İLGİLİ ÇALIŞMALAR VE ARAŞTIRMALAR
2.3. Türkiye’deki Evlilik Araştırmaları
2.5.4. Depresyona Farklı Kuramsal Yaklaşımlar 1 Tanımlayıcı Yaklaşımlar
Adentrando a análise, começaremos pelo único professor partícipe da pesquisa, já que os outros entrevistados são do sexo feminino.
Começando pelo primeiro eixo orientador da nossa análise, que se refere às experiências prévias vividas no seio da família, a literatura tem sinalizado que as vivências ocorridas nesta instância formativa, principalmente quando se tem familiares professores,
influem na apropriação/incorporação de certos saberes, tais como os valores morais, a postura ante os educandos, o gosto pelo ensino, os quais se amalgamam a outros saberes professorais.
Há também, mormente no seio familiar, a constituição de uma espécie de ordem moral doméstica (LAHIRE, 1997) que se caracteriza, sobretudo na camada popular da qual fez parte o nosso informante por um esforço intenso em prol da escolarização, o qual é posto em marcha pelo filho individualmente e/ou pelos pais.
Quanto aos depoimentos do professor Rodrigo, parece-me que não há uma relação direta mediante a qual se possa apontar que houve influências familiares no que concerne à inculcação de certos saberes próprios do ofício docente, talvez pelo fato de não possuir nenhum familiar cujo ofício era a docência, ou alguém que lhe era próximo e que exercia o magistério. Muito embora haver elementos que acenam para a constituição de um habitus caracterizado por um esforço intenso no tocante aos estudos, ainda que a privação material fosse, em certa medida, um elemento obstaculizador. Os relatos a seguir são uma amostra da forma como o professor se refere ao contexto familiar considerando a sua escolarização:
O meu pai sempre valorizou o estudo, o que ele pôde fazer dentro do possível para auxiliar a gente, eu e minhas irmãs, para que a gente estudasse, ele fez, com livros, o que precisasse ele dava um jeito, mesmo com condições bem limitadas, o que ele pôde fazer para gente estudar ele fez. No caso da minha mãe ela não teve estudo, é do lar, o meu pai já muito esforçado, ele só tinha até a quarta série, ele trabalhando ele fez o telecurso, e foi um incentivo muito grande. Mas, minha mãe ia as reuniões dos professores, meu pai não tinha como ir, estava sempre trabalhando, mas o incentivo ao estudo era sempre muito grande.
Quando perguntado se houvera na família alguma influência com relação à escolha da docência, o professor já acena para alguns indícios de como ele vislumbra a profissão, o seu relato ilustra o fato de que para ser professor tem que haver vocação:
Eu até tive uma irmã que se formou em matemática, só que ela não tem vocação para dar aula, ela agora tá fazendo outro curso, ciências contábeis, e trabalha num escritório. A outra faz administração e tá acabando o curso. Entretanto, apesar da referência à vocação como devendo ser elemento inerente da
tinha nenhuma percepção sobre o que eu queria pra minha vida, nenhuma perspectiva profissional, na verdade eu demorei pra descobri, foi longo .
Ainda que não se possa atribuir à família como um espaço/tempo de aprendizagem da docência, trata-se de uma instância de socialização que leva à incorporação de disposições, à
constituição de um habitus ransponíveis que,
integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de , o qual, ao que nos parece, foi transposto para atividade diária do professor em comento, sobretudo no tocante ao seu empenho em prosseguir nos estudos e na sua relação com os seus alunos.
A atividade de ensino requer um mínimo de empatia entre educador e educando, um voltar-se ao outro para ajudá-lo, uma certa disponibilidade. Mas em que lugar aprendemos a ser assim, afetuosos com nossos estudantes? No curso de formação inicial? É difícil precisar o lugar no qual incorporamos esse saber de dimensão afetiva, mas, a meu ver, é por excelência no seio da família que ele se desenvolve, tal como ilustraremos no relato do professor Rodrigo.
Na sua atividade cotidiana o educador mobiliza saberes distintos, são saberes complexos, dinâmicos e multifacetados. Uma característica importante dos saberes docentes é a sua dimensão afetiva e, portanto, relacional. Ensinar implica uma relação mais estreita com os alunos, sem a qual a aprendizagem pouco se desenvolve. Neste particular, vejam o que dissera o professor de química em relação à afetividade no processo de ensino:
Pestalozzi foi um grande educador, e ele falava muito da importância da afetividade no processo de ensino, de aprendizagem, não há como você ensinar, não tem como o estudante aprender se não houver essa afetividade, essa proximidade com o aluno, não tem como estabelecer esse laço sem criar uma relação de respeito, é fundamental o afeto na aprendizagem.
Outro componente importante de se destacar diz respeito à militância religiosa. Juntamente com a família ela nos parece ser Basilar à incorporação de disposições que constituem o habitus, nomeadamente no relativo à dimensão afetiva, a qual o depoente fez referência em quase todo o seu depoimento [...] temos que ser próximos dos alunos, não tem como estabelecer esse laço sem criar uma relação de respeito, é fundamental o afeto na aprendizagem. A militância religiosa desse sujeito indicia a importância dessa prática no tocante a alguns aspectos da aprendizagem professoral.
As múltiplas experiências vivenciadas pelo nosso informante enquanto evangelizador de crianças e adolescentes o estimularam sobremaneira, atenuando, por exemplo, sua timidez em falar em público. Nesta atividade, a qual começara aos quinzes anos de idade, o professor foi-se apropriando de conhecimentos e saberes mais amplos que hoje repercutem no seu
trabalho e que o auxiliam em sala de aula. Sobre essa atividade ele disse:
Eu sempre trabalhei com evangelização infantil, trabalhei fazendo estudos, palestras, desde os meus 15 anos. Então isso me estimulou muito, eu creio que isso foi fundamental, de eu ter feito parte do pró-jovem, oficina, palestra, estudo, então assim, isso tudo me ajudou muito na hora de eu assumir uma sala de aula.
A atividade do professor requer certo domínio da oratória, uma fala bem articulada. No caso concreto em estudo, este requisito fundamental do oficio docente foi sendo desenvolvido desde a adolescência, resultante de diversas experiências socializadoras, dentre as quais se destaca sua vivência religiosa, sem a qual sua ação pedagógica, a nosso ver, não apresentaria a relevância o quesito afetivo, na relação professor/aluno.
Pelos relatos, parece que o professor não interrompeu a sua atividade de
formal. Percebe-se aqui a transferência de um habitus, muito caracterizado por valores religiosos e morais, para o exercício profissional. Há por parte do entrevistado o compromisso moral e afetivo com seus alunos e a recorrente preocupação com a situação atual dos jovens, sobretudo no relativo às drogas. Sobre isso ele disse:
A gente tem que trabalhar a questão do prazer, a escola tem que ser um ambiente prazeroso, um lugar em que o aluno vai com vontade, ou seja, tem que sentir prazer. Outra coisa, com relação às drogas, a gente percebe na sociedade, não existe opções boas, saudáveis, para o jovem se divertir, e para uma festa sem beber, ele não tem vivenciado festas saudáveis sem bebida. O aluno tem que vivenciar outras possibilidades, de forma saudável sem precisar de beber, então o jovem vivenciando pelo menos, a gente como cidadão, é um dever nosso, criar possibilidades saudáveis, cada um fazendo a sua parte, se você olhar hoje não tem oportunidade boa para jovem, ou seja, o jovem não tem opção, então você tem que criar possibilidade saudáveis.