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No concernente aos questionamentos formulados no início da pesquisa, que se prestam como elementos de orientação para o desenvolvimento da abordagem dos temas no estudo, intenta-se respondê-los objetivamente, um a um:

a) não é possível formular uma teoria geral do federalismo completa, já que cada federação possui suas próprias peculiaridades, sendo possível apenas a enunciação de cláusulas gerais que identificam o instituto político (Seção 2.1). Sem prejuízo disso, pode-se estabelecer uma distinção entre o princípio federativo e o pacto federativo, sendo aquele uma norma principiológica de natureza estruturante, em cujo conteúdo estão incluídos os subprincípios da indissolubilidade da união, da autonomia isonômica dos entes e do compromisso interfederativo, e este a referência ao conjunto das regras de competência (Seção 2.1.2); b) os municípios configuram-se como entes federativos, decorrentes de um segundo processo de federalização da República brasileira, dotados de autonomia, mas que, pelas peculiaridades do processo de federalização e de sua posição no sistema federativo, possuem uma relação de vinculação recíproca com os estados (Seção 2.3.2);

c) o denominado princípio da colaboração federativa identifica-se com o subprincípio do compromisso interfederativo, cujo conteúdo, fundamentado nos ideais de solidariedade e de cooperação encerra os deveres de conduta amistosa interfederativa e de fidelidade para com a união (Seção 2.1.2); sua manifestação no pacto federativo ocorre através dos mecanismos do federalismo de cooperação (Seção 2.3.2), podendo ser mencionados:

- os sistemas unificados dos serviços de saúde, educação e cultura, nos artigos 198, 211, e 216-A, respectivamente,

- a instituição de regiões metropolitanas, aglomerados urbanos e microrregiões, nos termos do artigo 25, § 3º,

- os fundos de cooperação financeira previstos no artigo 159, inciso I, e artigos 60 e 77 das disposições constitucionais transitórias,

- e a gestão associada de serviços públicos do artigo 241;

d) a gestão associada de serviços públicos define-se, com rigor científico, como o exercício compartilhado de competências relativas a um ou mais serviços públicos por dois ou mais entes federativos, instituído de forma facultativa mediante acordo de vontades, com conteúdo específico de conjugação de esforços para associação em regime de cooperação (Seção 4.3); quanto à origem do instituto, a pesquisa não logra, dentro dos seus limites, responder a essa questão, mas permite afirmar que os consórcios públicos, mesmo na sua conformação atual, não são verdadeiramente uma novidade no ordenamento jurídico brasileiro, tendo ocorrido experiências normativas pretéritas (Seção 4.6.1.1);

e) a finalidade da gestão associada é realizar o interesse público, consubstanciado na melhoria das condições de gestão dos serviços públicos, orientados pela promoção dos direitos fundamentais; as vantagens do instituto são o incremento da eficiência administrativa, a promoção de ganhos de escala e do planejamento e gestão regionalizada (Seção 4.5);

f) a gestão associada de serviços públicos configura-se como instituto que restringe a margem de discricionariedade política dos entes federativos; nada obstante, é um instrumento que decorre da autolimitação da autonomia federativa; propõe-se, para tanto, a constante renovação dessa decisão, como forma de promover um ambiente político de cooperação em relação ao serviço público associado (Seção 5.3);

g) o conflito aparente entre esses dois elementos constitucionais redunda na prevalência dos direitos fundamentais, como núcleo axiológico da Constituição, ao qual deve o princípio federativo orientar-se teleologicamente (Seção 3.1.1);

h) como discorrido sobre o cumprimento dos objetivos (Seção 6.1, alínea a), a gestão associada de serviços públicos pode ser preservada como constitucional somente se é realizada uma mudança de interpretação a respeito da federação brasileira, passando de um modelo rígido para um modelo flexível, que tenha como parâmetro de efetividade a realização dos direitos fundamentais através das políticas públicas (Seção 5.1);

i) pelo cotejo dos consórcios públicos e dos convênios de cooperação, conclui-se pela ausência de prevalência de um modelo, tendo em vista que o melhor modelo é aquele que melhor atende ao interesse público, cuja estratégia varia de acordo com o contexto (Seção 4.6.3);

j) conforme já discutido na análise dos objetivos (Seção 6.2, alínea d), duas diretrizes devem orientar o controle judicial, a saber, a primazia dos direitos fundamentais como meta em relação à qual a distribuição de competências federativas está a serviço, e a prevalência, sequencialmente, de soluções implementadoras e de soluções cooperativas dos serviços públicos (Seção 5.6).

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Benzer Belgeler