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1.3. KÂR PAYI POLİTİKASININ ÖNEMİ

1.3.1. Kâr Payı Politikasının Şirket Değerine Etkisi

1.3.1.4. Diğer Görüşler

Ainda sobre o solo cartesiano racionalista no qual repousa a maioria das teorias desenvolvimentistas, acredita-se que na vivência da moratória adolescente se constrói uma "identidade adolescente", essencial para a construção da identidade do sujeito, o que torna a adolescência um momento crucial, de preparação para a vida adulta. “A identidade do sujeito estaria, então, inevitavelmente atrelada à chegada a um determinado alvo: o nível de racionalidade madura. É a própria primazia da razão que produz a noção/necessidade dessa identidade do sujeito individual e, consequentemente, do seu desenvolvimento.” (COIMBRA; BOCCO; NASCIMENTO, 2005, pp. 5–6)

No segundo encontro, quando convidado a agrupar as palavras associadas à adolescência, o grupo criou uma categoria que denominou de “identidade”, na qual constavam: Descobertas, Descobrir, Tentativas, Novidade, Identidade, Busca e Liberdade (Anexo C). Ao discorrerem sobre ela, relatam:

“A adolescência é uma fase de várias mudanças, não só físicas, mas psicológicas, você vai amadurecendo, criando sua personalidade, você vai se diferenciando das pessoas” (Glauber).

“É porque se tem a percepção que na adolescência você vai criando seu próprio gosto, vai tendo suas próprias coisas. Quando você é criança, você é um filhote, literalmente um filhote de seu pai, você veste o que eles querem, você tem a mesma opinião que eles e quando chega na adolescência você começa a questionar” (Amanda).

A construção da identidade como discorrida por eles tem respaldo nos discursos que tratam a adolescência como uma moratória, uma transição entre a infância e a fase adulta, em que muitos aspectos se constituem O afastamento progressivo dos pais, a contestação de seus valores, a construção de novos valores a partir de outras referências, como os amigos, por exemplo, que assumem grande importância nesse período, são algumas características comumente associadas discursivamente a esse período da vida. Tais aspectos justificariam a vivência dos lutos, provocados exatamente pelas perdas referentes ao universo infantil (pais, corpo e identidade), conforme postulado por

87 Aberastury e Knobel (1981). Uma das mais destacadas pelo grupo, nesse sentido, foi a necessidade de o adolescente diferenciar-se dos demais.

“Somos os adolescentes em busca de sua identidade”. Assim, Eduardo tratou de apresentar o grupo composto por ele e duas colegas na ocasião da gravação em que explicavam sobre o vídeo ficcional. Segundo ele, o adolescente “fica nessa busca incansável por uma identidade própria pra ele, fica mudando de opinião e de estilo a cada dois meses”. Helena ilustrou esse relato com os hipsters, explicando: “são pessoas que gostam das coisas antes de todo mundo, antes de virar moda. Coisa antiga, como óculos, por exemplo” (e apontou para os óculos que estava usando na ocasião da gravação). Explicam que os adolescentes se agrupam porque se identificam uns com os outros. “Porque quando o adolescente encontra uma identidade, geralmente procura pessoas que compartilham dos seus mesmos interesses” (Eduardo). Quando questiono se essa busca diz respeito aos adolescentes de um modo geral, confirmaram, explicando que alguns grupos são relacionados à classe social, “como os pirangueiros das classes mais baixas e os playboys, das classes mais altas29” (Eduardo).

Como discutido por Castro et al. (2006), os jovens constituem-se e constituem o outro por meio dos processos de identidade e diferença. Os símbolos que ostentam, os rituais que compartilham ajudam nos processos de reconhecimento e diferenciação. O que a autora destaca, no entanto, é a forma como um processo complementa o outro, ao mesmo tempo em que ameaça. A identidade constitui-se enquanto a diferença se mantém sob controle, mas pode ser desestabilizada por ela. Em sua fala, os adolescentes deixam claro que esse processo é determinado por fatores socioeconômicos, ratificando a posição de Castro et al. (2006) a respeito da dificuldade de ampliação dos vínculos com os diferentes na cidade. Atravessados pelos discursos que tratam da aproximação com o outro como negativas ou ameaçadoras, os adolescentes naturalizam o fenômeno da composição de grupos por identificação, inclusive segundo critérios socioeconômicos.

No grupo, como já dito, buscaram a diferenciação com relação ao outro a partir do lugar da “avacalhação”30. Além dos vários momentos em que ela se fez presente através das

brincadeiras, na condução da câmera, na irreverência da categoria denominada “Pipi de Galinha”, no penúltimo encontro, ao explicar sobre o vídeo ficcional transformaram toda essa materialidade não-discursiva em fala, como nos relatos:

____________

29 A discussão sobre esses tipos construídos no grupo é aprofundada no tópico sobre o discurso sociológico.

30 Embora a avacalhação esteja diretamente relacionada à categoria “diversão”, aparece na discussão sobre identidade como algo que os diferencia dos demais adolescentes.

88 “Eu acho que é muito importante mostrar que a adolescência não se resume só a conceitos jurídico, biológico e psicológico; mas ela também tem essa coisa, de 'avacalhação', de atrapalhar as coisas, acho que isso é bem marcante na adolescência” (Glauber).

“'Avacalhação' é, tipo, tá tendo aula, e o objetivo da aula é ensinar os alunos e eles prestarem atenção no professor. Só que têm uns alunos que atrapalham mesmo sem saber, outros porque querem, tipo, fazendo bullying com alguém, ou jogando papel no colega, julgando a aparência do colega [...]” (Igor).

Essa segunda caracterização da “avacalhação” foi exatamente a que apresentaram no vídeo ficcional. Reconheceram que eles são assim e, na primeira fala, trataram de elevar essa forma de ser à categoria de discurso, assim como os demais (jurídico, biológico, ou psicológico), legitimando-a. Como já dito, colocaram-se como sujeitos desse discurso, como se sua própria vivência os autorizasse a inserir a “avacalhação” na ordem do discurso sobre adolescência. Conceituaram – “avacalhação é alem da curtição” (Glauber), delimitaram seu surgimento – “deve ter começado por volta da década de 60, na época dos movimentos, como o feminista” (Eduardo) e denominaram-se autores desse discurso – “surgiu com a gente mesmo, porque na época dos nossos pais não tinha isso” (Amanda). Assim, criaram as próprias regras discursivas: os sujeitos e os objetos, que são eles, as formas de materialidade e a relação entre os enunciados que irrompem e se dispersam dentro desse campo. Como, por exemplo, quando disseram:

“Mas quem avacalha também presta atenção na aula, também se preocupa com o futuro, como a gente” (Glauber).

Quando perguntei sobre a “avacalhação” fora do ambiente escolar, explicaram: “É pior, fora da escola ninguém segura!” (Glauber).

“Fora da escola uma pessoa dessa idade não têm o que perder, fazem desde crimes a brincadeiras de mal gosto” (Igor).

“Fazem o que vem na cabeça” (Glauber).

Num primeiro momento, pareceu que estes enunciados a respeito da avacalhação fora da escola construíam outro objeto, o adolescente pobre. Em seguida, no entanto, relataram o exemplo de um dos adolescentes do grupo que foi expulso de uma loja de departamentos, em um shopping da cidade, por que estava “mexendo nas coisas”. Ao serem questionados, finalmente, disseram que não tem a ver com classe social, pois todo adolescente gosta de avacalhar. O objeto, portanto, passa a ser o adolescente de um modo geral, e aqui eles proferem tal enunciado como uma verdade universal, reproduzindo o que propagam os discursos desenvolvimentistas. Em outro momento tentaram também englobar nessa categoria

89 o “Pipi de Galinha”. Como emblema da “avacalhação”, ele apareceu em muitos momentos revestido de uma materialidade, quase como um ritual. No vídeo explicativo que produziram após o ficcional, em que traduziram os tipos adolescentes que encenaram, Juliano, o adolescente que criou o “Pipi de Galinha”, fez uma caracterização com a roupa que estava (uniforme da escola), materializando ali o próprio personagem. Além disso, no vídeo ficcional, em que também o representou, “deu seu recado” sobre essa controversa categoria que criou, mostrando-se como o aluno bagunceiro, que joga bolinha de papel na professora, que se exclui de participar da aula, e principalmente exibindo uma “dancinha” no estilo Harlem Shake, esta que foi aclamada pelo grupo e escolhida – menos pelo grupo da “responsabilidade” – como uma apresentação para fechar o vídeo, como se coroassem seu discurso sobre “avacalhação” com aquele ritual. Os “responsáveis”, como já dito, não acolheram bem essa versão, isentando-se de ser reconhecidos como adolescentes pelo enunciado da “avacalhação”. Assim, recusaram-se a participar do Harlem Shake final.

O bullying foi outro tema recorrente, em geral, também associado à “avacalhação” e também rechaçado pelos “responsáveis”, que não reconhecem essa prática como um tipo de brincadeira entre amigos. Ao contrário, endossaram o discurso em geral veiculado pela mídia, especialmente nos últimos tempos, a respeito do bullying como forma de violência. De um modo ou de outro, todos reconhecem que o bullying é um elemento que faz parte da adolescência deles, circunscrevendo-o, nesse caso, temporalmente: É da nossa geração, com certeza” (Hermione); “Eu duvido que nossas avós se tratassem assim: oi, idiota” (Amanda).