Durante o trabalho de leituras e releituras dos depoimentos, emergiu uma nova categoria de análise, a relação professor de literatura/aluno-leitor, pois em todas as falas há relatos sobre as dificuldades que o docente enfrenta em relação a uma nova realidade: o leitor de hoje.
Todos os participantes da pesquisa afirmaram ser o problema da falta da leitura um grande empecilho para o bom desenvolvimento das disciplinas ligadas à literatura nos cursos de Letras. O aluno chega ao curso com um ínfimo repertório de leituras literárias, com poucos conhecimentos históricos, com um baixo “capital cultural”, valendo-me da expressão do teórico Bourdieu, para tentar traduzir os sentimentos dos professores.
As perguntas realizadas aos professores, em sua maioria, não tinham como foco a questão do aluno, do seu papel como leitor, mas, não raramente, ela aparecia em um depoimento e outro. Sendo assim, reproduzo, abaixo, um depoimento em que isso fica mais evidente para, em seguida, mostrar outras falas – pinçadas em meio às respostas a outras questões – em que a figura do aluno em seu papel de leitor emerge como preocupação no dia-a- dia do professor. Veja-se, em seguida, comentário do professor Pedro Mendes (UFJF), ao discorrer sobre o que busca enfatizar em suas aulas de literatura:
Quadro 40 Depoimento professor (UFJF)
Depoimento Explicitação dos sentidos
Bom, eu já leciono literatura aqui há vinte anos. Então, eu acho que, ao longo desses vinte anos, o perfil do aluno de Letras mudou muito. Recordo-me que, no final da década de oitenta, você ainda tinha um aluno que procurava uma formação humanística mais abrangente. Era o aluno que, ao mesmo tempo em que estudava Literatura, tinha um profundo interesse pela área de História, Geografia, Ciências Sociais. Então, para esse perfil de aluno, a Literatura entrava como um componente a mais de compreensão dos fenômenos da sociedade humana. Ela lhe permitia, através de uma experiência estética, compreender fenômenos ligados à história, a relações políticas, a relações sociais. Para esse aluno, você podia, de certo modo, trabalhar com um campo bibliográfico mais abrangente, mais interdisciplinar. O fato paradoxal é que, nos últimos anos, embora a gente tenha nas
Procura enfatizar nas aulas a leitura literária sempre em uma via de mão dupla: a literatura e seu contexto histórico, social, a literatura e as relações econômicas que circundam a sua produção, etc.
O perfil do aluno de Letras mudou muito e para pior. Há uma defasagem dos
alunos hoje da área de literatura em relação a outras áreas dos campos de ciências humanas e ciências sociais. Embora se tenha um estímulo
universidades brasileiras uma ênfase no chamado estudo interdisciplinar. O que eu venho percebendo cada vez mais é uma defasagem dos alunos de hoje na área de literatura e em relação a essas outras áreas dos campos de ciências humanas e ciências sociais. Então, embora você tenha um estímulo para discutir a relação literatura e história, literatura e questões políticas, ou seja, há todo um campo hoje na pós-graduação que enfatiza esses aspectos. Porém quando se trabalha com os alunos da graduação, às vezes, você percebe isso, que esses alunos estão muito distanciados dessas outras áreas de formação. Então, se você quer dar aula de literatura, por exemplo, relacionado com a questão da história, você tem que retomar aspectos históricos importantes para que você possa voltar depois também à questão literária. Na verdade, hoje, o que eu procuro enfatizar nas minhas aulas – e aí a gente tem um currículo que abrange a questão da periodização bastante interessante – é essa leitura também, sempre de mão dupla: a literatura e seu contexto histórico, social, a literatura e as relações econômicas que circundam a sua produção. Mas confesso que o esforço é muito maior. Você tem que cobrir muitas lacunas dos alunos.
literatura e história, literatura e questões políticas, o aluno chega distanciado dessas outras áreas de formação à universidade.
Hoje, o professor de literatura precisa cobrir muitas lacunas na formação dos alunos.
A questão de lacunas na formação dos alunos que chegam às universidades aparece também no depoimento do professor Bernardo, da UFOP, ao tratar do assunto “ênfases nas aulas de literatura”:
Quadro 41 Depoimento professor (UFOP)
Depoimento Explicitação dos sentidos
A primeira dificuldade enorme que os professores de Teoria da Literatura, Literatura Brasileira têm, que é hiper conhecida, é a ausência de qualquer contato com a literatura, com o texto literário, por parte dos alunos. Quando você vai ensinar uma disciplina como Teoria da Literatura, que supõe um mínimo de conhecimento, de repertório de leitura, as dificuldades são grandes [...].
O aluno chega ao curso sem um bom repertório de leituras literárias.
A professora Helena, da UFV, também fala dos leitores, quando dá o seu depoimento acerca das aulas de literatura que ministra:
Quadro 42 Depoimento professor (UFV)
Depoimento Explicitação dos sentidos
A questão é muito interessante, porque você tem, por um lado, uma expectativa de que você vai trabalhar grandes teorias, que você vai apresentar para os alunos questões que são bem específicas da teoria, conceitos aristotélicos, conceitos de crítica. Mas o quê que a gente tem? A gente tem uma clientela que está vindo com uma formação de ensino médio muito ruim. Ou seja, que formação esses alunos tem da literatura quando eles estudam no Ensino Básico, Ensino Fundamental? A gente começa a ter um descompasso, porque a realidade deles é heterogênea, existem alunos que nunca viram literatura e outros que já conhecem algo.
Os alunos têm chegado ao Curso de Letras com uma formação literária muito
precária. Há um
descompasso na classe: alguns alunos têm algum conhecimento literário, outros não têm tal conhecimento.
O despreparo dos alunos para cursar Letras também é tema no depoimento da professora Ana Cristina (FALE/UFMG), ao discorrer sobre a questão relação literatura/ensino:
Quadro 43 Depoimento professor (UFMG)
Depoimento Explicitação dos sentidos
[...] com a tal flexibilização curricular, flexibilizou tudo. Então, eu encontro alunos matriculados em disciplinas de especialização que não sabem que o autor tal – fulano ou beltrano – está localizado no século dezenove, por exemplo, e que este século pertence ao período do Romantismo. Ou seja, são alunos que não conseguem alinhavar autores e tempo. Existem professores que não dão essa noção. Não dão porque acham completamente inviável. E é inviável mesmo, não é? Mas eu faço umas acrobacias teóricas e ajudo minimamente os alunos quanto a essa localização no tempo.
A professora encontra alunos matriculados em disciplinas de especialização que não sabem alinhavar autores e tempo. Entende-se que, se isso acontece em cursos de especialização, na graduação o problema é ainda mais grave.
A professora precisa fazer “acrobacias teóricas” para cobrir as lacunas de formação dos alunos.
Ao falar acerca da importância da literatura no curso de Letras da UFSJ, a professora Clarice Terra fala sobre o perfil do aluno de São João Del Rei:
Quadro 44 Depoimento professor (UFSJ)
Depoimento Explicitação dos sentidos
Para o nosso curso [a literatura] é muito importante. Eu não sei nas outras universidades, porque, quando eu fiz Letras, em Juiz de Fora, pelo fato da UFJF ser um centro maior, os alunos eram mais bem informados. Nossos alunos vêm de regiões pequenas, então tudo é muito novo para eles. A gente vê na sala de aula o encantamento desses alunos descobrindo coisas em literatura.
A literatura é muito importante para o Curso de Letras da UFSJ, porque os alunos da universidade são, em sua maioria, do interior e
não têm muitos
conhecimentos literários, tampouco tiveram acesso a muitas informações.
Os depoimentos – diversificados – demonstram que o problema referente à fragilidade dos leitores em Cursos de Letras é generalizado. Grande parte dos alunos, na visão dos docentes, chega aos cursos de Letras com um fraco repertório de leituras literárias e de conhecimentos gerais, o que faz com que os professores se desdobrem para cobrir as lacunas da má formação desses discentes no período da Educação Básica. Tais constatações, por parte dos professores, levam-me a crer que, mais do que nunca, faz-se necessária uma interlocução entre a universidade e a Educação Básica, por meio de projetos envolvendo ensino, pesquisa e extensão. Sugiro a promoção de diálogos entre professores, do Ensino Superior e da Educação Básica, para a adoção de medidas que possam preparar melhor o aluno que ingressará no Curso Superior e, certamente, também aquele que não escolherá (ou poderá) seguir os estudos em nível superior, tendo o Ensino Médio como fonte legitimada de saber para seus trabalhos na sociedade.
4.2.6 A valorização da literatura no curso de Letras
A última pergunta feita durante a entrevista aos docentes foi a seguinte: “Por fim, gostaria de lhe fazer uma pergunta mais genérica: como você vê a disciplina literatura brasileira/estrangeira no contexto geral do curso?” Acreditava que, por meio dessa pergunta, poderiam emergir várias concepções do que seria ensinar literatura no contexto de um curso de licenciatura em Letras. A questão aberta, buscando o “como”, poderia permitir amplas abordagens do tema e, consequentemente, um enriquecimento das questões anteriores. De certa forma, isso aconteceu. Entretanto, a amplitude da questão também levou dois entrevistados a não responderem claramente ao que foi solicitado. Divagaram em suas respostas, fugindo ao proposto. A situação de oralidade também pode levar à dispersão. Além disso, em todo momento, deixei o entrevistado à vontade, evitando, ao máximo, interromper as narrativas. Qualquer interrupção de minha parte poderia dirigir as respostas. Por isso, minha postura pautou-se em poucas intervenções, a fim de ouvir com atenção cada depoimento.
Resumidamente, emergiram dos depoimentos as seguintes considerações a respeito do valor/função da literatura:
a - Literatura como forma de conhecimento do mundo e do homem; b - Literatura como catarse;
c - Literatura como instrumento de resistência; d- Literatura como estímulo à leitura;
e - Literatura como disciplina integradora/interdisciplinar.
Muito se tem discutido sobre as funções da arte em geral e em especial sobre a função da literatura. As opiniões são diversas, às vezes contraditórias, variando no decorrer do tempo, já que cada época atribui valores diferentes às coisas. Os depoimentos acima ilustram um pouco essa diversidade de olhares acerca do valor/função da literatura.
Em algumas respostas cada item separadamente é abordado, em outras há uma junção dos mesmos. Entretanto, o que mais chamou à atenção foi o desejo do professor de resguardar a literatura – é como se o objeto literário estivesse prestes a desaparecer, por isso a necessidade de insistir no objeto livro, de insistir na leitura da palavra escrita, de evitar o uso de recursos didáticos mais modernos para as aulas, pois a palavra é a matéria do professor de literatura. Registrarei um depoimento de cada item elencado acima e, em seguida, falarei
dessa busca por resguardar um espaço para a literatura, da crença do professor de literatura na matéria que leciona e, ao mesmo tempo, de seu ceticismo.
a – Literatura como forma de conhecimento do mundo e do homem Valorização da Literatura no Curso
Quadro 45 Depoimento professor (UFMG)
Depoimento Explicitação dos sentidos
A importância dela é fundamental, não só aqui, nesta universidade, mas em qualquer outra que eu já trabalhei e que eu conheço, não é? Porque você tem, através da literatura, uma maneira de abrir o leque de conhecimentos para a cultura, para a história e para um contato vivo mesmo com as gerações humanas, vamos dizer assim.
A literatura tem uma importância fundamental no Curso de Letras.
A literatura abre o leque do conhecimento para várias áreas, permitindo um encontro com diversas gerações.
b – Literatura como forma de conhecimento do mundo e do homem/literatura como catarse
Valorização da Literatura no Curso
Quadro 46 Depoimento professor (UFSJ)
Depoimento Explicitação dos sentidos
Para o nosso curso é muito importante. Eu não sei nas outras universidades, porque, quando eu fiz Letras em Juiz de Fora, pelo fato da UFJF ser um centro maior, os alunos eram mais bem informados. Nossos alunos vêm de regiões pequenas, então tudo é muito novo para eles. A gente vê na sala de aula o encantamento desses alunos descobrindo coisas em literatura. Por isso, eu penso que para o nosso curso a literatura é fundamental. A literatura também ajuda muito a pensar. Ela toca na História, na Antropologia, na Sociologia, na Filosofia, faz você parar para refletir as questões do Homem. Sem você ter que sair do seu lugar, a literatura lhe traz outros ângulos de seres
A literatura é importante para o Curso de Letras da UFSJ. A professora percebe o
encantamento dos alunos pela literatura.
A literatura ajuda a pensar. A literatura ajuda a refletir
acerca das questões do homem.
O educador tem que pensar no homem com quem está lidando. A literatura tem esse papel humanizador.
humanos que talvez você nunca iria pensar, e só a literatura lhe mostra. A literatura também é o lugar onde simbolicamente você pode exercitar o ódio, a dor, a tristeza. Eu acredito que tudo isso é fundamental para o Educador, porque nós também lidamos com seres humanos e não com papel e estatísticas.
O segundo depoimento apresenta mais detalhes que o primeiro, transcrito acima. Percebe-se, nas duas falas, a visão de literatura como instrumento de análise e compreensão do homem e do mundo. Principalmente no depoimento de Clarice Terra, nota-se a crença de que a literatura teria a capacidade de fazer o leitor refletir sobre seus problemas existenciais, pois o texto literário seria capaz de sugerir uma realidade mais profunda do que a realidade imediata do leitor.
A literatura proporcionaria a vivência de situações impensáveis ou impossíveis no cotidiano, assim como propiciaria ao leitor a possibilidade de encontrar, no mundo ficcional, reflexos de suas próprias angústias, paixões, frustrações, alegrias... Além disso, principalmente na primeira parte do depoimento de Clarice Terra, percebe-se a crença na literatura como objeto que levaria o leitor a tomar conhecimento de outras realidades culturais, muitas vezes distantes do leitor no tempo e no espaço.
Ainda tratando desse depoimento, nota-se também a função da literatura como catarse. Kátharsis é um termo grego que significa purificação, purgação. Segundo Laplanche e Pontalis (1997: 60-61), a palavra foi utilizada por Aristóteles para designar o efeito produzido no espectador pela tragédia. Ainda de acordo com os autores, para Aristóteles, a tragédia seria a imitação de uma ação virtuosa que aconteceu e que, por meio do temor e da piedade, suscita a purificação de certas paixões. Na linguagem médica, catarse é o termo que designa a eliminação de substâncias corporais maléficas e o consequente reequilíbrio da saúde. Na linguagem religiosa, a palavra designa a purificação do sujeito através de rituais. Na psicanálise, Freud utilizava o método catártico para induzir o paciente à rememoração, reintroduzindo no campo da consciência experiências subjacentes aos sintomas, mas esquecidas, “recalcadas” pelo sujeito. Essas recordações evocadas e mesmo revividas com uma intensidade dramática fornecem ao sujeito ocasião de exprimir, de descarregar os afetos que, originariamente ligados à experiência traumatizante, tinham sido de início reprimidos.
A arte literária tomou emprestado o termo para designar o seguinte mecanismo: o leitor distancia-se de si, de seu cotidiano, para estar no outro (no personagem), e vê o personagem a partir de si. Dessa forma, o leitor consegue reavaliar suas próprias angústias. Nas
palavras de Clarice Terra, “a literatura também é o lugar onde simbolicamente você pode exercitar o ódio, a dor, a tristeza.”
Para Jauss (In: LIMA, 1979, p. 80), Kátharsis ou catarse é aquele prazer afetivo resultante da recepção de uma obra verbal, que motiva o recebedor “tanto à transformação de suas convicções, quanto à liberação de sua psique”. A definição de catarse mostra-a basicamente como mobilizadora, pois propicia ao sujeito não apenas prazer, mas motiva-o à ação. A catarse constitui a experiência comunicativa básica da arte, explicitando sua função social, ao inaugurar ou legitimar normas, ao mesmo tempo em que corresponde ao ideal da arte autônoma, pois liberta o espectador dos interesses práticos e das implicações de seu cotidiano, oferecendo-lhe uma visão mais ampla dos eventos e estimulando-o a julgá-los. Novas formas de comportamento social são adotadas, bem como a revitalização da liberdade de formular juízos estéticos.90
c – Literatura como instrumento de resistência Valorização da Literatura no Curso
Quadro 47 Depoimento professor (UFMG)
Depoimento Explicitação dos sentidos
É tão difícil essa sua pergunta... Para alguns alunos, eu juro [em um tom de ironia] que é um fetiche. É um fetiche ficar sabendo usar o nome de um autor. Para muitos alunos, a literatura é coisa de prateleira, eu acho. Eu não sei essa resposta. Eu não sei falar qual a importância para os alunos, não faço ideia. Mas eu sou muito crente em relação à literatura. Não sei, talvez eu ainda tenha muita fé com a literatura, na boa literatura, assim, entre aspas. A que balança a gente, a que nos tira o tapete, ela seria um contradispositivo? Talvez eu ainda esteja muito crente com a literatura, como se ela fosse um livrinho debaixo do braço. Eu acho que a literatura tem uma importância na formação cultural, histórica, geográfica. Pelo menos nas minhas aulas eu tento alargar a visão de literatura para os alunos. A boa poesia (entre aspas) faz você arrepiar, você goza, como que uma coisa assim pode ser ensinada, como
Acha que a literatura é um fetiche para muitos alunos. Tenta alargar o horizonte dos
alunos, mostrando que a literatura não é só aquilo que está escrito. Ela é práxis, ou seja, é vivência.
Acredita na “boa literatura”, que ela denomina como aquela que faz o leitor sair de seu lugar comum (aquela que nos tira o tapete).
Mostra-se crente e, ao mesmo tempo, cética em relação à literatura. Ela seria um contradispositivo em um mundo tão utilitarista e
90 A esse respeito, veja-se LAGE, Micheline. Ler sem doer (2003), capítulo “Clareando a ideologia e construindo
que o aluno pode ficar sentado, anotando, se a poesia passa pelo corpo? Eu não acho que a literatura é aquilo que está escrito, eu acho que é mais práxis.
pragmático? A professora deixa essa interrogação.
No último depoimento, privilegiei a noção de literatura como contradispositivo. A literatura (a boa, a que nos tira o tapete), ou seja, a literatura desafiadora levaria a uma experiência estética que, simultaneamente, produz prazer e conhecimento. Essa literatura da qual a professora fala, propiciaria a emancipação do sujeito, porque decorre do prazer originado da oscilação entre o eu e o objeto, oscilação pela qual o sujeito se distancia de si, aproximando-se do objeto, e se afasta do objeto, aproximando-se de si. Para Jauss (In: LIMA, 1979), a natureza eminentemente liberadora da arte – fundindo o papel transgressor e comunicativo – é explicitada pela experiência estética. Essa experiência não é só intelectual: “você arrepia, você goza”. Assim, o prazer provocado pelo efeito da obra de arte no sujeito, renovando-lhe a percepção do mundo circundante, passa pelo corpo: é práxis.
O depoimento oscila em crer nisso e, ao mesmo tempo, não crer. A professora entrevistada pergunta: a boa literatura (entre aspas) seria um contradispositivo? E, depois afirma: “talvez eu tenha muita fé”. Aparece a imagem da literatura debaixo do braço – como a bíblia que os crentes carregam. A própria professora, ouvindo-se, não dá uma resposta definitiva, mostra-se cética, talvez em função dos tempos em que vivemos. Tempos de mercadoria, de imediatismo, de performance, de pragmatismo, de utilitarismo, conforme denuncia Sousa Santos (2006).
d- Literatura como estímulo à leitura
Valorização da Literatura no Curso
Quadro 48 Depoimento professor (UFV)
Depoimento Explicitação dos sentidos
Eu tenho visto e até mesmo trocado ideias com outros colegas... Eu acho que a literatura é uma disciplina que precisa ser trabalhada com muito cuidado, o que eu quero dizer é que a gente está perdendo leitores ao longo do tempo. É uma disciplina que exige leitura, leitura, leitura. Quer dizer, é complicado trabalhar a leitura com essa meninada, por isso que eu acho que o
A literatura é uma disciplina que precisa ser trabalhada com muito cuidado, porque se perdem leitores ao longo do tempo.
O foco principal para o aluno que entra no Curso de Letras
foco principal para o aluno que entra aqui é ler, arrumar tempo para ler, não adianta ficar reclamando. É uma disciplina que precisa de empenho por parte do leitor. Não adianta ficar com muitas preocupações como tempo para leitura. Nós não temos aqui alunos com um repertório cultural amplo, quer dizer, Viçosa atende a um alunado bem específico, que vem com