BÖLÜM VI: İŞLETME FAALİYETE KAPANDIKTAN SONRA OLABİLECEK VE SÜREN
VI.2. Diğer Çalışmalar
A informalidade na cadeia produtiva da carne ovina é definida pela realização do abate não inspecionado de ovinos. Sorio e Rasi (2010) afirmam que existe uma vasta legislação no âmbito federal e nos Estados que trata da questão sanitária na ovinocultura, que abrangem desde a criação até o abate e a comercialização da carne. Souza Filho e Fonseca (2013) explicam que a história da inspeção sanitária no Brasil tem início no ano de 1909 com a promulgação do Decreto 7.622/1909 que criou a Diretoria da Indústria Animal e indicava a prática de inspeção sanitária e tecnológica dos produtos de origem animal.
A demanda pela carne bovina brasileira cresceu muito em decorrência da Primeira Guerra Mundial e, no ano de 1914, o Brasil se consolidou como um importante produtor e exportador de carne. Neste período, ocorreu a instalação de grandes matadouros- frigoríficos de origem anglo-americana e a organização do “primeiro regulamento” denominado “Serviço de Inspeção de Fábricas de Produtos Animais” por meio do Decreto 11.426/1915. Outros marcos da evolução da inspeção sanitária de produtos de origem animal no Brasil foram: o Decreto 14.711/1921, com a instituição das seções de carne, leite e derivados; a elaboração de Instruções para reger a inspeção sanitária federal de frigoríficos,
fábricas e entrepostos de carne e derivados no ano de 1928; e a criação do Serviço de Indústria Pastoril no ano de 1933, subordinado ao Departamento Nacional de Produção Animal (SOUZA FILHO; FONSECA, 2013).
A Lei 1.283 de 18 de Dezembro de 1950, que instituiu a obrigatoriedade da inspeção sanitária de produtos de origem animal no Brasil é considerada a “lei-mãe” da inspeção e um marco extremamente significativo na história da inspeção sanitária de produtos de origem animal no país (SOUZA FILHO; FONSECA, 2013). Esta Lei atribuiu a responsabilidade de execução da inspeção aos governos federal, estadual e municipal.
A normatização da inspeção foi realizada por meio do Decreto 30.691 de 29 de março de 1952, que instituiu o novo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA). O RIISPOA consolidava um código higiênico- sanitário e tecnológico que abrangia a legislação relativa às carnes, aves, leite, pescado, ovos, mel e cera de abelhas e foi colocado em prática pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF).
No dia 3 de dezembro de 1971 foi instituída a Lei 5.760 que ficou conhecida como a Federalização da Inspeção no Brasil. Esta Lei surgiu como uma tentativa de suprir as deficiências constatadas nos serviços de inspeção nas esferas estaduais e municipais e atribuiu ao governo federal a exclusividade no exercício da inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. No entanto, em 23 de novembro de 1989 foi sancionada a Lei 7.889 que novamente descentralizou execução da inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. Assim, as atribuições e responsabilidades de inspeção voltaram a ser dos governos federal, estadual e municipal, de acordo com o âmbito do comércio da indústria a ser inspecionada (SOUZA FILHO E FONSECA, 2013).
Os três níveis de inspeção estabelecidos pela Lei 7.889 dependem da abrangência da área de comercialização pretendida pelo empreendedor (quadro 03). O Serviço de Inspeção Federal (SIF) foi instituído para a comercialização interestadual ou internacional e o registro é obtido no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Para o comércio intermunicipal o registro é obtido nas secretarias ou departamentos de agricultura dos estados foi estabelecido o Serviço de Inspeção Estadual (SIE). Já o para comércio de produtos no próprio município foi estabelecido o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), onde o registro do produto é obtido nas secretarias ou departamentos de Agricultura dos municípios.
Quadro 03 – Principais características dos Sistemas de Inspeção
SIF
Autoriza a comercialização de carnes para o mercado externo e todo o território nacional. Exige a presença de fiscal de inspeção contratado pelo governo e número total de agentes, de acordo com a velocidade de abate e a capacidade de armazenagem do estabelecimento. SIE
Permite a comercialização de carnes apenas dentro dos limites de cada estado. Não exige a presença de fiscais de inspeção contratados pelo governo. Não especifica número de agentes de inspeção
SIM
Contempla a comercialização de carnes somente dentro dos limites do município-sede do abatedouro.
Não especifica número de agentes de inspeção. Fonte: Adaptado de Bánkuti (2002, p. 91)
Em uma nova tentativa de minimizar a burocracia no trânsito de produtos de origem animal no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instituiu o Decreto Federal 5.741, de 30 de março de 2006. Com esse decreto, o município ou estado que for julgado equivalente ao ministério, após auditoria do mesmo, poderá indicar estabelecimentos registrados em suas jurisdições para serem submetidos à equivalência com os estabelecimentos do Mapa e terem seus produtos de origem animal com trânsito livre no país, derrubando o limite comercial de fronteira imposto pela Lei Federal 7.889, de 1989 (SOUZA FILHO E FONSECA, 2013).
A abrangência do Decreto 5.741/2006 vai além da busca da desburocratização e da livre circulação dos produtos de origem animal no país. Nele foi estabelecido que o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA) desenvolverá, permanentemente, as seguintes atividades: I - vigilância e defesa sanitária vegetal; II - vigilância e defesa sanitária animal; III - inspeção e classificação de produtos de origem vegetal, seus derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico; IV - inspeção e classificação de produtos de origem animal, seus derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico; e V - fiscalização dos insumos e dos serviços usados nas atividades agropecuárias. O parágrafo 4o de seu Artigo 1º estabeleceu, ainda, que o SUASA articular-se- á com o Sistema Único de Saúde, no que for atinente à saúde pública.
Dentre os princípios estabelecidos pelo governo federal está a previsão de que o SUASA funcione de forma integrada para garantir a sanidade agropecuária, desde o local da produção primária até a colocação do produto final no mercado interno ou a sua destinação para a exportação. Neste processo, os produtores rurais, industriais e fornecedores de insumos, distribuidores, cooperativas e associações, industriais e agroindustriais, varejistas e quaisquer outros operadores do agronegócio, ao longo da cadeia de produção, são responsáveis pela garantia de que a sanidade e a qualidade dos produtos de origem animal e vegetal não sejam comprometidas.
Foi estabelecido também que a realização de controles oficiais nos termos do Regulamento não exime os participantes da cadeia produtiva da responsabilidade legal e principal de garantir a saúde dos animais, a sanidade dos vegetais, a segurança, a qualidade e a identidade dos produtos de origem animal e vegetal, e dos insumos agropecuários, nem impede a realização de novos controles ou isenta da responsabilidade civil ou penal decorrente do descumprimento de suas obrigações. Esta determinação esclarece que os agentes produtivos ao longo da cadeia de produção também possuem responsabilidades e devem prezar pela garantia da qualidade e da sanidade de seus produtos.
O desmembramento dos sistemas de inspeção sanitária é criticado por alguns pesquisadores como Bánkuti (2002), Pigatto (2001), Mathias (1999) e Bánkuti e Azevedo (2001). As críticas se concentram no fato de que a transferência do controle para as esferas de poder estaduais e municipais alterou a capacidade de enforcement e confiabilidade do sistema de inspeção sanitária no país. De fato, a capacidade de enforcement do sistema de inspeção sanitária consiste em um dos fatores que mais podem contribuir com o fortalecimento das atividades informais na ovinocultura de corte de acordo com a literatura atual. A limitação da capacidade de fiscalização está centrada na quantidade insuficiente de fiscais bem como nas pressões políticas que sofrem em alguns municípios para que não atuem com o rigor da lei.
Tendo em vista as principais características do ambiente institucional formal apresentado, destaca-se o Artigo 7º da Lei nº 7.889 de 1989, que reforma a redação do referido Artigo que consta na Lei nº 1.283 de 18 de Dezembro de 1950, estabelece que:
Nenhum estabelecimento industrial ou entreposto de produtos de origem animal poderá funcionar no País, sem que esteja previamente registrado no órgão competente para a fiscalização da sua atividade, na forma do art. 4º [que trata das competências para realização da fiscalização].
Portanto, a informalidade analisada neste estudo consiste na ação que fere o que determina o Artigo 7º da Lei nº 7.889 de 1989, especificamente a ação do produtor rural ao abater ovinos em sua propriedade, sem inspeção sanitária, com o intuito da posterior comercialização da carne.
2.4.1 Hipóteses de pesquisa: possíveis determinantes da realização do abate de ovinos pelos produtores rurais.
Com o intuito de encerrar esta seção da revisão de literatura, são apresentadas as hipóteses de pesquisa formuladas a partir dos pressupostos discutidos ao longo desta revisão, que são testadas como possíveis determinantes do abate de ovinos realizado pelos produtores rurais no município de Tauá.
Como ressaltado na introdução do capítulo de revisão de literatura, os determinantes do abate de ovinos pelos produtores rurais analisados ao longo deste estudo foram identificados na literatura e não tratam especificamente da cadeia produtiva da carne ovina. Neste estudo, eles são testados considerando as características da cadeia produtiva da carne ovina e têm a sua validade comprovada como sendo ou não determinantes do abate entre os produtores rurais analisados.
A seguir são apresentadas as hipóteses de pesquisa, seguidas de uma breve descrição e dos autores que as sustentam:
Hipótese 01: A inexistência de instituições formais, ou a existência de instituições