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Denge Döviz Kurunu Uzun Dönemde Açıklayan Yaklaşımlar

2. ALTERNATİF DENGE DÖVİZ KURU YAKLAŞIMLARI

2.3. Denge Döviz Kurunu Uzun Dönemde Açıklayan Yaklaşımlar

Os pequenos produtores estarão igualmente expostos às mudanças na temperatura e na precipitação previstas para o Brasil pelos cenários futuros de mudança climática (Tabela 12). Todavia, acredita-se que sua vulnerabilidade é maior que a média do setor, já que são mais dependentes da produção agrícola e menos preparados para empreender ações de adaptação. Nessa seção, portanto, foi testada a validade dessas hipóteses e verificado o papel da irrigação nesse processo.

A Tabela 21 apresenta as estimativas médias do valor da terra para estabelecimentos agropecuários com até 10 hectares, para cada período de tempo e cenário climático, considerando irrigantes e produtores de sequeiro.

Tabelas 21 – Estimativas do efeito das mudanças climáticas sobre o valor médio da terra de irrigantes e produtores de sequeiro, modelo para pequenos produtores

Variável de resposta Irrigantes

Produtores

de sequeiro Diferença P-valor

Período Atual Valor Terra 8.780,59 12.379,93 -3.599,34*** 0,0000 Cenário A1B Valor Terra (2020) 10.578,71 4.951,34 5.627,38*** 0,0000 Valor Terra (2050) 10.575,46 4.885,44 5.690,02*** 0,0000 Valor Terra (2080) 10.567,44 4.841,43 5.726,01*** 0,0000 Cenário A2 Valor Terra (2020) 10.578,71 4.968,00 5.610,72*** 0,0000 Valor Terra (2050) 10.578,00 4.999,81 5.578,19*** 0,0000 Valor Terra (2080) 10.575,65 4.848,90 5.726,74*** 0,0000

Notas: (1) A variável Valor Terra está cotada em 1.000 R$ (valores referentes ao Censo Agropecuário 2006); (2) ETM1 calculado pelo método kernel; (3) P-valor baseado no erro padrão calculado por bootstrap; (4) (***) indica significância a 1%.

Verifica-se na Tabela 21 que, nos estabelecimentos agropecuários com até 10 hectares que continuarem praticando agricultura de sequeiro, poderá haver considerável prejuízo em relação à produção irrigada. Para todos os períodos de simulação, espera-se que o valor médio da terra de pequenos produtores irrigantes seja aproximadamente o dobro do valor de sequeiro. Em relação ao valor estimado para o período atual (Tabela

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20), as perdas para a produção não irrigada poderiam chegar a cerca de R$7,4 milhões já nos próximos 30 anos (período de 2010 a 2039).

A variação dos valores da terra de estabelecimentos agropecuários com até 10 hectares que praticam irrigação ou agricultura de sequeiro (Tabela 21), em relação às estimativas do período atual (Tabela 20), é apresentada na Tabela 22 e na Figura 14.

Tabela 22 – Variação percentual do valor da terra estimado em cada período futuro e cenário climático em relação ao valor estimado para o período atual, modelo para pequenos produtores

Variável de resposta

Cenário A1B Cenário A2

Irrigantes Produtores de Sequeiro Irrigantes Produtores de Sequeiro ∆% Valor Terra (2020) 20,48 -60,01 20,48 -59,87 ∆% Valor Terra (2050) 20,44 -60,54 20,47 -59,61 ∆% Valor Terra (2080) 20,35 -60,89 20,44 -60,83

Se os produtores com até 10 hectares utilizarem irrigação, espera-se aumento do valor da terra, que pode chegar a 20,5% em 2020 e 2050, e a 20,4% em 2080. Para a pequena produção não irrigada, são esperadas reduções do valor da terra da ordem de 60% em 2020, de 60,5% em 2050 e de 61% em 2080. Seo e Mendelsohn (2008a), utilizando a modelagem hedônica tradicional, estimaram que os pequenos produtores da América do Sul poderiam ter perdas de até 44%.

Esses valores permitem a construção de um cenário de impactos das mudanças climáticas bastante distinto ao da média da produção agrícola brasileira, descrito na seção 6.5. Inicialmente, sobre o aumento no valor da terra de irrigantes, acredita-se que os resultados sejam consequência dos ganhos de produtividade. Como, em geral, pequenos produtores são pouco produtivos, a utilização de irrigação tenderia a aumentar sua produtividade numa proporção superior à da média dos demais tipos de agricultores. Além disso, o valor da terra de pequenos agricultores pode ter dinâmica diferenciada. Se esses produtores estiverem localizados mais próximos ao meio urbano ou se realizam cultivos de maior valor de mercado, como, por exemplo, a agricultura orgânica, faz sentido que os ganhos em termos de valor da terra sejam mais expressivos.

Já as perdas, consideravelmente maiores, podem estar relacionadas à maior dependência desses produtores em relação à produção agrícola e ao fato de a maior

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parcela dos estabelecimentos com até 10 hectares estar localizada no Nordeste (cerca de 60%). Essa região será a que sofrerá os maiores efeitos negativos das alterações futuras do clima. Segundo Margulis e Dubeux (2010), as principais culturas produzidas no Nordeste, notadamente as de subsistência, sofrerão forte impacto negativo devido à elevação da temperatura à redução da oferta de recursos hídricos; sem nenhum tipo de adaptação, as áreas de cultivo dos estados nordestinos podem ser consideravelmente reduzidas.

Irrigantes Produtores de Sequeiro

Va ria çã o P erc en tu al (Atua l = 10 0) 0 20 40 60 80 100 120 140 (a)

Irrigantes Produtores de Sequeiro 0 20 40 60 80 100 120 140 (b) Atual 2020 2050 2080 Va ria çã o P erc en tu al (Atua l = 10 0)

Figura 14 – Variações percentuais do valor da terra de irrigantes e produtores de sequeiro em relação ao período atual, cenários A1B (a) e A2 (b), modelo para pequenos produtores.

Os resultados dessa seção confirmam, novamente, que a irrigação configura-se como efetiva medida de adaptação. Embora no período presente, como esta pesquisa

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tem mostrado, seus retornos ainda não sejam tão expressivos, é possível afirmar que, sob cenários futuros de mudanças climáticas, os benefícios serão superiores aos seus custos.

A confirmação de que pequenos produtores possivelmente terão impactos negativos superiores aos da média do setor agrícola pode trazer uma série de consequências adversas ao país, uma vez que, de acordo com o Censo Agropecuário 2006 (IBGE, 2006), cerca de 50% dos estabelecimentos agropecuários do Brasil têm produções agrícolas realizadas em áreas com, no máximo, 10 hectares. Além disso, conforme Speranza e Féres (2010), a pequena produção agrícola é uma das principais fontes de emprego no meio rural. Embora só responda por 30% do uso da terra, é responsável por aproximadamente 77% de toda a mão de obra empregada, sendo que em algumas regiões, como Norte, Nordeste e Sul, esse percentual é ainda mais alto. Dessa forma, os impactos negativos previstos nesta pesquisa podem desencadear desequilíbrios no mercado de trabalho rural, com efeitos diretos sobre os níveis de migração e o nível geral de bem-estar e segurança alimentar da sociedade.

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Benzer Belgeler