3.1. Biyogaz Oluşumu
4.1.3. Deneyin sonuçları
As hipóteses de cabimento do recurso extraordinário foram enumeradas diretamente pelo legislador constituinte, de modo que no CPC não há normas sobre hipóteses de cabimento, mas apenas sobre o procedimento a ser seguido. Isso revela que o recurso extraordinário de fato não corresponde a mais um recurso em nosso sistema processual, mas a um importante meio de acesso à mais alta Corte brasileira, permitindo- lhe realizar o controle de constitucionalidade.
Conforme indicado no artigo 102, inciso III, da Constituição, compete ao Supremo Tribunal Federal
julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar
dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo
97 STF, RE 298.694, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 23.4.2004. Adotando o mesmo entendimento:
Segunda Turma, RE 219852 AgR / SP, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 28.10.2004, p. 46, eSegunda Turma, RE 220331 AgR / SP, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 3.12.2004, p. 47.
local contestado em face desta Constituição; d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal (grifo nosso).
Para Rodolfo de Camargo Mancuso, “contrariamos a lei quando nos distanciamos da mens legislatoris, ou da finalidade que lhe inspirou o advento; e bem assim quando a interpretamos mal e lhe desvirtuamos o conteúdo”98.
Porém, existem dúvidas sobre como distinguir a hipótese da alínea “a” com o próprio mérito do recurso, pois, a rigor, no plano da admissibilidade, não se poderia exigir do recorrente que demonstre absolutamente que houve contrariedade a dispositivos da Constituição.
Ao comentar a hipótese da alínea “a”, Barbosa Moreira entende que o constituinte incorreu em impropriedade técnica, pois confundiu uma hipótese de procedência com o cabimento, pois seria absurdo exigir que o recurso seja procedente para somente então considerá-lo admissível. Por isso, conclui que “não se há de querer, para admitir o recurso extraordinário pela letra a, que o recorrente prove desde logo a contradição real entre a decisão impugnada e a Constituição da república; bastará que ele a argua”99. Neste sentido, Mancuso propõe que teria sido melhor a expressão quando for afirmada a
contrariedade100, ao invés de contrariar.
Outro ponto relevante se refere ao tipo de contrariedade que pode levar à admissibilidade do recurso. Segundo a jurisprudência do STF, apenas a ofensa direta e frontal a dispositivos constitucionais justificam o recurso extraordinário, isto é, situações em que inexiste legislação infraconstitucional sendo violada juntamente com o dispositivo constitucional, havendo contrariedade ao próprio texto constitucional, de forma direta. A violação indireta ou reflexa, caracterizada pela violação à legislação infraconstitucional que apenas indiretamente atinge a Constituição, ainda que esta última realmente seja contrariada, leva à inadmissibilidade do recurso.
No entanto, se a norma de direito infraconstitucional violada for norma de repetição obrigatória de um dispositivo constitucional, então será cabível a interposição de recurso extraordinário, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal101.
98 Recurso extraordinário e recurso especial, p. 216. 99 Comentários, p. 589.
100 Recurso extraordinário e recurso especial, p. 220.
101 “O recurso extraordinário de ação direta de inconstitucionalidade estadual ou distrital somente é admitido
quando o parâmetro de controle normativo local corresponder a norma da Constituição Federal de observância obrigatória pelos demais entes integrantes da Federação. Assim, é pressuposto de cabimento do recurso extraordinário interposto contra acórdão prolatado em ação direta, a demonstração de qual norma de
Editada em abril de 1964, certamente contra o excessivo número de recursos que eram diariamente distribuídos já naquele ano, prevê a Súmula 400 do STF que a “decisão que deu razoável interpretação à lei, ainda que não seja a melhor, não autoriza recurso extraordinário pela letra ‘a’ do art.101, III, da Constituição Federal.”
Sob a vigência da Constituição de 1988, introduzindo o recurso especial e criando o Superior Tribunal de Justiça, discute-se a aplicabilidade da referida Súmula, uma vez que questionável o entendimento de que um Tribunal local poderia interpretar dispositivos constitucionais (ou mesmo normas federais, no caso do STJ) de maneira que não aquela considerada a correta.
Com relação ao Supremo, a dúvida pode ser solucionada até mesmo por interpretação literal da Súmula, a qual menciona apenas a “razoável interpretação da lei”. Mas, além disso, é inquestionável que a eventual admissibilidade, pelo STF, de interpretações diversas a respeito do mesmo dispositivo constitucional traria grave insegurança jurídica e violaria o sistema constitucional estabelecido em 1988, o qual outorga ao Supremo o papel de controle e unificação da aplicação das normas constitucionais102.
Neste sentido, o STJ já decidiu que “o enunciado n. 400 da Súmula STF é incompatível com a teleologia do sistema recursal introduzido pela Constituição de 1988”103. Conclusão parecida àquela adotada pelo STF no precedente a seguir:
temas de índole constitucional não se expõem, em função da própria natureza de que se revestem, a incidência do enunciado 400 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. Essa formulação sumular não tem qualquer pertinência e aplicabilidade as causas que veiculem, perante o Supremo Tribunal Federal, em sede recursal extraordinária, questões de direito constitucional positivo. Em uma palavra: em matéria constitucional não há que cogitar de interpretação razoável. A exegese de preceito inscrito na Constituição da República, muito mais do que simplesmente razoável, há de ser juridicamente correta104.
repetição obrigatória inserida na Constituição local foi violada. Precedentes: RCL nº 383, Plenário, Relator o Ministro Moreira Alves, DJ de 21/05/1993; RCL nº 596-AgR, Plenário, Relator o Ministro Néri da Silveira, Plenário, DJ de 14/11/1996. 2. Ademais, ao julgar a ADI nº 3.225/RJ, esta Corte declarou constitucional o artigo 112, § 2º, da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. 3. Agravo regimental a que se nega provimento” (STF, 1ª Turma, RE 588426 AgR / RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, j. 5.2.2013).
102 Ainda que a divergência jurisprudencial não figura como uma das hipóteses de cabimento do recurso
extraordinário, não sobram dúvidas de que cabe ao Supremo realizar o importante papel de uniformização da interpretação constitucional.
103 Quarta Turma, REsp 5.936/PR, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU 7.10.1991, p. 13.971. 104 Primeira Turma, AI 145680 AgR / SP, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 30.4.1993, p 7.567.
Quanto à alínea “b” do artigo 102, III, da Constituição, menciona o cabimento de recurso extraordinário contra a decisão que “declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal”.
Como se nota, não será suscetível de recurso extraordinário, com fundamento na alínea “b”, a decisão que declarar a constitucionalidade do tratado ou da lei federal. Isso porque, em nosso sistema jurídico, presume-se a constitucionalidade das leis e atos de Estado, de modo que também se presume que os tratados foram ratificados e emitidos em Decreto pelo Presidente porque em conformidade com o texto constitucional.
A lei poderá ser declarada inconstitucional basicamente por duas razões: vícios formais, relativos ao processo legislativo, ou vícios materiais, denotando sua incompatibilidade com as normas constitucionais de fundo.
Sob a vigência da Constituição de 1969, uma das hipóteses de cabimento do recurso extraordinário se referia à impugnação de decisão que julgasse válida lei ou ato do governo local contestado em face da Constituição ou de lei federal. Com a Constituição de 1988, houve um desmembramento entre o recurso extraordinário e o novo recurso especial, acarretando a divisão dessa hipótese de cabimento. Mais recentemente, com a EC nº 45/2004, houve nova alteração, de forma que, atualmente, o cotejo entre lei local e lei federal enseja recurso extraordinário, restando às hipóteses de recurso especial eventual acórdão que julga válido ato de governo local em face de lei federal.
Em síntese, caberá recurso extraordinário diante da decisão que (i) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição ou (ii) julgar válida lei local contestada em face de lei federal (alíneas “c” e “d”, respectivamente, do artigo 102, inciso III, da Constituição).
Essas hipóteses versam, basicamente, sobre eventuais conflitos de competência legislativa, cabendo o recurso extraordinário sempre que a lei ou ato local forem privilegiados perante a norma da Constituição ou da legislação federal invocada pelo recorrente.
Interessante verificar que, ao contrário da hipótese prevista na alínea “a”, o juízo de admissibilidade do recurso extraordinário fundado nas alíneas “b”, “c” ou “d” não traz maiores questionamentos quanto à sua demonstração pelo recorrente, tendo em vista que bastará a este último comprovar que a decisão recorrida declarou a inconstitucionalidade
de tratado ou lei federal, julgou válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição ou julgou válida lei local contestada em face de lei federal.
Tais hipóteses permitem o juízo de admissibilidade positivo in status assertionis. Ou seja, o recurso extraordinário será admissível diante da mera demonstração formal de tais hipóteses, independentemente das chances de sucesso quanto ao mérito. Não haverá qualquer juízo de valor neste momento.