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TIPO DE PRD APLICADA Nº DE PENAS PORCENTAGEM

Prestação pecuniária 41 33,8%

Perda de bens ou valores 0 0%

Prestação de serviços à comunidade 51 42,1 ou a entidades públicas

Fonte: dados da pesquisa.

Novamente aqui não foi encontrado nenhum caso onde o juiz tenha explicado ou justificado a escolha de uma modalidade de pena substitutiva em detrimento das demais. No caso da aplicação da pena de prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas, não foi determinado em nenhum caso qual tipo de serviço seria prestado e em benefício de qual instituição.

2.3.5 CONCLUSÕES

A partir dos dados analisados, pode-se constatar que a substituição de penas privativas de liberdade por penas restritivas de direitos é uma prática comum nos casos de condenação pelos crimes contidos na Lei 7.492. Em 1ª instância, a substituição foi efetuada em 60,3% dos casos nos quais a pena aplicada permitia a aplicação de penas restritivas de direitos no lugar das privativas de liberdade, e nos Tribunais Regionais Federais o mesmo índice sobe para 71%.

No entanto, não existe por parte do judiciário um esforço no sentido de justificar ou individualizar a pena restritiva de direitos aplicada em cada caso. As penas alternativas mais aplicadas pelos juízes são as de prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária, mas em nenhum momento houve uma reflexão acerca da adequação destas penas ao caso concreto. Ademais, duas modalidades de penas que poderiam ser bastante adequadas aos crimes financeiros - a perda de bens ou valores e a interdição temporária de direitos - não foram aplicadas e nem sequer cogitadas nas decisões analisadas, o que demonstra uma falta de reflexão

Interdição temporária de direitos 0 0%

Limitação de fim de semana 2 1,7%

Multa Substitutiva 5 4,2%

Multa Condenatória 4 3,9%

Não especificado 18 14,9%

crítica sobre as possíveis funções e benefícios que a pena alternativa pode trazer para este tipo de crime.

NOTAS

1 São eles: Art. 2º, caput (Emissão inautorizada de documentos

representativos de título ou valor mobiliário) e art. 2º, parágrafo único (Emissão inautorizada de material de propaganda relativo a documentos representativos de título ou valor mobiliário); Art. 12 (Sonegação de informações ou documentos); Art. 13, parágrafo único (Apropriação ou desvio de bens indisponíveis); Art. 14, caput (Uso de documento falso em liquidação extrajudicial ou falência de instituição financeira) e parágrafo único (Falso reconhecimento de crédito).

2 A participação de Vivian Cristina Schorscher no primeiro bloco foi

transformada em texto e integrada à segunda parte dessa publicação.

3 Juiz Federal Titular da 1ª. Vara Criminal de Porto Alegre,

especializada em Crimes Financeiros, Lavagem de Dinheiro e Crime Organizado, Mestre e Doutorando em Direito (UFRGS).

4 Para 10 tipos penais é prevista pena mínima de 1 ano, para 23 tipos,

de 2 anos, para 1 tipo, de 2 anos, aumentada de 1/3, e, para um tipo, de 3 anos.

5 “Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem

as privativas de liberdade, quando:

I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;

(...)

§ 2º Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos.”

6 “Art. 44 - As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem

as privativas de liberdade, quando:

I - aplicada pena privativa de liberdade inferior a um ano ou se o crime for culposo;

II - o réu não for reincidente;

III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.

Parágrafo único - Nos crimes culposos, a pena privativa de liberdade aplicada, igual ou superior a um ano, pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas penas restritivas de direitos, exeqüíveis simultaneamente.”

7 Exposição de Motivos da Nova Parte Geral do Código Penal – Lei

7209, de 11 de julho de 1984, itens 29 (especialmente), 40 e 42.

8 Exposição de Motivos n. 689, de 18.12.1996, do Senhor Ministro de estado

da Justiça. In Diário da Câmara dos Deputados, 20.02.1997, p. 4487.

9 Esse argumento foi apresentado tanto pelo autor do projeto de lei

273/83, que gerou a Lei 7492/86, ao afirmar, na justificação que “o presente projeto representa velha aspiração das autoridades e do povo no sentido de reprimir com energia as constantes fraudes observadas no sistema financeiro nacional (...). (...) A grande dificuldade do

enquadramento desses elementos inescrupulosos (...) reside na inexistência de legislação penal específica (...). (...) deixando sem punição pessoas que furtaram bilhões não apenas do ‘vizinho’, mas a nível nacional”. [Cf. Diário

do Congresso Nacional, Seção I, 25 de março de 1983, pp. 1018-1019]. Nesse

contexto, também o então Presidente da República, José Sarney, afirmou em discurso no qual traçou as diretrizes do seu governo, a “especial urgência à proposta (...) que vai tornar realidade a punição para todos os responsáveis por fraudes no setor financeiro”, afirmando ser “evidente que as leis existentes representam uma porta aberta à impunidade” e que “a economia nacional não pode mais ser compelida a assumir os prejuízos pela incompetência, pela desídia ou pelos crimes dos que administram recursos de terceiros” e que “a fiscalização das autoridades terá que ser a mais exigente, atuante e rigorosa”. [Cf. Diário do Congresso Nacional, Seção I, 9 de maio de 1985, pp. 4099-4101.]

10 Lei n. 7492/86, Art. 33: “Art. 33. Na fixação da pena de multa

relativa aos crimes previstos nesta lei, o limite a que se refere o § 1º do art. 49 do Código Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, pode ser estendido até o décuplo, se verificada a situação nele cogitada.”

11 Mais grave que a pena cominada ao crime de estupro (de 6 a 10 anos). 12 Mais grave que a pena cominada ao crime de estupro (de 6 a 10 anos) 13 Mais grave que a pena cominada ao crime de estupro (de 6 a 10 anos). 14 De acordo com o art. 44 do Código Penal, “As penas restritivas de

direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II - o réu não foi reincidente em crime doloso; III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a

personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que esta substituição seja suficiente”.

15 Considera-se critério subjetivo a culpabilidade, os antecedentes, a

conduta social, e a personalidade do condenado.

16 De acordo com o art. 43 do Código Penal, “As penas restritivas

de direitos são: I - prestação pecuniária; II - perda de bens e valores; III - (vetado); IV - prestação de serviço à comunidade ou à entidades públicas; V - interdição temporária de direitos; VI - limitação de fim de semana”. O inciso III incluía nesse rol o recolhimento domiciliar. A mensagem 1447 de 25.11.1998 da Presidência da República indica como razões do veto o seguinte: “A figura do “recolhimento domiciliar”, conforme a concebe o Projeto, não contém, na essência, o mínimo necessário de força punitiva, afigurando-se totalmente desprovida da capacidade de prevenir nova prática delituosa. Por isto, carente do indispensável substrato coercitivo, reputou-se contrária ao interesse público a norma do Projeto que a institui como pena alternativa”.

17 A pesquisa foi feita também sobre o banco de dados do Superior

Tribunal de Justiça, mas º número de sentenças condenatórias é insuficiente para extração de dados.

18 Ver: Apelação Criminal 2001.02.01.032332-6, TRF 2; Apelação

Criminal 2001.03.99.031616-8, TRF 3; e Apelação Criminal 1999.04.01.069388-5, TRF 4.

NÚCLEO DE ESTUDOS SOBRE O CRIME E A PENA -

Benzer Belgeler