• Sonuç bulunamadı

A Content Analysis Of Artvin Cerattepe Events In The Context Of Digital Activism

3. Dijital Toplum ve Dijital Aktivizm

Inicialmente devemos notar que o conceito de signum circunscreve a idéia de que são conceitos ou intenções da alma, e, portanto, diferentes dos elementos que revelariam uma função cognitiva das coisas que existem, individualmente, no contexto extramental, a saber, as palavras, quer falada ou escrita184.

Essa forma de enxergar o conceito de signum, como ressalta Ghisalberti185, o coloca na via do conceito como uma imagem, dotando-o de uma nova perspectiva filosófica que se alinha com alguns sistemas contemporâneos.

Na primeira parte da Summa Logicae, temos um estudo detalhado acerca do signo, o qual é denominado de termo geral, sua divisão em arbitrário ou natural, apontando-o como um instrumento utilizável em qualquer forma de linguagem. E é justamente nessa interface que observamos duas possibilidades de significação do termo “signum”, a saber, que ele é aquilo que indica ou dirige ao conhecimento de

coloca um programa, aos moldes do que é relatado por Spade como sendo um „programa de redução ontológica‟ dividido em dois níveis. A esse respeito Cf. SPADE, P. V., Three Versions of Ockham‟s Reductinist Program. In.: Franciscan Studies, 56 ,1998, p. 347-358; e, do mesmo autor, 1999, p. 104. O primeiro poderia ser determinado como um nível ontológico, o qual é marcado pela rejeição completa de determinadas entidades, com exceção das coisas singulares. Já frente ao segundo nível, poderíamos dizer que, necessariamente, teríamos de ter, para a ontologia descrita no nível anterior, uma estrutura semântica compatível e, portanto, esse nível terá de desenvolver uma estrutura lingüística que irá permitir falar acerca do mundo sem que novos tipos de entidades, portanto de ontologias, sejam postuladas. Assim, segundo Spade, será a teoria da conotação que irá apresentar, no âmbito do nominalismo ockhamiano, de desenvolver uma significação lingüística capaz de compatibilizar o mundo da realidade com o mundo da linguagem; Cf.: SPADE, 1999, p. 104 e, também, LEITE JÚNIOR, 2007, p. 18-19.

184 Essa noção é vista como a primeira marca do nominalismo escolástico de acordo com ZARKA,

Yves-Charles. “Signe, supposition et dénomination: figure du nominalisme au XVII e siècle”. In: Revue

des sciences philosophiques et theologiques. Paris: VRIN, 1988, p. 263-272. Em suas palavras:

“La première démarche du nominalisme scholastique consiste à séparer les signes – les concepts ou

intentions de l‟âme et les mots proférés ou écrits – que relèvent de la fonction cognitive, des choses telles qu‟elles sont hors de l‟âme dans l‟individualité essentialle de leur existence”.

alguma coisa, além de possuir a capacidade de supô-la e juntar-se a ela numa proposição, conforme afirmamos anteriormente. Entrementes, esse é somente um dos sentidos relativos á noção de signo. Na construção elaborada na Summa podemos observar um segundo sentido, ou seja, o „signo‟ é visto como um substituto, portanto, sua função vem da suposição, ou seja, de substituir uma determinada propriedade, portanto, esse se apresenta como sendo seu sentido geral, remeter á capacidade de supor.

Uma noção específica de signo é pode ser observada quando de sua relação com a noção de „termo‟. No modelo ockhamiano podemos notar, conforme visto anteriormente, três significações do conceito „termo‟ ao nível proposicional. Em sua visão Ockham nos apresenta a noção de termo como algo ou parte elementar de uma proposição, definindo-o como “aquilo em que a proposição se resolve, como o que é predicado e o de que é predicado, unido ou separado, pelo ser ou pelo não- ser”186. Disso decorre sua divisão das orações em escrita, proferida e concebida e, por conseguinte, na divisão dos termos em escritos, orais e mentais. Essa divisão, parece concorde com as noções de Boécio, embora as implicações oriundas desse sistema difiram muito da construção erigida pelo autor da Consolação da Filosofia. Se de um lado temos essa aproximação ao sistema boeciano, por outro, podemos notar uma aparente concordância com o sistema agostiniano. Essa se daria frente à noção de termos mentais, onde Ockham afirma que deles podemos dizer “não serem de língua alguma, porque permanecem apenas na mente e não podem ser proferidos ao exterior, embora as palavras faladas (voces), como sinais subordinados a eles, se pronunciem exteriormente”187.

Com base nessa visão, teremos as três divisões dos tipos de signos assim expressas por Ockham:

O termo escrito é parte da proposição descrita em algum corpo, e que é vista ou pode ser vista pelo olho corporal. – O termo proferido é parte da proposição proferida, sendo-lhe próprio o ser ouvida pelo ouvido corporal. – O termo concebido é intenção ou paixão da alma,

186 . “Definiens enim terminum Aristoteles, I Priorum, dicit: “Terminum voco in quem resolvitur

propositio, ut praedicatum et de quo praedicatur, vel apposito vel diviso esse vel non esse”. OCKHAM, Summa Logicae. Op. Cit., C. 1, 5-8, p. 7

187

“Unde isti termini concepti et propositiones ex eis compositae sunt illa verba mentalia quae beatus

Augustinus, XV De Trinitate [c 10, n 19; c 12, n 22; c 27, n 50; PL 42, 1071], dicit nullius esse linguae, quia tantum in mente manent et exterius proferri non possunt, quamvis voces tamquam signa subordinata eis pronuntientur exterius”.OCKHAM, Summa Logicae. Op. Cit., C. 1, 21-25, p. 7.

significando algo naturalmente, sendo específico ser parte da proposição mental e supor por ela.188

Essa estrutura nos demonstra a noção, clara, da diferença dos signos lingüísticos, orais e escritos, de um lado, e os mentais, de outro189. Do lado dos signos mentais, temos uma implicação de modo natural e necessária. Do lado dos signos orais e escritos, teremos uma implicação de modo convencional, arbitrária e voluntária. Assim, a noção de signo não se apresentaria como algo „representativo‟, mas, sim, como algo que produz na mente humana uma intelecção ou uma significação. Ao inserir as noções de signo no contexto proposicional, ou seja, como signo lingüístico, ele torna-se objeto da lógica. Por isso ocorre uma estreita ligação, em vários momentos, da noção de „termo‟ e de „signo‟, mesmo que tenhamos a certeza de que tais noções não sejam equivalentes.

Essa noção demonstra que as palavras não evocam á mente as coisas conhecidas, ou seja, elas evocam primeiramente um intermediário, um conceito que corresponde ao objeto do mundo extramental190. O signo, portanto, recebe a sua capacidade de significar, ele é colocado como um instrumento capaz de assumir o lugar de uma coisa real, um objeto extramental, no âmbito do discurso. Por esse motivo, deixando-se de existir o referente no mundo real, o signo perde a sua capacidade de significar, ou seja, sua capacidade de significação não remete a mais nada191. Nas palavras de De Libera: “um signo é uma coisa singular à qual necessita

188“Terminus scriptus est pars propositionis descriptae in aliquo corpore, quae oculo corporali videtur

vel videri potest. - Terminus prolatus est pars propositionis prolatae et natae audiri aure corporali. - Terminus conceptus est intentio seu passio animae aliquid naturaliter significans, nata esse pars propositionis mentalis et pro eodem nata supponere”. OCKHAM, Summa Logicae, Op. Cit., I, c. I, p. 8.

189 A esse respeito trataremos de forma mais detalhada no item 4.4 do nosso presente trabalho. Nele

apresentaremos uma figura que irá representará as nuanças e implicações dessas teorizações frente à estrutura da linguagem mental.

190 Cf. BOEHNER, Ph. Ockham‟s Theory of Signification. In: Franciscan Studies. New York: The

Franciscan Institute St. Bonaventure University 6, (1946), p. 143-170.

191 A esse respeito Cf. OCKHAM, Guillelmi de. Expositio in librum perihermeneias Aristotelis. Ed.

por Angelus Gambatese e Stephanus Bronw. N. Y.: St. Bonaventure University, 1978. O. Ph. II,

Prooemium, § 2, 8-14, p. 347, onde ele afirma: “Hic primo notandum est quod non intendit

Philosophus quod voces omnes proprie et primo significant passiones animae, quase sint impositae ad significandum principaliter passiones animae. Sed multae voces et nomina primae intentionis sunt impositae ad significadum primo res, sicut haec vox „homo‟ imponitur primo ad significandum omnes homines et nonnisi quando sunt homines, ita quod quando cessant esse homines, cessant significari per hanc vocem „homo‟”.

de representar simultaneamente uma multiplicidade de outras coisas, ou a) por natureza ou b) por convenção”192.

Dessa estrutura vem a distinção dos signos em convencionais e naturais. Convencionais seriam os signos que remeteriam aos nomes de segunda imposição, ou seja, em sentido lato, significam nomes artificiais, mas, em sentido estrito, indicariam signos artificiais que não possuem correspondência na linguagem mental. Essa visão instaura na investigação lógica terminista uma espécie de causalidade psicológica, ou seja, todo signo que tem a propriedade de significar em geral ou de significar de uma forma lingüística particular, mediante uma intenção. É justamente essa causalidade psicológica, que remete ao signo e à sua propriedade, mediante a estrutura de uma virtus sermonis, o faz conhecer e reconhecer alguma coisa. Essa causalidade, portanto, nos remete a uma espécie de ato do conhecimento, ou seja, ela nos remete a alguma coisa da qual ela é signo. Portanto, nessa construção, notamos que o signo é uma realidade, uma coisa, pois somente poderá desempenhar seu papel se remeter a algo e se, ao mesmo tempo, for apreendido como signo. O signo não pode ser tomado por uma definição pois nem tudo o que nos provoca uma intelecção é signo. Se isso ocorre, a coisa mesma que seria apreendida, na medida em que causa conhecimento, seria um signo, quando, na realidade, ele é uma função193.

Por fim, cabe salientar que nessa estrutura acerca do conceito de „signo‟ vimos, conforme o que vem expresso na Summa Logicae, o estabelecimento de uma oratio mentalis ou conceptus, elemento constitutivo de uma espécie de discurso interior, o qual é parte do nosso intelecto. Essa estrutura da oratio metalis, que também é dotada de uma sintaxe e de uma semântica, demonstra uma estrutura composta por signos naturais, enquanto as linguagens oral e escrita compor-se-iam por estruturas formuladas mediante signos convencionais. Essa construção permite fazer a passagem do signo, que estiver em nossa mente, para as linguagens oral e escrita, movimento visto como algo natural, mas que pressupõe objetos nomeados por convenção, mediante as estruturas oriundas do conhecimento intuitivo e abstrativo. Essa estrutura, nesse ínterim, permite chegar à afirmação de que sem

192 DE LIBERA, Alain. Il problema degli universali: da Platone alla fine del Medioevo. Firenze: La

Nuova Italia Editrice, 1999, p. 368.

193 A esse respeito Cf. MICHON, Cyrille. Nominalisme – La théorie de la signification d’Occam.

linguagem não há pensamento, afirmação essa que somente é possível mediante noções de prioridade e descrição entre as possíveis relações entre palavra, conceito e coisas. Assim, postula-se uma espécie de gramática mental, a qual se apresenta anterior à linguagem convencional. Contudo, para melhor percebermos a formulação dessa estrutura, faz-se necessário o estudo, preliminar, das teorias acerca da significação, conotação e suposição.

Doravante, nos ocuparemos em descrever, de forma sucinta, essas teorias.