ŞÂNİ-ZÂDE’NİN İCRA ETTİĞİ MESLEKLER VE ETKİLERİ
3.6. DİĞER ÖZELLİKLERİYLE ŞÂNİ-ZÂDE
Voltando aos indicadores recolhidos na explicação referente a este debate, no capítulo II, o Brasil corresponde, claramente, ao perfil de potência emergente. Não que os recursos de que dispõe não sejam parte fundamental dos elementos caracterizadores da potência tradicional, mas há dois elementos fundamentais que faltam: recursos
militares (hard power) e indicadores económicos estáveis. Segundo o Banco do Brasil o
PIB nominal do país situava-se nos 882.4 biliões de dólares em 2005 e prevê-se que
esteja nos 2 617.0 biliões em 2012217. Quanto á taxa de crescimento do PIB, com valores
analisados por décadas, apresenta valores muito díspares: se na década de 60 (1961- 1970) o valor era de 6.17%, até á última década analisada (90-2010) os valores flutuaram - por ordem cronológica- entre: 8.63% (1971-1980), 1.57%(1981-1990), 2.54%(1991-
216
Cf. BURGES, Sean, «Building a global southern coalition: the competing approaches of Brazil's Lula and Venezuela's Cháves» in Third World Quarterly, vol. 28, nr. 7, 2007, pp. 1343-1358.
217
Vd. Léxico Técnico, Lextec, Instituto de Camões: indicador económico que corresponde ao valor monetário total dos bens e serviços finais produzidos num país num determinado período de tempo, normalmente um ano, representando assim as variações de preço e de quantidade de produção , pesquisa de 3 de abril de 2012, disponível online em : “http://www.instituto- camoes.pt/lextec/por/domain_10/definition/21358.html”.
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2000), 3.61%(2001-2010)218. Os indicadores existentes não são negativos e indicam
avanços no crescimento económico mas não apresentam solidez suficiente para serem considerados uma característica do perfil de poder brasileiro. Por isso não podem ser avaliados como elementos indicadores do Brasil como potência tradicional. Para além dos indicadores o seu acumulado histórico construiu uma identidade oposta á de tradicional. O Brasil assume-se como emergente e como reformulador/adaptador da ordem internacional existente.
Quanto ao hard power, é um dos elementos básicos de poder no perfil da potência tradicional mas não faz parte dos elementos de poder e formas de exercício de poder brasileiras. Não quer isto dizer que o Brasil não tem capacidade de defesa, mas os números mostram que o seu poder militar não é comparável com o de outros grandes poderes tradicionais e o seu interesse em investir no aumento das capacidades militares é diminuto. Assinou o tratado de Tatleloco bem como o Tratado de Não Proliferação (TPN). Por uma razão cultural as elites culturais e políticas brasileiras não consideram este tipo de poder como fonte de prestígio. Optam por um Brasil à margem dos conflitos armados e corridas armamentistas. Esta posição permite reforçar a imagem de poder estabilizador e pacificador regional219. Imagem que o Brasil explora pois, por questões regionais e materiais, hard power não sendo uma opção é através de estratégias de
tomadas de decisão que se legitima como “peaceful giant”220.
Segundo Gratius a potência emergente define-se pelo processo e não por si mesma, qualquer potência que está em vias de transformar a sua posição numa mais elevada é uma potência emergente, a situação atual do Brasil é claramente esta, de
transformação em emergência221.
Para Souto na segunda metade do século XX as duas maiores preocupações da política externa brasileira eram o desenvolvimento económico e a aliança com o
218
Cf. BANCO DO BRASIL- informação extraída do world economic outlook database – FMI/Setembro de 2011 IBGE, valores para 2011 e 2012 estimativa do FMI- disponível em http://www.bcb.gov.br/?INDECO pesquisa de 2 de abril de 2012 ; para os valores da taxa de crescimento do PIB conferir Banco do Brasil, Indicadores económicos consolidados, Produto Interno Bruto e taxas médias de crescimento, pesquisa de 2 de abril de 2012,disponível online em :http://www.bcb.gov.br/?INDECO.
219
Vd. DE LIMA, Maria Regina Soares, e HIRST Mônica, «Brazil as an Intermediate State and Regional Power: Action, Choice and Responsibilities» in International Affairsnr. 82, 2006, pp. 21-40.
220
Cfr. SUAREZ, Prof. Dr. Marcial A., «New Brazilian Foreign Policy, from soft to hard power? » working paper, ISA/WISC, 2001.
221
Cf. GRATIUS, Susanne, «Las Potencias Emergentes: Estabilizadoras o Desestabilizadoras?» in
Ocidente222. A aproximação aos EUA e adesão ao consenso de Washington geraram uma indefinição sobre a posição que o Brasil iria defender e o caminho tomado quanto ao poder. Com o governo Lula, assertivo e declaradamente disposto a reforçar a institucionalização do Mercosul e garantir a soberania do país o Brasil assume-se como verdadeiro emergente. Para o desenvolvimento que necessita para consolidar o seu poder a ação diplomática serve os interesses domésticos. A política exterior espelha a defesa da democratização das relações internacionais e estimula os elementos multipolares. Mantém fortes laços com outros países considerados emergentes e presença em fóruns Sul-Sul ou Sul-Norte, como G20, IBAS, BRICs, IBSA. Prefere adotar discurso de potência emergente do que de grande potência. Entre os poderes emergentes os instrumentos utilizados na busca de consolidação de poder variam um pouco, devido aos seus contextos históricos, regionais, culturais e de recursos tão
diferentes mas voltando aos nossos indicadores o soft power é cada vez mais relevante,
e este é identificado pela mídia como parte da ação brasileira no exterior223.
No entanto os poderes emergentes enfrentam vários obstáculos no seu reconhecimento a nível internacional: resistência dos poderes estabelecidos em aceitá- los como iguais, instituições internacionais formatadas para manter a estrutura de poderes existente; falta de construtivismo por parte dos emergentes, que ganhariam seguidores ao incluir crenças e normas ideacionais nos seus projetos; o liberalismo deveria ser implantado nos emergentes pois pressupõe-se que em democracia os interesses dos grandes grupos internos são representados a nível de política externa, o que confere coerência e apoio ás políticas exteriores postas em prática. Para Schirm há ainda outro fator, a emergência só pode ser reconhecida pela aceitação dos followers
desse poder como emergente. A aceitação pode ser “negociada”. Schirm aborda quatro áreas de análise para verificar a aceitação a nível internacional dos poderes emergentes como líderes: aceitação de nacionais de países emergentes para cargos de chefia, novas
estruturas de governanças, performance dos poderes emergentes em relação ao
comércio mundial, desempenho na integração regional224. Embora analise o Brasil e a
222
Cf. SOUTO MAIOR, Luiz A. P. «O Brasil e o regionalismo continental frente a uma ordem mundial em transição.» Revista Brasileira de Política Internacional, vol.49, n.2, ISSN 0034-7329, 2006, pp. 42-59.
223
Cfr. BBC Brasil, “Interesse por cultura brasileira cria chance de fortalecer economia via 'soft power'” , Rodrigo Pinto, actualizado 4 de abril 2012, pesquisa de 6 de abril de 2012, disponível online em : http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/04/040423_brazilian_softpower01_rp.shtml.
224
No momento em que este trabalho está a ser feito há um grande debate em torno do nome do próximo director do Banco Mundial; pela primeira vez há mais do que um candidato: o tradicional
146
Alemanha em paralelo referimos apenas as conclusões quanto ao Brasil pois é o relevante para o nosso estudo: o Brasil tentou sem sucesso ganhar uma posição de
chefia na Organização Mundial do Comércio225; Os G4 ainda não conseguiram ascender a
lugares permanentes no Conselho de Segurança; falhanço do Brasil em Cancún. Quanto ás iniciativas regionais menciona tanto o Mercosul como a ALCA que não atingiram os resultados esperados226.
Segundo este autor a chave para o sucesso dos poderes emergentes, incluindo Brasil, está nas suas relações regionais. Deve ser apoiado pelos seus vizinhos para fortalecer a sua posição e, simultaneamente, incluir nas suas estratégias pontos que sejam do interesse destes para ganhar o seu apoio.
A posição de Schirm é bastante importante do ponto de vista analítico pois faz uma ligação muito forte entre o conceito de poder emergente e poder regional. Este tipo de análise permite afirmar que os vários conceitos de poder que temos analisado podem ser mais que complementares, podem ser interdependentes e através de dado patamar/grau de poder, através das estratégias mais adequadas, subir na escala de poder e, se a estratégia for a menos apropriada ou o contexto pouco favorável, descer
na ordem dos poderes, ou seja, depende em grande parte do smart power227.
Para Malamud, por outro lado, o Brasil enfrenta muitos desafios e pouco reconhecimento a nível regional para poder ser considerado uma potência desse tipo e apoia-se nas estruturas regionais apenas para favorecer as suas hipóteses de ter sucesso no plano global. Releva no seu trabalho uma série de elementos que reforçam o perfil do Brasil como poder global: a procura de um assento permanente no Conselho de Segurança; participação BRIC; IBSA como importante espaço de cooperação Sul-Sul e representativo das maiores democracias de cada continente; exercício do soft power;
candidato americano (que costuma ganhar) mantém-se mas a Colômbia e a Nigéria também tem nacionais seus a concorrer, que advogam a necessidade de reformar os altos quadros das instituições aproximando-as da realidade das relações Internacionais actuais, o que compreende a aceitação de novos poderes. As entrevistas tiveram lugar a meio de Abril de 2012,, pesquisa de 12 de abril de 2012,
mais informação disponível online:
http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/NEWS/0,contentMDK:23159732~pagePK:64257043~piPK: 437376~theSitePK:4607,00.html.
225
A este respeito cf. Cf. Lampreia, Luiz Filipe, O Brasil e os ventos do Mundo – Memórias de cinco décadas na cena internacional, Editora Objectiva, ISBN-13: 9788539000678, 2010.
226
Cf. G4 compreende a Alemanha, Índia, Brasil e Japão. Comprometeram-se a apoiar-se mutuamente nas suas candidaturas para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
227
Vd. SCHIRM, Dr. Stefan A., «Emerging Power leader in global governance: assessing the leader- follower nexus for Brazil and Germany»- paper preparado para o ECPR Joint Session Workshop, 7 de maio de 2007.
como um dos iniciadores das considerações finais na conferência de Copenhaga reforça as suas ambições de se destacar a nível global (a conferência Rio + 20 é um excelente exemplo de um movimento de envergadura internacional com coordenação brasileira); participação no G8 e O5 (Outreach Five); O interesse da UE em começar uma parceria com o Brasil. Para o autor estes feitos do Brasil a nível internacional reforçam o seu perfil de poder global228.