2.2. DESTİNASYON MARKA SADAKATİ
2.2.3. Destinasyon Marka Sadakatinin Boyutları
Essa falta de aproximação entre a formação e o mercado profissional tem sido pelo menos na área da Comunicação, o “calcanhar de Aquiles”. Um dos desafios, especialmente dos mestrados profissionais, é a inserção dos egressos no mercado de trabalho.
Quando se avalia os dados das instituições, no Ensino Superior Público, as três que abrigam a maior quantidade de doutores na área da Comunicação são: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de Brasília (UnB). No Ensino Superior Privado, são: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).
Os mestres estão distribuídos nas instituições de Ensino Superior Público: Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade do Rio Grande do Sul (UFGRS), entre outras. No Privado, estão: Universidade Paulista (UNIP), Universidade Estácio de Sá, Universidade Anhembi-Morumbi e Universidade Presbiteriana Mackenzie etc. A instituição que abriga mestres e doutores no setor Exterior é o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Com referência aos Setores Empresarial Público e Privado, vários são os espaços que recebem tanto doutores quanto mestres. Dentre as empresas e instituições citamos: Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa), Banco do Brasil, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Petróleo Brasileiro (Petrobras), Editora Abril, Empresa Folha da Manhã, Companhia Vale do Rio Doce, Natura Inovação e Tecnologia de Produtos, entre outras.
2.5 Grupos de Pesquisa em Comunicação ---
É possível afirmar que este é um período onde a necessidade de definir formas de produção de conhecimento está em ascensão. As instituições de ensino superior público e privado buscam diversificar as formas de avaliação da produtividade de seu corpo docente, pois construir conhecimento de forma isolada já não integra as atividades de grande parte dos pesquisadores que estão nos espaços da pós-graduação. As agências de fomento
e as próprias universidades estimulam a prática do diálogo entre as áreas, da produção conjunta e dos espaços de atividades que possam reunir não somente doutores, mas mestres e estudantes dos vários níveis (doutorandos, mestrandos e graduandos), além de técnicos e outros agentes.
Um grupo de pesquisa pode ser definido como “um conjunto de indivíduos organizados em torno de um ou mais objetos de estudo”, geralmente sob a liderança de um pesquisador, com titulação preferencialmente de doutor e pela existência de mais estudantes de graduação, pós-graduação e técnicos de nível superior. Para que as atividades sejam desenvolvidas é preciso que ocorra o
envolvimento profissional e permanente com atividade de pesquisa e que o trabalho seja organizado em torno de linhas comuns de pesquisa.
Os grupos de pesquisa são motores da produção científica. É necessário estimular essas iniciativas e ampliar o número de participantes.
Desenvolvido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), em 1992, as informações constantes nesse espaço “(...) dizem respeito aos recursos humanos constituintes dos grupos (pesquisadores, estudantes e técnicos), às linhas de pesquisa em andamento, às especialidades do conhecimento, aos setores de aplicação envolvidos, à produção científica e tecnológica e aos padrões de interação com o setor produtivo. Além disso, cada grupo é situado no espaço (região, UF e instituição) e no tempo”49. O CNPq realiza censos
bi-anuais na base de dados. Normalmente localizados em universidades, institutos de pesquisa e em outros espaços, como laboratórios, não incluindo em suas estatísticas os grupos “localizados nas empresas do setor produtivo”. Talvez esse seja um desafio. Criar uma base de dados que possa acompanhar o desenvolvimento dessa formação.
Os grupos atendem a três finalidades principais, definidas pelo CNPq,
No que se refere à sua utilização pela comunidade científica e tecnológica no dia-a-dia do exercício profissional, é um eficiente instrumento para o intercâmbio e a troca de informações. Com precisão e rapidez, é capaz de responder quem é quem, onde se encontra, o que está fazendo e o que produziu recentemente.
Seja no nível das instituições, seja no das sociedades científicas ou, ainda, no das várias instâncias de organização político-administrativa do país, a base de dados do Diretório é uma fonte inesgotável de informação. Além daquelas informações diretamente disponíveis sobre os grupos, seu caráter censitário convida ao aprofundamento do conhecimento por meio das inúmeras possibilidades de estudos de tipo survey. A construção de amostras permitirá o alcance de respostas sobre campos não cobertos pelos dados, como, por exemplo, o financiamento, a avaliação qualitativa da produção científica e tecnológica, bem como o padrão fino das interações entre grupos de pesquisa e o setor produtivo. Desta forma, é uma poderosa ferramenta para o planejamento e a gestão das atividades de ciência e tecnologia.
Finalmente, as bases de dados, na medida em que é recorrente (realização de censos), têm cada vez mais um importante papel na preservação da memória da atividade científico-tecnológica no Brasil.
O último censo realizado pelo CNPq50, a respeito dos cadastros em seu Diretório de Grupos de
Pesquisa, é datado de 200851. Esse levantamento aponta que, no país, até aquela ocasião,
havia 366 grupos52 cuja área predominante é a Comunicação, a qual está subordinada à grande
área de Ciências Sociais Aplicadas. O mesmo levantamento indica que esses núcleos comportam 897 linhas de pesquisa, contando com a participação de 2.265 pesquisadores.
Se for levado em consideração o território de atuação desses centros de produção de conhecimento, observa-se que eles estão assim distribuídos: 10 grupos no Norte; 66 no Nordeste; 19 no Centro-Oeste; 180 no Sudeste; e 91 no Sul. Esse mapa, portanto, não está
49 Disponível em http://www.cnpq.br/gpesq/apresentacao.htm, acesso em novembro de 2010.
50 Os dados aqui apresentados foram extraídos das estatísticas do próprio CNPq, disponíveis no endereço http://dgp.cnpq.br/buscagrupo/, acesso em novembro de 2010.
51 É necessário mencionar que está sendo realizado um novo censo, em 2010, cujos dados ainda não estavam disponíveis quando do desenvolvimento dessa pesquisa.
52 Embora se a buscar for pela palavra-chave “comunicação” um número muito mais expressivo aparece nos resultados, mas neste caso a “comunicação” entra apenas como suporte e não como linha primordial de pesquisa, por isso a opção por depurar a seleção e focalizar os grupos de comunicação especificamente.
destoante do esboço dos pesquisadores mestres e doutores, que estão, em sua grande maioria, também nas regiões Sudeste e Sul, conforme apontou o próprio CNPq, em outubro de 2010. Uma análise mais detalhada desse cenário pode ser feita levando-se em conta os Estados aos quais os grupos estão ligados. Com relação a esse aspecto, aparecem os seguintes números:
Tabela 9
Divisão de grupos de pesquisa em Comunicação por Estado de origem – 2010 Regiões/Estados Grupos de Pesquisa Total Geral 366 Total Centro-Oeste 19 Distrito Federal 5 Goiás 3 Mato Grosso 7
Mato Grosso do Sul 4
Total Nordeste 66 Alagoas 3 Bahia 29 Ceará 4 Maranhão 2 Paraíba 6 Pernambuco 11 Piauí 3 R. G. do Norte 4 Sergipe 4 Total Norte 10 Acre 1 Amapá 0 Amazonas 2 Pará 3 Rondônia 0 Roraima 1 Tocantins 3 Total Sudeste 180 Espírito Santo 7 Minas Gerais 24 Rio de Janeiro 33 São Paulo 116 Total Sul 91 Paraná 24 R. G. do Sul 47 Santa Catarina 20
O Estado de São Paulo tem a maior representação, com 116 grupos, representando 64% da Região Sudeste e 32% de todos os grupos. O Estado da Bahia ocupa o segundo lugar em número de Grupos de Pesquisa, com 66, representando 44% da Região Nordeste e 18% do total.
Na Região Norte, onde dados anteriores apontaram a não existência de doutores nos Estados do Acre, Amapá e Roraima, somente Amapá não tem registrado nenhum grupo de pesquisa. Por outro lado, Rondônia que tem dez doutores não possui nenhum grupo de pesquisa cadastrado. Ao comparar os dados com o número de doutores e mestres nas regiões, nota-se uma disparidade muito grande entre os dados, demonstrando que, embora importante, parte significativa dos titulados não mantém grupos de pesquisa cadastrados. Outra advertência que deve ser feita é que o pesquisador pode estar ligado a mais de um grupo e nesse sentido, os dados poderiam demonstrar uma variedade ainda maior.
É importante destacar que, na última década, houve um crescimento considerável no número de grupos de pesquisa da área. Entre 2000 a 2008, conforme ilustra o próximo quadro, o montante saltou de 95 para 366, representando um aumento de mais de 350%, sendo que o período de maior ascensão – de um censo para outro – corresponde ao biênio 2003-2004.
Quadro 03
Censos dos grupos de pesquisa cadastrados no CNPq Anos
2000 2002 2004 2006 2008
95 161 270 330 366
Fonte: Dados dos autores, outubro de 2010
As razões dessas alterações acompanham, de certo, a própria evolução dos programas de pós- graduação da área, que subiu de 12 para 39, nos últimos dez anos53. Novos programas
compreendem, também, novas ações que visam institucionalizar e nuclear pesquisadores em torno de estudos sobre objetos comuns à área comunicacional.
Embora os indicadores que retratam a situação desses grupos permitam visualizar um panorama evolutivo, duas advertências devem ser feitas com relação a eles. O primeiro é que, como já foi explicado, os dados que nos orientam são de 2008, uma vez que o CNPq ainda está em fase de elaboração do novo recenseamento, o qual deve ser publicado em 2011; todavia, temos consciência de que, nos últimos dois anos, novas iniciativas foram tomadas, em todo o país, e certamente os números aqui apresentados sofrerão alterações.
Outro alerta – feito por Richard Romancini (2006, p. 149), em sua tese de doutoramento sobre o campo científico da Comunicação – é que os grupos de pesquisa sobre cinema – “por razões históricas”, conforme o autor – se inserem, muitas vezes, na área de Artes. Ao trabalhar com dados oficiais do Ministério da Ciência e Tecnologia, que dá liberdade aos pesquisadores e às instituições para cadastrarem suas atividades nas plataformas da internet, observa-se que provável que existam outros núcleos que trabalham com objetos de interesse da Comunicação –
53 Dados extraídos da relação de cursos de pós-gradução stricto sensu recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), disponível no endereço: http://dgp.cnpq.br/buscagrupo/, acesso em novembro de 2010.
especialmente o cinema –, mas não foram contemplados no levantamento apresentado pelo CNPq54.
2.6 Produtividade na pesquisa em Comunicação ---
Nesta investigação sobre o Panorama da Comunicação no Brasil a modalidade de Bolsa de Produtividade em Pesquisa (PQ)55 é um dos mais tradicionais instrumentos de apoio a pesquisa
no Brasil. Concedida pelo CNPq foi instituído em 1951, com a finalidade de “distinguir o pesquisador, valorizando sua produção científica segundo critérios normativos, estabelecidos pelo CNPq, e específicos, pelos Comitês de Assessoramento da Instituição”. Concedida para quem tem o título de doutor ou perfil científico equivalente, considera como critérios de seleção a produção científica, participação na formação de recursos humanos e sua contribuição para a área, entre outros. A análise é comparativa e os bolsistas são distribuídos em cinco níveis: 1A, 1B, 1C, 1D e 256, sendo o 1ª o mais alto.
Em 2010 mais de 3.230 pesquisadores receberam bolsas. São no total 12.100 bolsistas de Produtividade, nas oito áreas de concentração do CNPq, representando um crescimento de 18% em relação ao ano de 2008. “Desde o início de 2003, já foram concedidas 4.300 novas bolsas PQ, significando uma ampliação do número de pesquisadores atendidos nesse programa em 55%”57.
Embora interessante essa modalidade de estímulo, os critérios de avaliação vem sofrendo várias críticas, especialmente com referência a homogeneidade das análises, quer dos pesquisadores ou de sua produção, para a concessão da bolsa. Mais quantitativos que qualitativos, ainda estão muito ligados a quantidade de publicação, levando em consideração um padrão igual para todos os pesquisadores atuantes em qualquer centro de pesquisa do país, passando a ideia que todos os pesquisadores possuem as mesmas condições de pesquisa nos centros onde atuam.
Para o professor Carpinteiro58, o CNPq pressupõe que todos os
pesquisadores atuam em centros que possuam, pelo menos, programas de mestrado, doutorado e grupos de pesquisa consolidados. E que em função disso possam “desenvolver pesquisas conjuntas com outros pesquisadores e seus orientados”.
Em um país de dimensões como o Brasil, com tantas desigualdades (como já demonstrado anteriormente), é natural que isso não aconteça.
Outro alerta feito pelo pesquisador é que não se pode medir a produtividade apenas pelo número
54 Convém observar que no Diretório de Grupos de Pesquisa há uma infinidade de informações, permitindo os mais variados cruzamentos. Os dados ali disponibilizados dariam, por si só, uma grande pesquisa.
55 Também há a modalidade de bolsa em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT), em cujos critérios são semelhantes a bolsa PQ.
56 A classificação, o enquadramento e a progressão do bolsista de Produtividade em Pesquisa, por categoria e nível, bem como as recomendações de rebaixamento de nível e/ou exclusão do sistema, são atribuições dos Comitês de Assessoramento. Os critérios adotados pelos CAs para atender o item acima serão revistos a cada 3 (três) anos. Disponível no site do CNPq (http://www.cnpq.br).
57 Informações da Assessoria de Comunicação Social do CNPq.
58Otávio A. S. Carpinteiro é pesquisador da Universidade Federal de Itajubá. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”, disposível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=54272. As bolsas de produtividade são estímulos. É necessário definir critérios claros e transparentes, não somente para contemplar o pesquisa, mas para
a manutenção da bolsa.