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BÖLÜM 2: SA’DU’LLÂH HALVETÎ’YE ATFEDİLEN ANONİM

2.2. Dinî Kavramlar

Duas telenovelas brasileiras apresentaram semelhanças com as peças de Hellman: Nina, de 1976, escrita por Walter George Durst, e Senhora do Destino, de 2005, escrita por Aguinaldo Silva.

Na novela Nina, a personagem que dá nome ao título, interpretada por Regina Duarte, é uma professora que vai trabalhar em um rígido colégio na São Paulo dos anos 1920. Ao saber que a matrícula de uma aluna cujos pais são artistas havia sido rejeitada por preconceito, Nina inicia uma batalha contra os moralistas da trama. Nina disputa o amor de Bruno (Antonio Fagundes) com Arlete (Rosamaria Murtinho), que é filha do Barão Galba (Mario Lago), cujos bens são administrados por Bruno. Com o desenrolar da trama, uma aluna é assassinada na escola e a culpa recai sobre Nina, que lutará então para provar sua inocência (TELEDRAMATURGIA, 2007).

Walter George Durst foi um dos mais importantes escritores de teleteatro e telenovela. Independentemente de o autor ter se baseado ou inspirado na peça de Hellman ou não, Nina apresenta semelhanças em relação à The Children´s Hour que podem ser apontadas e discutidas. A primeira e mais evidente é o espaço escolhido: a escola. O relacionamento de Nina com as alunas não era de imposições e regras, assim como o de Karen e de Martha não o são. Os preconceitos que Nina enfrenta têm semelhança com o preconceito que Martha e Karen enfrentam em relação à acusação de afeto mútuo. Por fim, com a morte da aluna na telenovela, Nina passa a ser a principal suspeita, especialmente por ser considerada uma mulher imoral. Na peça, ninguém precisou morrer, bastou uma acusação.

O aspecto que mais chama a atenção por sua força é o delineamento das classes sociais nessa telenovela, que tem muita semelhança com o da peça: Nina é uma professora que pouco ou nada pode contra as artimanhas de Arlete, que é filha do barão. Seu amado, Bruno, está diretamente ligado ao barão, pois é seu empregado. Assim como na peça, uma vez armada a situação para que Nina seja culpada do assassinato, tudo se volta contra ela. E Arlete, evidentemente, usa o poder de seu pai para prejudicar a professora.

Em Senhora do Destino, há uma cena, logo nos primeiros capítulos, na qual a vilã Nazaré (Renata Sorrah) deixa o marido José Carlos (Tarcísio Meira) morrer sem lhe dar assistência. O fato ocorre porque José Carlos descobre que Nazaré não é mãe legítima da filha do casal, Isabel (Carolina Dieckmann). José Carlos revela à mulher que sabe que ela roubou a criança e fingiu estar grávida, o que deixa Nazaré desesperada após ouvir o marido afirmar que vai à polícia para limpar a sujeira feita por ela. De súbito, Nazaré empurra o marido, que cai rolando uma escada. Esse é o primeiro elemento que nos faz lembrar The Little Foxes, embora na peça Regina não empurre Horace. A escada está presente na peça como o meio que separa Horace do seu remédio. A seguir, Nazaré põe a mão no pescoço de José Carlos para ver se ele está morto, entretanto ele desperta e pede que ela lhe dê o remédio, pois ele não está

passando bem. Nazaré nega-se a dar o remédio, o que ocasiona a morte de José Carlos, exatamente como Regina faz com Horace. (GLOBO.COM, 2007)

Os dois recursos melodramáticos, a escada e o remédio, são utilizados na novela. A mudança utilizada no recurso da escada para a novela é vital. Na peça, sabemos que Horace não pode se locomover, pois anda em uma cadeira de rodas. José Carlos poderia subir a escada para pegar o remédio sem grandes problemas, e por isso mesmo é preciso que ele seja derrubado antes (rolando a escada) para que precise da ajuda da mulher para pegá-los. Na peça, Horace pede pelos remédios, enquanto Regina nega-se a pegá-los, ficando imóvel, consciente do que está fazendo. Na novela não foi diferente: Nazaré não pode deixar o marido vivo, pois ele a denunciaria, acarretando a sua prisão e a perda da convivência com a filha. Ela então nega o remédio, o que o faz morrer.

Esses pequenos rastros de Hellman no Brasil, para além de suas peças aqui encenadas, contribuem para estabelecer a importância da autora e para reafirmar a necessidade de reavaliar o seu teatro. Se o processo do constante ressurgimento dos textos e da própria autora, seja através das encenações, de matérias em jornais e revistas, e, como mostrado acima, em novelas também, é algo presente em nossos trópicos, processo semelhante ocorre nos Estados Unidos, em escala maior. E se dois países tão distintos social, cultural e economicamente ainda recorrem à obra da autora, isso só pode indicar que há algo nela de louvável e profundo.

No alto, capa e primeira página do programa de As Pequenas Raposas, em cartaz no CCBB- RJ em 2004. Acima, capa do programa de Calúnia, em cartaz no Teatro Sesi-RJ, em 2006.

No alto, Martha (Margarida Rey) e Karen (Tonia Carrero) evitam os olhares curiosos e maledicentes do entregador (ator não identificado) em uma das três primeiras montagens de

Calúnia no Brasil.

Na mais recente montagem de Calúnia (acima), Karen (Michelle Catunda), Joe (Alexandre Varella), Mary (Maria Clara Wermelinger, sentada), Sra. Tilford (Camilla Amado) e Martha (Janaína Mendes) na cena em que Mary consegue encurralar as professoras graças à chantagem sobre Rosalie.

No alto, o elenco reunido de As Pequenas Raposas (2004). Em pé, da esquerda para a direita: Aires Jorge, Pedro Osório, Ednei Giovenazzi e Roberto Pirillo. Sentados, da esquerda para a direita: Rogério Fróes, Patrícia Werneck, Beatriz Segall, Joana Fomm, Léa Garcia e Sérgio Britto.

A cena da novela Senhora do Destino (2004-5) que apresenta um dos rastros de Hellman na teledramaturgia brasileira. A escada, da qual José Carlos é jogado por Nazaré, na peça é usada como impedimento de Horace chegar ao quarto e pegar o outro vidro de remédio. Ao pé da escada, Nazaré conversa com o marido e nega-lhe ajuda. Com a chegada da filha, momentos depois, ela mostra o vidro de remédio vazio, cujo conteúdo ela despejara na pia do banheiro pouco antes.

Benzer Belgeler