7 RS-485 arabirimi/fieldbus ile devreye alma
7.2 Devreye alma
CT: Bela e difícil pergunta. Como lhe disse, a sucessão de fatos em minha
vida não foi uma sequência, mas sem dúvida uma consequência. Como ir andando de trem para um destino certo, mas interrompendo a viagem em cidadezinhas do caminho, em baldeações, para ver e conhecer outras coisas, mas sem perder de vista o destino final, e retomando o trem quando ele passa de novo. (Já fiz isso na Europa, levei cinco meses para chegar a Paris, mas ah!, que bela viagem!). Resumindo: envelhecer foi um curso que me pareceu natural. Nunca parei para ter crises – a dos 30, dos 40, dos 60, porque estava sempre muito ocupada entusiasmada, em crise, ou muito feliz, para me importar com números.
A vida deu uma arrancada mais violenta em 1964 e 1965, claro, quando meu marido voltou do exílio, e, como aconteceu com 90% dos casais com a nossa formação e da nossa geração, nós nos separamos, e pude passar a tomar decisões que envolviam apenas a mim e aos meninos.
Em 1965 trabalhei como tradutora de seriados de TV (até batizei um que ainda passa com minhas traduções na tevê: Jeannie é um Gênio). Em 1966 e 1967 recebi convites muito interessantes para fazer cinema. Sempre por trás das câmeras, e envolvendo também trabalho de comunicação, fui assistente de direção
e continuista de Walter Hugo Khoury. Depois de dois filmes, ele me indicou para a NBC de Nova York, que procurava uma pessoa que pudesse ser a ligação entre diretores e atores – americanos ou de outra nacionalidades – e a equipe técnica, brasileira, na filmagem de dois longas-metragens e de uma série de televisão. Com bom domínio do inglês e outros idiomas, e sabendo também escrever, fiquei com eles durante um ano e meio, como continuista, assistente de câmera e de direção, e escrevendo para jornais e revistas dos Estados Unidos.
Como se vê, o Jornalismo ficava ao redor. Na verdade, eu era e estava apaixonada por cinema, aliás, esqueci de contar que trabalhei na Cinemateca Brasileira em 1961, 1962 e 1963, e até publiquei artigos e um livro pela Cinemateca. Meu tio João tinha sala de cinema em casa e passava filmes em 36mm, que eu, ainda criança, ou traduzia ou dublava! E quando as equipes se mudaram para o México, para depois voltarem para Nova York, fui convidada a ir com eles, para fazer carreira, o que infelizmente não pude aceitar, porque os meninos, que já não tinham pai desde 1965, não poderiam também ficar sem mãe.
Assim, a vida pessoal sempre se entrelaçava com a profissional, mas, incrível e felizmente, consegui fazer com que as duas combinassem, e raramente uma prejudicou a outra, ouso dizer.
Mas “o tempo páaaassa”, como dizia nosso velho colega de rádio Fiore Gigliotti, e a idade chegou, e, dizem, foi por causa dela, e do tempo excessivo de casa – 34 anos no Estadão (já chego lá) –, que no final de 2008, aos 72 anos, fui demitida. Explico em detalhes mais além. Foi só nessa ocasião que me senti mais velha. E confesso que fiquei meio sem rumo por algumas semanas, e muito brava.
MJGR: Em alguns pontos sim: com os anos, ganhei experiência e segurança
no trabalho. Mas também sinto algumas perdas, como por exemplo a falta de vontade de trabalhar muito. Depois de passar 40 anos trabalhando!, uma certa falta de entusiasmo e uma sensação de déjà vu.
MS: Total! Sujeitos como Paulo Patarra, criador de Realidade, Sergio de
Souza, editor do texto da revista e depois criador do Bondinho, do Ex-, da Caros
velhos”, lapidaram meu caráter, minha vocação, meu jeito de estar no Jornalismo e no mundo.
RN: Dediquei minha vida ao Jornalismo, que amo de paixão. Durante 38 anos
estive todos os dias da minha vida, fora as férias, numa redação e tenho saudade até hoje. Mas as coisas mudaram muito. Tive sorte de viver um grande momento da imprensa nacional, quando ela saiu do experimentalismo para a profissionalização (e a obrigatoriedade do diploma foi fundamental nesse processo, pois elevou a ética). Vivi a época da estruturação, inclusive com o surgimento dos manuais de redação e a redefinição da diagramação e das grandes posturas jornalísticas contra a ditadura de jornais como o Estadão e o Jornal do Brasil. Os jornais tinham equipes grandes e sucursais também grandes nas capitais brasileiras. Hoje, a qualidade ficou em segundo plano, o que a imprensa quer é ter equipes reduzidas que ganhem pouco. Textos pequenos, porque o leitor é “burro”... Pode?? Então, mandaram embora os mais experientes e com melhores salários, trocados por uma turma jovem, inexperiente (mesmo que talentosa), de baixos salários. Quando amadurecem e exigem uma renumeração mais justa, são de novo substituídos por outra turma recém-saída da escola. A explicação que gostam de dar é que os mais jovens são mais afinados com as novas tecnologias. Mas isso não é verdade. Eu e muitas pessoas da minha geração nos adaptamos perfeitamente. O que querem realmente é baixar os custos. A qualidade da informação já não pesa tanto. Também vivi o aparecimento das assessorias de imprensa. Não sou contra e já trabalhei em várias; são um importante ponto de apoio, mas não podem substituir a investigação. Vivi todo este processo interligando vida pessoal e profissional.
RP: Considero que o tempo trouxe ganhos na paz de espírito, pois aprendi a
me isolar em respeito à competição desenfreada na profissão, e perdas financeiras.
RFB: Claro que sim. Há uma transferência de aprendizagem de uma
experiência profissional para a outra, e cada vez estamos mais prontos para solucionar questões e também para fazer melhor o que já fazíamos. Mesmo o período que considero o melhor da minha vida profissional – o da revista Realidade
– seria muito mais rico, teria melhor qualidade se eu o refizesse agora, com a experiência acumulada ao longo desses anos todos. É claro que isso se reflete na vida pessoal – que, por outro lado, é difícil de separar da vida profissional. Alguém bem realizado no trabalho, que, portanto, tem a autoestima mais alta, é claro que será um pai e um marido ou namorado mais ponderado, mais calmo, mais compreensivo, mais cooperativo, mais companheiro.
4. Que avaliação faz da sua produção como jornalista, do início da