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6. BULGULAR

6.2. Diferansiyel Tarama Kalorimetresi (DSC) Ölçüm Sonuçları

Debemos comprender al individuo viviendo en su cultura, y a la cultura como vivida por indivíduos.67

Segundo uma concepção desenvolvida de várias maneiras pela antropóloga Ruth Benedicth, a cultura é uma lente pela qual as pessoas podem ver o mundo, é uma marca da ação do ser humano no meio ambiente e nas estruturas sociais na qual se encontra inserido68.

Ao versar sobre as culturas no livro organizado por Paulo Suess69, com a contribuição de vários autores, Roque de Barros Laraia desenvolve uma idéia de outro antropólogo americano, Clifford Geertz70, resumindo nestas palavras: “ser humano não é ser Homem (com H maiúsculo), mas ser homem (com h minúsculo)”71. Ou seja, ele afirma que “ser humano é pertencer a uma das inumeráveis culturas que existem na face da terra. (...) Com isto, Geertz derruba o postulado iluminista do Homem universal, o Homem com H maiúsculo, o Homem natural, que se escondia debaixo das roupagens culturais”72. O mesmo conceito que praticamente está constituído através da noção de uma ‘racionalidade ao padrão de cultura’,

67

Cf. BENEDICT, Ruth. El hombre y la cultura: investigación sobre los orígenes de la civilización

contemporânea, p. 9.

68

BENEDICT, Ruth. O crisântemo e a espada: padrões da cultura japonesa.

69

Cf. SUESS, Paulo (org). Culturas e evangelização – a unidade da razão evangélica na multiplicidade de suas

vozes: pressupostos, desafios e compromissos.

70

Clifford Geertz é conhecido em diversos espaços acadêmicos, na antropologia, assim como em outras disciplinas. Organizou e vivenciou extensas experiências de pesquisas de campo, das quais empreende toda sua proposta antropológica de descrição das culturas. Seu primeiro trabalho de campo foi com o propósito de estudar a religião. Mostrou, através de seus ensaios, que as culturas podem ser lidas como texto. Ministrou aulas e dirigiu ações de orientações de teses e pesquisas em estados pós-coloniais da África e Ásia. Essas entre outras, experiências vivenciadas por Clifford Geertz, desencadearam na escrita de várias obras, entre as quais destacamos a Interpretação das Culturas, de 1973, na qual encontramos os conceitos chaves na sua teoria.

71

Cf. LARAIA, Roque de Barros. In: SUESS, Paulo. Culturas e evangelização, Op. cit. p. 13.

72

no qual M. Foucault se detém para contrariá-la73. Utilizando-se do conceito de cultura em Weber, Geertz considera que o homem é um animal amarrado a uma teia de significados que ele mesmo teceu. A cultura é essa teia de significados. Portanto, a cultura expressa:

Um padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de concepções herdadas expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas atividades em relação a vida.74

Aliás, o próprio termo cultura não aceitou tantas alterações, ou não se conjugou tanto no plural, poder-se-ia dizer que fora mais concebido no singular de que propriamente no plural. O que pode implicar metodologicamente assumir também uma idéia de “Cultura universal”, até mesmo por isso refletida como “superior” às “outras culturas”. No entanto:

Nenhuma cultura, em si, é superior à outra. A “superioridade tecnológica” ou a escrita, por exemplo, representam apenas uma das variáveis culturais, que os respectivos povos, muitas vezes, pagam com um desequilíbrio ético, social ou comunicativo. O conceito “cultura” não é normativo, é distintivo. As culturas representam diferenças complementares. Isso distingue o conceito “cultura” do conceito de “classe”. Na “luta de classe” se enfrentam forças antagônicas. Estas, é claro, podem desencadear uma dicotomia no interior do campo cultural (cultura do opressor versus cultura do oprimido). 75

Na mesma obra organizada por Suess, um pouco mais adiante, Leonardo Boff refletindo sobre ‘Evangelizar a partir das Culturas Oprimidas’, faz uma delimitação semântica de ‘Cultura e Culturas’, destacando os ‘conflitos nas culturas’. Mas, Leonardo Boff difere sua compreensão da concepção clássica marxista de ‘conflitos de classes’.

No nível político se dão relações sociais de poder que se apresentam como autoritárias, ditatoriais, carismáticas, democráticas, relações que podem ser de apropriação, expropriação, controle, consolidação ou enfraquecimento de interesses, imposição de princípios reguladores de condutas de grupos sobre outros. É aqui que apontam os conflitos nas culturas, havendo culturas dominantes, culturas subalternas, culturas do silêncio, culturas populares etc. Não captar os conflitos dentro das culturas, particularmente nas nossas históricas que são culturas da

73

‘Seria mais prudente não considerarmos como um todo a racionalização da sociedade ou da cultura, mas analisá-la como um processo em vários campos, cada um dos quais com uma referência a uma experiência fundamental’ (Cf. FOUCAULT, M. O sujeito e o poder, sem paginação. No prelo).

74

Cf. GEERTZ, Clifford. A religião como sistema cultural – in: A interpretação das culturas, p. 66.

75

desigualdade, é mascarar um dado fundamental que é decisivo para um processo de libertação e uma autêntica evangelização. 76

Ruth Benedict também aprofunda a reflexão, trazendo à tona aquilo que é preponderante considerar a partir deste cenário que envolve a relação com a nossa construção cultural como herança e transmissão da tradição:

El corolario de ello para La política moderna es que no hay base para el argumento de que podamos confiar nuestras conquistas espirituales y culturales a gérminoplasmas hereditários seleccionados. En nuestra civilización occidental, la dirección há pasado sucessivamente, en diferentes períodos, a los pueblos de habla semita, a los camitas, al sub-grupo mediterráneo de ba raza blanca, y posteriormente al nórdico. No hay Duda sobre la continuidad cultural de la civilización, cualesquiera que sean en un momento dado sus portadores. Debemos aceptar todas las implicaciones de nuestra herança humana, de las cuales una de las más importantes es el alcance reducido de la conducta biológicamente trasmitida, y el papel enorme del proceso cultural de la transmisión de la tradición. 77

Assim, torna-se pertinente a discussão sobre como se dão muitos processos de evangelização de caráter formativo-educacionais78, onde ainda impera certa preferência normativa pela via de ‘doutrinação dos costumes e das práticas pedagógicas’, ou seja, baseando-se mais em normas, doutrinas religiosas que propriamente em práticas de ensino- aprendizagem e também transmissão de conhecimentos herdados e assumidos. Assim, vemos ainda ocorrerem conflitos por não relevarem no dinamismo da autonomia do pensar alguma postura que percorre por outras ditas não-oficiais. Contra tal postulado de ‘desqualificação profissional frente assuntos relativos aos processos que passam da luta dos direitos humanos, pelo viés cultural e religioso’79 em projetos político-pedagógicos que aludem pela via da ética, da defesa da vida, da liberdade religiosa, mas nem sempre apresentam práticas assumidas como verdadeiras. Junto a estas, outras tantas posturas, implicaram em complicações práticas quanto aos fatores determinantes de como se concebe o ‘ser humano’, ou o modo como se

76 Ibid. Culturas e evangelização, p. 129.

77

Cf. BENEDICT, Ruth. El hombre y la cultura: investigación sobre los orígenes de la civilización

contemporânea, pp. 30-31.

78

Como o exemplo de instituições que inserem no currículo escolar a disciplina de formação humana e cristão com mais enfoque catequético do que propriamente uma ‘formação religiosa’ no processo de aprendizagem.

79

Pois, desqualificam-se profissionais mais pela ênfase dos discursos que fazem ecos e demonstram-se caracterizar uma preferência por outras determinadas ênfases. Percebe-se em algumas posturas de fuga de assuntos delicados não a falta de pertinência nas abordagens, que é relativo, mas as dores da realidade que desmontam postulados (tais como a desigualdade, a discriminação, o preconceito e as várias exclusões).

entende os seres humanos e suas inter-relações e expressões culturais, também religiosas nas suas multidiversidades. Tais implicações trouxeram problemas que suscitam dificuldades para a afirmação de identidades particulares, trazendo para o debate a questão da identidade afro- brasileira como um exemplo e pressuposto de reflexão neste campo da reflexão teológica.

Benzer Belgeler