeto como um todo: desterro, solidão, culto à marginalidade. Aproximar-se de uma questão gramatical como a proposta, portanto, já não parece tão simples, pois se trata, antes de tudo, de um fenômeno com o qual todo escritor se debate: o ato de nomear. De acordo com o que observei, este ato de nomear ocorre, nos

Petits Poèmes en Prose, de duas formas diferentes e como complementares. Na primeira,

que chamarei de aposição simples, observa-se o aposto em suas funções tradicionais, canônicas, ou seja, funções relativas à explicação, qualificação, ou especificação do elemento referido. Na aposição simples, também é possível, com alguma facilidade, observar a relação entre construção gramatical e referente. O segundo tipo de aposição, que

252 GREVISSE, Maurice: Le bon usage: grammaire française avec des remarques sur la langue

vou chamar de complexa, por outro lado, possui uma relação turbada entre aposto e referente – ruídos entre estes elementos parecem apontar para fenômenos de saturação, sobreposição e disjunção do sentido, evidenciando o caráter transitório da palavra. Para esclarecer o que aponto, porém, urge trabalhar os exemplos colhidos. Começarei com as ocorrências que chamei de simples.