4. MATERYAL VE METOD
4.1. Deneylerde Kullanılan Adsorbent ve Çözeltilerin Hazırlanması 4 1.1 Adsorbentlerin hazırlanması
Em seu construto sobre o Planejamento Situacional, Matus (2007) desenvolve o conceito de Triângulo de Governo. Como dissemos anteriormente, os vértices desse triângulo são interdependentes. A governabilidade será influenciada pela complexidade do projeto de governo a ser seguido, quanto mais complexo mais ingovernável poderá ser e o contrário também se verificará. A capacidade de governo também influencia a governabilidade: quanto maior a capacidade de governo, maior será a governabilidade do sistema. Por fim, a capacidade de governo – as habilidades, experiências e técnicas deverão convergir com o que se pretende no projeto almejado.
Matus (2007) esclarece que, para atingir as metas almejadas, deve-se trabalhar com o melhor uso desses três elementos, considerando o contexto situacional em que se desenvolvem os projetos de governo.
No estudo de caso retratado nessa dissertação, um fator que propiciou o aumento da governabilidade, advinda da coesão das técnicas que conduzem o trabalho social, foi o critério de composição da equipe. Conforme expusemos anteriormente, a estruturação da equipe de trabalho social ocorreu com a entrada da secretária de habitação na prefeitura de São
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Bernardo do Campo, que segundo entrevista possibilitou a escolha da coordenadora do departamento, viabilizou a contratação via concurso público e manteve funcionárias contratadas anteriormente no quadro atual da Secretaria. Como Tássia ressaltou foram realizadas capacitações e oficinas destinadas às funcionárias.
O quadro de assistentes sociais que executam o trabalho social é visto como de alta qualidade técnica. Esse fator corrobora na implementação do projeto. Muitas vezes, foi relatado sobre a inarticulação existente entre as secretarias e a falta de coordenação entre departamentos da Secretaria de Habitação eram obstáculos da execução do trabalho. Entretanto, como pontuado anteriormente, as técnicas tentaram suprir essa falta, disponibilizando-se a “correr atrás do que a gente não sabe”, conforme expôs Mariana. Com relação às normas existentes, por mais que haja divergências sobre seu formato e eixos estipulados, conforme as entrevistadas relataram na visão do agente financeiro (CAIXA), o trabalho executado seguiu o que está preconizado nas instruções normativas.
Notamos que a condução das atividades acontece na existência desses limitadores, ou seja, a capacidade técnica existente compensa os limites da capacidade de articulação intragovernamental e de coordenação interna.
Ocorreram algumas intercorrências durante o desenvolvimento do projeto, a saber: interrupção das obras, período de chuvas, concomitância de execução dos projetos em outros bairros do PAC Alvarenga e término dos recursos financeiros voltados ao trabalho social. Notamos que há óbices que não estão dentro da governabilidade da Secretaria de Habitação como, por exemplo, o caso das chuvas e da interrupção das obras devido à falência da Construtora H. Guedes. Apesar dessas situações, o trabalho social continuou sendo realizado. Para alguns casos, contrataram-se mais assistentes com recursos não incidentes ao contrato, em outro o planejamento foi disposto de forma a abarcar as novas situações com mais plantões e visitas, principalmente quando houve interrupção das obras; o que mostra como as capacidades foram moldadas ao contexto vigente.
Conforme expõe Matus (2007), o planejamento é um ato técnico-político, é um jogo semi-controlado, uma aposta contra as incertezas do sistema. A realidade não é imutável, ela possui diversas facetas a depender de quem está jogando. No caso estudado, quando o cenário variou, como citamos acima, o planejamento foi concebido para enfrentar as surpresas do sistema complexo em que se planejavam as ações. Isso não quer dizer, que o improviso reinou
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nessas situações, mas que ocorreu uma reordenação entre as capacidades de governo existentes, a fim de atuar nas situações que se impunham.
Se transpusermos o gráfico das variações de arranjo institucional proposto por Pires e Gomide (2014) teríamos alta capacidade político-institucional e alta capacidade técnico- administrativa. Por mais que houvesse obstáculos à participação popular, como a falta de articulação, por exemplo, as iniciativas existiram e foram implementadas. Salientamos que nosso objetivo neste trabalho não é analisar qual o sentido dado à participação popular, mas quais as capacidades de governo possibilitaram ou dificultaram sua implementação. Ademais, as capacidades de governo existentes em sua maioria corroboraram com a execução do processo participativo.
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8. Considerações Finais
Esta dissertação teve objetivo analisar quais são as capacidades de governo demandadas pelo processo participativo nos projetos de urbanização. Os espaços de participação nos projetos urbanos e habitacionais cada vez mais vêm sendo expressos como meio estruturador da sustentabilidade das intervenções, a partir de processos de liderança, organização e mobilização comunitária. Ao trabalho social caberia realizar o processo participativo tendo como objetivo geral, não só a melhoria das condições de vida, mas o estímulo à cidadania e a efetivação dos direitos sociais.
No decorrer histórico da implementação dos diversos programas voltados à urbanização, analisamos que as visões sobre as favelas e loteamentos precários foram sendo alteradas. O que antes era objeto de remoção tornou-se parte a ser integrada na cidade. Como advertimos anteriormente, isso não quer dizer que as remoções não ocorram atualmente, porém incorporou-se um novo olhar aos programas urbanos e habitacionais. Nas décadas de 70 e 80, a lutas dos movimentos populares, com destaque ao MNRU e ao FNRU, conseguiram avanços nas propostas de reforma urbana e, concomitantemente, à participação popular nas decisões governamentais.
Isso não quer dizer que estejamos no modelo ideal de políticas urbanas. A implementação dos projetos implica a existência de muitos conflitos de interesse, demandados pela lógica de condução econômica, financeira e política. Entretanto, a participação popular é preconizada, pelo menos no âmbito legal, como um meio do aperfeiçoamento da intervenção e que os moradores intervenham na mudança física e social. O processo de expansão da demanda por processos participativos exige novas capacidades dos governos.
A revisão teórica sobre participação popular e a condução do programas de urbanização deram subsídios à pesquisadora para elencar critérios, conceitos e visões para a construção do construto teórico e conceitual sobre o qual a pesquisa se fundamentou. Além disso, contribuíram para a adoção de categorias de capacidades de governo voltadas à participação popular no estudo de caso escolhido.
Ao analisarmos a participação popular sob a ótica de capacidades de governo, buscamos contribuir na compreensão de outros casos que se assemelham ao estudado, uma vez que as diretrizes a serem seguidas na condução do PAC e de execução do trabalho social são as mesmas para todos os entes da federação. A escolha pelo PAC Alvarenga deu-se pela
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especificidade do bairro, do município e da gestão vigente, que possibilitou evidenciarmos características importantes ao desenvolvimento desta dissertação. Entretanto, no decorrer da pesquisa, pudemos aferir algumas generalizações sobre o processo participativo nos projetos de urbanização podem ser encontradas em outros casos.
No mais, esta pesquisa possibilitou reconhecer quais são os obstáculos e falhas existentes no processo participativo de urbanização integrada. Tais diagnósticos não se limitam, apenas, aos projetos específicos urbanos e habitacionais, mas podem ser encontrados em outros espaços participativos da administração pública.
Outro ponto relevante dessa pesquisa, que dialoga diretamente com o construto teórico de Matus (2007), é o caráter situacional em que as capacidades de governo se dispõem. A pesquisa evidenciou que as capacidades não podem ser vistas como fixas. Elas variam no tempo e em consonância com o contexto político vigente e o sistema social, no qual a interação entre os diferentes atores que compõem o jogo social estarão comprometidos com seus próprios objetivos e interesses.
A partir do estudo de caso, pudemos perceber que a participação dos moradores, enseja alterações incrementais e diárias no cotidiano das equipes, além de guiar as equipes em torno dessa premissa e de convencê-las de tal importância. Conforme explicita Tássia Regino:
(...) a questão da participação é uma exigência para além do trabalho social dentro do governo. O prefeito diz que é marca e método do governo dele. E isso está institucionalizado, tem o Orçamento Participativo (...) tem as Comissões de Urbanização e Legalização (...) que são obrigatórias em todas as áreas de intervenção (...) que é da nossa própria norma, tem a preocupação com o aspecto pedagógico do processo participativo, para empoderar essas lideranças e as instituições criadas dentro das comunidades para assumir para gerir autonomamente. A escala do trabalho é a grande diferença (...). A gente formou uma metodologia e foi consolidando uma metodologia de intervir, se ela não é inovadora, ela, pelo menos, estabelece um parâmetro que deve ser conhecido por todos e deve estar presente no cotidiano das ações. (Entrevista concedida pela secretária de habitação, Tássia Regino).
Esse ponto afasta-se das concepções de Matus (2007) que prevê a participação popular como finalidade do projeto de governo, como uma fração dos objetivos almejados nas ações do governo. A pesquisa demonstrou que construir a agenda participativa demanda construções diárias de atuação que está entrelaçada à gestão dos processos participativos.
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8.1. Possibilidades de Consolidação do Processo Participativo nos Projetos de Urbanização