Já a quinta fase (avaliação) é a principal etapa das políticas públicas e deve ser realizada durante todo o ciclo de tais políticas (CALDAS, 2008).
Para Belloni et al. (2003, p. 15), avaliação é “[...] um processo sistemático de análise de atividade(s), fato(s) ou coisa(s) que permite(m) compreender, de forma contextualizada, todas as suas dimensões e implicações, com vistas a estimular seu aperfeiçoamento”.
Nessa perspectiva, para Secchi (2010):
A avaliação é a fase do ciclo de políticas públicas em que o processo de implementação e o desempenho da política pública são examinados com o intuito de conhecer melhor o estado da política e o nível de redução do problema que a gerou. É o momento-chave para a produção de feedback sobre as fases antecedentes (SECCHI, 2010, p. 49).
Nessa linha, Trevisan e Bellen (2008, p. 531) afirmam que na fase de avaliação “[...] se apreciam os programas já implementados no que diz respeito aos seus impactos efetivos. Investigam-se os déficits de impacto e os efeitos colaterais indesejados para poder extrair conseqüências para ações e programas futuros”.
Jannuzzi (2011) afirma que nessa fase é necessário analisar se os esforços empreendidos estão atuando no sentido esperado de solucionar o problema original. Ainda segundo o autor, é preciso avaliar a necessidade ou não de realizar mudanças nos programas implementados para garantir sua efetividade; descontinuá-los, se o problema deixou de compor a agenda; ou então adaptá-los a uma nova realidade, reiniciando o ciclo.
Frey (2000, p. 229) afirma que “[...] a fase de avaliação é imprescindível para o desenvolvimento e a adaptação contínua das formas e instrumentos de ação pública”.
Segundo Carvalho (2011, p. 28), nessa fase:
O foco da análise é identificar se os objetivos de um determinado programa foram alcançados, o que, neste caso, pode levar ora a suspensão ou fim do ciclo político ora a um novo programa ou reinício em outras bases. Se acaso ocorrerem déficits de impacto ou efeitos colaterais indesejáveis, torna-se necessário identificar quais as consequências para ações e programas futuros (CARVALHO, 2011, p. 28).
Para Ala-Harja e Helgason (2000), com a avaliação, é possível aperfeiçoar as políticas, permitindo a prestação de contas à sociedade.
A avaliação pode ser classificada quanto ao seu objetivo em duas: formativa, quando se procura informações úteis para a equipe no início do programa, e a somativa, que gera informações sobre o valor ou mérito do programa, partindo dos resultados (CALDAS, 2008).
Segundo Ala-Harja e Helgason (2000), a avaliação formativa, também chamada de intermediária, é realizada durante a fase de implementação como meio de se adquirir mais conhecimento quanto ao processo de aprendizagem para o qual se deseja contribuir. O objetivo é dar suporte e melhorar a gestão, a implementação e o desenvolvimento da política, com ênfase à aplicabilidade direta dos resultados. Ainda segundo esses autores, as avaliações realizadas após a implementação do programa são chamadas somativas e visam estudar a eficácia e o julgamento do valor geral da política, com ênfase na objetividade e na confiabilidade dos resultados.
A avaliação leva em conta os impactos gerados pela política e busca determinar sua eficiência, eficácia, efetividade e sustentabilidade das ações desenvolvidas, o que pode ser visualizado na Figura 6:
Figura 6 - Quinta fase: avaliação
Fonte: elaborado a partir de Caldas (2008).
O Manual do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, 1990) assim conceitua:
• Eficiência: tem sua origem nas ciências econômicas e significa a menor relação custo/benefício possível para o alcance dos objetivos estabelecidos no programa;
• Efetividade: indica se a política teve efeitos positivos no ambiente externo de intervenção, em termos técnicos, econômicos, socioculturais, institucionais e ambientais;
• Sustentabilidade: mede a capacidade de continuidade dos efeitos positivos alcançados através da política, após o seu término.
Os impactos referem-se aos efeitos que a política pública provoca por meio dos recursos aplicados. Esses efeitos podem se traduzir em novas demandas (CALDAS, 2008).
Para se determinar a relevância, é importante detectar se as ações desenvolvidas foram apropriadas para o problema enfrentado. Quanto a eficácia e eficiência, a avaliação deve responder se os produtos alcançados foram gerados em tempo hábil, se os custos foram os menores possíveis e se esses produtos atenderam aos objetivos da política (CALDAS, 2008). Quanto à sustentabilidade, é necessário verificar se os efeitos positivos continuaram após o término das ações.
Da mesma forma, expressam-se Belloni et al. (2003) abordando que a avaliação de políticas públicas envolve verificar eficiência, eficácia e efetividade das ações empreendidas, visando verificar o cumprimento de sua função social e, ainda, promover o aprimoramento e a concretização dos objetivos da política implementada.
Segundo Secchi (2010), a avaliação de políticas públicas pode ser difícil de ser realizada, devido a uma série de razões: falta de clareza dos objetivos, resistência dos avaliados, tempo de maturação da política e interesses em jogo.
Na visão de Schwartzman (2008), especialistas em educação distinguem dois tipos de avaliação: low stake, aquela avaliação realizada com objetivos estatísticos, visando entender situações e tendências de natureza geral, e high stake, aquelas avaliações individuais, afetando os interesses e as oportunidades de pessoas e instituições distintas.
Observa-se, conforme afirma Secchi (2010), que o modelo do ciclo político ajuda a organizar as ideias, simplificando sua complexidade, uma vez que é possível seguir uma sequência de fases.
Para Frey (2000), o modelo do ciclo político prevê uma sequência de passos para a resolução de um problema político. Essa sequência dificilmente pode ser seguida na prática, embora forneça o quadro de referência para a análise processual.
Desse modo, depreende-se que o modelo do ciclo político pode ser utilizado na análise de políticas públicas, pois permite a visualização da política desde sua criação até o momento de sua avaliação.
Após o entendimento do ciclo político e de suas fases, na seção seguinte, faz-se um apanhado geral das políticas públicas de educação superior no Brasil.