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6 . Publicado em 29 de maio de 2004. Galeria da Memoria. Disponivel em: <http://manuelcepeda.atarraya.org/spip.php?article6> Acesso em: 9 ago. 2010.
cidade do país, no início do século 20, não superava os 120 mil habitantes (VEGA, 2002: 78).
O período entre 1923 e 1928 registra um crescimento econômico atribuído ao investimento estrangeiro na exploração e exportação de petróleo, na exportação de café e banana e relativa expansão da manufatura, fatos que ocasionaram impacto não só na melhoria da infraestrutura rodoviária e no processo de industrialização, como também contribuíram significativamente para o processo de organização dos trabalhadores, o surgimento de lideranças e a formação de sindicatos21.
Nessa época, registramMse a greve e o massacre dos trabalhadores das plantações de banana, a greve dos trabalhadores ferroviários, dos trabalhadores do petróleo, e das mulheres, nas fábricas têxteis. MobilizamMse os sindicatos e surgem os movimentos de esquerda. Camponeses e índios também se agrupam para exigir terra. É um tempo de mobilização social e de repressão militar.
O cenário bogotano é composto de inúmeras histórias de luta e resistência. O século 20 é o que mais registros tem sobre a mobilização dos movimentos sociais: sindical, camponês, estudantil, de mulheres, dos povos indígenas, das negritudes, assim como dos partidos políticos.
Na década de 1930, acontecem mobilizações das mulheres; greves de denúncia e demandas pelo direitos: salário decente; regulamentação de horas de trabalho; saúde e educação. Todos esses movimentos fortalecem suas demandas no governo de López Pumarejo, em 1938. Segundo Villarreal (1994, 92), citando Velásquez Toro, trataMse do "governo que pôs em vigor normas de proteção à maternidade recomendada pela OIT desde 1919: licença remunerada de oito semanas por parto e dois pelo aborto e garantia de emprego durante a gravidez e a lactação".
Como referência que marcou a história do século 20 na Colômbia, está El Bogotazo, considerado um dos fenômenos mais violentos que caracteriza a crise política do
21 VILLARREAL N. (1994: 65) aponta que esse período se caracterizou pela crítica social e as
medidas tomadas por diferentes setores da população. ReconheceMse a influência internacional de propostas socialistas e de mobilização dos trabalhadores.
país. Em 9 de abril de 1948, é assassinado o líder de origem liberal e candidato à Presidência, Jorge Eliécer Gaitán, um advogado de prestígio que defendeu teses socialistas e apoiava as lutas dos trabalhadores e sindicais. Sua carreira política e acadêmica teve reconhecimento não só na Colômbia como também nos seus estudos de doutorado, pois, em Roma, recebeu todas as honras acadêmicas.
Na carreira política, destacaMse seu papel como prefeito de Bogotá, ministro de educação e trabalho, senador e candidato à Presidência da República. Um dos momentos mais importantes de sua atuação política foi no Senado, onde, durante três dias, discursou sobre o massacre cometido pela United Fruit Company de mais de mil trabalhadores, mulheres e crianças, que protestavam contra as más condições de trabalho nas plantações de banana. O crime, que ocorreu na Plaza de
La Ciénaga, na província de Magdalena, foi publicamente exposto por Gaitán, que
denunciou a aliança existente entre o exército colombiano e uma das maiores empresas multinacionais norteMamericanas. Sua postura política contribuiu para ser considerado o “Defensor do Povo”, conseguindo o reconhecimento popular.
Segundo Villarreal (1994), o líder liberal Jorge Eliécer Gaitán iniciou uma aproximação com grupos de mulheres por meio das ligas femininas nos bairros, oferecendo capacitação em comércio e mecanografia, promovendo a organização das trabalhadoras domésticas, criando uma base política com os setores excluídos. Desse movimento, participaram mulheres de todas as classes sociais, contando com o apoio de Ofélia Uribe M jornalista e livre pensadora. No entanto, muitas delas aderiram ao movimento gaitanista mais por causa de suas necessidades de sobrevivência, relacionadas à condição de mãe, esposa, dona de casa, mulher trabalhadora, do que por sua consciência feminista.
A proposta de Gaitán era unir toda a população colombiana, especialmente aqueles excluídos do poder, uma vez que questionava as elites políticas e buscava a independência das tendências políticas partidárias. O movimento gaitanista foi uma expressão popular, uma alternativa aos partidos de tradição liberal e conservadora. Convocou setores que não tinham voz, nem podiam decidir, e, nesse sentido, as mulheres sentiramMse reconhecidas e participavam das manifestações e comícios políticos.
O Bogotazo é a denominação dada à revolta que ocorreu após o assassinato de
Gaitán. As ruas de Bogotá foram tomadas pelas pessoas que protestavam contra o assassinato do líder. De acordo com os relatos da época, a queima de edifícios, de meios de transporte e a morte de centenas de pessoas desencadearam uma guerra civil, na Colômbia, conhecida como “Época da Violência”. Um confronto bipartidário entre liberais e conservadores trouxe como resultado a morte de mais de 300 mil pessoas e o deslocamento dos camponeses e agricultores para as cidades.
Para alguns analistas, o período da violência na Colômbia nunca desapareceu (CASTRO, 1986; MOLANO, 2006) porque as causas permanecem as mesmas: a desigualdade social, a concentração de riqueza e o poder, bem como os interesses dos belicistas da classe dominante e de grupos que se beneficiam financeiramente. Essas características fazem com que se mantenha um conflito interno com diferentes matizes.
Tem sido uma "democracia complexa", quando comparada com outros países da região que enfrentaram graves ditaduras (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), mas são casos diferentes da história colombiana, porque o único ditador que esteve no poder por quatro anos, em épocas mais contemporâneas (1953M 1957), foi o general Gustavo Rojas Pinilla (avô do atual prefeito de Bogotá, Samuel Moreno Rojas). Curiosamente, esse período de mandato é caracterizado pela aprovação do voto feminino, em 1954, e reconhecimento dos direitos cidadãos das mulheres, tema que será ampliado mais adiante.
Essa fase política manteve profundas contradições: se reconhecem alguns progressos na infraestrutura e nas telecomunicações. ConsegueMse a primeira anistia com as guerrilhas liberais e se propõem políticas de bemMestar social. No entanto, representava a repressão e o controle militar, impedindo a participação cidadã. Um dos maiores massacres de estudantes acontece no mandato de Rojas Pinilla. Uma mobilização na Universidade Nacional, ocorrida em 9 de junho de 1955, foi reprimida pelo governo em questão, quando foram assassinados 12 estudantes, fato que causou o repúdio da sociedade colombiana.
O interesse do general era permanecer no poder apoiado por uma Assembléia Nacional Constituinte. Posteriormente, organiza um partido chamado “Movimento de Ação Popular”, o que gera preocupação em líderes do bipartidarismo (Liberal e Conservador), que fizeram uma aliança para deter a terceira força que queria chegar ao poder de forma democrática. Gustavo Rojas Pinilla se retira por causa da intensificação do conflito e organiza um período eleitoral bipartidário chamado de Frente Nacional. Os períodos de mandato se intercalam por um bom período, até 1974.
Com o objetivo de resgatar a história das mulheres, nessa primeira metade do século 20, é necessário fazer algumas considerações sobre o marco dos direitos ao trabalho e à educação, especialmente no período sufragista .
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A autora Wills (2007: 95) afirma que, desde a década de 1920, surge a desobediência civil popular. Tanto a Revolução Francesa, do final do século 18, quanto a Revolução Russa e seus ideais, foram fontes de inspiração para as agitações sociais. No cenário colombiano, é fundado o Partido Socialista Revolucionário, que posteriormente se constitui no Partido Comunista Colombiano (PCC).
Os protestos dos camponeses, as organizações de trabalhadores e os novos atores políticos se convertem em insumos para ampliar o espectro bipartidário de Liberais e Conservadores. Nessa efervescência social, aparecem as primeiras iniciativas femininas, em que algumas procuram alcançar uma parte dos direitos negados às mulheres e, outras, apoiar as lutas promovidas por suas comunidades(WILLS, 2007: 95).
No busca de conseguir a igualdade e tendo como referência os princípios da Revolução Francesa, as mulheres elegem a educação como princípio fundamental. Consideravam que o acesso ao conhecimento, tornaria possível participar da vida social, política e econômica. Ser instruídas para serem livres, no entanto, mais do
que um direito, era um privilégio: somente as mulheres das altas classes sociais recebiam a "instrução" de como serem mulheres educadas, cuidar dos seus lares e manter suas casas em harmonia e ordem. Os requintados internatos e escolas femininas eram, em sua maioria, dirigidos pelas comunidades religiosas que preservavam os valores morais e o “bom nome”.
Assim mesmo, se conhece que as mulheres que lideraram as propostas no contexto educativo na Colômbia tinham a oportunidade de estudar em países estrangeiros. Segundo Wills (2007: 97), o caso mais relevante é o de Maria Rojas Tejada, que retorna ao país nos primeiros anos do século 20, após sua graduação em uma universidade americana. Ela tem a ousadia de fundar um colégio feminino que oferecia educação integral as meninas em Medellín e é banida pelo clero. Após o acontecido, ela viaja a Manizales e finalmente chega a Pereira, em 1914, onde funda um colégio e um jornal chamado Feminas'22
Na história da Colômbia, com o Decreto N 227, de 1933, as mulheres adquirem o direito de estudar o grau de bacharel, requisito necessário para a admissão ao ensino superior. Segundo Londoño (2003), no ano de 1932, cinco mulheres entram na Escola de Odontologia da Universidade de Antioquia, e somente em 1936, com a reforma constitucional, se estabelece o direito ao ensino superior para as mulheres.
Ao longo dos anos, com as exigências da sociedade, as mudanças que as pessoas encontravam nas cidades e as necessidades de mão de obra qualificada, os governos e as várias organizações abandonam a idéia de escolas separadas (masculinas e femininas). Defendem a idéia de educar os meninos e as meninas em espaços educativos que garantissem a educação em igualdade, porém mantendo as diferenças.
Dessa proposta surge a escola mista, a maioria constituída durante o século 20, com questionamentos e preocupações levantadas pelos hierarcas da Igreja. A escola mista se define como um centro educacional, com a participação de meninos e
22 JIMENO, G. ;
4 0 4 # JJ - / Bogotá,
meninas, que recebem os mesmos conteúdos educacionais do mesmo corpo docente e os mesmos materiais didáticos.
Segundo Osorio (1999)23, a escola mista foi criada para responder às exigências da sociedade, que estava mudando, mas mantinha um sistema de valores que priorizava: o público sobre o privado; o individual sobre o coletivo; o racional sobre o sentimental e a ciência sobre o mito e os saberes. Por conseguinte, a escola mista teria se organizado a partir da escola tradicionalmente masculina, que legitimava e transmitia aqueles conhecimentos e valores considerados socialmente importantes.
A participação feminina se deu em diferentes campos e sua vinculação ao trabalho foi registrada nas fábricas têxteis, fábricas de tabaco e nas plantações de produtos alimentícios destinados à exportação. O avanço industrial se dá com a forte incorporação das mulheres nas primeiras fábricas, especialmente nas têxteis, localizadas na província de Antioquia: Coltejer (1907), Rosellon (1911), Fabricato (1923) e, de sapatos, em Cali, na empresa Croydon e, em Bogotá, na The Bogotá Thelephone Company.
A primeira greve bem sucedida ocorreria em 1922, no ramo têxtil e foi liderada por Betsabé Espinosa que, apoiada pelas suas companheiras e companheiros, conseguiu o direito ao trabalho de nove horas, um aumento salarial de 40% e a expulsão dos capatazes varões por assediar sexualmente as mulheres. (WILLS, 2007: 98)
De acordo com Vega (2002), uma manifestação emblemática foi realizada em 14 de junho de 1928, na companhia de serviços telefônicos de Bogotá, a empresa inglesa The Bogotá Thelephone Company, em que as mulheres apresentaram a sua situação de exploração e condição de trabalhadoras a serviço de uma empresa estrangeira. Cartazes localizados nas esquinas da capital, constatavam a afirmação:
Defenda a mulher colombiana da cobiça estrangeira, lembreMse que a companhia telefônica só paga um máximo de trinta e cinco pesos a seus empregados por sete horas e meia de trabalho árduo. Não se esqueça que
23 OSÓRIO, Z. 7 K
? % . Bogotá, 1999. Dirección Nacional de Equidad para las Mujeres
o sucesso da greve é o triunfo de muitos lares. Pense que os estrangeiros da companhia telefônica têm humilhado a mulher colombiana. (VEGA, 2002: 234)
É também nos anos de 1920, que outra mulher lidera os processos sindicais e partidaristas: María Cano, conhecida como a “Flor do Trabalho”, cuja ligação com a Confederação Obreira Nacional e a participação na Fundação do Partido Socialista Revolucionário lhes permitiram o reconhecimento em todo o país. Também participou no jornalismo e da imprensa nacional. Em 1945, as mulheres que defendiam o direito ao sufrágio lhe prestaram uma homenagem.
Nos anos de 1930, as ideias liberais introduziram no debate público normas matrimoniais. A Lei N 28, de 1932, outorga à mulher o direito de dispor dos seus bens e comparecer por si mesma à justiça. No IV Congresso internacional Feminino, realizado em Bogotá, em 1932, duas mulheres contribuíram para tornar possível essa Lei: Georgina Fletcher e Ofélia Uribe de Acosta.
Especialmente, Ofélia Uribe defendeu os direitos civis das mulheres casadas. Em sua obra, analisa a importância da independência econômica das mulheres e o direito de administrar suas propriedades. Segundo escreve Velásquez (1995), tomando como fonte o jornal El Tiempo, a sufragista Ofélia afirmou: "O feminismo acaba de nascer na Colômbia como um produto natural da evolução, mas ainda são muitas as mulheres que recuam espantadas ante o aparecimento súbito desta palavra."24.
Ofélia Uribe de Acosta foi indiscutivelmente reconhecida como uma das mulheres mais influentes na defesa dos direitos das mulheres colombianas. Ela, juntamente com alguns homens e mulheres, contribuiu para ampliar o debate público sobre a participação política feminina. As ações foram desenvolvidas em vários campos. No rádio, conseguiu criar um espaço chamado A Hora Feminista e, mais tarde, fundou a revista Agitación Femenina onde dava ênfase à participação política, ao direito de
24
VELÁSQUEZ T., M. Ofelia Uribe de Acosta: reivindicadora de los derechos de las mujeres. &
> , n. 68, ago. 1995 Disponível em:
eleger e ser eleita. Essa revista teve circulação nacional, entre 1944 e 1946, e se tornou um meio de expressão das mulheres, que escreveram sobre sua participação em sindicatos, bem como sobre o esforço que realizavam para avançar nas reformas sociais lideradas pelos governos liberais.
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A história apresentada pelas estudiosas feministas25 sobre o acontecimento universal chamado "sufragismo", tem um componente importante e pouco conhecido: “A Declaração de Seneca Falls”, que ocorreu em 1848, em Nova York, Estados Unidos, em que um grupo de 70 mulheres e 30 homens de diversos movimentos e associações políticas de matizes liberais se reuniu no Hall de Seneca e assinaram a Declaração de Sentimentos.
A Declaração de Sêneca é composta por 12 decisões e inclui duas grandes seções: de um lado, as exigências para alcançar a cidadania civil para as mulheres e, de outro, os princípios que deveriam mudar os costumes e a moral [...] Tomando como referência os postulados ius
naturalista e lockeanos e acompanhados da ideia de que todos os seres
humanos nascem livres e iguais, assinam: "Nós decidimos que todas as leis que impedem a mulher de ocupar na sociedade a posição que sua consciência lhe dite, ou que a coloque numa posição inferior à do varão, são contrárias ao grande preceito da natureza e, portanto, não têm força e autoridade". (VALCÁRCEL, 2008: 84)
Essa Declaração seria ”a ponta da lança” do que ficou conhecido como o movimento sufragista, que teve dois objetivos concretos: o direito ao voto e à educação. Ambos foram conseguidos num período de 80 anos (1848 até 1930) nas sociedades industriais européias e norteMamericana (VALCÁRCEL, 2008: 120), situação que viria a acontecer na América Latina quase um século depois.
Por outro lado, em várias análises feitas por historiadoras (es) e pesquisadoras(es) do tema (VELÁSQUEZ, 1995; MEDINA, 1996; WILLS 2007; LAMUS 2010) observaM
25
MIYARES, A. El manifiesto de Seneca Falls, Leviatán Primavera (1999) apud VALCÁRCEL, A.
se que aquelas feministas que lideraram os processos pela defesa dos direitos das mulheres na Colômbia foram, em sua maioria, mulheres de classe média e classe alta que tiveram acesso às informações vindas da Europa e América do Norte. Havia também outro grupo de mulheres que, por meio do trabalho e do vínculo com os sindicatos, participou em fóruns de debate e deliberação política.
Nas quatro décadas, desde os anos de 1920 até 1950, algumas mulheres de classes sociais privilegiadas e as que tinham liderança em espaços sindicais e comunitários lutaram pelo reconhecimento dos seus direitos.
Aparentemente, a principal preocupação não eram os partidos políticos, mas articular estratégias conjuntas para que pudessem influenciar as decisões tomadas nos espaços do poder político.
No entanto, as diferenças que existiam em termos de compreender: o significado de ser mulher; o potencial do voto e as conquistas cidadãs constavam nas demandas que faziam:
Além das diferenças de classe, o grupo de mulheres que lutou para conquistar novos direitos não foi ideologicamente homogêneo. Apesar de que todas militavam na causa feminista, compartilhavam nesse momento uma visão maternal da mulher M o dever para com a família é nosso dever natural e principal M umas percebiam o lar como o único espaço legítimo de realização feminina e só estavam dispostas a defender seu direito ao voto sem exigir emendas aos arranjos do momento; enquanto outras, apoiandoM se num conceito de cidadania mais ampla, exigiam educação, direitos salariais e acesso a cargos públicos. (WILLS, 2007: 99)
O movimento de sufrágio feminino, também considerado a favor dos direitos políticos das mulheres, manteveMse forte entre os anos de 1943 e 1946. De acordo com Medina (1996), foram inúmeras as ações promovidas pelas mulheres: jornadas para recolhimento de assinaturas e envio de cartas aos membros do Congresso, buscando apoio para a aprovação do voto feminino. Outras enviaram mensagens por rádio e imprensa, assim como fizeram uma pesquisa de opinião dirigida ao público em geral, perguntando sobre os direitos políticos das mulheres. Havia
algumas líderes, entre elas: Ofélia Uribe, Mercedes Abadía e Matilde Espinosa, que visitavam regularmente o Congresso da República e paralelamente organizavam reuniões e congressos de mulheres para influenciar as leis.
Após essa ampla mobilização, houve uma fase de "enfraquecimento", que é apresentada pelo historiador Medina (1996). Por meio da história de vida de Mercedes Abadía, reconhecida líder sindical, consegueMse identificar as tensões existentes no cenário político dos anos de 1940. Mercedes Abadía, que trabalhou com mulheres de diferentes tendências políticas, foi capaz de influenciar nos processos que procuravam incentivar a participação das mulheres. No entanto, teve de lidar com as tensões e os sectarismos partidários entre comunistas, liberais e conservadores.
As divisões se intensificaram quando as mulheres feministas liberais se comprometeram com a candidatura de Jorge Eliécer Gaitán e, em seu discurso, o componente feminista se desintegrou. Durante esse período, foram muitos os esforços feitos pelas mulheres. No entanto, na Reforma Constitucional de 1945 não consagrou o direito ao voto das mulheres, gerando um refluxo do movimento.
A tensão entre comunistas e liberais tornouMse mais forte depois de finalizada a Segunda Guerra Mundial, e como afirma Medina (1996: 552), as ações não se fizeram esperar:
Dirigentes sindicais americanos implantaram suas ações apoiadas pelo Departamento de Estado a fim de excluir dos sindicatos latinoMamericanos os setores obreiros influenciados pelo comunismo. Por sua vez, o partido liberal, na Colômbia, impôs como linha oficial a expulsão da organização obreira Confederación de Trabajadores de Colômbia (CTC), os sindicatos controlados pelos comunistas.
Continuando sua reflexão, o autor destaca que a vertente que demonstrou mais continuidade nesse estágio sufragista foi a representada pelas mulheres conservadoras, as quais, dada sua filiação partidária, não poderiam ser tão facilmente reprimidas (MEDINA, 1996).
Por outro lado, as mulheres que representavam as classes média e alta estavam próximas das classes dirigentes. E direta ou indiretamente exerceram influência sobre os "líderes naturais" dos partidos políticos, como observa Wills (1996: 100),
A forma como eles operaram as fronteiras políticas liberais e conservadoras sobre as mulheres e homens foi distinta. Enquanto distinguiam as reivindicações das mulheres em termos de liberais, conservadoras ou de esquerda, o mesmo não ocorreu com as reações que suas reivindicações suscitaram nos políticos da época.
Para os homens dos partidos, sem importar a distinção política e a classe a que pertenciam, as demandas das mulheres e dos direitos que elas exigiam eram uma concessão da hegemonia masculina para o mundo feminino. Na realidade, quem decidiria tais solicitações, seriam eles mesmos. Ainda que com algumas nuances,