Partimos agora para a apresentação dos resultados da análise de conteúdo referente aos diagnósticos de enfermagem. Na figura seguinte está representada a parte do modelo de análise referente à categoria Diagnósticos identificados nos Pais: Alimentação, assim como as subcategorias representativas das dimensões, e as subsubcategorias representativas das suas especificações. Por exemplo, na subcategoria Conhecimento, o padrão alimentar pode ser considerado uma especificação necessária ao enunciado diagnóstico.
Instruir os pais a executar a técnica de alimentação por sonda gástrica (IntSAPE) Treinar os pais sobre técnica de alimentação por sonda nasogástrica (IntSAPE)
94 Figura 10 - Representação do modelo de análise de conteúdo referente à categoria Diagnósticos identificados nos Pais: Alimentação
Focalizamo-nos sobretudo na análise do juízo documentado, que é tradutor da opinião clínica do enfermeiro em relação ao foco da prática (ICN, 2011), uma vez que a discussão relativa às dimensões e especificações dos dados foi apresentada anteriormente. Como tal, e para efeitos de análise de conteúdo, nas subcategorias Conhecimentos – Juízo foram categorizadas todas as unidades de registo associadas à dimensão do conhecimento, dado que o nosso objetivo com esta análise centra-se na identificação dos diferentes juízos utilizados pelos enfermeiros associados ao conhecimento parental.
Os termos do eixo do juízo p ese tes as u idades de egisto catego izadas s o: o de o st ado , de o st ado e g au eduzido , de o st ado e g au ode ado , de o st ado e g au elevado e de o st ado e g au uito elevado , tal co o exemplificam as seguintes unidades de registo:
A CIPE versão beta 2 (2003) define o juízo não demonstrado como a negação de que um fenómeno de enfermagem seja evidenciado como um comportamento publicamente observável (ICN, 2003, p. 92). Já o juízo demonstrado significa que um fenómeno de enfermagem é evidenciado como um comportamento publicamente observável e a manifestação das características clínicas relevantes que lhe estão associadas é considerada ligeira (no caso de ser demonstrado em grau reduzido), mediana (grau moderado),
Papel Parental Conhecimento do regime alimentar Não Demonstrado (DxSAPE) Papel Parental Conhecimento dos pais sobre: alimentação Demonstrado, em grau reduzido
(DxSAPE)
Papel Parental Conhecimento dos pais sobre: alimentação Demonstrado, em grau moderado (DxSAPE)
Papel Parental Conhecimento dos pais sobre: alimentação Demonstrado, em grau elevado (DxSAPE)
Papel Parental Conhecimento dos pais sobre: alimentação Demonstrado, em grau muito elevado (DxSAPE)
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substancial (grau elevado) e extrema (grau muito elevado) (ICN, 2003, p. 92). Estes termos do eixo do juízo são inexistentes nas versões mais recentes da CIPE, assim como a sua classificação em diferentes graus.
Importa refletir sobre a opção de utilizar gradientes associados ao juízo. Se por um lado, esta opção permite a formulação de um juízo com uma quantificação menos generalizada, e, por isso, mais direcionada e específica, por outro, pode suscitar dúvidas quanto à sua interpretação, principalmente se não existirem critérios claros e uniformemente definidos pelos utilizadores, que permitam perceber a opção tomada pelo grau do juízo. No processo de enfermagem, a modificação do juízo sobre o diagnóstico de enfermagem é essencial para a produção de resultados de enfermagem. Esta tradução em graus, não estando suportada por critérios que possibilitem a comparabilidade entre os graus do juízo, compromete a interpretação dos enunciados diagnósticos e a produção de indicadores de resultados de enfermagem. Nos exemplos dos diagnósticos de enfermagem transcritos acima, não se percebe quais são os dados da dimensão do conhecimento que permitem esta diferenciação em graus e quais foram os critérios utilizados para a quantificação de cada um deles.
Já nas unidades de registo das categorias Habilidades – Juízo estão presentes os termos do eixo do juízo: o de o st ado , i te o pido e depe de te .
Aqui surgem dois novos termos do eixo do juízo. Segundo a CIPE versão beta 2 (2003), Interrompido trata-se da afirmação de que o fluxo ou continuidade do fenómeno de enfermagem está em rutura (ICN, 2003, p. 98). Já a versão 2011 da CIPE (2014) define-o como algo que está suspenso temporariamente. O juízo Dependente centra-se na afirmação de que alguém está dependente de alguém ou de alguma coisa para ajuda ou suporte (ICN, 2003, p. 92). Nos exemplos acima, entendemos que no primeiro os pais não demonstram habilidades para alimentar a criança; no segundo essas habilidades foram interrompidas; e no terceiro os pais estão dependentes de alguém ou de algo para alimentar a criança, necessitando de apoio ou suporte.
Parece-nos haver alguma similaridade de significados entre o Não demonstrado e o Interrompido, uma vez que ambos nos transmitem uma leitura negativa em relação às habilidades dos pais, que não se encontram presentes, eficazes ou demonstradas. No que
Papel Parental Aprendizagem de Capacidades dos pais para alimentar a criança Não Demonstrado (DxSAPE)
Papel Parental Aprendizagem de Capacidades dos pais para alimentar a criança. Interrompido (DxSAPE)
Papel Parental Aprendizagem de Habilidades dos pais para Tomar Conta da alimentação da criança Dependente (DxSAPE)
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se refere ao conceito de Dependência, este já se direciona mais com o efeito que o juízo negativo sobre a ausência de habilidades para alimentar a criança tem nos pais, ou seja, ficam dependentes de algo para realizar essa tarefa.
Salientamos, ainda, que no âmago de necessidades especiais permanentes, quer sejam ao nível da alimentação ou de outra necessidade, existem duas realidades com que os enfermeiros podem contactar: pais de crianças com necessidades especiais permanentes inaugurais ou já estabelecidas. Ou seja, as intencionalidades terapêuticas de enfermagem diferem nestes dois contextos, uma vez que quando se inauguram necessidades especiais permanentes, a intencionalidade centra-se no desenvolvimento de conhecimentos e habilidades. Os pais passam a ter de lidar, pela primeira vez, com a existência dessas necessidades, que coincide com o i ício da t a siç o de u a pa e talidade dese volvi e tal pa a u a pa e talidade co ple a . Po out o lado, ua do as necessidades especiais permanentes já existem, as intencionalidades vocacionam-se sobretudo para a melhoria das competências parentais, uma vez que os pais já apresentam algum conhecimento e capacidades para a satisfação das necessidades da criança. A nossa proposta de diagnósticos de enfermagem é sensível a estes dois contextos, pelo que os diagnósticos que se centram no desenvolvimento de conhecimentos e capacidades direcionam-se para os pais de crianças que inauguram no momento do internamento necessidades especiais permanentes, enquanto que os diagnósticos que se centram na melhoria de conhecimentos e capacidades são relativos aos pais de crianças que antes do internamento já apresentavam as mesmas necessidades especiais permanentes e, como tal, o internamento representa uma oportunidade para melhorar algumas dessas competências, ajudando os pais a alcançar a mestria.
Apresentamos, agora, sob a forma de esquema a nossa proposta de diagnósticos de enfermagem centrados na categoria relativa às necessidades de alimentação da criança. De notar que, neste capítulo, iremo-nos centrar nas propostas dos enunciados diagnósticos, sendo que alguns dos aspetos associados às opções tomadas, aquando do processo de construção dos mesmos, encontra-se devidamente fundamentada na Conclusão deste relatório. Como já referimos, todo o processo de criação dos diagnósticos de enfermagem relativos a esta categoria, e às restantes, encontra-se representado sob a forma de tabelas no Anexo VI. Todas as terminologias utilizadas para a formulação da sintaxe diagnóstica encontram-se com os respetivos códigos, com a exceção de alguns termos que não existem na versão da CIPE utilizada. Relembramos que para formulação dos diagnósticos de enfermagem utilizamos a CIPE versão 2015, enquanto modelo semântico, e a norma ISO 18104, enquanto modelo organizador.
97 Figura 11 - Proposta dos diagnósticos de enfermagem relativos à Alimentação
Importa salientar que, ao longo da nossa proposta, por uma questão prática, optamos por utilizar recorrentemente o termo mãe-pai, com o código 10014023 e o termo criança, com o código 10004266. Contudo, salvaguardamos que, no contexto pediátrico embora seja frequente a mãe (10027257) ser o cuidador principal, pode ser também o pai (10027261), ou até mesmo outro membro da família, como a avó (10021630), o avô (10021624), entre outros. De igual modo, o cliente pediátrico, para além da criança, pode ser o recém-nascido (10013187), o lactente (10010060) ou o adolescente (10001862), dependendo do estádio desenvolvimental. Isto para salientar que apesar de termos optado por utilizar estes dois termos – mãe/pai e criança – nas sintaxes propostas, qualquer um deles pode ser substituído pelo referido termo equivalente, consoante o contexto específico com que o enfermeiro contacta. Ou seja, no diagnóstico proposto Potencial para desenvolver o conhecimento da mãe/pai sobre padrão alimentar ou de ingestão de líquidos
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da criança os termos mãe/pai e/ou criança podem ser substituídos por aqueles que melhor se adaptam à situação, podendo ser, por exemplo: Potencial para desenvolver o conhecimento da avó sobre padrão alimentar ou de ingestão de líquidos do recém-nascido.
Salientamos, ainda, que apesar de no nosso modelo de análise utilizarmos o termo ha ilidades , trata-se de um conceito que não existe nas versões mais recentes da CIPE, pelo que o substituímos, na formulação dos diagnósticos propostos, pelo termo classificado capacidade . Opt os po utiliza este te o e det i e to do te o ap e dizage de capacidades , uito utilizado os egistos de e fe age a alisados. Esta decisão baseou- se no significado destes dois termos. A aprendizagem de capacidades centra-se, sobretudo, no processo de aprendizagem, ou seja, mais ao nível de processos cognitivos, enquanto a capacidade, por se tratar de um status associa-se mais à condição da pessoa, agregando focos mais específicos como a capacidade para desempenhar um papel ou a capacidade para alimentar-se (ICN, 2014), que, transpondo para o contexto da pediatria, se encontra no mesmo nível que a expressão por nós utilizada: capacidade para alimentar alguém.