BULGULAR VE YORUMLAR
4.1. Almanca Ders Kitaplarının Çözümlenmesi ile Elde Edilen Bulgular ve Yorumlar
4.1.1.3. Ders Kitabında Ġçerik – Ülkebilgisi
Ao relatar os agentes da frente de expansão, durante as diferentes épocas da situação de fronteira vivida em Pimental, os moradores destacaram dois atores: a igreja católica e a igreja da Assembleia de Deus. Elementos figurativos que, mais do que expressar a oposição entre confissões religiosas, revelam as disposições que os oporão em relação à hidrelétrica, a mais recente frente pioneira da região.
Tomando, portanto, a confissão religiosa como figuração central, há uma tendência clara, no universo dos entrevistados, de os católicos se posicionarem contra a construção da UHE de São Luiz do Tapajós, enquanto os evangélicos não demonstraram maior resistência, ou seja, para 28% dos entrevistados, a passividade diante das mudanças promovidas pela hidrelétrica se traduz na expressão: “Seja o que Deus quiser”. Conquanto a frase possa sugerir uma desistência da luta, no caso dos moradores entrevistados, o termo está antes associado à entrega do problema a uma possível solução divina.
“Antes eu estava me sentindo pressionada, como uma bomba-relógio... Por mim agora, depois de Deus, ela [a hidrelétrica] pode sair a qualquer hora. Porque ela só sai se Deus permitir82”.
“Só Deus é que administra as coisas, só ele é quem pode. Não posso me opor [à construção da hidrelétrica]. Tenho que ficar tranquilo, espero que Deus aja na vida dos homens”83.
Os dois relatos acima sintetizam a opinião dos 14 entrevistados que entregaram a Deus a responsabilidade de decidir sobre a questão da hidrelétrica, onze deles sendo evangélicos e três que declararam não ter religião. Nenhum deles era católico.
Entre os 10 católicos entrevistados, apenas um não apresentava resistência à obra. Todos os outros participavam de movimentos e eventos de luta contra o empreendimento.
Se analisarmos o universo total de entrevistados, nota-se que a maioria daqueles que estão totalmente contra a obra são católicos, enquanto que a maioria dos que não resistem ao empreendimento são evangélicos, conforme mostram os gráficos:
82 Entrevista nº 22, realizada em 20/2/2013. 83 Entrevista nº 29, realizada em 24/2/2013.
Figura14 – Gráfico: moradores entrevistados que demonstram resistência à hidrelétrica, de acordo com a confissão religiosa.
Figura 15 – Gráfico: moradores entrevistados que não apresentam resistência à hidrelétrica, de acordo com a confissão religiosa.
Os católicos entrevistados, cuja maioria se opõe à construção da hidrelétrica, vivem, majoritariamente (60%), na ponta de cima. São os chamados “barraqueiros”, que, no fluxo do deslocamento da fronteira, são os que têm sido expulsos pelo agente de expansão
Católica 75%
Evangélica 25%
Fonte: Entrevistas com moradores de Pimental realizadas entre fevereiro e março de 2013, durante a pesquisa de campo.
Católica 5%
Evangélica 95%
Fonte: Entrevistas com moradores de Pimental realizadas entre fevereiro e março de 2013, durante a pesquisa de campo.
mais recente, os agentes da modernidade, a exemplo da Assembleia de Deus, enquanto que os evangélicos entrevistados vivem, em grande parte (72%), na centralidade de Pimental, na
ponta de baixo:
Figura 16 – Gráfico: Perfil dos entrevistados, de acordo com a confissão religiosa e local de residência
Nesse contexto, os dados das entrevistas mostram que os católicos, mesmo sendo fundadores de Pimental e estando na centralidade, pelo menos até meados da década de 1980, a partir do momento em que a igreja evangélica se instalou em Pimental, vêm sendo deslocados (expulsos), saindo da ponta de baixo – do centro – para a periferia, a ponta de
cima.
Esse deslocamento mostra que há uma substituição nas relações de poder em Pimental: enquanto a Igreja Católica vem perdendo lugar, a Assembleia de Deus garante cada vez mais sua centralidade.
O que chama atenção nesse gráfico é o deslocamento feito pelos católicos, em um momento posterior à chegada da Assembleia de Deus. Como a igreja evangélica aí se instalou depois de 50 anos da constituição de Pimental, há de se imaginar que ela tenha se estabelecido na periferia, e muitos de seus seguidores estejam vivendo na ponta de cima, local povoado
60,0% 9,1% 40,0% 72,7% 0,0% 9,1% 0,0% 9,1% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Católica Evangélica Itaituba Colônia Ponta de baixo Ponta de cima
Fonte: Entrevistas com moradores de Pimental realizadas entre fevereiro e março de 2013, durante a pesquisa de campo.
mais tardiamente. Porém, o quadro observado por mim durante a pesquisa de campo foi diferente.
Como demonstrado nos gráficos, além de os católicos viverem atualmente na
ponta de cima, a própria sede da Igreja de São Sebastião foi expulsa do local onde
originalmente foi instalada. Ainda no final dos anos 1980, uma nova sede da Igreja de São Sebastião foi construída, na ponta de cima, nos limites de Pimental. O motivo alegado, segundo entrevistados católicos, foi que as atividades da festa de São Sebastião atrapalhavam o cotidiano da escola, construída durante a década de 1970 e marco da primeira ação do Estado brasileiro em Pimental, um dos agentes de modernização da cidade.
Esses moradores disseram que os católicos nunca foram a favor da mudança de sede, já que a atual se localiza na área periférica, em um local onde poucas pessoas circulam e sujeita a alagamentos constantes.
“Nós, os católicos, nunca fomos a favor da mudança. Agora, nunca ninguém fica sabendo quando as missas são realizadas, quando fazemos qualquer outro tipo de evento, reunião. Ficamos à margem, onde só há alagamento84”.
Essa explicação mostra uma questão interessante para analisar: ao caracterizar o local da nova sede da Igreja de São Sebastião, o entrevistado cita a questão do alagamento, o qual, não coincidentemente, é o problema principal que a implantação da hidrelétrica trará a Pimental. Nesta fala, o entrevistado coloca, via código interpretativo, a sua opinião sobre a hidrelétrica, negando o alagamento.
Já a Assembleia de Deus, de acordo com entrevistas de três moradoras 85, se instalou na ponta de baixo, em terreno doado por um ex-morador de Pimental que havia se convertido à religião. Essa igreja está situada em uma das principais ruas, para onde outras ruas convergem, fazendo com que os transeuntes ali passem obrigatoriamente para poder chegar à escola, ao rio Tapajós, etc. Assim, qualquer evento realizado na igreja fica sendo conhecido pelos moradores.
84 Entrevista nº 16, realizadas em 13/2/2014.
Figura 17– Mapa: localização da Igreja Assembleia de Deus e da nova sede da Igreja de São Sebastião em Pimental.
Ao analisar o deslocamento dos católicos, fundadores de Pimental, a partir Desde a perspectiva do deslocamento da frente de expansão, vê-se que, da mesma forma como os católicos expulsaram os índios no século XIX, os evangélicos expulsam os católicos, a partir da década de 1980. Desta forma, os evangélicos são os agentes do mundo moderno, são eles que abrem a porta para a hidrelétrica.
3.4. Para além do deslocamento: assimilação da Assembleia de Deus em