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Dil Kavgası ve Taraflar

A deliberação é, em última análise, um ato de pesar, sejam motivos ou argumentos. Deliberação vem do latim librare — pesar. A pessoa que pesa está acima dos motivos que pesa. Na medida em que os pesa, ela não é idêntica a nenhum dos motivos, mas é livre de todos eles. Dizer que sempre prevalece o motivo mais forte é uma tautologia vazia, já que o teste pelo qual um motivo se mostra como mais forte é simplesmente o fato de que ele prevalece.

Num certo sentido, o exercício humano de significar já contém o elemento da deliberação, mesmo que esteja ainda em seu ponto de partida de ‘intencionar em geral’, como vimos. O deliberar é o elemento comum em qualquer desejar. Numa decisão, o sentido é inserido num postulado da existência que não é declarado mas é afirmado como dependente de mim para acontecer.121 Para que um desejo se ultrapasse, auto-transcenda, é necessária a atividade da deliberação na dinâmica da vontade. A partir daí, o deliberar não é nem estar subserviente a uma dinâmica autônoma dos fatos práticos ao qual corro atrás me posicionando, nem é agir conforme idéias e teorias. Uma decisão, como julgamento prático, não é apenas construída sobre ou a partir de um julgamento teórico da existência concebido como a forma primitiva do julgamento. É muito importante perceber que tanto o desejo quanto a decisão são julgamentos porque são suscetíveis a uma idêntica modificação secundária que extrai da ação e das idéias uma relação ‘colocada à’ – um nível idêntico de significado ao que é vivido ou pensado.122 Em outras palavras, deliberar é também e acima de tudo o exercício de estabelecer o tipo de relações que terei com.

Assim, todos os julgamentos e deliberações têm em comum o fato de que eles designam em geral, ao passo que a qualidade distinta das deliberações representa um modo distinto de serem

120 TILLICH, Paul. Teologia sistemática. Op. cit., pp. 157 a 158

121 RICOEUR, Paul. Philosophie de la volonté – le volontaire et l´involontaire. Op. cit., p. 42 122 IDEM. Ibid., p. 43

atualizadas. De qualquer forma, já está presente na deliberação uma concordância comum entre idéia, motivo, projeto e subseqüente ação que tenha o mesmo sentido.

4.1.2. A DECISÃO

A palavra decisão como também a palavra incisão, provêm da idéia de cortar, do latim decaedere, que vem de caedere - cortar.123 A pessoa auto-centrada faz o peso e reage como um todo, através de seu centro pessoal, à luta dos motivos. Esta reação é chamada de decisão. Imaginemos uma pessoa tomando uma decisão. Uma decisão corta possibilidades que eram reais. Caso contrário, não seria necessário nenhum corte, nenhuma necessidade de cortar. Diante de uma situação, a pessoa auto-centrada decide, faz o corte como um todo, através de seu centro pessoal diante dos motivos. No ato de cortar expressa sua reação pessoal acima das possibilidades. A pessoa que faz o corte, ou a exclusão, está para além daquilo que corta ou exclui. Seu centro pessoal tem possibilidades, mas ele não é idêntico a nenhuma delas.

A unidade dialética do voluntário e involuntário se dá na decisão: a vontade que escolhe não cria a novidade do nada, mas apropria o involuntário no processo como o ‘motivo desejado de...’. É na decisão que o involuntário está mais claramente ligado com o voluntário. Uma decisão, como um ato integral da vontade, tem um correlato intencional. Diferente do desejo, uma decisão pretende seu objeto como algo que depende de mim, está dentro do meu poder. Ao mesmo tempo, a decisão tem uma dimensão reflexiva: eu me defino no seu objeto, comprometo-me e me ligo. Assim, o ato de decidir é o ato central e constitutivo do meu modo de ser. Sem integridade não há decisão; e é não decisão que todos os elementos de meu ser se remetem à minha centralidade.

Mas como vimos, mesmo neste ato voluntário central, a dimensão do involuntário nunca é removida, pois não há nenhuma decisão sem motivos. Decido não somente para, mas também porque. Sem motivos não pode haver decisões, somente acontecimentos. Acontecimento é uma ocorrência humana destituída de motivos e, assim, a decisão adquire só o caráter formal, mas perde o conteúdo. Por outro lado, a decisão genuína requer também, além do involuntário e dos motivos, a possibilidade da ação, pois na decisão obviamente também se encontra o voluntário, intenção do eu a algo, habilidade, hábito de algo e esforço como movimentos internos intencionais que se propõem a algo ou a uma mudança.

123CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro,

4.1.3. A AÇÃO

Vimos que na decisão posso ser íntegro e exercer minha centralidade ou mesmo minha unidade, mas com a decisão chego apenas aos umbrais, ao portão de uma realidade experimentada. Para se tornar decisão experimentada, a decisão de uma vontade deve tornar-se ação, quando então não só decido-me como unidade, mas experimento-me como unidade.

A ação é a extensão, expressão e encarnação de uma vontade. A ação é o querer em movimento e em experiência inteira. É na ação que o homem se experimenta como unidade. É nela que ele pode ser inteiro. Se ele agir sem ser inteiro, já não se tratará de ato/ação, mas atitude de fuga do ato. Na ação a vontade se encontra numa esfera estrutural distinta da esfera decisória. Apesar da esfera da ação ser distinta da esfera decisória, não devemos supor que esta não esteja mais em operação. Tanto é que a separação entre decisão e ação voluntária tem traz como conseqüência um defeito à psicologia eclética e implica numa imagem artificial da realidade pois a reparte em fases temporais dentro do processo voluntário como deliberação -> decisão -> execução. Esta seqüência temporal deve ser criticada. Apesar de não haver uma separação entre decisão e ação e nem que um intervalo temporal requeira necessariamente a separação entre decisão e execução,124 há no entanto uma distinção entre decisão e movimento voluntário. Esta distinção não se dá por questões de intervalos temporais, mas por questões de sentido. O sentido de uma ação em projeto é diferente do sentido de uma ação corpórea em conformidade com um projeto. Mas seja como for, projetos, deliberação, decisão e execução estão o tempo todo intercalados por sentidos em qualquer dimensão. E as relações destas esferas podem ser instantâneas.

Paul Tillich aponta para esta mesma dinâmica quando destaca que a estrutura e funções do sentido e do espírito estão presentes nas ações. As ações humanas são mais que seqüências causais de caráter mecânico-temporal. Elas engendram sentidos tanto na esfera do que é imediato quanto na esfera da realidade de interconexão que as ações imediatas carregam.125 Assim, só pode haver

vontade centrada em uma personalidade em razão da atuação do sentido nestes dois níveis.

Como vimos, é na ação que podemos obter o critério e expressão de um projeto voluntário. O poder de execução só se torna conhecido ao ser usado. Contudo, mesmo a tentativa, por meios temporais, de separar um projeto de sua execução corporal de forma a adiá-la, tal tentativa não eliminará o senso de poder de execução implícito no projeto. É impossível o surgimento de um

124 RICOEUR, Paul. Philosophie de la volonté – le volontaire et l´involontaire. Op. cit., p. 38 125 TILLICH, Paul. What is religion? New York, Harper & Row, 1973, pp. 62 e 63

projeto sem que haja implícito nele seu poder de execução. Assim, é mais correto dizer que é o poder de ação presente num projeto o critério de voluntariedade. Desejo e querer são semelhantes no fato de que ambos prescindem da ação factual para existirem. Mas o querer, diferente do desejo, só pode ser considerado como tal se estiver calcado na veracidade de seu poder de execução. É o poder real de execução presente num projeto, e não a ação como tal, mais adequado critério de voluntariedade possível. Já a ação involuntária se dá por meio de habilidades pré-formadas (instintivas) ou, em certo sentido, pela emoção e hábito.

Ao lado da decisão, a ação é a segunda esfera estrutural da vontade. A esfera da decisão e a esfera da ação são contínuas uma à outra. Decido => Ajo => Decido = > Ajo... Acabamos de ver que a decisão genuína requer a possibilidade da ação e é realizada por ela. Apesar dessa íntima relação, decisão e ação são tão distintas quanto a idéia e a realidade. É isto que torna a ação difícil de ser alcançada fenomenologicamente. A ação é distinta de um projeto de ação. Mas a fenomenologia é ainda possível porque a ação é uma extensão ou encarnação de uma vontade. A ação compartilha da intencionalidade da vontade: seu objeto intencional é a mudança que ela efetua no mundo.

4.1.4. VONTADE, ESFORÇO E EXERCÍCIO

Ricoeur chama de esforço à necessidade da vontade de vencer a inércia corporal através da ação e, ainda mais intimamente, na necessidade do cogito de subjugar o corpo suficienteme nte para tornar o pensamento possível. O esforço é a culminância da dialética do voluntário e do involuntário no nível da ação. O limite ideal do movimento voluntário é o movimento sem esforço, a facilidade graciosa da liberdade em plena harmonia com seus órgãos. Neste sentido, a necessidade de esforço é em si mesma um sinal de desarmonia, de resistência do involuntário – seja como inércia da mente ou do corpo que devo superar em ato, ou como o impulso irrompido com o qual devo lidar. Mas a resistência não é absoluta: o próprio fato de que experimento resistência mostra que minha vontade, meu querer, se desenvolve em constante auto-exercício. A vontade não é uma seta monolítica, mas uma direção, fruto de trabalho e atividade. O involuntário se encontra sempre relativo a uma vontade e se dá à interação com o voluntário. Assim, construir hábitos dóceis de ação ajuda a vontade a conquistar tanto a inércia quanto o impulso.126 A ginástica é relevante para a ética. A

ética que é fruto de esforço e exercício pressupõe o involuntário como um agente que põe a vontade à prova de fogo. Isto a torna uma ética autêntica. Por outro lado, é o involuntário relativo da

emoção que ajuda a vontade a mobilizar seus recursos e a transpor a inércia do hábito e do costume,127 impulsionando a vontade a se abrir para novas experiências e novos mundos.

Em princípio, o hábito é o órgão que mais aumenta a eficácia da vontade, do querer, e livra a vontade da preocupação com os meios, capacitando-a para se focar nos fins. Ao dar-lhe este padrão de ação familiar e fácil, o hábito reforça a vontade. Mas o hábito é uma faca de dois gumes: pode propiciar a tentação e a oportunidade para uma degradação da vontade ativa. Sua espontaneidade pode se tornar em inércias: a vontade fraca ou cansada poderá ver neste padrão facilitador não apenas uma ferramenta para a ação efetiva mas também uma fuga da responsabilidade, um substituto para tal ação. Assim, a significação última do hábito (como também das habilidades pré- formadas e da emoção) depende do esforço que determina se a vontade as usa ou rende-se a elas.

A dialética nunca é a do puro esforço – comumente chamada de força de vontade – conquistando a pura emoção involuntária ou o hábito, mas antes é o esforço voluntário usando aspectos do involuntário para conquistar aqueles aspectos que se opõem numa situação dada. O esforço é um epítome da liberdade encarnada: liberdade apropriando-se de um corpo e de um mundo. Tanto na decisão como na ação o involuntário é um involuntário para uma vontade, contudo o querer é possível somente por razão do órgão involuntário de que ele se apropria. Apesar deste caráter primordial do esforço, a filosofia do esforço não é a totalidade de uma filosofia do homem.128 O idealismo da prática encontra seu limite na teoria, isto é, no conhecimento que não é simplesmente experiência de resistência mas uma presença de um outro genuinamente.

4.1.5. A RESPONSABILIDADE

A palavra responsabilidade expressa, sob a perspectiva de sua própria estrutura, a conseqüência inevitável, incond icional, de responder e assumir todas as conseqüências e implicações de suas decisões, não só para quem lhe indagar a respeito, mas talvez principalmente, no responder para si mesmo. Este é o caráter da responsabilidade a partir “de dentro” de sua própria estrutura. Apesar do fato de que o mundo das relações torna possível outras implicações no sentido de responsabilidade, permanece a esfera irredutível da responsabilidade no fato de que ninguém pode fundamentalmente responder por ela, justamente por seu ato não ser determinado nem por algo fora dela, nem por qualquer parte dela, mas pela totalidade centrada de seu ser. A exterioridade pode impor-me exigências, pode suscitar-me contingências inevitáveis que visam a minha

127 IDEM. Ibid., p. 294 128 IDEM. Ibid., pp. 313 a 318

determinação parcial ou total, mas nada disso tem o poder de roubar-nos de nossa capacidade de resposta.

No início deste capítulo, mencionamos que a vontade se faz com, junto com, ao mesmo tempo em que se estrutura em auto-integração. Isto evidencia o fato de que, em co-intencionalidade, construímos o mundo com o outro em constante inter-relação, inclusive com o deparar-se com o estranho. A palavra responsabilidade implica em ter que “responder a”. Cada um tem que responder ao outro e ao mundo. Ao mesmo tempo, cada pessoa tem a capacidade de responder às situações lhe acontece através do centro de seu eu., sede e órgão de sua liberdade. A responsabilidade é nossa incondicionalidade de ter que responder a nós mesmos sobre nossa decisão ou sobre uma situação, pessoalmente ou em grupo. Não é uma resposta epistemológica de aplicar idéias, pois a decisão é feita pela totalidade concreta de nosso ser, de nosso sujeito. É uma resposta que envolve tudo que sou. O tudo completo.129 Assim, o homem é sempre resposta para a vida, para si, para o outro e para Deus.

A pessoa decide-se com sua totalidade e terá de responder com sua totalidade. Não há como somente parte dela decidir e somente parte dela ser responsável. A liberdade é a experiência de um ser sempre total e a vontade permanece intimamente implicada à sua condição. Assim, é neste contexto que a vontade deve ser compreendida em contraste com o destino. Como vimos, nosso destino é aquilo a partir do qual surgem nossas decisões. É a base indefinidamente ampla de nossa individualidade centrada. É a concreticidade de nosso ser, que torna todas as nossas decisões, nossas decisões. Quando tomo uma decisão é a totalidade concreta de tudo o que constitui meu ser que decide e não um sujeito epistemológico. O que faço com meu corpo, com meus impulsos psíquicos e com meu espírito, incluindo as comunidades às quais pertenço, o passado não recordado ou recordado, o ambiente que me moldou, o mundo que causou um impacto sobre mim e todas as minhas decisões anteriores. Tudo isto é meu destino. A concreticidade do meu ser.

Destino não é um poder estranho que vem a mim e que determina aquilo que irá me acontecer. É minha própria pessoa formada pela natureza, pela história e por mim mesmo. Nosso destino é a base de nossa liberdade. É a liberdade que participa na estruturação do destino. O destino está em polaridade com a liberdade, não sendo seu oposto, mas apontando suas condições e limites. Nossa vontade está todo tempo inserida na dinâmica polar entre liberdade e destino. Mas a base de nosso poder volitivo é sempre a liberdade. O destino só pode ser realidade para um ser que é fundamentalmente livre. As coisas não têm destino porque não têm liberdade. Deus não tem

destino, porque ele é liberdade. Mas, no homem, se liberdade e destino são polaridades ontológicas,130 tudo o que participa do ser deve participar desta polaridade, através de uma centralidade que é livre no sentido de deliberação, decisão e responsabilidade.

Esta mesma dinâmica pode ser observada na polaridade espontaneidade e lei. Espontaneidade é a atuação que nasce no eu. Uma reação a um estímulo é espontânea se procede da totalidade centrada e auto-relacionada de um ser – uma reação de acordo com sua estrutura individual. Mas espontaneidade não é uma atuação auto-suficiente e independente como pensamos. Ela está em interdependência com a lei e só pode ser entendida em contraste com a lei. É a lei que torna possível a espontaneidade. A lei é lei só porque determina reações espontâneas. Cada ser age e reage de acordo com a lei de sua estrutura auto-centrada e de acordo com as leis das unidades mais amplas nas quais ele se acha incluído. Contudo, não é determinado de tal forma que a sua auto-relação, e conseqüentemente sua espontaneidade, fiquem destruídas. Exceto no caso das equações abstratas da macrofísica, o cálculo lida com o acaso, e não com mecanismos determinados. As chances de verificação podem ser surpreendentemente grandes, mas não são absolutas. A analogia com a liberdade em todos os seres torna impossível uma determinação absoluta. As leis da natureza são as leis para unidades auto-centradas com reações espontâneas. A polaridade de liberdade e destino, em última análise, é válida para tudo o que é.

4.1.6. O CONSENTIMENTO

O consentimento é um importante nível na dinâmica das esferas estruturais da vo ntade. Esta esfera é suscitada pela inevitabilidade do involuntário absoluto. Vimos que o involuntário não somente possui um caráter relativo devido a sua relação com o voluntário mas possui também um caráter absoluto devido a elementos como acidentes do tipo de caráter pessoal, do inconsciente e até a pura vida biológica, nascimento e morte, ou seja, fatos que não posso mudar.131

O consentimento é a esfera da vontade que me mantém cônscio de que sou uma liberdade encarnada. O consentimento faz emergir claramente o que me surpreende como estando implícito, a saber, o contraste entre as projeções da liberdade em toda sua força e os limites que toda liberdade deve encarar passo a passo, pois liberdade é sempre liberdade motivada. O consentimento possibilita minha resposta em situações nas quais se faz necessário encurtar o ideal de uma liberdade onisciente, totalmente racional, porque age no tempo e espaço, na base de um conhecimento que está sempre incompleto, e seus atos sempre envolvem um elemento de risco.

130 IDEM. Ibid., p. 159

Similarmente, também me torna capaz de lidar com exigências limitadoras do ideal de uma liberdade sem esforço, graciosa, em plena harmonia com seus órgãos – seja com os olhos da cautela, seja com olhos destemidos do ‘apesar de’. Seja como for, o que não falta para o consentimento é o senso de lucidez que, apesar de tudo, torna a vontade sempre capaz de responder com seriedade tanto à infinitude quanto à finitude humanas. Dessa forma, através da decisão, do esforço e do consentimento, o caráter livre da vontade pode unir os pólos separados pelo entendimento, pode tornar-se atual abraçando a particularidade, pode ser, afinal, uma vontade encarnada quer em suas limitações quer em sua grandeza. A esfera do consentimento tem implicações diretas com possibilidade ou não da alienação da vontade, como veremos mais adiante.

Podemos destacar um exemplo no qual a atuação do consentimento se dá. O consentimento aparece quando o projeto, no sentido estrito de correlato da decisão, não é constitutivo do futuro, mas participa nele. A temporalidade futura da consciência não é redutível a permanecer restrita apenas à sua aptidão para fazer projetos. É importante resolver esta ambigüidade mantida por um uso semi-descritivo e semi-transcendental de expressões tais como “consciência como um projeto”, “consciência como um impulso”, etc. Juntamente com a temporalidade em geral, a temporalidade futura da consciência pertence mais à ordem do involuntário absoluto, à ordem do inevitável, já que ela muda aquilo que posso querer na forma de projetos e cuja execução a vir depende de mim consentir, como se fosse uma condição que não posso querer absolutamente.

A consciência que projeta no futuro é a mesma que consente ao “tempo” da duração, e ao bom transcorrer desse “tempo”, seu cumprimento e desdobramento final.132 Aos olhos da sabedoria que se mantém ao nível da consciência tal como se apresenta, é essencialmente inútil supor uma gênese conceitual da temporalidade futura por uma consciência transcendental - seria nada mais que um puro jogo mental. Tal sabedoria é aquele tipo de consciência que age dentro do contexto de uma

Benzer Belgeler