1.5. Hükümlerin ve Defterin Sistematik Değerlendirmesi
1.5.5. Diğer Meseleler
Ao contrário do filósofo que tem consciência da necessidade de uma visão de mundo na constituição de suas reflexões, o cientista conhece as leis da ciência que sustentam as teorias explicativas do mundo sem se preocupar em apresentá-lo numa visão. É a explicação através das leis relacionais que abandonam as questões metafísicas da existência (o que é existir, porque eu existo, etc.). Assim, o cientista busca encontrar explicações que possam ser generalizadas e invariáveis. Tais explicações são os elementos constituintes das teorias e das leis científicas. Estas teorias e leis, reelaboradas pela dedução, apresentam o conceito científico do mundo (da parte deste da qual a ciência conseguiu explicar). No entanto, não é possível, através somente de leis relacionais, produzidas a partir dos dados empíricos trabalhados por dedução, se chegar a uma construção do significado do mundo dentro de sua totalidade. Por isso, o cientista para fazer ciência apenas se atém aos conteúdos que antecedem e permeiam as leis relacionais com as quais pretende trabalhar. Situação semelhante a de um operário que em uma montadora de carros desempenha uma função cuja execução não lhe exige uma compreensão da totalidade do projeto.
Esta visão da ciência, que por Lacey (1998) é denominada de
filosofia do materialismo científico, é a forma de fazer ciência dos cientistas até hoje
(no início do século XXI). O conhecimento armazenado e contido nos textos e bancos de dados é considerado parte do mundo ―decifrado‖ pela Ciência. Parte esta garantida pela sensação que apreende os fenômenos (principalmente através de instrumentos) e trabalhada pelo método (principalmente experimental) e pela estatística (a qual garante a previsibilidade na repetição da ocorrência dos fenômenos explicados). A ideia de conhecimento armazenado faz com que a Ciência não apresente uma visão de mundo, mas uma visão do mundo.
Esta é, possivelmente, a diferença fundamental da filosofia em relação à Ciência. Um único filósofo é capaz de apresentar uma visão completa de mundo observando-o e/ou refletindo sobre ele, organizando suas formulações e argumentando a partir delas. Um cientista é sempre alguém que atua nas teorias e leis relacionais do mundo explicado pela Ciência. Seja diretamente, trabalhando com o método para associar o fenômeno com o(s) conteúdo(s) teórico(s) seja relacionando vários conteúdos teóricos construindo teorias ou leis mais abrangentes. O cientista não consegue, na sua prática, atuar sobre a totalidade dos conhecimentos que organizam o mundo da Ciência.
A Ciência é, pois, um trabalho coletivo. São milhares e milhares de cientistas trabalhando por uma mesma causa: ampliar o conhecimento das generalizações capazes de prever com segurança a ocorrência cada vez maior de fenômenos expressos na natureza, ou seja, aumentar o poder explicativo das suas teorias e leis. Quanto maior for o seu poder de previsão acerca dos fenômenos da natureza, mais eficiente serão as construções produzidas a partir delas para tornar a natureza controlada (e a serviço) do homem, a tecnologia.
Para garantir que todas as contribuições desses milhares de cientistas possam ser associadas entre si como se fossem vistas por um único olhar formado de pequenas partes (o modo cientifico de olhar o mundo) constitui-se o Método Científico. A forma de executar atividades que a partir de instrumentos e técnicas padroniza a apreensão do fenômeno, tornando-o informação (dados organizados e analisados pela estatística). O resultado dessas análises coloca estas novas informações no contexto das teorias e leis, fortalecendo-as, negando-as ou exigindo novas.
Por outro lado, a garantia de que os resultados obtidos por todas as pequenas partes do ―olho científico‖ eram medidos pelos mesmos parâmetros, é dada pela estatística. Isto quer dizer que um resultado que indica uma capacidade de previsibilidade de 99% indica que tal explicação acerta 99 de cada 100 vezes que o fenômeno se expressava na natureza. Em qualquer lugar, em qualquer tempo, com qualquer pessoa. É a solução, formulada, mais tarde, por Carnap e apresentada no próximo capítulo, para o problema do empirismo. Quanto ao método experimental, Mill (1852) estabeleceu suas bases teóricas e seus possíveis desenhos.
Assim posto, nota-se que a ciência é um olhar sobre a natureza que procura evitar a exigência filosófica da constituição prévia da ideia do mundo a ser olhado, e essa compreensão passou a ser predominante na Biologia no final do século XIX. A proposta da ciência é construir um significado para o mundo a partir das descobertas produzidas pelos cientistas, garantidas pela pretensa objetividade do método. Para os cientistas é o método a chave do problema, pois é ele que garante o sucesso do olhar cientifico da qual todos os cientistas compartilham. E, dentro deste olhar, cada parte da natureza que contém sua própria especificidade é, aos poucos, desvendada.
Dentro desta perspectiva, o que é qualquer método? É um procedimento padrão que busca atingir um propósito determinado. O procedimento e o propósito precisam emergir do mesmo corpo de conhecimentos e, consequentemente, da mesma visão de mundo. O método experimental foi, como já dito, padronizado por Mill (1843).
A natureza vista pela ciência é uma natureza ontologicamente definida. O cientista pode pensar que o seu olhar é absolutamente objetivo no sentido de apreender a realidade exatamente como ela é. Mas, não é assim. A própria realidade é uma construção ontológica. Nos olhares mais gerais, o cientista vê o mundo natural constituído de Espaço, Tempo, Matéria e Movimento. Com todos estes componentes vistos através de leis relacionais descritas pela matemática, a Física se constitui (ROCHA, 2002).
Ao se caminhar para dentro da matéria buscando sua estrutura e propriedades (variações, interações e equilíbrio), constatou-se a Química (ROSMORDUC, 1988).
Tomando o movimento e a estrutura da matéria e buscando sua
especificidade nos seres vivos, o cientista percebe que estes, embora contendo em seu interior a Física e a Química, apresentam características próprias da organização da matéria, é a Biologia (RADL, 1988).
Para os primeiros pesquisadores que inauguraram este método de estudar o universo, o conteúdo constitutivo das ciências da natureza se inicia a partir dos fenômenos naturais observados. Ao contrário do pensamento filosófico que partia de um problema e tentava resolvê-lo a partir da argumentação especulativa, o pensamento científico procurava uma solução do entendimento dos fenômenos
através da reprodução do fenômeno em condições possíveis de observação. E, ainda, se utilizava de instrumentos especialmente projetados para compreender os diferentes tipos de fenômenos da natureza. Usando ou não hipóteses, buscando confirmações na estatística, o conhecimento era produzido a partir do fenômeno. O que este novo modo de entender o mundo apresentou de inovador foi o fato desse conhecimento se iniciar na natureza e ser resolvido nela mesma, sem a necessidade de explicações exteriores a ela. Nesta época muitos pensadores acreditaram que era a própria natureza que revelava o mistério a ser desvendado.