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2. YAKIT PĐLLERĐ

2.3. Yakıt Pili Türleri

2.3.6. Direk Metanol Yakıt Pili

Os encontros individuais com a professora Ilma ocorreram nas mesmas circunstâncias inadequadas em que sucederam as reuniões com Catarina. Ou seja, foram realizados na sala com as crianças. As dificuldades de espaço e, especialmente, de tempo, dificultaram muito esses momentos de planejamento, principalmente, porque as crianças dessa turma são menores e solicitam mais da professora.

Aconteceram somente dois encontros. Um, para o planejamento de dois dias de desenvolvimento do projeto, e outro, para uma conversa sobre a experiência vivenciada. Ilma decidiu estipular somente dois dias para o projeto porque estava passando por problemas pessoais, com uma pessoa de sua família muito doente e, por isso, a qualquer hora seria obrigada a se afastar da instituição.

Os entraves relativos ao tempo e ao espaço, ocorridos no momento de planejamento do projeto, não impediram minha intenção de debater com Ilma algumas questões referentes ao trabalho com projetos desenvolvido em suas experiências anteriores, como professora e coordenadora de uma escola privada. Por exemplo, a questão de a escola já ter projetos planejados para serem desenvolvidos durante o ano com as crianças. Sobre isso, Ilma argumentou que, apesar de desenvolver projetos já há algum tempo, desconhecia a perspectiva de projeto proposto por Dewey, que valoriza o interesse e as questões propostas pelas crianças como norteadoras de todo o processo. Sua grande preocupação com o projeto era envolver as crianças, propiciar situações de

aprendizagem diversificadas e implicar as famílias. Trazer todo o projeto pronto e direcionar o esforço para “motivar” as crianças a participarem contradiz o que está proposto como um dos princípios básicos para a elaboração de projetos, qual seja, o princípio da intenção, que afirma que “uma ação para ser significativa necessita ser compreendida e desejada pelos sujeitos.” (BARBOSA e HORN, 2008, p. 18). O trabalho com projetos pressupõe, portanto, um conjunto de situações contextualizadas, a busca de resolução compartilhada numa elaboração coletiva, que envolve crianças e professores. Procedimentos que desconsideram a atividade criadora e o protagonismo da criança e que promovam atividades mecânicas e pouco significativas não têm relação com o desenvolvimento de projeto.

Outra questão discutida foi a posição de Ilma com relação à possibilidade de realizar projetos com as crianças de sua sala, “crianças de escola pública”. Mais precisamente, suas expectativas sobre ter aceitado o desafio. Para Ilma, aceitar desenvolver um projeto com suas crianças pressupôs um repensar sobre a supervalorização dada à participação da família nos projetos desenvolvidos e sobre uma maior participação do grupo, especialmente dela, a professora, na busca de encontrar solução para os problemas propostos, por meio de coleta de informações ou proposição de experiências diversificadas.

No ato de planejamento do projeto, Ilma demonstrou experiência anterior, sugerindo muitas ideias sobre o tema brincadeiras escolhido: brincar dentro da sala, conversar sobre as brincadeiras e os brinquedos favoritos das crianças. Para o detonador do projeto, Ilma, assim como Catarina, também acatou a sugestão do saco-surpresa porque, segundo ela, as crianças adoram novidades. Com minha ajuda, foi preparado o saco com diferentes brinquedos para serem identificados pelas crianças na roda de conversa. Ainda para o primeiro dia de desenvolvimento do projeto, Ilma planejou realizar, em tempos diferentes da rotina, as brincadeiras mais comentadas pelas crianças na roda e uma brincadeira que fosse desconhecida para as crianças e que pudesse ser desenvolvida em sala.

Quando questionada sobre uma atividade que envolvesse diferentes linguagens, como experiências artísticas, e que incluísse uma representação gráfica, de desenho ou escrita espontânea, Ilma impôs alguma dificuldade no início, mas, incluiu no plano. A dificuldade referia-se ao fato de as crianças ficarem inquietas, “não se concentrarem”, especialmente a criança com deficiência que faz parte de seu grupo. É necessário ressaltar que a presença dessa criança em sua sala serviu para Ilma, muitas vezes, como

justificativa para a não-realização de experiências interessantes e importantes de serem realizadas com as crianças nessa faixa etária, discutidas nos momentos de vivência do projeto.

O primeiro dia ficou assim planejado: roda de conversa com a apresentação do saco-surpresa, como detonador do projeto e conversa sobre as brincadeiras e brinquedos favoritos das crianças, com o registro de suas falas; tempo de brincar com os brinquedos do saco-surpresa; oportunidade de realizar uma brincadeira comentada na conversa e uma atividade de representação gráfica, através de desenho e escrita espontânea dos brinquedos identificados no saco ou dos citados como preferidos. A possibilidade de realizar uma atividade fora da sala foi imediata e categoricamente descartada por Ilma porque, de acordo com ela, “é muito difícil sair com as crianças, elas não têm esse costume e querem se espalhar”.

Encaminhando o planejamento para o segundo dia, Ilma pensou nas seguintes atividades: na roda de conversas, seria realizada uma retomada do dia anterior, com as crianças relembrando as brincadeiras realizadas e os brinquedos do saco, que seriam contados coletivamente pelas crianças. Por haver gostado da atividade do encarte, comentada por Catarina, Ilma propôs que as crianças escolhessem quatro brinquedos e colassem em seu caderno. Ainda nessa proposta, as crianças teriam uma oportunidade de representar graficamente os nomes dos brinquedos. Também foi sugerida a leitura de uma história sobre brincadeiras. Como a disponibilidade de Ilma estava na dependência dos acontecimentos de sua vida particular, foi sugerido que ela fizesse o fechamento do projeto com a apresentação para as crianças, das atividades desenvolvidas por elas durante os dois dias e que seriam filmadas em vídeo.

Da proposta inicial de realização de um projeto durante um período de pelo mesmo uma semana, teria de me contentar com os dois dias impostos por Ilma.

7.5.2 Desenvolvimento do projeto

No primeiro dia de desenvolvimento do projeto, encontro a professora Ilma na sala já esperando as crianças. Como é comum na instituição, a professora só inicia algum trabalho, quando a maioria das crianças chega. As crianças que chegam guardam as mochilas e sentam-se as suas mesas, esperando pela professora. A atenção da professora para elas se dá na entrega de uma pequena quantidade de brinquedos coloridos e de encaixe em cada mesa. Em seguida, Ilma senta-se a sua mesa para

organizar as agendas e as tarefas de casa das crianças. Quando termina essa organização e com um número maior de crianças, Ilma convida todas para uma grande roda no meio da sala. As crianças demoram um pouco para se organizar e, quando isso acontece, Ilma dá boa tarde e começa a cantar uma música de boas-vindas. As crianças cantam distraídas, com os olhos fixos no grande saco vermelho nas pernas da professora. Algumas param de cantar e perguntam o que há no saco. Ilma continua a cantar a música, pedindo, mediante gestos, que as crianças esperem. Quando a música termina, Ilma apresenta o saco e pergunta a sua cor. As crianças, quase em pé, mal contendo a curiosidade, respondem rapidamente que o saco é vermelho. Ilma, então, diz que as crianças passarão o saco de mão em mão, e terão que adivinhar o que há dentro dele, já que nem ela mesma sabe. As crianças, curiosas e ansiosas, participam da atividade com muito entusiasmo. Ilma, demonstrando sensibilidade, inclui todas as crianças, estimulando e valorizando suas falas. Ela, contudo, parece não acreditar que as crianças são capazes de realizar, sem sua ajuda direta, a tarefa dada, pois, em vez de entregar o saco para ser passado entre e por elas, Ilma prefere, ela mesma, em pé no meio do grupo, segurar o saco e pedir que cada criança retire um brinquedo. Essa atitude causa algum tumulto porque as outras crianças da roda não conseguem ver os brinquedos retirados do saco, ficam em pé, saindo da roda. Demonstrando pouca sensibilidade com essas crianças, Ilma ignora seus apelos e pede que elas se sentem, continuando a passar o saco. Ilma também não demonstra empatia com a necessidade das crianças em explorar os brinquedos do saco, não permitindo que elas ficassem com os brinquedos retirados do saco. As crianças “pescavam” os brinquedos no saco, começavam a vê-los e, logo, eram obrigadas a entregá-los de volta. Foi possível observar a decepção em seus rostos, quando a professora retirava de suas mãos os brinquedos, colocando-os em cima da mesa. A cada brinquedo retirado, Ilma faz algumas perguntas: sobre a cor, do que é feito, se já brincou com um brinquedo igual, se tem em casa, por exemplo.

A etapa seguinte da atividade é uma conversa com as crianças sobre seus brinquedos e acerca das brincadeiras preferidas. No desenvolvimento de um projeto, esse momento é o de acolhimento e registro dos conhecimentos prévios das crianças sobre o assunto. Da mesma forma que a professora Catarina, Ilma também não tomou nenhuma providência com relação ao processo de registro. Apenas concordou em participar, com as crianças, da apresentação posterior das gravações em vídeo realizadas. A atitude das professoras em não valorizar o registro das ações e das produções realizadas no desenvolvimento dos projetos, tanto no grupo de professoras,

na vivência do projeto, quanto com as crianças, sugere falta de familiaridade em utilizar o registro como prática que possibilita reflexão, tanto sobre o próprio fazer pedagógico quanto do tocante às elaborações das crianças.

Nesse momento de conversa, a professora dá atenção individualizada às crianças, inclusive àquela que ela diz ter “deficiência cognitiva”, colocando-a no colo e incentivando sua atenção. Respeita o tempo de fala de cada uma, não força as que não querem falar, apenas estimula a sua participação.

Como última etapa dessa atividade, a professora, que já havia posto todos os brinquedos no saco novamente, pede que as crianças representem graficamente, por desenho, o brinquedo do saco do qual mais gostaram. As crianças começam a gritar os nomes de alguns brinquedos, formando uma “confusão animada”. Ilma, então, pedindo silêncio com a música Fecha a boquinha, diz que não quer saber quais os brinquedos que as crianças escolheram porque quer que seja uma surpresa, que ela só descobrirá quando vir as produções de todas. As crianças dirigem-se para suas mesas e a professora pega os cadernos e os lápis dentro do armário. Distribuídas na sala, algumas crianças conversam, envolvem-se em conflitos, correm na sala, enquanto esperam a professora abrir cada caderno na página em branco e chamar uma por uma para entregar o material. Às crianças não é dada a possibilidade de descobrir a página onde vão desenhar nem de escolher que tipo de lápis querem utilizar. Após tanta demora, as crianças se envolvem na atividade, desenhando os brinquedos, mostrando umas às outras suas produções e conversando sobre elas. A professora, depois que entrega todo o material, permanece sentada a sua mesa, fazendo outras atividades. Essa posição da professora Ilma contradiz o que ela falou em sua entrevista, quando definiu o papel do professor como mediador das construções das crianças, em processos interativos. Para algumas crianças que dizem já ter finalizado o desenho, Ilma, sem nem olhar para o caderno, entrega lápis de cera para que elas pintem seus desenhos.

Após o lanche das crianças, do qual a professora não faz parte, e do lanche das professoras, do qual as crianças não participam, a professora convida as crianças para uma brincadeira diferente, dentro da sala. As crianças adoram a ideia de continuar brincando e sentam-se na roda. A professora pede que as crianças se sentem numa grande roda e avisa que vão brincar da brincadeira do anel. Antes de dizer como é a brincadeira, Ilma pergunta se alguém conhece e se já brincou alguma vez. Ante a negativa, Ilma explica a brincadeira e começa, ela mesma, a passar o anel. As crianças participam animadas e Ilma dá continuidade à brincadeira, convidando as crianças que

acertaram, para passar o anel. A sala toda, inclusive a professora, fica envolvida com a brincadeira até o momento de se preparar para ir para casa, ficar à espera dos pais.

Depois que as crianças saíram, numa rápida reunião, Ilma disse ter ficado muito satisfeita com a participação das crianças e que iria manter tudo o que havia planejado para o dia seguinte.

No segundo dia, Ilma inicia a tarde com outra roda de conversa, e, sem cantar as músicas de sempre, reapresenta o saco com os brinquedos. Assim como Catarina, Ilma não se preocupa em retomar com as crianças as atividades realizadas no dia anterior, em especial, sua impressão e sentimentos, mesmo sabendo que havia duas crianças que não estiveram presentes. Já inicia a atividade retirando os brinquedos do saco, um a um, pedindo que as crianças realizem a contagem deles. A cada brinquedo retirado do saco, Ilma refaz a contagem, pedindo a participação de todos. As crianças mais interessadas nos brinquedos repetem, sem entusiasmo, o que a professora diz. Ao final da atividade, Ilma permite que as crianças brinquem com os brinquedos do saco novamente. Felizes, depois de uma grande confusão, cada uma pega um brinquedo e escolhe um lugar na sala para brincar. A professora, de sua mesa, participa tentando resolver os conflitos que surgem, chamando as crianças envolvidas para conversar.

A brincadeira com os brinquedos só é interrompida porque a responsável pelo lanche avisa Ilma de que está na hora do lanche de sua turma. A professora, então, recolhe os brinquedos e volta a guardá-los no saco. Depois do lanche e do recreio, com as crianças já acomodadas as suas mesas, a professora Ilma apresenta os encartes de brinquedos, dando início à atividade de Linguagem. As crianças, muito interessadas em ver os brinquedos maravilhosos dos encartes de propaganda e mostrá-los para os colegas, não ouvem o que Ilma diz. Pedindo silêncio, batendo palmas com força, Ilma consegue pedir que cada criança escolha e recorte quatro brinquedos preferidos do encarte para serem colados numa folha de papel. Enquanto as crianças continuam, com entusiasmo, mostrando os brinquedos e conversando entre si, Ilma pega no armário o material necessário, deixando-o em cima da sua mesa. Ilma entrega as tesouras às crianças nas mesas e senta-se junto, segundo ela, à criança com deficiência, para ajudá- la na tentativa de recortar as figuras. Não demora muito e algumas crianças se manifestam pedindo a cola e o papel. Outras até se arriscam a ir até a mesa da professora para pegar o material, mas Ilma logo reprime a iniciativa, dizendo que ela vai entregar o material em cada mesa. É possível supor que Ilma não acredita que as crianças podem ser independentes em sala e ter responsabilidades no manuseio do

material coletivo, já que não encoraja nem estimula as iniciativas delas nesse sentido. As ações só acontecem em sala se houver a intervenção direta de Ilma. As crianças ficaram envolvidas na atividade até o momento de se prepararem para ir para casa. Nesse momento, sob apelo de algumas crianças que não haviam finalizado a atividade, Ilma recolhe todas em cada mesa e pede que as crianças arrumem as mochilas, pois os pais estão chegando. Não houve nem a promessa de que elas poderiam terminar a atividade no dia seguinte.

Em rápida reunião após a saída das crianças, Ilma disse que teria que viajar no dia seguinte e que a síntese do projeto, a apresentação do vídeo com o grupo desenvolvendo atividades do projeto, ficaria para ser combinada quando ela voltasse.

Com suporte nas observações realizadas nos dois momentos do trabalho, isto é, antes e durante o desenvolvimento do projeto com as crianças, é possível apontar indicações de algumas mudanças na dinâmica da sala de Ilma. É provável supor, por exemplo, que o desenvolvimento do projeto com as crianças possibilitou a Ilma incluir as atividades lúdicas que ela disse faltar em sua prática. Também foi possível observar o envolvimento das crianças em realizar atividades diferenciadas, como falar e ouvir na roda de conversa sobre suas brincadeiras preferidas, acerca dos brinquedos que possuem, ou então realizar uma atividade mais desafiante do que simplesmente brincar com os poucos brinquedos nas mesas, como a pesquisa nos encartes, desenhos e escritas espontâneas dos brinquedos escolhidos.

Não há, porém, elementos que comprovem mudança efetiva na prática desenvolvida por Ilma. É possível assinalar, no entanto, indicações de algumas mudanças no plano de suas atitudes, como, por exemplo, o reconhecimento de que as suas crianças pequenas, da escola pública, podem desenvolver projetos.

Benzer Belgeler