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Na década de 1950 e nos primeiros anos 1960, contexto histórico de nossa pesquisa, apresentava uma conjuntura internacional em que se evidenciavam as ambições do expansionismo do comunismo, o que gerava inquietações nos países

periféricos do Ocidente chamado “livre”, como no caso o Brasil. Assim, questões

relativas ao desenvolvimento econômico, debates político-institucionais, soberania nacional, a política internacional entre outras norteavam o panorama do período. E a questão do nacionalismo impregnou todo aquele momento histórico. E os setores nacionalistas, que adotaram diferentes perspectivas, defendiam ideias e propostas que tinham pontos em comum, mas também pontos discordantes. Em geral, defendiam o desenvolvimento do país direcionado e controlado pelo Estado. Outros setores nacionalistas propalavam que o Estado fizesse investimentos diretos em setores estratégicos, além de serem contrários ao investimento de capital externo. Enquanto outros apregoavam a necessidade de empresas estrangeiras investirem para o progresso

36 Desenvolvimento este pautado na industrialização como meta básica e, ao mesmo tempo, a síntese das

necessidades objetivas de todo o país (MENDONÇA, 1986, p. 73).

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Conforme Levy (1994) o PNB (Produto Nacional Bruto) é a expressão monetária dos bens e serviços

da nação. O debate em torno do nacional-desenvolvimentismo38 foi o ponto fulcral desse período. E inseridos nessas questões estavam as Forças Armadas que influenciadas pela conjuntura externa buscavam uma nova conceituação para as doutrinas de defesa e segurança nacional, pautadas no alinhamento ou não com o bloco capitaneado pelos EUA (KUNHAVALIK, 2009).

Vale dizer com relação à conceituação de “segurança nacional” no cenário da

chamada Guerra Fria39, ficaria articulada a questão do desenvolvimentismo, salientando que esta concepção era cara aos militares (tanto entreguistas quanto nacionalistas) e que também estava presente na agenda do presidente JK. Benevides (1976) aponta que a Organização Pan-Americana (OPA) criada em 1958, evidenciava claramente esta ideologia do binômio segurança x desenvolvimento. O próprio Presidente Juscelino assinalava que objetivos centrais da OPA seria a luta contra o subdesenvolvimento na América Latina e que isto impelia na necessidade de segurança do continente o que, por conseguinte acarretaria uma aliança política com os EUA a fim de estabelecer um programa estratégico de defesa do hemisférico e por conseguinte, pactos econômicos- militares com os norte-americanos .

Vale explicitar ainda, que o conceito-chave de “segurança nacional”, nesse

contexto, procurou se dissociar do pensamento clássico de “defesa nacional”, cuja

conotação os fundadores da Escola Superior de Guerra (ESG)40 desejavam evitar. A

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Conceito surgido Pós Segunda Guerra que buscava o desenvolvimento por meio da industrialização e seria ampliada com a gestão JK, onde o objetivo a ser alcançado era o desenvolvimento econômico baseados na industrialização, a urbanização e tecnologia, buscando a união de todos em prol deste objetivo, imprensa, sindicatos, partidos políticos, militares e intelectuais, estes últimos representados pelo Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) que foi um dos idealizadores desse conceito. (cf, VELLOSO, Mônica. A dupla face de Jano: romantismo e populismo. In: O Brasil de JK. GOMES. Ângela de Castro. 2ed. Rio de Janeiro, FGV/CPDOC, 2002, p.172).

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Foi o confronto político-estratégico e ideológico entre os EUA e a URSS pela supremacia mundial. A disputa se caracterizou pela ausência de uma guerra direta entre as duas super potências em razão do

poder equilíbrio nuclear e o temor da destruição mútua (“terror nuclear”). Porém, ambas entram em

confronto indireto por meio do envolvimento nos conflitos regionais, intervenções militares nas respectivas áreas de influência e apoio militar aos países aliados em guerras regionais. No que tange a América Latina a Guerra fria alterou a lógica das relações interamericanas, elevando a proteção da

“segurança nacional” ao topo da agenda da política externa dos EUA e transformando a América Latina,

entre outras áreas, simultaneamente num campo de batalha e no prêmio do conflito entre comunismo e anticomunismo, ocidente e leste. Em resposta aos desafios soviéticos, os EUA buscaram entender e consolidar sua supremacia no hemisfério ocidental, lançando uma cruzada anticomunista, os norte- americanos institucionalizaram as alianças político, militares e econômicas com as nações da região. Sobretudo, por meio de acordos militares, políticos e econômicos,, com tanto que fossem anticomunistas (MARQUES,2001).

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A Escola Superior de Guerra (ESG) foi criada em agosto de 1949, tendo como fundadores nomes como, Cordeiro de Farias (seu primeiro comandante), Juarez Távora e Golbery do Couto e Silva. O grupo que fundou a ESG partia do pressuposto da necessidade de estreitar os laços entre elites militares e civis na luta contra o comunismo. Portanto, desde seu início, a ESG foi uma escola dedicada não apenas a assuntos militares, mas pretendia ser um centro formador de civis e militares que viessem a ocupar postos

noção de segurança seria então, mais ampla do que a de defesa e se originaria do pensamento norte-americano da necessidade de uma mobilização total da sociedade como precondição de uma vitória na guerra moderna. No Brasil, ela foi interpretada em termos da urgência militar de enfrentar os problemas nacionais como um conjunto, onde os aspectos sociais e políticos estariam imbricados aos aspectos militares. Em termos ideais, a segurança nacional seria então, uma condição em que a nação se encontraria garantida contra qualquer tipo de ameaça, tanto externa quanto interna. E para se obter

esta “segurança” a nação, antes de tudo, o Estado deveria assegurar o desenvolvimento

do país (MARTINS FILHO, 2010).

Portanto, segundo Marques (2001), mais que uma política de defesa adaptada às condições existentes no pós segunda Guerra Mundial, a Doutrina de Segurança Nacional simbolizava - nos países da América Latina – um determinado projeto nacional construído de acordo com a concepção de mundo de seus formuladores, no qual o papel dos militares seria preponderante através da ação. É importante ressaltar, contudo, que por mais que as doutrinas latino-americanas reservassem algumas similaridades com a matriz norte-americana, elas seriam adaptadas conforme a situação política e social de cada nação.

Nesse contexto salienta-se a importância da ESG, que não era subordinada ao Ministério da Guerra, e que manteria seu prestígio de formadora ideológica por todo o período em questão, com afluxos cada vez maiores de alunos dos mais diversos setores da sociedade e dos vários ramos da atividade nacional. Seu campo de estudo se ampliaria com a criação do Curso de Mobilização Nacional e o Curso de Informação. O que parece então é que a ESG teria o fim de formar ideologicamente setores da sociedade das camadas mais altas, como os militares, funcionários de alto nível do governo e do setor privado, empresários entre outros. E por meio de seus cursos os Oficiais Generais (Generais, Brigadeiros e Almirantes) das três Forças, os altos burocratas do Estado e a elite empresarial nacional se conheceriam e se identificariam,

importantes na condução da política e economia nacional (MARQUES, 2001, p. 42). E segundo Dreifuss (1986) a ESG incorporou ao Brasil o pensamento maniqueísta dominante no cenário internacional da guerra fria. Como instituição, a ESG encorajou dentro das forças armadas normas de desenvolvimento associado e valores empresariais, ou seja, um crescimento cujo curso industrial foi traçado pelo capital estrangeiro e um Estado guiado por razões mais técnicas e menos “políticas”. Este Estado precisava ser forte a fim de conduzir este desenvolvimento, sendo a doutrina de segurança nacional o mecanismo

ideológico para a difusão de “construção nacional” amplamente disseminado no meio militar e

empresarial. E assim a fundação da ESG marcou o primeiro passo de uma elite militar bastante consciente da atuação das Forças Armadas na sociedade.

formando uma espécie de “bloco ideológico” coeso e único voltado para a temática do desenvolvimentismo e da segurança nacional (CARDOSO, 1978).

Vale dizer também que em 1952, o então Coronel Golbery do Couto e Silva definiria sua teoria sobre segurança a partir do contexto mundial, gerado pelo confronto ideológico entre EUA X URSS (guerra fria), ou seja, num cenário de bipolarização rígida do poder no campo internacional e do crescente antagonismo entre Ocidente cristão e Oriente comunista, para ele, a única garantia de segurança seria o fortalecimento do poder nacional. E tornava-se imperioso para o Brasil neste sistema bipolar aceitar o alinhamento com a superpotência que representava o ideal ocidental.

Com a nova geopolítica que surgiria com a ESG, o destino do Brasil estava

ligado ao destino do Ocidente e a soberania nacional só seria possível numa “guerra”

sem tréguas ao expansionismo comunista. E para se obter a vitória contra esse

“inimigo” a ajuda norte-americana seria essencial, e esse apoio viria através de acordos

de cooperação mútua como o TIAR41 de 1947 e o acordo Brasil- EUA de 1952. Vale dizer que esses pactos tinham desdobramentos não apenas no campo militar, mas também no campo econômico.

É importante salientar que a ligação Brasil e EUA em se tratando dos

interesses “nacionalistas”, do apoio norte-americano e do desenvolvimento econômico,

articulados aos interesses militares, o acordo Militar Brasil - Estados Unidos de 1952 estava alinhado ao tripé desenvolvimento, segurança nacional e progresso. Acordo este que previa a cooperação técnica e financeira para maior produção de matérias-primas e equipamentos estratégicos, devendo o Brasil isentar de impostos os bens de importação

e exportação ligados a “defesa comum”. E o Brasil deveria ainda, dentro de certos

parâmetros autorizados pela estabilidade política e econômica, contribuir, sem reservas, para o desenvolvimento e manutenção de uma força defensiva no hemisfério ocidental do chamado mundo livre. E assim, os militares brasileiros contariam com essa cooperação de equipamentos, serviços, materiais e assistência por parte dos norte- americanos.

A respeito do acordo de assistência militar entre Brasil - Estados Unidos de 1952, vale explicitar mais detalhadamente alguns aspectos que teriam desdobramentos

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TIAR Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, que reafirmava o pan-americanismo político, agora anticomunista, o tratado era um acordo militar pelo qual os EUA e os países da América Latina se comprometiam a apoiar um dos signatários em caso de ameaça armada externa. E o evento teve desdobramentos no plano econômico acordou-se a criação da Comissão Mista Brasil-EUA com a função de estudar e elaborar um programa para o desenvolvimento. E no plano político a criação da Organização dos Estados Americanos (OEA).

para a Marinha, no que se refere à renovação dos seus meios e da própria estratégia naval posterior.

Estabelecido em 1952, o acordo teve suas fundamentações tempos atrás, nos anos de 1930, no governo de Getúlio Vargas caracterizado pela política externa brasileira haver se tornado direcionada e movimentada pelos Estados Unidos (EUA), por causa de aspectos econômicos, sendo o Brasil um país agro-exportador e importador de produtos manufaturados, e também militarmente, a partir da cooperação entre ambos nos tempo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O próprio Osvaldo Aranha, Ministro das Relações Exteriores declarava que o Brasil deveria apoiar os EUA na sua função de potência mundial a fim de obter destes o apoio necessário para fincar a supremacia do Brasil na América do Sul (OLIVEIRA, 2005).

Destaca-se que a mais importante novidade no plano naval nos anos 1930 foi, sem dúvida, a retomada da construção naval no país. O novo arsenal foi completado neste período e de acordo com a política de industrialização de Vargas, o ministro da Marinha, Almirante Guilhem, se esforçou para que grande parte desse processo de construção dos novos meios navais fosse efetuada no Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras (AMIC).

Alves (2005) assinala que em menos de cinco anos o novo arsenal de marinha deu início a produção de nove modernos contratorpedeiros, número inicial da proposta do plano naval de 1932-1934 para essas embarcações. Salienta-se que a moderna construção naval no Brasil contou com importante auxílio técnico norte-americano, sobretudo nos anos da guerra.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, a Marinha do Brasil adotou um pensamento estratégico e operativo direcionado essencialmente para a defesa do tráfego marítimo e, no bojo dessa característica, para a guerra anti-submarino. Desse modo é natural que nos anos posteriores a 1945, os contratorpedeiros, os contratorpedeiros-de- escolta e os caça-submarinos, continuassem a receber atenção prioritária e que o programa de reaparelhamento em vigor desse ênfase aos contratorpedeiros.

Embora com o tempo outros tipos de navios fossem incorporados à Marinha, como os navios-auxiliares, continuava a percepção defensiva e anti-submarino sedimentada nos anos da guerra, orientação esta, estimulada pela guerra fria que se delineara logo após a Segunda Guerra (FLORES, SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO GERAL DA MARINHA, 1985).

Vidigal (1985) acentua que no período de 1942- 1945 – momento em que o Brasil esteve em guerra formal contra a Alemanha e Itália, lutando ao lado dos Estados Unidos – os auxílios, tanto de material quanto técnico, fornecido pelos norte-americanos e bem como a proximidade entre as forças gerou o pensamento de que os EUA permaneceriam tendo uma aliança especial com o Brasil, proporcionando os meios para que o país obtivesse a hegemonia no continente sul-americano. Vale dizer que essa ideia acompanhou os militares brasileiros nos primeiros anos do pós-guerra.

Com o início da guerra na Europa, Vargas foi obrigado a um alinhamento mais estrito com os Estados Unidos. A importância do Brasil para os EUA consistia na necessidade do controle de bases militares no Nordeste brasileiro, vitais para a defesa hemisférica e do atlântico Sul, também ao desejo norte-americano de exclusividade na compra de importantes matérias-primas minerais e ainda ao grande peso político regional do país, de modo que o apoio brasileiro era fundamental para a política pan- americana dos EUA.

Assim, tais características faziam do Brasil o mais influente aliado da América do Sul. Cônscio desses atributos brasileiros o Presidente Getúlio Vargas soube articular a adesão do país ao bloco norte-americano, conseguindo do Presidente Roosevelt o compromisso de auxílio técnico e financeiro para a construção da siderúrgica de Volta Redonda, no Rio de Janeiro e em 1942, com o rompimento das relações diplomáticas com os países do Eixo, foi recompensado com a concessão de um fundo de US$ 200 milhões para que as forças armadas brasileiras adquirirem armas nos EUA sob o sistema

Lend-Lease42 (SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO GERAL DA MARINHA, 1985).

MCCANN (1995) ressalta que em maio de 1942 foi estabelecido um pacto formal entre o Brasil e os Estados Unidos, o que resultou em duas comissões mistas militares binacionais uma sediada em Washington e outra no Rio de Janeiro. Sem dúvida a comissão de Washington era a mais importante, e seu propósito era o estudo e o preparo de recomendações relativas à defesa de ambos os países. A comissão do Rio de Janeiro tinha como objetivo auxiliar a implantação das medidas tomadas em Washington, haja vista que em agosto de 1942 ocorreu o torpedeamento de navios brasileiros no litoral baiano e sergipano, causando a morte de centenas de brasileiros.

42 Programa de auxílio militar dos EUA aos seus aliados durante e no pós-guerra, fornecendo excedentes

A experiência da Guerra anti-submarina iria marcar profundamente a Marinha do Brasil, ressaltando-se que tanto a doutrina quanto à tática até então empregadas em nossa Marinha não previam tal tipo de guerra, bem como os meios navais obsoletos e de nenhuma serventia contra os submarinos. Portanto, havia uma incapacidade da força naval brasileira de se contrapor a tal ameaça. A solução foi, então, a aliança aos EUA.

No transcorrer da guerra, no que se refere aos meios navais, ficou a cargo, primordialmente, das forças norte-americanas a proteção da costa brasileira, restando à Marinha brasileira um papel secundário de auxílio. Vale acentuar, que mesmo essa atuação coadjuvante, só foi possível graças à incorporação de algumas embarcações modernas construídas no Arsenal de Marinha no Rio de Janeiro, como também, em virtude da transferência de navios da Marinha norte-americana especializados no combate a submarinos. Um total de 24 embarcações foram cedidas ao Brasil no período de 1942 a 1945, e ao fim da guerra a nossa Marinha era única do continente com elevada experiência de combate anti-submarino, com 11 meios navais modernos e mais seis em construção no Arsenal de marinha do Rio de Janeiro (VIDIGAL, 1985).

Outro aspecto era que, os Lend-Lead e a aliança firmada com os Estados Unidos, eram imaginados como instrumentos perfeitos para, além das contingências relacionadas à guerra, serem também um acréscimo ao poder naval nacional, de maneira que o Brasil possuísse hegemonia nesse setor, em termos continentais. É importante notar que em Washington não havia objeções a este anseio brasileiro, tanto que o chefe da Divisão Pan-americana da Marinha dos EUA entendia que era tempo do governo brasileiro, pelos canais competentes, declarar que material flutuante desejava receber dos Estados Unidos, quando vitoriosos os Aliados, a Marinha americana precisasse se desfazer de muitos navios de sua esquadra. Vale ainda destacar, com relação ao parecer norte-americano aos anseios brasileiros, que o representante do Navy Department para as Américas havia assinalado que todos os países da América do Sul desejariam receber navios, no entanto, o Brasil, pela sua forma como assumira sua posição junto aos EUA, e mais alguns fatores como posição geográfica, desenvolvimento econômico, extensão e população, deveria ser a mais bem armada das nações sul-americanas e que o armamento naval dessas nações deveria ser em função daquilo que fosse permitido ao Brasil possuir (ALVES, 2005).

De acordo com Mccann (1995), o Presidente Getúlio Vargas solicitou a cessão, mediante Lend-Lead ou outro modo mais conveniente de um substancial número de navios, sendo dentre eles, dois cruzadores leves e dois cruzadores pesados, dois porta-

aviões, três contratorpedeiros condutores de flotilha e doze unidades menores. A essas unidades temos o incremento dos meios navios construídos ou em construção no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Salienta-se ainda, que em relatórios da época, do Estado Maior da Armada as autoridades navais brasileiras consideravam tal frota suficiente à defesa do nosso litoral, bem como a manutenção da preponderância do Brasil no Atlântico Sul, a fim de preservar, em cooperação com países aliados, a paz no continente sul-americano.

O Presidente brasileiro salientava ao Presidente Roosevelt que essas embarcações tinham a finalidade de aumentar a segurança do continente americano, porém a resposta do líder norte-americano foi negativa, explicitando a necessidade do uso desses navios na frente de batalha do Pacífico contra os japoneses. No entanto, o mesmo, esclareceu que haveria conversações entre as autoridades militares dos dois países a fim de se prosseguir no princípio básico de defesa hemisférica.

Vidigal (1985) assinala que para o Presidente brasileiro o pacto com os EUA, feito na guerra, deveria se prolongar no futuro com o objetivo de se estabelecer uma aliança militar permanente, cuidando para a preservação da paz no pós-guerra. E o resultado das intensas negociações entre os staffs militares veio a sedimentar a idéia de que o poder naval brasileiro seria incrementado, a fim de garantir a hegemonia naval do Brasil na América do sul. Vale dizer que esse era o pensamento não somente das autoridades brasileiros, mas também do próprio Roosevelt e do Navy Department. Cervo & Bueno (2002) acentuam que, no pós-guerra, o descaso à política externa dos EUA para com a América Latina é evidente, principalmente, considerando que nos anos 30 a região teve especial interesse norte-americano em função da política da boa vizinhança e do ideal do pan-americanista defendido durante o governo Roosevelt. Uma das causas foi, essencialmente, o início da Guerra Fria, logo após a Segunda Guerra Mundial. Assim, os EUA envolvidos na tentativa de conter a expansão do comunismo, ou no que concerne, melhor dizendo, a União Soviética (URSS) e seus aliados. O governo norte-americano passou a dar mais prioridade na sua política externa a outras regiões como a Europa e a Ásia, que se situam no em torno do território soviético. A conseqüência disso foi que na segunda metade dos anos 40 a América Latina não contou com auxílio de grande vulto, por parte dos EUA, tanto no que tange a parte econômica quanto aos aspectos do setor militar.

Na década de 50 esse abandono só aumentou. Os olhos do governo norte- americano só se voltaram para a América Latina, nos anos 60, quando da aproximação

entre Cuba e URSS. Desse modo, pairou uma dúvida quanto à validade dos acordos com os Estados Unidos dos tempos da guerra. Essa confusão em torno da política

Benzer Belgeler