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EK 6 Psikolojik Danışma İlke ve Teknikleri: Duygu Yansıtma

1. DİKKATİ VERME (DİNLEME)

“O Império só conhece as precipitações e não a gota. Conhece os turbilhões e não a estrela. Conhece os desmoronamentos e não o grão. A espessura e não a luz. Conhece a tribulação da carne, o estertor e não, nunca, a Dor que incorpora e luta.” Maria Carpi (Nos Gerais da Dor)

O tratamento dispensado às pessoas com deficiência põe em evidência determinado sentido relacionado a certo juízo de valor, presente em todas as manifestações humanas. A toda adjetivação aplicada a uma pessoa ou ao seu comportamento, corresponde um julgamento moral, que representa, de fato, a hierarquização de valores na definição do melhor e do pior, do certo e do errado, do bom e do ruim.

Sobre isto descreve Goffman:

Enquanto o estranho está a nossa frente, podem surgir evidências de que ele tem um atributo que o torna diferente de outros que se encontram numa categoria em que pudesse ser incluído, sendo, até, de uma espécie menos desejável – num caso extremo uma pessoa completamente má, perigosa ou fraca. Assim, deixamos de considerá-lo criatura comum ou total, reduzindo-o a uma pessoa estragada ou diminuída. Tal característica é um estigma, especialmente quando o seu efeito de descrédito é muito grande – algumas vezes ele também é considerado um defeito, uma fraqueza, uma

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desvantagem – e constitui uma discrepância específica entre a identidade social virtual7e a identidade social real8 (1988, p. 12).

Goffman (1988), ao discutir questões relacionadas ao estigma, aponta que as características que estigmatiza alguém é o que pode confirmar a “normalidade de outrem”. O estigma não existe, sumariamente, a partir de características como a cor

da pele, um defeito físico etc., mas sim em um sistema de relações. O que importa é o fato de não ser o esperado por um grupo social. É, portanto, a relação entre o atributo e o estereótipo. Para o autor, há alguns atributos, como a deficiência intelectual, que em quase toda a sociedade ocidental levam ao descrédito.

A presença de estigmas aponta para as seguintes características sociológicas: um indivíduo possui algum traço que faz com que ele seja visto no seu grupo social somente por isso, o que acaba desviando a atenção de seus pares do restante de suas qualidades. Este traço passa a ter uma dimensão extraordinária, impedindo que os outros vejam nesse indivíduo as demais características que seriam esperadas pelo grupo. Dessa forma, o indivíduo estigmatizado tem sua identidade social deteriorada, e quem convive com ele não o respeita.

A imagem que o grupo social ao qual o estigmatizado pertence faz com que ele acabe por tornar-se ser dotado de inferioridade (Goffman, 1988). E tal imagem social interferirá na constituição da subjetividade da pessoa deficiente.

Complementando sua análise, esse autor argumenta que o estigma não se realiza por dois grupos estanques de indivíduos, os “normais” e os “estigmatizados”,

mas sim por um processo social de dois papéis, dos quais cada um pode participar, em algum momento de sua vida ou em alguma situação.

Tanto os “normais” quanto os “estigmatizados” são gerados por situações

sociais. Por isso, aquele que é estigmatizado em uma circunstância determinada, exibe todos os preconceitos em relação a outros estigmatizados em outros aspectos. Isso pode ser observado entre os próprios jovens com deficiência intelectual que, algumas vezes, também discriminam seus pares ou outras pessoas com diferentes características estigmatizantes.

7O caráter que imputamos ao indivíduo poderia ser encarado mais como uma imputação feita por um retrospecto

em potencial – uma caracterização ―efetiva‖, uma identidade social virtual.

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As relações do estigmatizado com seu grupo social podem alterar-se em virtude dos cuidados que tanto um quanto o outro acaba tendo, isto é, atos que passariam despercebidos são supervalorizados, há um medo das palavras que acabam sendo muito escolhidas etc.

O estigmatizado, por isso, pode tornar-se agressivo, retraído, desconfiado. Outro fato relevante é o de poderem agir da forma como o grupo social espera que eles ajam, consolidando um papel ”ridículo”, que poderia não ser uma atitude sua.

Podem ainda, tentar criar situações que julgam ser um caminho para a aceitação social, como o contar piadas sobre suas características, fazer brincadeiras, avisar de suas dificuldades para obter essa aceitação. Podemos observar atitudes deste tipo nos adolescentes deficientes intelectuais que, em diversas situações, apresentam-se retraídos, “nos cantos”, quietos, ou, por outro

lado, tomando atitudes socialmente inadequadas quando se percebem observados. Em relação aos pais (e até mesmo aos irmãos), há situações públicas de angústia, nas quais eles se sentem na obrigação de vigiar o que o filho ou irmão está fazendo e, de outro lado, vigiar a atitude dos outros que estão em contato com ele, já que, muitas vezes, eles sabem que alguém pode ridicularizar ou magoar o

“deficiente”.

Os indivíduos com síndrome de Down possuem traços físicos que os estigmatizam. Os outros de seu grupo social passam a vê-los, em primeiro lugar, não como indivíduos com necessidades e desejos comuns aos do grupo social, mas através de estereótipos. As famílias dessas pessoas também são estigmatizadas e, com isso, passam pelos mesmos sentimentos e conflitos aqui relatados, não sabendo como agir nas diferentes situações sociais, como enfrentar os olhares, que limites estabelecer diante da educação dos filhos etc. Muitas vezes se organizam e se fecham em grupos que, se por um lado podem ser benéficos em relação à reivindicação de leis, direitos etc.; por outro, podem criar uma “couraça” de proteção

e, por conseguinte, de isolamento.

As atitudes dessas famílias em relação ao grupo social no qual vivem são, como as do estigmatizado, ambivalentes. Vivem em estado de alerta, camuflam as características da deficiência em algumas situações, em outras, fazem uso delas para obter vantagens. Ora confiam nos grupos de contato e, outras vezes, rejeitam- nos. Assim, a pessoa estigmatizada e além dela sua família, pode, muitas vezes,

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utilizar determinadas características da deficiência intelectual para justificar insucessos ou objetivos não alcançados, atribuindo esses insucessos às características estigmatizantes.

Se fizermos uma correlação do lugar que o indivíduo estigmatizado ocupa em seu grupo social com as proposições de Vygotsky (1989) a respeito da constituição da subjetividade, é possível supor que ele terá o desenvolvimento prejudicado pela forma como o grupo social encara esse indivíduo. Levando-se em conta que, em nossa cultura, o deficiente intelectual é visto como incapaz, é essa a representação que o grupo social vai tendo dele ao longo de seu desenvolvimento e os pais e os profissionais fazem parte desse grupo. Desta forma, o sujeito deficiente vai sendo excluído da aprendizagem e da formação de ZPDs, o que impede seu desenvolvimento e cristaliza um único modelo de identidade.

Benzer Belgeler