A população jovem brasileira formada por indivíduos com idade entre 15 e 24 anos, representa aproximadamente 26% do total da população, contudo, a taxa de desemprego observada para esse contingente é quase dobro da taxa de desemprego total do país, devido ao menor capital humano incorporado e a pouca experiência no mercado de trabalho. Essa questão do desemprego juvenil é bastante preocupante, principalmente nas áreas urbanas. Um sério problema que vem crescendo e sendo sentido não apenas no Brasil, como em outros países e torna urgente que se de uma atenção especial a ele, quando se pensa em formulação de políticas públicas, de modo a minimizar os efeitos desse desemprego sobre a sociedade.
Com grande dificuldade de ingresso e permanência no mercado de trabalho, os jovens vêem ameaçado o seu desenvolvimento socioeconômico e sua integração social, tornando-se mais vulneráveis e dependentes de ações públicas e auxilio familiar. O retardamento do ingresso no mercado de trabalho por meio de políticas que ampliem a escolarização formal e garantam a qualificação profissional, pode representar uma possível solução para o problema, reforçando a importância dos investimentos em capital humano, de forma a preparar os jovens para as transformações econômicas e produtivas atuais. Contudo, é preciso que se estabeleçam instrumentos de garantia de renda e se desenvolvam políticas de emprego que tornem mais fácil a integração desses jovens ao mercado de trabalho, em especial os que vivem em situação de vulnerabilidade e risco social.
“Fatores de risco” podem aumentar a probabilidade de uma pessoa apresentar problemas físicos, sociais ou psicológicos e desencadear reações. A falta de perspectivas nesta fase pode provocar uma série de outros problemas sociais, além do desemprego e, por essa razão, é necessário que uma política para a juventude compreenda eixos como educação, trabalho, cultura, saúde e lazer, visando a melhoria na qualidade de vida desses jovens.
Diante da necessidade de inserção profissional precoce e precária, com benefícios reduzidos, de modo a garantir ou auxiliar em sua própria manutenção e, muitas vezes, na
manutenção de sua família, põe em risco a estabilidade dos jovens no presente e ameaçam as garantias sociais do futuro, intensificando a condição de vulnerabilidade. A própria relação com o trabalho torna-se, assim, um dos principais entraves para o desenvolvimento de projetos pessoais, reduzindo o campo de ação destes na fase adulta, isto porque, quanto mais cedo ocorre sua inserção no mundo do trabalho, mais declina a qualidade de suas ocupações.
Várias políticas públicas voltadas para a juventude foram adotadas, mas, apesar do esforço, os resultados não se mostraram suficientes para lidar com a questão. A década de 1990 foi marcada por significativas mudanças na legislação do trabalho juvenil no Brasil, reflexo do processo de reestruturação produtiva sofrido pela economia nacional, que afetou o mercado de trabalho, com crescimento dos índices de desemprego e perda de direitos.
Num contexto de precarização das relações trabalhistas, o jovem foi particularmente afetado e, diante dessa nova realidade, novas medidas foram elaboradas e alguns programas de geração de emprego e renda foram criados, porém, voltados principalmente aos micro e pequenos empreendedores e visando democratizar o crédito no país. Posteriormente, outros programas foram implantados, estes sim, ligando-se a questão da qualificação profissional e, voltados aos problemas da juventude no mercado de trabalho. Os dois principais programas foram: o Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE), em 2003, e o Programa Jovem Aprendiz, regulamentado em 2005.
O PNPE, num projeto em parceria público-privada, visava estimular o primeiro emprego de jovens trabalhadores de 16 a 24 anos, pertencentes a famílias de baixa renda e, em especial, os que não tiveram experiência em emprego formal, visando ampliar suas chances de ingresso e permanência no mercado de trabalho. Nesse programa a Aprendizagem se dá por meio de Acordos de Cooperação Técnica celebrados entre o MTE e empresas de médio e grande porte que se comprometem a incluir jovens com o perfil definido na Lei.
O MTE seria o responsável pelo monitoramento do quadro de pessoal das empresas participantes do programa, pelo CAGED, acompanhando a evolução da taxa de rotatividade dos setores das empresas participantes do programa, de forma a evitar que outros trabalhadores fossem substituídos por esses jovens, no intuito de redução do custo da mão de obra de seus empregadores, distorcendo o objetivo principal do programa.
O programa apresentou problemas de desarticulação entre as políticas de qualificação e as de educação, mau uso dos recursos públicos repassados ao setor privado, diante de fragilidades no planejamento, monitoramento e avaliação. Como o perfil do candidato era
sucesso do programa dependia significativamente de um cenário de crescimento econômico no país. Por todos esses fatores, não se utilizou sequer o total orçado para o programa.
O sistema de qualificação adotado pelo programa recebeu muitas críticas por seus cursos muito rápidos e por estar voltado, basicamente, ao segmento do trabalho repetitivo, de execução e operacionalização, deixando de lado o trabalho criativo e mais elaborado, que é de grande importância na atualidade, um período de significativo desenvolvimento tecnológico. Apesar do total de inscritos apontar para o considerável apelo que programa teve para os jovens, a taxa de inserções não passou de 1,1% (o total de empregos gerados foi muito baixo frente ao pretendido, chegando a pouco mais de 10 mil inserções). De alcance limitado (restrito ao combate ao desemprego de inserção), o PNPE não atinge jovens mais necessitados, inseridos no mercado de trabalho informal e/ou em ocupações de má qualidade.
O Programa Jovem Aprendiz, por sua vez, definiu que, por meio de um contrato especial de aprendizagem, o empregador se compromete a assegurar ao aprendiz, inscrito em programa de aprendizagem, uma formação técnico-profissional compatível com seu desempenho, física, moral e psicologicamente falando, enquanto o aprendiz assume o compromisso de executar com zelo as tarefas necessárias para sua formação. Uma entidade não-governamental faz a intermediação do processo. São instituições que oferecem cursos de capacitação e proteção ao jovem, de modo que, ao se inserir no mercado de trabalho, ele não venha a correr o risco de se tornar mão de obra barata. Por meio destas entidades o jovem adquire conhecimentos fundamentais para seu desenvolvimento pessoal e profissional.
O que se nota é que este programa pode vir a representar uma significativa ferramenta de geração de emprego e renda para os jovens, acompanhada de ganhos no sentido de ampliação da qualificação dessa parcela da população e, em especial, para aqueles que vivem em famílias de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social, na medida em que há a possibilidade destes jovens conseguirem uma renda de apoio, podendo prosseguir em seus estudos, sem ter que abandoná-los para garantir o sustento de suas famílias. Contudo, ainda assim, é relativamente baixa a adequação das empresas à Lei, apesar das vantagens que ela proporciona também aos empregadores, demonstrando a necessidade de uma maior divulgação da Lei e seus benefícios, para que a contratação de aprendizes chegue o mais próximo possível do potencial de contratações existentes hoje no país.
Uma divulgação que contemple empresas, escolas (para que se chegue até os jovens), ONG’s e as instituições de ensino profissionalizante, assim como a todas as entidades que trabalhem diretamente com essa comunidade tão carente de recursos e oportunidades.